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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Ações»

PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE
Resumo de PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE
PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE

Portugal tem vivido ao longo dos últimos trinta e cinco anos etapas diversas da construção da democracia. Percorremos um caminho de crença a um quotidiano de incerteza. A actualidade torna frágil a soberania. O quadro representado no tempo presente, permite constatar a projecção global dos interesses nacionais mas em contrapartida, deixa o país permeável a toda a gama de interesses exógenos. Antes como agora na nossa história como Nação, os portugueses têm encontrado e ultrapassado momentos de transição. A tecnologia, os mercados financeiros e a democratização de muitas sociedades aceleraram a globalização numa escala sem precedentes. Porém, a globalização também intensificou os perigos que nós encaramos como o terrorismo internacional e disseminação/propagação de tecnologias letais, perturbações económicas e a mudança climática. As modificações operadas na sociedade portuguesa reflectiram-se num sector sensível dos interesses nacionais – os Serviços de Informações. As diversas alterações de objectivos e os vários enquadramentos institucionais a que os Serviços de Informações têm sido sujeitos, e que resultaram na constituição do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), são os fiéis intérpretes do percurso sinuoso a que este sector da vida nacional tem sido sujeito e espelham as respostas às realidades distintas construídas desde o tempo das certezas ao tempo global do risco, da incerteza e da fragilidade. Nesta panóplia de alterações, firma-se um registo que desperta a nossa curiosidade: os Serviços de Informações Militares. No mesmo período em que as alterações de funções e estrutura organizacional se verificaram nos Serviços de Informações e particularmente nas Informações Militares, Portugal, através das Forças Armadas e enquanto membro de diversas Organizações Internacionais vem prestando o respectivo contributo ao esforço colectivo de promoção da paz e segurança numa perspectiva global, apresentando uma projecção de Forças Nacionais Destacadas (FND) sem paralelo histórico nacional. No entanto, a disseminação de FND ao invés de fortalecer a posição do sector das Informações Militares no conjunto do sistema de informações, correspondeu à diminuição da importância daquele sector, ou seja, num contexto de incerteza global, a necessidade de saber não só se mantém como deve crescer, mas esta não foi a leitura feita pelas entidades responsáveis. A interacção do país com realidades novas, por via da participação em acções mergulhadas na turbulência do risco e da incerteza, fenómenos decorrentes do processo de globalização, remete-nos para o estudo do sector das informações militares: a sua evolução, enquadramento institucional e funções na democracia em Portugal, ou seja, desde um tempo tradicional em que o país se encontrava quase retirado do cenário internacional até a actualidade em que não se pode descurar as influências da globalização.
  • FONSECA, Dinis Manuel Victória CV de FONSECA, Dinis Manuel Victória
Dinis Manuel Victória da Fonseca; Militar, atualmente a prestar serviço no Estado-Maior-General das Forças Armadas; Licenciatura em Sociologia (ISCTE); Mestrado em Sociologia da Família (Universidade de Évora); Doutorando em Sociologia (Universidade de Évora/Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA). Áreas de interesse: Sociologia Militar; Informações e Defesa; Condição militar; Relações civil-militares. Algumas publicações de referência: ADLER, Alexander (2009), O Novo Relatório da CIA, Lisboa, Editorial Bizâncio; BALTAZAR, Maria da Saudade (2002), As Forças Armadas Portuguesas, Desafios Numa Sociedade Em Mudança, Évora, Universidade de Évora (Dissertação de Doutoramento, polic.); CARDOSO, Pedro (2004). As Informações em Portugal, Lisboa, Gradiva/IDN; GIDDENS, Anthony (1997). Sociologia, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian; GIDDENS, Anthony (2007). A Europa na Era Global, Lisboa, Editorial Presença; HUNTINGTON, Samuel (1972), The Soldier and the State: the theory and politics of civil-military relations, Cambridge, The Belknap Press of Harvard University Press; JANOWITZ, Morris, e LITTLE, Roger W. (1974), Sociology and Military Establishment, London, Sage Publications; KENT, Sherman (1966), Strategic Intelligence For American World Policy, Princeton, Princeton University Press; MOSKOS, Charles e WOOD, Frank (1988), The Military, more than a Job?, Great Britain, Pergamon-Brassey´s.

PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde
Resumo de PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde
PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde

Debates, conferências, publicações, cartas, histórias de vidas geograficamente recortadas, contam e recontam a diáspora cabo-verdiana pelo mundo. Nasce-se a pensar que se emigra, morre-se a pensar que se regressa. Porém, há quem fique. Fala-se aqui daqueloutros que, posicionados no topo da estrutura social, poderiam em terras estrangeiras, facilmente acumular capital económico e angariar modos de vida a ele ajustados. Foram estes também que dobraram tempos históricos diversos configurados por entre ideologias mais ou menos favoráveis, mais ou menos hostis aos valores sociais e individuais de que cada um é portador. A pesquisa realizada tem, assim, como objectivos obter, através da narração, vivências que preenchem uma vida que cresceu ao longo de tempos históricos diferentes, por sua vez configurados por dimensões políticas, económicas, sociais e culturais específicas. Com efeito, as narrativas acompanham o zoom dos olhares: da macro esfera, em que as histórias se contam tendo por referência os acontecimentos que marcam a História de Cabo Verde durante aproximadamente 80 anos, à micro esfera em que o olhar se escapa pela fechadura da porta das “casas de família”. Estas histórias povoam-se também de estórias que a memória perpetua ainda que, representadas agora num tempo longínquo e, por isso mesmo, distorcidas pela subjectividade de quem as produz, mas que nunca tiveram lugar no palco da academia. Porém, a linha temporal e espacial que organiza estas vidas não é contínua: Portugal é um destino obrigatório no percurso académico destas gentes – Coimbra deixa-se eleger pelo elevado prestígio que atravessa fronteiras; no percurso profissional ainda que em estadias curtas; nas intervenções na área da saúde em situações de maior cuidado; e, na “graciosa” gozada, por direito, na Metrópole. Alguns marcos históricos servem de fio condutor à produção das narrativas sem, contudo, esgotá-los ad initium. O investigador procura também ser surpreendido nesta pesquisa e a este nível a que agora se reporta: o dos acontecimentos e épocas que teceram a história do povo cabo-verdiano. Quer-se circunscrever as narrativas às mulheres que fazem parte de uma certa elite cabo-verdiana, diríamos até aristocrática, residentes em S. Vicente. Queremos falar, das senhoras, por exemplo, que ainda tomam o chá das cinco, herança da presença inglesa no Barlavento cabo-verdiano. O trabalho é assumidamente exploratório e de cariz etnográfico sem a pretensão de alcançar generalizações de natureza explicativa e sem se deixar sufocar pelas margens apertadas de uma teoria à priori estabelecida. Assim, fluirá na medida exacta dos ritmos das histórias contadas.
  • SAINT- MAURICE, Ana CV de SAINT- MAURICE, Ana
Ana de Saint-Maurice, professora no ISCTE desde 1981, tem leccionado ao longo destes anos, as cadeiras de Métodos e Técnicas de Investigação. Fez o doutoramento em Sociologia (1994) no ISCTE: “ A Reconstrução das Identidades: a população cabo-verdiana residente em Portugal” .
Interesses de investigação: Sociologia das Relação Étnicas e Rácicas e Sociologia das Migrações.

