PAP1268 - O valor de ser pobre na perspectiva das bem-aventuranças
Esta comunicação versa sobre a pobreza como valor, contrariamente como a maioria da literatura, baseada na Economia e na Sociologia, trata esta categoria. A escolha por essa temática é compreendida sob os aspectos teológicos cristãos e filosóficos. Dentro desses aspectos, rompemos visões lineares economicista para compreendermos a pobreza por outro prisma. Trazemos a Teologia e a Filosofia para dialogarem com a pobreza como desafio em penetrar na experiência e no conteúdo da fé, uma fé pensante e pensada, crítica e sistemática, em uma palavra, a fé que se dobra diante da compreensão reflexiva e que leva a ação. Nessa perspectiva, a discussão se torna ética na medida em que o cenário social – a pobreza – pode nos ajudar a compreender a pessoa do pobre sem vinculá-lo a um extrato social. Recorremos, entretanto, aos ensinamentos cristãos baseados no evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus, especificamente os contidos nas bem-aventuranças: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Por ser um discurso inaugural protagonizado por Jesus Cristo, este é considerado como tratado de amor e felicidade. A pobreza em espírito, ante o exposto, exige das pessoas um trabalho interior voltado para si mesmo. É a atitude de liberdade e de independência, pronto para caminhar. Bem-aventuranças, em hebraico, quer dizer em marcha, ao contrário de infeliz, que quer dizer estar parado, parado sobre si mesmo, em sua imagem, sintomas e memórias. A pobreza cristã consiste em uma liberdade de coração que é desprendimento de pessoas e coisas para crescer. Sobre esse aspecto, afirmamos que um estilo de vida pobre desabsolutiza os bens do mundo, como consequente desapego, pela sobriedade no uso dos bens e pela vontade de colocá-los a serviço das pessoas que necessitam. A pobreza tomada nesse sentido não pode ser dissociada da decisão de eliminar as estruturas responsáveis pela exclusão de tantas pessoas. Isso nos leva a crer que a exigência do desapego dos bens materiais e a primazia das riquezas de espírito tornam-se um compromisso de testemunhar uma vida mais virtuosa. Mas, como vivenciar uma vida pobre frente aos apelos consumista do mundo moderno? Como visto pobreza aqui não é sinônima de indigência, em sentido econômico, mas ausência do supérfluo, pois esse tipo de pobreza nos leva a frugalidade, a moderação, sem consistir em falta do necessário para viver. Desse ponto de vista, é um contraponto da sociologia do consumo. Para isso, tomamos como referência o filósofo peruano Alberto Wagner de Reyna, para balizar a nossa discussão. A pobreza como um valor se distancia da fascinação do consumismo e da sedução do aparato econômico. Esses valores estão explícitos em virtudes clássicas como sobriedade e simplicidade frente aos bens materiais, própria da mensagem cristã. Por fim, uma vida idealizada no desenvolvimento como riqueza material, parece ser um ideal “empobrecedor” para o espírito.