PAP0704 - O lugar do trabalho na vida dos diplomados do ensino superior em processo de inserção profissional
Grupo de Trabalho: Inserção de diplomados do
ensino superior: relações objectivas e
subjectivas com o trabalho
A inserção profissional dos diplomados do
ensino superior tem sido alvo de estudos
europeus e nacionais devido à complexificação
dos percursos profissionais, caracterizados,
no presente momento, por configurações
diversas. Os diplomados constituem uma
população heterogénea, pois diferem nos
percursos de inserção profissional de acordo
com os recursos que podem mobilizar e as
formações académicas que detêm. Atendendo às
diferenças que os caracterizam, assim como as
oportunidades do mercado de trabalho, as suas
trajectórias podem ser lineares e socialmente
ascendentes ou intermitentes, pautadas por
períodos de precariedade e ou desemprego.
Nas sociedades contemporâneas, a importância
atribuída pelos indivíduos ao trabalho
remunerado tem sido reconhecida, no campo
sociológico, visto que os inscreve na
estrutura social, legitima socialmente as
fases biográficas e permite concretizar
aspirações. Mas não se pode ignorar o actual
contexto de maiores dificuldades económicas,
que pode influenciar a percepção do valor do
trabalho, inflacionando-o ou diminuindo-o, e
condicionar comportamentos que traduzem o
lugar preponderante do trabalho na vida,
devido ao investimento temporal que exige e a
monopolização que pode exercer sobre os
restantes tempos sociais.
O trabalho, enquanto esfera da vida social,
não pode ser desligado de outras dimensões da
vida, pois os indivíduos caracterizam-se por
uma múltipla pertença social, que se traduz em
investimentos simultâneos na esfera da
família, redes de sociabilidade, práticas
religiosas, associativas, políticas e
culturais e actividades artísticas e
desportivas. Assim, ao longo das trajectórias
profissionais, os diplomados podem ver as suas
práticas influenciadas pelo lugar que o
trabalho ocupa na vida: forma de realização
pessoal, resultado de condicionalismo
económico-financeiro e social ou acesso a
recursos para investir nas outras dimensões da
vida social a que atribuem maior importância.
Mas a maior centralidade atribuída ao trabalho
na vida pode não ser sinónimo da sua
preponderância face às outras esferas sociais,
da mesma forma, que o maior investimento no
trabalho pode não ser sinónimo da sua maior
centralidade, mas sim ser resultado de
constrangimentos financeiros que impelem a um
maior investimento temporal no trabalho.
Com a presente comunicação, no âmbito do
programa de doutoramento em Sociologia na
FCSH/UNL, com o apoio da FCT, pretende-se
apresentar parte do estudo em curso sobre a
percepção que os diplomados do ensino superior
em processo de inserção profissional têm do
lugar que o trabalho ocupa na vida e de que
forma interfere com as outras dimensões da
vida social, recorrendo aos dados do
projecto «Percursos de inserção dos
licenciados», do CESNOVA.