PAP0584 - A ciência em Belo Monte: controvérsia, expertise e Direito.
Resumo de PAP0584 - A ciência em Belo Monte: controvérsia, expertise e Direito. PAP0584 - A ciência em Belo Monte: controvérsia, expertise e Direito.
PAP0584 - A ciência em Belo Monte: controvérsia, expertise e Direito.

Belo Monte é um projeto que vem se estendendo desde o governo militar, para a construção de uma usina hidrelétrica no Rio Xingu, no Pará, o qual vem trazendo consigo como características a falta de transparência nas informações oficiais, decorrente de sua classificação como “empreendimento estratégico” para o desenvolvimento nacional, e a desordem nos processos de aprovação junto aos órgãos de governo. Os movimentos sociais e lideranças indígenas da região são contrários à obra porque consideram que os impactos socioambientais não estão suficientemente dimensionados. Entre muitas idas e vindas, a hidrelétrica de Belo Monte, considerada a maior e mais cara obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, vem sendo muito questionado, principalmente a partir de 2009, quando foi apresentado o novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) intensificando-se a partir de fevereiro de 2010, quando foi concedida a licença ambiental prévia para sua construção, pelo Ministério do Meio Ambiente. Em razão de toda a polêmica que a construção da hidrelétrica vem ocasionando, o Ministério Público Federal do Pará já ajuizou onze ações na justiça, visando questionar diversas irregularidades que cercam o projeto da obra, tendo por base um “Painel de Especialistas”, elaborado por cerca de trezentos cientistas das principais universidades brasileiras, o qual consiste em uma análise crítica do Estudo de Impacto Ambiental do aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte. O presente trabalho irá selecionar os experts mais citados e utilizados nas petições do MPF de acordo com a tabela de expertises proposta por Harry Collins, de modo a identificar que tipo de expertise esses atores possuem, de acordo com a tabela de expertises de Harry Collins, a qual especifica que existem expertises especializadas (como o conhecimento tácito ubíquo e o conhecimento tácito especializado), que são tipos de expertise que não advém de livros, mas de habilidades adquiridas ao longo da vida e adquirido por meio de práticas, bem como existem metaexpertises e metacritérios demandam um conhecimento mais aprofundado, geralmente acadêmico sobre determinado assunto. O presente trabalho busca, então, compreender e classificar dentro desses tipos de expertise quem são os atores que estão sendo ouvidos na polêmica de Belo Monte, ou seja, quem está produzindo a ciência que está movimentando os processos que culminarão no futuro de Belo Monte, bem como se esses atores realmente sabem do que estão falando.
  • RODRIGUES, Luciana Rosa CV de RODRIGUES, Luciana Rosa
Luciana Rosa Rodrigues é advogada e mestranda em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Maria – RS- Brasil. Formada em Direito pela mesma instituição em 2008, atuou como Assessora de Juiz de Direito entre 2008 e 2011, tendo atuado também como conciliadora e juíza leiga do Juizado Especial Cível da Comarca de São Sepé – RS- Brasil. No momento, a mestranda está dedicada ao estudo da sociologia do conhecimento, mais especificamente ao estudo da tradução da ciência pelo Direito, ou seja, como o Direito interpreta e utiliza informações técnicas e científicas em seus julgados. A autora teve trabalho aprovado para apresentação no 36º Encontro Anual da ANPOCS, que será realizado em Outubro de 2012.

PAP0207 - A negociação colectiva em Portugal: dinâmicas de investigação e resultados empíricos
Resumo de PAP0207 - A negociação colectiva em Portugal: dinâmicas de investigação e resultados empíricos PAP0207 - A negociação colectiva em Portugal: dinâmicas de investigação e resultados empíricos
PAP0207 - A negociação colectiva em Portugal: dinâmicas de investigação e resultados empíricos

A partir da condução do presente trabalho de investigação pretendeu-se interrogar e reconstituir os processos de negociação colectiva em Portugal, bem como as alterações que têm ocorrido ao longo dos últimos anos - decorrentes das mudanças que têm acontecido em termos de relações profissionais – as quais parecem reflectir as alterações ocorrida em termos de peso que alguns sectores de actividade têm ganho. Procura-se também verificar se os modelos negociais adoptados têm influenciado os resultados ou se as estratégias que os actores mobilizam acabam por ser mais decisivas que estes modelos para os conteúdos resultantes da negociação. A negociação colectiva enquanto objecto empírico tem um conjunto de dimensões que lhe estão associadas e que foram analisadas ao longo desta investigação. Em primeiro lugar podemos considerar o papel regulador que esta tem, já que estabelece um conjunto de regras e princípios para determinados grupos profissionais ou sectores. A entrevista foi um dos instrumentos de recolha de informação utilizado para sustentar e perceber aspectos mais profundos, sendo que o alvo, neste caso foram os actores chave que desempenham o papel central nestes processos e que por vezes poderão não estar presentes ou actores que tenham estado presentes em situações particulares, durante estes processos, onde a necessidade por características do processo negocial ou dos próprios negociadores o tenha justificado. Os sectores que serviram de objecto a esta investigação foram determinados a partir de três critérios: a contribuição do cada sector em volume de emprego; a exposição do sector à concorrência internacional (sectores competitivos, sectores sensíveis) e a modernização tecnológica e organizacional que estes sectores têm realizado ou estão a realizar.
  • FERNANDES, Paulo CV de FERNANDES, Paulo
Paulo Jorge Martins Fernandes, docente na ESCE do Instituto Politécnico de Setúbal, Sociologia e com um Mestrado em sociologia do Trabalho, Organizações e Emprego, áreas de investigação/trabalho negociação colectiva, relações laborais, sindicalismo, etc.
Saudações académicas.

