PAP0586 - Controle e uso das atividades lazer e do tempo livre durante os governos militares no Brasil (1964-1984)
O regime militar, em termos muito resumidos, foi um período de estagnação das manifestações artísticas e culturais, de proliferação das empresas multinacionais e ampliação da dívida externa. As práticas de lazer caracterizaram-se pela presença da censura, apropriação de manifestações populares pela indústria cultural, utilização ideológica do esporte, expansão do turismo e exclusão social. As manifestações populares foram cerceadas e os sucessivos governos militares incentivaram a expansão dos meios de comunicação, em particular a televisão, com as telenovelas. O período marca o retrocesso do lazer popular e o início de um lazer urbano-industrial, com o Estado autoritário tomando para si a tarefa de ofertar lazer para as camadas populares, enquanto busca controlar as manifestações espontâneas. O referencial teórico fundamenta-se na percepção de que os sujeitos agentes da ação social buscam, de formas racionais, objetivos que podem ser compreendidos a partir da sua observação (ALMEIDA e GUTIERREZ, 2011). A partir das contribuições da sociologia compreensiva, é fundamental perceber o controle de estado por um grupo que se hegemoniza sobre a sociedade, com características próprias e articulados internamente a partir de um projeto comum e conhecido, para ilustrar a evolução das práticas de lazer e ocupação do tempo livre. Esta interpretação é auxiliada pelo corte temporal, o período dos governos militares no Brasil, durante o qual, apesar das transformações que levam á sua derrubada e à restauração da democracia, há uma continuidade ideológica e nas formas de intervenção. Concluiu-se que o regime militar se caracterizou por: (a) um empobrecimento cultural nas artes, com inúmeras produções censuradas e artistas exilados; (b) a limitação do lazer popular pela vigência do estado de sítio e repressão nas ruas; (c) a ampliação do lazer urbano-industrial com cinemas, teatros, clubes e turismo; (d) investimento de grandes grupos econômicos na área do lazer; (e) a utilização ideológica das vitórias esportivas; (f) uma preocupação em promover programas de atividade física a exemplo do Esporte para Todos; e (g) o desenvolvimento da televisão e das telenovelas como a mais freqüente forma de lazer da maioria dos brasileiros. Não é possível, nos limites deste resumo, expor toda a complexidade do período abordado. O regime passou por fases de endurecimento e distensão. Ocorreram divergências no interior do próprio grupo dominante assim como a relação com os representantes