PAP0720 - Igreja Universal: criação de novos espaços e estratégias no campo religioso
A Catedral da Fé, também conhecida como Templo Maior, da IURD – Igreja Universal do Reino de Deus, sede da instituição no Rio de Janeiro, Brasil, foi construída com materiais de construção oriundos de Israel. Configura-se aqui um fenômeno de transnacionalização do sagrado, mas de uma maneira específica: o bem simbólico não necessita ser o mesmo existente em Jerusalém, ou seja, um pedaço, ou fragmento do muro dito original, mas apenas ser oriundo do mesmo local. Dessa forma, segundo os esquemas de percepção de muitos fiéis, os bens simbólicos que ali circulam carregam um sentido de sacralidade, inerente ao seu local de origem e também são ressignificados de acordo com a lógica local. A existência desse tipo de espaço garante à instituição religiosa uma eficaz estratégia de capitalização simbólica dentro do campo religioso. Afinal, pessoas de diferentes denominações passam a circular dentro da Igreja e algumas chegam até a frequentar algum culto, mesmo que de forma esporádica, o que constitui também uma importante estratégia para obtenção de fiéis e/ou simpatizantes à instituição. Em 2008, a IURD inaugurou o CCJ - Centro Cultural Jerusalém, que conta com uma maquete de 736 m² da cidade antiga de Jerusalém, do séc I. O segundo andar do Centro Cultural abriga exposições itinerantes e também tem espaço para uma exposição fixa. A comunidade judaica pediu muito à direção do Centro e a exposição sobre o Holocausto, que a princípio era itinerante, tornou-se fixa, assim como a exposição sobre a formação de Israel e o movimento sionista. Dessa forma, a Igreja Universal passa a adotar símbolos ditos judaicos em seus rituais, com o propósito de aumentar a fé e aproximar o homem de Deus. É importante ressaltar como a IURD passa, com esses espaços, na liminaridade entre o religioso e secular, a formar um determinado circuito religioso nacional e até mesmo transnacional, promovendo uma circulação de agentes de instituições distintas, que mesmo sem integrar o corpo de fiéis, reconfigura a posição ocupada pela Universal no campo religioso e lhe confere o monopólio de distribuição de bens simbólicos ditos judaicos, um fenômeno cada vez mais marcante nas religiões ditas evangélicas, que vem adotando tais signos em seus rituais. A circulação de agentes ditos judaicos em uma instituição vinculada à Universal passou a legitimar os bens simbólicos vendidos na loja de souvenires e também diversos cultos e campanhas promovidas pela Igreja. Dessa forma, protestantes históricos passaram a frequentar o Centro Cultural, a adquirir bens simbólicos no local, já que a presença judaica concedeu à IURD certo monopólio na produção e distribuição de signos ditos judaico, por meio da criação de um ambiente laico, para certos agentes, mas que mantem traços religiosos, para publicização da IURD.