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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

Crenças e Religiosidades[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 2 - Religiosidades e desafios teóricos[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1268 - O valor de ser pobre na perspectiva das bem-aventuranças
    Resumo de PAP1268 - O valor de ser pobre na perspectiva das bem-aventuranças PAP1268 - O valor de ser pobre na perspectiva das bem-aventuranças
    • DANTAS, Lúcio Gomes CV de DANTAS, Lúcio Gomes
    •  TUNES, Elizabeth CV - Não disponível 
    • PAP1268 - O valor de ser pobre na perspectiva das bem-aventuranças

      Esta comunicação versa sobre a pobreza como valor, contrariamente como a maioria da literatura, baseada na Economia e na Sociologia, trata esta categoria. A escolha por essa temática é compreendida sob os aspectos teológicos cristãos e filosóficos. Dentro desses aspectos, rompemos visões lineares economicista para compreendermos a pobreza por outro prisma. Trazemos a Teologia e a Filosofia para dialogarem com a pobreza como desafio em penetrar na experiência e no conteúdo da fé, uma fé pensante e pensada, crítica e sistemática, em uma palavra, a fé que se dobra diante da compreensão reflexiva e que leva a ação. Nessa perspectiva, a discussão se torna ética na medida em que o cenário social – a pobreza – pode nos ajudar a compreender a pessoa do pobre sem vinculá-lo a um extrato social. Recorremos, entretanto, aos ensinamentos cristãos baseados no evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus, especificamente os contidos nas bem-aventuranças: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Por ser um discurso inaugural protagonizado por Jesus Cristo, este é considerado como tratado de amor e felicidade. A pobreza em espírito, ante o exposto, exige das pessoas um trabalho interior voltado para si mesmo. É a atitude de liberdade e de independência, pronto para caminhar. Bem-aventuranças, em hebraico, quer dizer em marcha, ao contrário de infeliz, que quer dizer estar parado, parado sobre si mesmo, em sua imagem, sintomas e memórias. A pobreza cristã consiste em uma liberdade de coração que é desprendimento de pessoas e coisas para crescer. Sobre esse aspecto, afirmamos que um estilo de vida pobre desabsolutiza os bens do mundo, como consequente desapego, pela sobriedade no uso dos bens e pela vontade de colocá-los a serviço das pessoas que necessitam. A pobreza tomada nesse sentido não pode ser dissociada da decisão de eliminar as estruturas responsáveis pela exclusão de tantas pessoas. Isso nos leva a crer que a exigência do desapego dos bens materiais e a primazia das riquezas de espírito tornam-se um compromisso de testemunhar uma vida mais virtuosa. Mas, como vivenciar uma vida pobre frente aos apelos consumista do mundo moderno? Como visto pobreza aqui não é sinônima de indigência, em sentido econômico, mas ausência do supérfluo, pois esse tipo de pobreza nos leva a frugalidade, a moderação, sem consistir em falta do necessário para viver. Desse ponto de vista, é um contraponto da sociologia do consumo. Para isso, tomamos como referência o filósofo peruano Alberto Wagner de Reyna, para balizar a nossa discussão. A pobreza como um valor se distancia da fascinação do consumismo e da sedução do aparato econômico. Esses valores estão explícitos em virtudes clássicas como sobriedade e simplicidade frente aos bens materiais, própria da mensagem cristã. Por fim, uma vida idealizada no desenvolvimento como riqueza material, parece ser um ideal “empobrecedor” para o espírito.
  • Lúcio Gomes Dantas - Professor do curso de Pedagogia na Universidade Católica de Brasília (UCB). Membro do Instituto dos Irmãos Maristas. Licenciado em Filosofia, especialista em Administração e Planejamento Escolar, mestre em Psicologia e doutorando em Educação na Universidade de Brasília. Tem experiência na área de gestão escolar com ênfase em Educação Cristã Católica; pesquisador sobre histórias de vida ligadas à formação docente e Educação Especial inclusiva, especificamente alunos com altas habilidades/superdotação. Atualmente investiga o fenômeno da pobreza vinculada à escolarização na perspectiva da ética.
  • PAP1082 - Do habitus religioso ao habitus político
    Resumo de PAP1082 - Do habitus religioso ao habitus político 
    • BORRALHO, Álvaro CV de BORRALHO, Álvaro
    • PAP1082 - Do habitus religioso ao habitus político

