PAP0413 - EXPANSÃO URBANA E SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL DA GRANDE TERRA VERMELHA
O desenvolvimento que marcou o estado do Espírito Santo a partir da segunda década do século XX desestruturou a tradicional economia agrário-exportadora, em favor de um padrão de acumulação apoiado na industrialização, mudando o perfil urbano da Região Metropolitana da Grande Vitória, composta pelos municípios de: Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória. Na esteira dessa modernização industrial, além do crescimento econômico, que se tornou dominante, intensificou-se o processo de pobreza, exclusão e vulnerabilidade socioambiental, decorrente, dentre outros fatores, da precarização do trabalho e das condições mínimas necessárias a sobrevivência.
O município de Vila Velha, campo de estudo desta pesquisa, apesar de passar pelo mesmo processo de desestruturação sócioespacial dos outros municípios da Região, possui características diferentes dos mesmos. Vila Velha é uma região tipicamente habitacional, com o maior número de bairros da Região Metropolitana da Grande Vitória, e suas atividades econômicas mais dinâmicas sempre foram a pesca e o comércio. E um dos fatores de maior influência para a expansão populacional do município foi “[...] a implantação da política habitacional, que desenvolveu no município um amplo programa de construção de casas populares, projetadas e implantadas pela Cohab/ES e Inocoop/ES, a fim de diminuir a pressão populacional sobre Vitória” (SIQUEIRA, 2001:110).
Entretanto, essa política não foi suficiente para atender as necessidades de habitação da região, havendo assim uma proliferação de favelas e invasões em áreas de risco e proteção permanente. Esse cenário, aliado a carência de oportunidades de trabalho intensificou a pobreza, a vulnerabilidade socioambiental e a violência urbana, que se expandiram e ganharam expressão no tecido urbano do município, com ampla representatividade na região periférica.
Nesse contexto, este trabalho analisa o redesenho do espaço urbano da microrregião da Grande Terra Vermelha, a redefinição de sua dinâmica local, as novas clivagens que afetam a economia local, as novas formas de sociabilidade e redes sociais em suas diferentes formas de expressão e suas correlações com a violência, em 2000. Num cenário, caracterizado pela pobreza, desemprego, precariedade urbana e vulnerabilidade ambiental, (e, portanto, complexo), o aprofundamento do estudo da trajetória e expansão urbana da microrregião da Grande Terra Vermelha, permite uma leitura mais realística das questões empíricas do fenômeno da desigualdade socioespacial e segregação na região.