PAP1358 - Dimensão sociológica do processo de decisão de compra de bens de grande envolvimento: automóveis de gama média-alta
No processo de
(re)construção das
identidades, no
contexto de uma
sociedade de consumo
e de consumidores,
os actores sociais
consomem os objectos
enquanto signos
diferenciadores,
através dos quais
mobilizam a
expressão de uma
posição social, de
status ou a
expressão de um
estilo de vida.
Sem perder de vista
a importância de que
se revestem os
lugares de classe
referenciais na
subjectividade dos
actores, damos conta
da existência de uma
classe burguesa,
cujas práticas de
consumo são
passíveis de
revelar,
ostensivamente, os
respectivos lugares
de classe de
pertença.
Surge, deste modo,
uma classe de bens,
cujo consumo
representa a
assumpção de um
conjunto de signos
enquanto símbolos de
sucesso de pertença
classista distintiva
e, em última
análise, de
mobilidade
ascendente
consolidada ou em
processo de
consolidação.
Genericamente, os
bens de grande
envolvimento e
particularmente os
bens de luxo, são
exemplo disso.
É precisamente sobre
este tipo de bens
que, no âmbito de
uma investigação
doutoral em curso,
procuramos dar
resposta à questão:
“Qual o papel
desempenhado pelo
contexto de
socialização dos
indivíduos no
processo de decisão
de compra de bens de
grande
envolvimento?”. Para
dar corpo e
concretizar esta
questão, elegemos a
aquisição de
automóveis de gama
média-alta como
objecto de estudo,
realizada entre os
anos 2005 e 2010.
O objecto de estudo
circunscreveu-se aos
detentores de
Mercedes Classe E,
Audi modelo A6 e BMW
Série 5. Foram
escolhidas estas
marcas/modelos, não
só por essas marcas
serem consideradas
“marcas premium”, de
acordo com as
entrevistas
exploratórias
realizadas nos
diferentes pontos de
venda, mas também,
porque esses modelos
representam
proporções
significativas nas
vendas deste
segmento, variando
de 79% até 88%, no
período em estudo.
O interesse em
estudar o processo
de decisão de compra
de automóveis de
gama média-alta
inscreve-se num
quadro que pretende
averiguar de que
forma essa posse
funciona como fonte
de prestígio para o
proprietário, dentro
de uma lógica de
representações
simbólicas e dos
correspondentes
lugares de classe,
enquanto
manifestação de um
capital, não só
económico mas também
cultural, social e
simbólico, e
enquanto
manifestação de um
conjunto de
disposições
incorporadas.