PAP1454 - Vulnerabilidade dos imigrantes em Portugal: processos específicos ou expressões de défices socioeconómicos gerais?
O início do primeiro decénio do século XXI foi marcado pela afirmação, eventualmente transitória, da condição imigratória de Portugal, o que aparece associado a uma multiplicação muito rápida do número de estrangeiros (em apenas 3 anos o país passa de cerca de 200 000 para aproximadamente 450 000), acompanhada por uma diversificação significativa dos grupos nacionais presentes em Portugal.
Perante esta pressão migratória, Portugal conseguiu montar, num período relativamente curto, um sistema de respostas sociais em matéria de integração, ancorado no Alto-Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, que tem sido objecto de reconhecimento internacional (vejam-se, por exemplo, as referências efectuadas no Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD de 2009, dedicado à temática das migrações internacionais) e que deu origem a uma classificação muito elevada no índice mais conhecido de avaliação das políticas formais de integração – o MIPEX.
A materialização desta política de imigração incluiu instrumentos específicos fundamentais, como os Centros Nacionais de Apoio ao Imigrante (CNAI), que funcionam em Lisboa, no Porto e, de forma complementar, em Portimão, e têm características de one stop shop destinado aos imigrantes onde estes podem resolver desde problemas relacionados com o estatuto legal até às questões do empreendedorismo ou do emprego, passando pelo apoio em matéria de assistência social ou de educação. Estes CNAI são acompanhados por uma estrutura mais leve constituída por cerca de 80 Centros Locais (os CLAII), que têm um papel de acompanhamento e de reencaminhamento, bem como por outras respostas como as escolas e os Centros de Emprego que implementam o Programa Português para Todos (PPT). Estas estratégias, e todas as outras que, em matéria de política pública, se direccionam para a integração dos imigrantes foram sintetizadas nos denominados Planos para a Integração de Imigrantes, o primeiro com uma vigência situada entre 2007 e 2009 e o segundo, actualmente em vigor, e cuja aplicação se prolonga até 2013.
Tendo em consideração as modificações que presentemente ocorrem no quadro imigratório, caracterizadas por uma atenuação dos fluxos acompanhada, quer por algumas saídas, quer por uma certa estabilização da presença de diversos imigrantes que está relacionada com o reforço de estratégias de reagrupamento familiar, torna-se relevante efectuar um balanço da política que tem sido seguida até agora, adequando-a a esta nova realidade.
Esta comunicação pretende, precisamente, dar um contributo para este processo de reflexão, colocando o debate em torno da necessidade de se manter um número relativamente elevado de soluções especificamente orientadas para os imigrantes ou, em alternativa, proceder a um enquadramento mais forte das respostas direccionadas para esta população no quadro geral das respostas sociais.