PAP0055 - As Organizações Não-Governamentais na Lógica da Profissionalização Institucional
Resumo de PAP0055 - As Organizações Não-Governamentais na Lógica da Profissionalização Institucional PAP0055 - As Organizações Não-Governamentais na Lógica da Profissionalização Institucional
PAP0055 - As Organizações Não-Governamentais na Lógica da Profissionalização Institucional

O presente trabalho é baseado no desenvolvimento da tese de doutoramento em sociologia (UMinho-Portugal / UFPE-Brasil) que visa analisar quais as consequências do atual fluxo de profissionalização institucional das ONGs para estas entidades. Para tanto, os objetivos específicos que circundam esta dimensão são: 1. Examinar como se constroem as divisões de trabalho, a especialização e a busca por profissionalização dentro de diferentes tipos de ONGs; 1.1 Verificar por quem e como são definidas as agendas das ONGs; 1.2 Examinar se diferentes tipos de ONGs tendem a compor diferentes tipos de profissionalização nas entidades. 2. Investigar as perspectivas que os agentes das ONGs e seus financiadores têm sobre o atual processo de profissionalização; 2.1. Analisar como são construídas as noções éticas sobre a captação de recursos para as ONGs entre os agentes atuantes nessas organizações e seus financiadores e como tais noções se manifestam no cotidiano das entidades; 3. Verificar quais os vínculos entre a sustentabilidade financeira e a profissionalização dessas organizações; 3.1. Investigar o tipo de relação que as ONGs mantêm com os financiadores do Estado, do Mercado e do Terceiro Setor (agências internacionais etc) e; 3.2. Analisar se as relações com os demais setores e o modo de obter sustentabilidade financeira provocam perda de autonomia nas ONGs e o que isto significa para as instituições; o que significa, em termos práticos, uma ONG considerar-se ou ser considerada autônoma. Nesta investigação, percebemos que o mesmo problema sociológico se dava no Brasil e em Portugal, ainda que de maneiras e escalas distintas, o que nos fez propor um estudo conjunto, com subsídios comparativos complementares. Com recurso aos resultados preliminares da investigação em andamento, em particular a partir das observações de estudos de casos nos dois países, pudemos perceber elementos que tendiam a se tornar ocultos quando nos centramos exclusivamente em realidades locais, como o caso de um recorte espacial que considerasse apenas Brasil ou Portugal. Assim, pretendemos contribuir para a visibilização de processos que sustentam proximidades e/ ou especificidades que se registam quando se confrontam realidades sócio-históricas e espaciais distintas.
  • MARQUES, Ana Paula CV de MARQUES, Ana Paula
  • MELO, Marina CV de MELO, Marina
Ana Paula Marques é Professora Associada com Agregação do Departamento de Sociologia e investigadora permanente do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) da Universidade do Minho. Doutorou-se, em 2003, em Sociologia – área de Organizações e Trabalho por esta universidade. Exerce funções de promotora e mentora científica do Spin-Off Laboratório MeIntegra e CICS – Universidade do Minho. Integra, do lado do Norte de Portugal, os Serviços de Estudos “Educação e Formação” do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular Galiza-Norte de Portugal.
É autora e co-autora de vários artigos e livros, destacando-se nestes últimos Inserção Profissional de Graduados em Portugal. (Re)configurações teóricas e empíricas (2010), Estudo Prospectivo sobre Emprego e Formação na Administração Local (2009), Trajectórias Quebradas. A vivência do desemprego de longa Duração (2008), Administração Local. Políticas e práticas de formação (2008), Actores Intermédios da Orgânica Empresarial. O futuro do emprego, das competências e da formação (2007), Entre o diploma e o emprego. A inserção profissional de jovens engenheiros (2006) e Assimetrias de género e classe. O caso das empresas de Barcelos (2006).
Marina Félix de Melo é doutoranda em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (Orientador: Prof. Dr. Breno Fontes / Co-orientador: Prof. Dr. Rogério Medeiros) e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, Portugal (Orientadora: Profa. Dr. Ana Paula Marques). Com atual investigação sobre "A Profissionalização nas Organizações Não-Governamentais", possui tese de mestrado em Sociologia intitulada "A Missão das ONGs em um Terceiro Setor Profissionalizado" [2009] e licenciatura em Ciências Sociais [2006] com tema de investigação também focado nas ONGs. Para além das publicações na área do Terceiro Setor, é autora de demais artigos e comunicações na temática das Ciências Sociais, a exemplo da centralidade no trabalho, teoria da dádiva, relações raciais no Brasil etc.
Curriculum Lattes:
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4596568H2

PAP0566 - As dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações e o relacionamento inter-geracional no seio familiar
Resumo de PAP0566 - As dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações e o relacionamento inter-geracional no seio familiar PAP0566 - As dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações e o relacionamento inter-geracional no seio familiar
PAP0566 - As dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações e o relacionamento inter-geracional no seio familiar

Apresentam-se os resultados do estudo que visa compreender de que forma é que a existência dos novos media, em casa, pode ter interferência nas tradicionais relações que pais e filhos, avós e netos estabelecem, ou seja, estão ou não as relações inter-geracionais a serem alteradas pela mediação tecnológica? A investigação que dá suporte a esta comunicação procurou aferir quais as causas que podem imprimir mudanças na forma como as gerações se relacionam de acordo com as utilizações que cada geração faz dos novos media e quais as consequências que daí podem advir. Tendo como questão de investigação “Quais as dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações, e em que medida isso se reflete no relacionamento inter-geracional?”, esta comunicação visa apresentar os principais resultados do estudo que procurou compreender o papel desempenhado pelos novos media nos relacionamentos entre as gerações, no sentido de averiguar se se estabelecem relações de cooperação e/ou conflito. Do ponto de vista teórico a investigação tem como referencias os estudos sobre as implicações das TIC nas rotinas cognitivas e sociais e, especificamente, a proposta de apropriação enquanto domesticação da tecnologia. A importância da investigação realizada, da qual se apresentam os resultados, passa, não só, pelo contributo no que respeita à caracterização dos relacionamentos inter-geracionais, mas também, pela caraterização que se tem vindo a tentar fazer no que respeita às designações entre as diferentes gerações, tendo em conta o uso que cada uma faz dos novos media de acordo com as suas potencialidades. O trabalho empírico recorreu-se à realização de inquéritos por questionário junto de crianças e jovens dos 6 aos 18 anos, a nível nacional, com 1902 inquéritos por questionário e 13 entrevistas a famílias de acordo com vários perfis traçados tendo em conta nº de gerações que coabita na família; nº de filhos; idade dos filhos e nível de literacia info-comunicacional das famílias. Na análise dos resultados foram consideradas várias variáveis: a idade, género, número de gerações que habitam a mesma casa e a tipologia de novo medium que habitualmente são utilizados em casa pelas famílias. Os resultados obtidos permitem perceber que apesar das muitas reticências dos mais velhos em relação às tecnologias no que respeita ao seu próprio uso, eles percebem que a sua utilização é fundamental para os mais novos não só pelas capacidades que desenvolvem, mas porque a própria escola faz o apelo ao uso das tecnologias. Verificou-se ainda que, apesar das assimetrias na utilização e manipulação que as diferentes gerações fazem das tecnologias e apesar dos mais novos serem mais audazes e expeditos na sua utilização, as relações podem ter pequenos conflitos, mas o que mais prevalece é a cooperação entre gerações com os mais velhos a aproveitarem as capacidades dos mais novos e assim aprenderem com eles.
  • RODRIGUES, Filipa CV de RODRIGUES, Filipa
  • SILVA, Lídia Oliveira CV de SILVA, Lídia Oliveira
Filipa Rodrigues, é Licenciada em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu (2007) e Mestre em Comunicação Multimédia pela Universidade de Aveiro (2011). Professora na Escola Superior de Educação de Viseu com a categoria de Assistente Convidada. Os seus interesses de investigação passam pelas implicações do uso dos novos media pelas diferentes gerações, mas pretende desenvolver o doutoramento na área da infografia associada ao jornalismo de ciencia e tecnologia.
Lídia J. Oliveira L. Silva é doutorada em Ciências e Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro (2002) onde é professora auxiliar com agregação. Investigadora do CETAC.MEDIA – Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (http://www.cetacmedia.org/) dedica-se a investigar as implicações das tecnologias da informação e da comunicação em rede nas rotinas cognitivas e sociais dos indivíduos, dos grupos e das organizações, estando a sua investigação situada nos estudos de Cibercultura.

