PAP0300 - ENTRE A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E O MERCADO DE TRABALHO: UMA INVESTIGAÇÃO A PARTIR DO COTIDIANO PEDAGÓGICO DE ALUNOS E ALUNAS DOS CURSOS TÉCNICOS DO INSTITUTO FEDERAL
O presente trabalho trata das expectativas que jovens estudantes brasileiros têm de ingressar pela primeira vez no mercado de trabalho ou de obter melhor colocação profissional. O mercado de trabalho, atualmente, sinaliza abertura de vagas ao mesmo tempo em que há a promessa de que os melhores qualificados não ficarão à mercê do desemprego. Para tanto, muitos jovens procuram as instituições de educação profissional crentes de que após o curso estarão empregados dignamente. Entre as instituições de ensino mais procuradas, estão as que pertencem à Rede Federal de Educação Profissional. A pesquisa situa-se no Instituto Federal de Sergipe, uma escola centenária, localizada no Nordeste brasileiro. Nela, por meio de grupos focais e de entrevistas colhemos depoimentos de alunos e alunas dos cursos técnicos Eletrônica e Eletrotécnica. Deles, procuramos perceber, além de suas expectativas, como se dá a formação acadêmico-profissional, como se relacionam com os professores e com os colegas, como interagem com as novas tecnologias, como se veem homens e mulheres trabalhadores da indústria etc. Evidentemente, aparecem na pesquisa dois grandes binarismos, a saber: escola – empresa e homem – mulher. O primeiro trata da aproximação existente entre a instituição e o mercado de trabalho, afinal a própria formação pedagógica conta com estágio e visitas técnicas. Apesar de parecerem integrados, não raro ocorrem distorções entre o que é ensinado e o que é cobrado na empresa. O segundo binarismo aparece fortemente marcado pelas relações de gênero presentes na escola, nas indústrias e na sociedade de modo geral. Apesar de serem todos jovens buscando melhor qualificação para o mercado, o fato de estarem nos cursos de Eletrônica e de Eletrotécnica levou-nos a perceber, inevitavelmente, que se trata de cursos em que há a predominância de rapazes. Mais que isto, levou-nos também a perceber que as fábricas continuam empregando muito mais os homens do que as mulheres. O trabalho, presente nessa comunicação, está voltado para a educação profissional, para o mercado de trabalho e para as relações de gênero. Assim, sua base teórica está composta de Charlot (2005; 2007), Demo (1998), Hirata (2003), Butler (2003) entre outros. Suas entrevistas e grupos focais foram estudadas a partir da análise de discurso numa perspectiva foucaultiana (FOUCAULT, 1998). Os resultados apontam para uma necessária reflexão acerca das relações entre mercado de trabalho e educação profissional. O cenário brasileiro, bem como dos países ibero-americanos, exige novos posicionamentos diante das demandas trabalhistas que muitas vezes camuflam com novas roupagens velhos e repetidos problemas que oprimem os trabalhadores. Apesar de Portugal e Brasil terem distintas culturas, possivelmente, a realidade educação e trabalho em que se inserem os jovens brasileiros tem pontos de contato com a realidade dos jovens portugueses.