PAP1541 - Cooperação Transfronteiriça no eixo Norte de Portugal – Galiza: uma análise de redes sociais no sector automóvel
Desde que a primeira Euroregião foi criada no final dos anos 50, várias formas de cooperação transfronteiriça foram desenvolvidas em toda a Europa. A cooperação transfronteiriça, como parte de um processo de eliminação das fronteiras tem sido apoiada por fundos e programas da UE (como por exemplo, INTERREG) e a cooperação territorial surge como o terceiro pilar da política de coesão para o período 2007-2013, juntamente com a convergência e competitividade regional. Apesar de partilharem uma das mais extensas, antigas e estáveis fronteiras da Europa não havia tradição de cooperação transfronteiriça, ao nível institucional, entre Portugal e Espanha decorrente de restrições políticas. A adesão à CEE, em 1986, e o consequente processo de eliminação das fronteiras criou um novo contexto, que viria a facilitar e até mesmo a estimular o desenvolvimento das relações entre os dois países ibéricos. Embora se tenha verificado um aumento nas relações económicas entre os países, nem todas as regiões parecem ter sido particularmente activas. Estudos anteriores demonstram que apenas as regiões mais fortes foram participantes activos (Madrid, Catalunha, Lisboa e Vale do Tejo), enquanto as regiões de fronteira, ao contrário de outros países da UE, têm estado menos envolvidas. Um dos casos que parece contrariar esta tendência é a região transfronteiriça da Galiza e Norte de Portugal, onde podemos encontrar talvez um dos mais altos níveis de integração económica. As exportações da Região Norte para a Galiza de componentes para a indústria automóvel, apresentava em 1994 um peso reduzido (2,2%), uma década depois, estes produtos representavam 8% do total das exportações. Estes fluxos estão provavelmente relacionados com a localização da fábrica do consórcio francês PSA (Renault, Peugeot-Citroën), em Pontevedra e a CEAG, o cluster de produção galega de componentes para automóveis. Podemos assim formular a hipótese de que aquela fábrica e outras empresas do cluster externalizam etapas de produção para as empresas do Norte de Portugal, beneficiando da proximidade geográfica, acessibilidade alta e da diferença de salários. Na realidade, o sector automóvel na Região Norte assume uma importância bastante significativa, nomeadamente no subsector de componentes, constituindo uma das aglomerações mais fortes desta indústria em Portugal. Esta relevância aumenta se alargarmos o enfoque para a região transfronteiriça que abrange o eixo Norte de Portugal – Galiza. Ora, é justamente este o ponto de partida da presente comunicação, procurar perceber as dinâmicas regionais decorrentes da existência de formas de cooperação entre empresas do sector automóvel, tendo por base o projecto CB-Net - Redes Transfronteiriças de Relações entre Empresas: Norte de Portugal/Galiza e Alentejo-Extremadura (PTDC/CS-GEO/100409/2008).