      Partindo da articulação entre três conceitos fundamentais da teoria da prática (Bourdieu) – campo, capital e habitus – explora-se, nesta comunicação, a relação entre habitus religioso e habitus político para tentar perceber de que modo uma socialização religiosa intensa é, também ela, uma forma de socialização política. Com efeito, a socialização religiosa tem sido visto, quase sempre, como uma das modalidades da socialização secundária (Berger, Luckmann). No entanto, a socialização religiosa é política na medida em que inculca um conjunto de disposições nos actores sociais que os obriga a reconhecer um centro de autoridade (religiosa e eclesiástica), com um grupo de agentes dispostos de forma organizada numa estrutura de relações de dominação (campo). Com base numa pesquisa empírica recente – A Sagrada Aliança. As relações do campo religioso com o campo político nos Açores, 1974-1996 – explora-se o conjunto de relações existentes entre os dois processos de socialização e a criação de um habitus religioso e de um habitus político e procura-se ver de que modo o primeiro influencia o segundo. Para a aquisição de capital religioso é fundamental a socialização religiosa operada desde tenra idade na família. Os actores sociais revelam ter sido inseridos religiosamente muito cedo, com o primeiro sacramento (o baptismo) que sinaliza e atribui a identificação propriamente dita e institui a qualidade de cristão sem a qual não se pode pertencer ao campo religioso. Rito iniciático do campo religioso, realiza-se quase sempre com pouco tempo de vida e é uma clara subordinação do sujeito às regras do campo religioso na medida em que se efectua sem a expressão da vontade individual do agente. É acto religioso mas também de dominação e, por isso, político. O campo religioso está subordinado a esta lógica de impor dominação e a sua particularidade é dominar dando a aparência que não domina pelo efeito de monopolizar a vida religiosa e de esta ter subordinado a vida social. Esta primeira aquisição permite que o novo membro do campo religioso possa adquirir os outros interesses desenvolvidos pelos agentes eclesiásticos, colocados à sua disposição sem se dar conta que está a escolher interesses produzidos com vista a essa escolha. Catequese, ensinamento cristão, comunhão, crisma, casamento, etc., são a expressão dos interesses estruturantes do campo religioso.
  • Álvaro Borralho
    Professor auxiliar da Universidade dos Açores e investigador no Centro de Estudos Sociais (UAc).
    Doutor em Sociologia pela Universidade dos Açores (2010).
    Interesses de investigação: relação política e religião; Estado e Igreja; políticas públicas, cidadania e participação política.
  • PAP0464 - A religião como sistema cultural: uma compreensão a partir de novos movimentos eclesiais
    Resumo de PAP0464 - A religião como sistema cultural: uma compreensão a partir de novos movimentos eclesiais 
    •  FERRÃO, Euzalina da Silva CV - Não disponível 
    • PAP0464 - A religião como sistema cultural: uma compreensão a partir de novos movimentos eclesiais