PAP0078 - As principais tipologias de explorações agrícolas na União Europeia
Resumo de PAP0078 - As principais tipologias de explorações agrícolas na União Europeia PAP0078 - As principais tipologias de explorações agrícolas na União Europeia
PAP0078 - As principais tipologias de explorações agrícolas na União Europeia

Este trabalho tem como principal objectivo caracterizar e segmentar as explorações agrícolas dos vinte e sete Estados Membros que compõem actualmente a União Europeia (UE). Para esse efeito, com base numa amostra das explorações da Rede de Informação e Contabilidades Agrícolas das explorações da UE foi possível mediante técnicas de análise de cluster de casos e de cluster de explorações, segmentar as explorações. Os resultados evidenciam a existência de quatro grupos de explorações na UE que se distinguem entre si pelas suas características estruturais, nomeadamente, pela sua SAU, pelo output total, pela percentagem de trabalho contratado e mão- de-obra total; ii) pelas suas características financeiras, i.e., pelo seu activo total e pelo cash-flow das empresas da UE; e iii) pela sua orientação produtiva e importância dos subsídios nas explorações. Estes resultados sugerem assim a definição de uma Política Agrícola Comum diferenciada e adaptada aos quatro clusters de países existentes. Sugere- se ainda o desenvolvimento de tipologias de explorações na UE com uma base de dados mais robusta envolvendo as diferentes regiões da UE que compõem os diferentes países de forma a serem obtidas tipologias de explorações de diferentes regiões europeias.
  • SANTOS, Maria José Palma Lampreia dos CV de SANTOS, Maria José Palma Lampreia dos
  •  SANTOS, Carlos Machado dos CV - Não disponível 
Maria José Palma Lampreia dos Santos
Prof. Auxiliar Faculdade de Economia e Gestão
Universidade Lusófona do Porto
Doutora em Economia
Investigadora do CEPESE
Áreas de Investigação: Economia Agrícola: Eficiência, Políticas Agrícolas

PAP0312 - Azkenazi Jews in Lisbon: recongregation of a community
Resumo de PAP0312 - Azkenazi Jews in Lisbon: recongregation of a community PAP0312 - Azkenazi Jews in Lisbon: recongregation of a community
PAP0312 - Azkenazi Jews in Lisbon: recongregation of a community

The askenazim are Jews from Eastern Europe. They arrived in Lisbon not without unexpected reversal of circumstances in their homelands and settled, almost one hundred years ago, with several difficulties and setbacks in the Portuguese society. Their rituals, their language, their traditions and their professions were fairly different from the ones found not only among the Portuguese population in general but also from the Sephardim Jews, already settled here. Despite the fact that there was a Jewish community (Kehila) in Lisbon, since late 17th century, these Jews have arranged to found their own place for worship and religious services and established themselves in a different part of the city that came to be coined as the “Jewish neighbourhood”. This new community has almost faltered or integrated, after WWII, until recently, when “other” Jews not belonging to the Jewish Community of Lisbon (CIL) wished to gather in an alternative synagogue in the same town. That makes the expression: where there are two Jews, there are three opinions, a true mote in Portuguese soil. So this paper intends to focus on the changes occurred among the community now called Kehila Beit Israel, a Conservative Jewish congregation that has revivified the old Ohel Yaacov Synagogue and intends to remain apart from the CIL in the years to come. The study relied on qualitative research methods, including participant observation and qualitative interviews to a sample selected through the snow-ball technique. The main conclusion of the research is that even in contexts were anti-semitism is not a strong threat to the survival of Jewish identity, as is the case studied Jews tend to develop their own strategies in order to achieve self determination and congregate according to their own specificities, namely, their national, social and religious backgrounds. Traditionally, ten emancipated men, that is, ten individuals who have gone through a Bar/Bat Mitzvah – the adulthood passage ritual, may lead a religious service and start a new community. Jewish identity is, thus continuously being constructed and reshaped according to social environment.
  • PIGNATELLI, Marina CV de PIGNATELLI, Marina
Marina Pignatelli is a PhD in Social Sciences, Cultural Anthropology, M.A. in Anthropological Sciences and Assistant Professor at the Social and Political Sciences Institute – Technical University of Lisbon. Having completed two post-graduations (Ethnology of Religions and Sephardic Studies), as well as several open courses in Religion and Conflict Resolution, she has been researching the Portuguese Jewish reality, since 1991, and more recently, developing studies also on intercultural andethnic conflicts.


