PAP1578 - Práticas, gostos e fruições musicais nas cidades, um ensaio tipológico dos públicos de uma cena
Iremos aprofundar o olhar acerca daquilo que designamos como «encontro feliz» entre as disposições juvenilizadas (ou seja, susceptíveis de se identificarem com o arbitrário socialmente constituído para designar o que é a juventude) e as posições objectivas disponíveis no espaço social da cultura urbana é tudo menos fortuito. Resulta precisamente dos jovens estarem predispostos a reverem-se neste género de cultura («isto é para a malta nova», «é preciso ser jovem para se compreender isto», «vá-se lá entender estes jovens», etc.) porque são eles que se encontram dotados quer com os recursos (onde se incluem os interesses, ou seja, os propósitos), quer com a oportunidade (como algo que vem a-propósito, isto é, simultaneamente conforme as expectativas e as possibilidade que se têm), quer ainda com as pré-disposições que os sensibilizam a apropriarem-se destes produtos como apropriados para eles (como estando no seu «destino» de jovens). Os jovens são os depositários mais fiéis destas dinâmicas culturais porque, em virtude da sua condição social objectiva, são aqueles que reúnem os meios e as intenções para se reconhecerem como tal, fazendo emergir uma homologia entre corpos jovens e as coisas que cria e anima os espaços e os tempos da cultura urbana musical.