      O presente trabalho é uma abordagem sobre a “religião como um sistema cultural” definido por Geertz ao tratar o tema da religião na sua obra “Interpretação das Culturas”. A partir daí, procuro identificar como, a religião da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) vai modificar sua atuação no mundo para possibilitar a participação dos leigos nas suas estruturas, principalmente como necessidade de permanecer formulando a concepção de vida no mundo. A exposição que trago me leva, então, corroborar com Geertz, por tratar que cada religião tem sua particularidade, assegurando que os estudos no campo da religião, foram dominados e reproduzidos de acordo com a tradição das discussões iniciadas por “Durkheim sobre natureza do sagrado, a metodologia Verstehenden de Weber, o paralelo de Freud entre rituais coletivos e a exploração feita por Malinowski, sobre a diferença entre religião e senso comum”. Onde “esse é o ponto de partida para todo estudo da antropologia da religião”. Aponta, ainda, que “para ir, além disso, é preciso um contexto mais amplo do pensamento contemporâneo do que elas abrangem”. Seguindo a orientação de Geertz, aproximo-me das abordagens sobre os estudos feitos a respeito dos NMEs e a mudança estrutural que os mesmos operam no seio da sociedade, a partir dessa compreensão do estudo antropológico da religião, principalmente, para entender como os fenômenos contemporâneos, decorrentes desses movimentos, têm se evidenciado no universo da ICAR, e possibilitando, talvez, um resignifcado do sentido dessa Religião no Brasil. Para explicar tais modificações tomo como base de investigação os estudos de Benedetti e Maués (dois estudiosos da religião que fazem análise da atuação da ICAR na sociedade brasileira), principalmente, quando tratam dos Novos Movimentos Eclesiais (NMEs) da ICAR, desde o contexto em que surgiu, bem como, a concomitância de práticas tradicionais com modernas e, muitas vezes, de forma conservadora para adequação às transformações ocorridas na sociedade mundial. Nesse sentido, tento demonstrar que a religião ao quebrar paradigma está modelando a cultura. Como exemplo, aponto os casos estudados em Campinas-SP por Benedetti; em Belém-PA por Maués; na Transamazônica-PA por Hébette e, as minhas impressões do que observei na ilha de Marajó-PA, local em que venho fazendo investigações. Assim, quis apresentar uma panorâmica das mudanças nas estruturas da ICAR e como ela se reflete na sociedade brasileira. Os casos aqui estudados
  • PAP0312 - Azkenazi Jews in Lisbon: recongregation of a community
    Resumo de PAP0312 - Azkenazi Jews in Lisbon: recongregation of a community PAP0312 - Azkenazi Jews in Lisbon: recongregation of a community
    • PIGNATELLI, Marina CV de PIGNATELLI, Marina
    • PAP0312 - Azkenazi Jews in Lisbon: recongregation of a community

      The askenazim are Jews from Eastern Europe. They arrived in Lisbon not without unexpected reversal of circumstances in their homelands and settled, almost one hundred years ago, with several difficulties and setbacks in the Portuguese society. Their rituals, their language, their traditions and their professions were fairly different from the ones found not only among the Portuguese population in general but also from the Sephardim Jews, already settled here. Despite the fact that there was a Jewish community (Kehila) in Lisbon, since late 17th century, these Jews have arranged to found their own place for worship and religious services and established themselves in a different part of the city that came to be coined as the “Jewish neighbourhood”. This new community has almost faltered or integrated, after WWII, until recently, when “other” Jews not belonging to the Jewish Community of Lisbon (CIL) wished to gather in an alternative synagogue in the same town. That makes the expression: where there are two Jews, there are three opinions, a true mote in Portuguese soil. So this paper intends to focus on the changes occurred among the community now called Kehila Beit Israel, a Conservative Jewish congregation that has revivified the old Ohel Yaacov Synagogue and intends to remain apart from the CIL in the years to come. The study relied on qualitative research methods, including participant observation and qualitative interviews to a sample selected through the snow-ball technique. The main conclusion of the research is that even in contexts were anti-semitism is not a strong threat to the survival of Jewish identity, as is the case studied Jews tend to develop their own strategies in order to achieve self determination and congregate according to their own specificities, namely, their national, social and religious backgrounds. Traditionally, ten emancipated men, that is, ten individuals who have gone through a Bar/Bat Mitzvah – the adulthood passage ritual, may lead a religious service and start a new community. Jewish identity is, thus continuously being constructed and reshaped according to social environment.
  • Marina Pignatelli is a PhD in Social Sciences, Cultural Anthropology, M.A. in Anthropological Sciences and Assistant Professor at the Social and Political Sciences Institute – Technical University of Lisbon. Having completed two post-graduations (Ethnology of Religions and Sephardic Studies), as well as several open courses in Religion and Conflict Resolution, she has been researching the Portuguese Jewish reality, since 1991, and more recently, developing studies also on intercultural andethnic conflicts.