PIGNATELLI, Marina
Doutora em Ciências Sociais, na especialidade de Antropologia Cultural
Universidade Técnica de Lisboa – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas
mpignatelli@iscsp.utl.pt

PAP1402 - Caminhar e pedalar na cidade automobilizada : Análise das representações sociais vigentes
Resumo de PAP1402 - Caminhar e pedalar na cidade automobilizada : Análise das representações sociais vigentes PAP1402 - Caminhar e pedalar na cidade automobilizada : Análise das representações sociais vigentes
PAP1402 - Caminhar e pedalar na cidade automobilizada : Análise das representações sociais vigentes

A reflexão em torno da mobilidade quotidiana em espaço urbano remete-nos para as questões associadas aos significados que lhe estão inerentes. As práticas de mobilidade são muito mais que práticas de deslocação física de um ponto para outro, são práticas significativas, uma vez que sendo a mobilidade uma prática social, está relacionada com as normas culturais e regras vigentes numa determinada sociedade. Cresswell (2006) defende as práticas de mobilidade são ideológicas, sendo que a mobilidade está associada a diversas conotações que têm mudado ao longo do tempo e que divergem de sociedade para sociedade. O conceito de mobilidade é o equivalente dinâmico do lugar transportando em si significados, poder e compreensões conflituais. O discurso em torno da mobilidade integra diversos conceitos contraditórios, encerrando em si múltiplos significados. Este, tal como outros, é um conceito que não é neutro. Para Cresswell a “mobilidade é um emaranhado de movimento físico, de significado e de prática” (2009:25), sendo que cada um destes elementos que se encontram ligados entre si integra em si relações de poder. Compreender os processos complexos de mobilidade passa necessariamente pela análise das representações sociais subjacentes aos diversos sistemas de mobilidade (Cresswell 2006; 2009), uma vez que a escolha de determinado meio de deslocação está em grande parte associado ao modo como os actores sociais apreendem a realidade social e desenvolvem representações sociais acerca da mesma. A observação da imprensa escrita constitui uma forma importante de recolha de dados sobre a opinião pública, permitindo-nos, através da sua análise, compreender as representações e os significados relativos a um determinado objecto cultural em circulação numa sociedade. Em Portugal apenas 15% dos indivíduos se desloca a pé e 1% de bicicleta contra 56% que se deslocam diariamente de carro e 25% de transportes públicos, segundo dados do Eurobarómetro de 2007. Com base no observatório de imprensa efectuado no âmbito da dissertação para doutoramento em curso para o qual recolhi notícias de três jornais: Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Público relativas a duas formas específicas de deslocação - a pedonal e a velocipédica - pretendo analisar os significados vigentes acerca das mesmas, tendo em atenção que são dois modos de deslocação em concorrência com o automóvel – a forma dominante de deslocação numa sociedade como a nossa – altamente “automobilizada”.
  •  MANTAS, Ana Isabel CV - Não disponível 

PAP0896 - Crise e novas configurações do Estado na América Latina
Resumo de PAP0896 - Crise e novas configurações do Estado na América Latina PAP0896 - Crise e novas configurações do Estado na América Latina
PAP0896 - Crise e novas configurações do Estado na América Latina

GT: "Sociedade, crise e reconfigurações na América Latina" Este trabalho tem como objetivo analisar as novas configurações do Estado na América Latina que surgem no contexto da crise do projeto neoliberal. Realizaremos a análise a partir da concepção critica da teoria da dependência que preconiza que, nos países em situação de dependência, por suas relações subordinadas às economias centrais e aos interesses das suas classes dominantes, ficam comprometidas a soberania nesses países e a democracia até para as burguesias locais. Por outro lado, ao se esgotar o padrão de reprodução por meio de uma crise que debilita o poder das potencias imperialistas e acirra as contradições entre elas, abre-se espaço à emergência de novas classes sociais, locais e regionais que passam a erigir blocos de poder inseridos no padrão de reprodução regional e nas contradições entres os níveis locais de avanço das forças produtivas. Após o ciclo das ditaduras militares na América Latina (anos 1960-80), quando, nos principais países da região, o Estado estava refém dos interesses vinculados ao capital monopólico internacional, implementou-se o programa preconizado pelo Consenso de Washington, nos moldes da doutrina neoliberal isto é, o Estado deixaria de cumprir o seu papel de garantidor do bem estar social para ficar omisso e assim favorecer abertamente a “cidadania” proposta pelo mercado. Na América Latina, cujo desenvolvimento econômico, social e politico foi historicamente subordinado aos interesses estrangeiros e à sua expansão em direção aos países do então chamado Terceiro Mundo, já no inicio do seculo XXI o povo, os intelectuais e os partidos políticos se aperceberam o quanto esse Estado era transportador da crise cíclica do capitalismo mundial, e seu papel passa a ser questionado pela sociedade em movimento Se na Venezuela Hugo Chavez propõe o socialismo do seculo XXI, no Brasil os resultados sociais da diminuição do Estado levam a uma onda de mobilização social que deságua na eleição de Lula da Silva. Já nos países andinos, a exemplo da Bolívia, a retomada da força politica das comunidades indígenas, das quais é reconhecida autonomia, leva a um pacto social e de poder que se configura em Estados Plurinacionais, em que se dá a simbiose dos poderes comunais com o poder do Estado Nacional através de Constituições que garantem, via politicas públicas, a participação popular no poder do Estado.
  • SILVA, Luisa Maria Nunes de Moura e CV de SILVA, Luisa Maria Nunes de Moura e
Socióloga. Portuguesa. Doutora em Sociologia pela USP-Brasil e UNAM-México. Mestre em Sociologia pela UFPE-Brasil e Especialista em Metodologia da Pesquisa Social pela Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Professora aposentada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Professora Titular de Sociologia da Universidade Ibirapuera no Programa de Mestrado em Direito Regulatório e Responsabilidade Social Empresarial. Professora Visitante da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA, onde coordenou a produção do musical Nuestra América (2010) e coordena o Grupo de Estudos da Teoria da Dependência (www.teoriadadependencia.blogspot.com ). Autora de vários livros, entre os quais Relações Internacionais do Brasil e Integração da América Latina, além de capítulos e artigos científicos sobre os temas: Responsabilidade Social e Desenvolvimento, Integração e Estado na América Latina.

