PAP0203 - Religiosidades e juventude universitária: algumas reflexões
Este trabalho pretende discutir as recentes alterações no âmbito religiosos entre a juventude universitária brasileira. Torna-se necessário estudar o papel que as múltiplas religiosidades, manifestadas dentro das universidades, desempenha na vida acadêmica de estudantes e as influências na sociedade. Do desencantamento do mundo proposto por Weber, e de previsões agonizantes das religiões, tem-se na sociedade, hodiernamente, um reencantamento do mundo, inclusive pela juventude, para espanto de muitos. Em períodos de pós-modernidade, um novo e revigorante fôlego vem sendo dado às diferentes maneiras de se relacionar com o religioso. O que outrora deixou de ser atribuído ao divino devido a processos de racionalização do pensamento e do conhecimento passa, novamente, a ter sua importância transcendente. Com isso, é possível constatar uma proliferação de um grande número de modalidades religiosas no Brasil, e como já relatado, no meio universitário. De caráter mediúnico como o espiritismo, as religiões afro-brasileiras, as pentecostais e católicas carismáticas, ou mesmo outras cristãs mais tradicionais (protestantes históricos), orientais, esotéricas, dentre outras, cada uma oferece diferentes alternativas sacras. Há uma gama variada de crenças e ritos relacionados às forças sobrenaturais (podendo haver a manipulação destas) e às intervenções dessas divindades no almejado bem-estar. Mesmo entre jovens, em décadas passadas tidos como militantes políticos, desinteressados pela religião, ela está bem viva e atuante, tanto na esfera privada quanto na pública, revigorada em suas diversas e múltiplas epifanizações. Até mesmo, e cada vez mais, no ambiente que se cobrava cético, racional e científico: as universidades. Essa “cientificidade” presente nas universidades, extremamente valorizada, requerida e cobrada atualmente, pode ser considerada reflexo de objetivos apresentados no último século, época tida como a da razão. Período que buscava e anunciava uma hegemonia da ciência e maneiras de explicar o mundo inteiramente desencantadas, já desprovidas da necessidade de apelo à magia, ao sobrenatural, às explicações que escapam do controle racional. Entretanto, as universidades brasileiras estão repletas de grupos religiosos que se reúnem para orar, cantar, missionar, entre outros, ocupando diversos espaços. Estes grupos trazem consigo, além de suas crenças, valores e culturas, inquietações. A universidade, enquanto espaço de desdobramentos de processos de escolarização e de formação profissional, sofre interferências inúmeras, de diversas ordens sociais, culturais e políticas. E dentre essas, são afetados também pela religião, pelas crenças do indivíduo, uma vez que, como visto, a religiosidade pode estabelecer poderosas, penetrantes e duradouras disposições e motivações no ser humano; ajustar as ações, os comportamentos e conduzir condutas.