    PIGNATELLI, Marina
    Doutora em Ciências Sociais, na especialidade de Antropologia Cultural
    Universidade Técnica de Lisboa – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas
    mpignatelli@iscsp.utl.pt
  • PAP0302 - Religião e Comensalidade: Max Weber e o dia de Antioquia
    Resumo de PAP0302 - Religião e Comensalidade: Max Weber e o dia de Antioquia PAP0302 - Religião e Comensalidade: Max Weber e o dia de Antioquia
    • FREITAS, Renan Springer de CV de FREITAS, Renan Springer de
    • PAP0302 - Religião e Comensalidade: Max Weber e o dia de Antioquia

      Quando, em nossos dias, partilhamos a mesa em restaurantes com pessoas cuja religião, ou cujas crenças e valores de um modo geral, nos são inteiramente desconhecidos, dificilmente imaginamos que uma experiência dessa natureza está longe de ser uma trivialidade. Assim, qualquer leitor da Epístola de Paulo aos Gálatas há de se impressionar com o incidente de Antioquia, no qual Paulo repreende Pedro em razão de este último ter se recusado a compartilhar a mesa com os gentios. Max Weber viu neste episódio o limiar de uma transição evolutiva (ou "desenvolvimental") decisiva, na qual um padrão particularista, heteronômico de conduta, simbolizado pela recusa farisaica de Pedro em manter-se à mesa com os gentios, deu lugar a um padrão universalista e autônomo de conduta, simbolizado pela repreensão cristã que Paulo lhe dirigiu. Mais que um “precedente memorável” para a “comensalidade universal” que poderia se estabelecer a partir de então, Weber enxergou na repreensão de Paulo a Pedro o momento mesmo de “concepção” da cidadania tal como hoje a conhecemos. No rastro de Weber, o sociólogo alemão Wolfgang Schluchter viu nesse episódio bíblico um momento paradigmático de transição de uma ética utilitária da “estrita reciprocidade”, característica da expectativa de ajuda mútua peculiar a vizinhos, a uma autêntica “ética religiosa da fraternidade”, regida pelo princípio da “unilateralidade do ‘dever do amor’”; de uma conduta regida pelo princípio do “do ut des” (dou-te para que me dês) a uma que encerra a “renúncia à (mundana) reciprocidade estrita”; e de uma ética dual (isto é, que supõe um padrão de conduta em relação aos do mesmo grupo e outro em relação aos de fora) ao universalismo. Argumenta-se que esta linha de raciocínio, embora impecável em seus próprios termos, conduz-nos a um quadro empiricamente falso a respeito da importância histórico-cultural do trabalho missionário de Paulo, das relações entre cristãos, gentios e judeus no período que se seguiu à sua pregação e das relações entre a ética farisaica e a ética peculiar ao cristianismo primitivo. A obtenção de um quadro mais veraz a respeito de tudo isto requereria um exame mais detido a respeito do significado do advento da sinagoga, por um lado, e da importância da apologia patrística para o desenvolvimento do cristianismo, por outro. A ênfase de Weber no trabalho missionário de Paulo levou-o a eximir-se de tais tarefas.
  • Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1980), mestre em Sociologia pela Sociedade Brasileira de Instrução - SBI/IUPERJ (1983) e doutor em Sociologia pela mesma Instituição (1989). Pesquisador visitante na Universidade de Amsterdam, no período 1990-1992, com bolsa de pós-doutorado concedida pela CAPES e Professor visitante na Duke University, EUA, em setembro de 2006. Atualmente é membro do Conselho Editorial da Revista Philosophy of the Social Sciences. Professor Titular da Universidade Federal de Minas Gerais. Temas sobre os quais leciona e publica: teoria sociológica, sociologia do conhecimento, sociologia da ciência e sociologia da religião.