PAP0579 - Crise e reconfigurações no Brasil e no Equador
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PAP0579 - Crise e reconfigurações no Brasil e no Equador

GT: "Sociedade, crise e reconfigurações na América Latina" O objetivo deste texto é examinar como a crise que hoje grassa o mundo impactou dois países da América Latina: Brasil e Equador. Depois de várias crises ao longo da década de 1990 na periferia do mundo capitalista e no começo da de 2000 no centro, a economia dos países centrais ingressou em nova e forte crise a partir do segundo semestre de 2007. A crise representou, simultaneamente, o colapso da financeirização da economia mundial e da forma de regulação desse sistema, representada pela implementação da ideologia neoliberal; representou também a aceleração do declínio da economia dos Estados Unidos. Na essência, trata-se do desdobramento da crise mais geral, que se deflagrou no começo dos anos de 1970 nos EUA. Num primeiro momento, a crise não trouxe maiores transtornos para a América Latina. Mas, a partir de determinado momento, o impacto da crise financeira e da recessão nos países centrais sobre a região afetou diretamente a economia real latino-americana. Todos os países da América Latina sofreram esse impacto da crise. No entanto, alguns deles estavam melhor aparelhados política e economicamente para defender-se da crise e assim amenizar seus efeitos internos, dentre eles o Brasil e o Equador. A economia brasileira estava em pleno processo de expansão, induzida pelas mudanças ocorridas no governo Lula, quando foi surpreendida por essa nova crise internacional. É possível afirmar que, durante essa crise, o governo brasileiro contava com condições mais favoráveis do que as que dispunha nos anos de 1990 para adotar medidas no sentido de proteger e fortalecer a economia nacional. No entanto, como demonstraremos no texto, as condições adversas também eram muito fortes. Na época, o Equador havia recém iniciado um processo de transformação com base no programa implementado pelo governo de Rafael Correa. Essa transformação, no entanto, defrontava-se com vários obstáculos, dentre os quais se destacava a dolarização da economia. Esse limite bloqueava a capacidade de o governo praticar políticas econômicas. Apesar disso, a economia equatoriana foi uma das que melhor enfrentou a crise. A combinação entre o elevado preço do petróleo e as medidas adotadas pelo governo para aumentar a apropriação nacional e pública da renda do petróleo contribuíram para enfrentar esse desafio. O que existe de comum entre os dois países é o fato de seus respectivos governos haverem reconstruído parte dos mecanismos de ação estatal sobre a economia e promovido o fortalecimento do mercado interno. Investimentos públicos e gastos sociais combinados com crédito barato e abundante constituíram a receita para enfrentar a crise nos dois países. Palavras-chave: crise internacional, reconfigurações, Brasil, Equador
  • SOUZA, Nilson Araújo de CV de SOUZA,  Nilson Araújo de
Nilson Araújo de Souza possui graduação em Economia pela Universidade Federal do Pará (1974), mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal do Rio do Rio Grande do Sul (1976), doutorado em Economia pela Universidad Nacional Autónoma de México (1980) e pós-doutorado em Economia pela Universidade de São Paulo (1985). Atualmente, é professor visitante sênior CAPES da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Tem experiência em docência e pesquisa na área de Economia, com ênfase em Economia Mundial, Economia Latino-Americana e Economia Brasileira Contemporâneas. Nessas áreas, publicou dezenas de livros, ensaios e artigos. Seus mais recentes livros são: Economia Brasileira Contemporânea - de Getúlio a Lula (Atlas, 2007) e Economia Internacional Contemporânea - da depressão de 1929 ao colapso financeiro de 2008 (Atlas, 2009)

PAP0826 - Cultura Organizacional e Avaliação no Terceiro Sector
Resumo de PAP0826 - Cultura Organizacional e Avaliação no Terceiro Sector PAP0826 - Cultura Organizacional e Avaliação no Terceiro Sector
PAP0826 - Cultura Organizacional e Avaliação no Terceiro Sector

É no enquadramento de europeização das estruturas nacionais e de governação multinível que se articulam os diversos atores (públicos, privados e não lucrativos) implicados na concepção, implementação e avaliação de políticas e programas/projetos de intervenção social no nosso país. A crescente importância da avaliação nas organizações do terceiro sector (OTS) resulta dos novos desafios que estas enfrentam e dos efeitos da sua nova relação com o Estado e outras entidades financiadoras. Num contexto de projetificação das políticas sociais, a avaliação surge como elemento indispensável na contratualização entre Estado e terceiro sector tendo em vista a implementação de programas sociais. Inerentemente associada ao controlo exercido pelas entidades de financiamento, a avaliação acaba frequentemente por ser vista como mera obrigação contratual a cumprir para prestar contas do financiamento recebido e não como um instrumento de aprendizagem, capacitação e mudança organizacional. Nesta comunicação será feito um primeiro mapeamento da produção de conhecimento sobre avaliação nas organizações do terceiro sector, a nível nacional e internacional, e serão apresentados os primeiros resultados empíricos de um estudo conduzido pela autora no âmbito da sua dissertação de Doutoramento. Propõe-se discutir as pressões para o desenvolvimento de processos de avaliação nas OTS e suas especificidades, e conhecer as práticas de avaliação vigentes, compreendendo em que medida elas se têm vindo ou não a constituir em instrumentos de governação e gestão estratégica dessas organizações e perscrutando o papel que as entidades financiadoras ou tutelares desempenham na construção de processos de avaliação potenciadores da aprendizagem organizacional. Pretende-se testar até que ponto as fragilidades que caracterizam as OTS portuguesas – elevada dependência relativamente às entidades financiadoras, gestão imediatista, falta de recursos, etc. – fazem prevalecer modelos de avaliação tecnocráticos e não participativos, orientados para a prestação de contas ascendente a entidades financiadoras e agências reguladoras e obstaculizam a emergência de modelos de avaliação mais participativos e potenciadores da capacitação e desenvolvimento organizacional.
  • LOPES, Mónica Catarina do Adro CV de LOPES, Mónica Catarina do Adro
Mónica Lopes é Mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da
Universidade de Coimbra e frequenta, actualmente, o programa de
doutoramento em Sociologia pela mesma Faculdade. Enquanto
investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES), tem participado em
diversos projectos de investigação/avaliação relacionados com
políticas e práticas de igualdade entre mulheres e homens,
responsabilidade social das organizações e organizações da sociedade
civil. Os seus interesses de investigação incluem avaliação de
políticas públicas, terceiro sector, políticas sociais e relações
sociais de sexo, políticas de conciliação trabalho/família, mercado de
trabalho e maternidade/paternidade.

PAP0331 - Dilemas das redes de cooperação interorganizacionais e a formação dos profissionais de saúde. O caso da Enfermagem.
Resumo de PAP0331 - Dilemas das redes de cooperação interorganizacionais e a formação dos profissionais de saúde. O caso da Enfermagem. PAP0331 - Dilemas das redes de cooperação interorganizacionais e a formação dos profissionais de saúde. O caso da Enfermagem.
PAP0331 - Dilemas das redes de cooperação interorganizacionais e a formação dos profissionais de saúde. O caso da Enfermagem.

Mobilizadas pela indispensabilidade de partilha de recursos, as organizações de serviços de saúde e as de ensino superior procuram cada vez mais plataformas de entendimento e lógicas de acção para melhor atender às necessidades de aprendizagem in loco das componentes clínicas dos estudantes da área da enfermagem, de formação contínua dos seus profissionais, assim como às solicitações da própria comunidade. Por outro lado, sabemos que a cooperação interorganizacional é cada vez mais entendida como uma estratégia de desenvolvimento para gerar progresso e ainda que a “University- business dialogue and co-operation” é recomendada (European Commission, 2011). Face a tais pressupostos é objectivo desta comunicação, promover o debate e a reflexão sociológica acerca das lógicas de redes de cooperação entre instituições de ensino superior e de saúde, questionando, por um lado, as diferentes formas de governação das acções na rede, e por outro lado, a estratégia emancipatória para o desenvolvimento do conhecimento e geradora de capital social na saúde. Para tal, contamos com os resultados da investigação que efectuámos em doze organizações (onze de saúde e uma organização de ensino superior na área da enfermagem) através do recurso a metodologias qualitativas e das técnicas de análise de redes sociais, designadamente através da aplicação informática do UCINET e do NETDRAW. Neste estudo desocultámos a estrutura, conteúdo e dinâmicas das relações interorganizacionais estabelecidas, verificando a existência de uma cooperação assente em redes de relações formais e informais, sustentadas em normas, mas também em valores simbólicos e ideológicos ligados à profissão, assim como relações de confiança e amizade, que eram condicionadoras do funcionamento. Identificámos potencialidades, mas também constrangimentos ao desenvolvimento da rede. Num desafio critico mas construtivo, colocamos à discussão os resultados encontrados reflectindo acerca dos mesmos, propondo soluções alternativas para um modelo de governação da cooperação interorganizacional para a formação em saúde, em geral, e para a enfermagem, em particular, que ainda se configura mais perto do tradicional que dos novos paradigmas, ainda que vestido com roupagens apelativas ornadas por protocolos onde estão prescritas eventuais filosofias inovadoras.
  • ARCO, Helena CV de ARCO, Helena
  • SILVA, Carlos Alberto da CV de SILVA, Carlos Alberto da
Helena Maria de Sousa Lopes Reis do Arco – ProfessoraAdjunta da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Portalegre.Doutora em Sociologia pela Universidade de Évora, Mestre em Sociologia pelamesma Universidade, Licenciada em Enfermagem e Especialista em EnfermagemComunitária. Investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação eInovação do Instituto Politécnico de Portalegre. Tem nos últimos anosdesenvolvido os seus trabalhos em torno das questões relacionadas com as redessociais no âmbito da saúde. Os seus atuais interesses de investigação situam-senas áreas da Sociologia da Saúde e da Educação, bem como na Análise de RedesSociais enquanto ferramenta metodológica para o diagnóstico e intervençãosocial.

e-mail: helenamaria.arco@gmail.com
Carlos Alberto da Silva - Director do Departamento de Sociologia da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora (2011-...). Director do Programa de Doutoramento em Sociologia da Universidade de Évora (2011-...). Investigador integrado no CESNOVA - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (2011-...). Doutorado em Sociologia. Agregação em Sociologia. Mestrado em Sociologia. Licenciatura em Investigação Social Aplicada. Bacharel em Radiologia. Autor de vários trabalhos científicos e relatórios técnicos co-finaciados por programas nacionais e europeus nas áreas do diagnóstico e avaliação de projectos sociais, planificação estratégica e desenvolvimento regional. Principais áreas de interesses deinvestigação: a) Análise de redes sociais como ferramenta metodológica para o diagnóstico e intervenção social; b) Redes e cooperação territorial e transfronteiriça; c) Análise prospectiva; d) Avaliação da qualidade e satisfação de utentes e profissionais nas unidades de saúde; Avaliação em tecnologias da saúde.

PAP0020 - Do envolvimento associativo à mobilização cívica: o potencial das redes sociais
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PAP0020 - Do envolvimento associativo à mobilização cívica: o potencial das redes sociais

A participação dos cidadãos através das novas tecnologias tem marcado os estudos mais recentes sobre comunicação e democracia. A participação cívica e política, através da Internet, surgem-nos neste contexto como o objecto de estudo. Contudo, nos últimos anos tem sido dedicada atenção especial às associações e aos seus efeitos no plano político, entendendo-as enquanto mecanismos de representação de determinados interesses. Consideramos que este trabalho vai ao encontro de recentes recomendações de alguns estudos na área do associativismo e da democracia, segundo os quais é necessário “(...) continuar a investir na produção de conhecimento analítico sobre o universo associativo português”, nomeadamente indagando “(...) em que medida a adesão a modalidades de associativismo novas, menos orgânicas e não baseadas na integração hierárquica dos seus membros, está a crescer e o que significa esse crescimento eventual” (Viegas, Faria e Santos, 2010, p. 178). É no seguimento deste conjunto de estudos que procuramos desenvolver o nosso trabalho, reflectindo sobre o papel das associações e o envolvimento associativo na democracia e muito particularmente, sobre as alterações que o desenvolvimento das novas tecnologias, e em particular a Internet, trouxeram ao movimento associativo. Nesta medida, questionamos se a integração nas redes sociais na Internet se assumem como mecanismos alternativos de associação ecapacitação dos sujeitos para a intervenção cívica? Assim, na primeira parte do trabalho será realizado o estado da arte do fenómeno associativo. Num segundo momento, pretende-se verificar até que ponto o nvolvimento associativo tem vindo a sofrer mudanças no âmbito das novas plataformas da Internet. Neste sentido, desenvolvemos uma análise exploratória quanto à presença de associações nas redes sociais, de seguida retendemos aplicar a análise de conteúdo às respectivas páginas, através da prévia concepção de uma grelha de análise.
  • MORAIS, Ricardo CV de MORAIS, Ricardo
  • SOUSA, João CV de SOUSA, João
Ricardo Morais - Investigador de Doutoramento em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior. Nesta mesma Universidade tirou a licenciatura em Ciências da Comunicação e o Mestrado em Jornalismo: Imprensa, Rádio e Televisão. Desenvolve a sua investigação na análise das diferentes dimensões das oportunidades de participação oferecidas aos cidadãos pelos novos media. É Bolseiro de Investigação do projecto “Agenda dos Cidadãos: jornalismo e participação cívica nos media Portugueses” no Laboratório de Comunicação Online.
João Carlos Sousa - Licenciado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. É Bolseiro de Investigação do projecto “Agenda dos Cidadãos: jornalismo e participação cívica nos media Portugueses” no Laboratório de Comunicação Online. As suas áreas de interesse na investigação estão centradas na sociologia da juventude, política e religião.

PAP0222 - Domestic services, gender and migration in Portugal: a quantitative contribution
Resumo de PAP0222 - Domestic services, gender and migration in Portugal: a quantitative contribution PAP0222 - Domestic services, gender and migration in Portugal: a quantitative contribution
PAP0222 - Domestic services, gender and migration in Portugal: a quantitative contribution

The study of domestic services has been recently nourished by an array of empirical studies. Precious international overviews can be found in Anderson (2000), Ehrenreich and Hochschild (2002), Lutz (2008), or Isaksen (2010). In particular, the notion of in-house paid labour as a trait of traditional societies about to be washed away by the flush of modernity has been replaced with the observation of these services as instantiations of the global (Sassen, 2007), persistently intertwined with issues of gender, class and ethnic relations. Yet, two limitations can be identified in research to date: the exclusive focus on urban settings and the lack of quantitative analysis. How many individuals are currently employed in domestic and care occupations? What can be said about their demographic profile? And how did numbers evolve over the last decade? In this paper, Portugal is proposed as a singular case of study within Europe. Two data sources are combined to examine the period between 2000 and 2010: the European Union Labour Force Survey and the national Social Security Records. The first section of the paper offers an overview of previous studies on domestic labour and a short characterization of the case of Portugal regarding employment, gender and migration. A description of methodology is then provided. To be sure, large-scale datasets on employment provided by statistic offices entail specific limitations regarding domestic services. These require close attention. According to examined data, cleaning and care services employ a growing number of individuals since 2000. This is the case both in Portugal and the European Union at large. By 2010, the occupational group of ‘Domestic and related helpers, cleaners and launderers’ comprised 5.6 percent of the total employed population in Portugal (280.2 thousand individuals), while the group of ‘Personal care and related workers’ stood at 3 percent (146.9 thousand individuals). Considering women only, the dimension of these two groups is significantly larger, comprising 11.5 and 5.8 percent of all women in paid employment. The particular number of individuals employed in domestic services increased between 2000 and 2008, and decreased under the economic recession of 2008-10. The combination of the two data sources suggests that there are indeed two concomitant trends in operation. On the one hand, a mild decrease in the number of individuals employed in domestic services; on the other, a significant fall in the share of workers who are registered in the social security system. Change in the profile of domestic workers since 2000 is also apparent: average age and the number of migrants both increased. The very large share of women in the workforce remains unaltered. Some recommendations for future research are included in the concluding remarks.
  • ABRANTES, Manuel CV de ABRANTES, Manuel
Manuel Abrantes é membro do SOCIUS: Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, Universidade Técnica de Lisboa, e Professor Convidado de Sociologia do Trabalho e do Lazer na Universidade Aberta. Os seus principais interesses académicos incluem o trabalho, o género, a migração e a participação política. É autor do livro Borders: Opportunities and Risks for Immigrant Workers in Cities of the Netherlands e tem contribuído para diversos volumes conjuntos e revistas científicas. Desde 2010, está a conduzir estudos de doutoramento na Universidade Técnica de Lisboa sobre as condições e as relações de trabalho no setor dos serviços domésticos.

PAP0620 - Educação mas não só: determinantes da mobilidade social em diferentes regiões da Europa
Resumo de PAP0620 - Educação mas não só: determinantes da mobilidade social em diferentes regiões da Europa PAP0620 - Educação mas não só: determinantes da mobilidade social em diferentes regiões da Europa
PAP0620 - Educação mas não só: determinantes da mobilidade social em diferentes regiões da Europa

Um entendimento do que se tem passado, nas últimas décadas, quanto à mobilidade social na Europa é crucial para o debate sobre as crises e as reconfigurações que hoje vivemos. Embora exista um registo amplo das transformações estruturais que ocorreram nos mercados de trabalho e nos sistemas educativos, os efeitos destas sobre os padrões de mobilidade social permanecem difusos e controversos. Em particular, importa questionar se a noção de igualdade produzida em estudos anteriores está a ser posta em causa por desenvolvimentos recentes. A comunicação começa por reunir contributos clássicos e recentes da sociologia das classes e da mobilidade social. Três questões são nomeadas: (1) que padrões de mobilidade social podemos observar ao longo das últimas décadas na Europa?; (2) qual o impacto dos diferentes sistemas educativos nesses padrões; (3) poderá a variação identificada ao longo do tempo e entre países estar relacionada com eixos de diferenciação interna das populações como o género e a etnia, amplamente documentados noutros campos da sociologia? A resposta é procurada com a análise de dados do European Social Survey de 2008. Numa breve secção sobre opções metodológicas, descrevem-se os indicadores utilizados e os cálculos de ‘mobilidade absoluta’ e ‘mobilidade relativa’. A comparação internacional assenta em cinco clusters regionais definidos a partir de afinidades significativas no que toca a estrutura de classe, regime de previdência social e sistema educativo. Os resultados confirmam índices crescentes de mobilidade, na 2ª metade do século XX, associados a transformações estruturais de grande monta. A erosão do elo educação-ocupação constitui hoje uma ameaça a esta tendência. Os sistemas educativos do Reino Unido e Irlanda surgem como mais igualitários, mas a sua capacidade sobre a estrutura ocupacional é menor. Os sistemas escandinavos apresentam probabilidades mais elevadas de mobilidade social através da educação. Há diferenças significativas ao comparar homens e mulheres, assim como nativos e imigrantes. Mais do que corroborar a vulnerabilidade de mulheres e imigrantes, os números sugerem que o género e a imigração são aspectos fundamentais para entender as diferenças de padrões de mobilidade entre regiões da Europa. O cluster dos países mediterrânicos merece especial atenção. Desde logo, estamos perante índices de fluidez menores quer na relação origem-educação (como na Europa de Leste), quer na relação educação-destino (como no Reino Unido e Irlanda). Em segundo lugar, a correlação entre desempenho escolar e classe de destino é mais acentuada entre as mulheres do que entre os homens, isto em ambas as extremidades da escala socioeconómica. Também a diferença entre população nativa e população imigrante é especialmente forte, fenómeno que congrega efeitos da reduzida escolaridade entre imigrantes e a sua elevada probabilidade de empregos abaixo das qualificações.
  •  ABRANTES, Pedro CV - Não disponível 
  • ABRANTES, Manuel CV de ABRANTES, Manuel
Manuel Abrantes é membro do SOCIUS: Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, Universidade Técnica de Lisboa, e Professor Convidado de Sociologia do Trabalho e do Lazer na Universidade Aberta. Os seus principais interesses académicos incluem o trabalho, o género, a migração e a participação política. É autor do livro Borders: Opportunities and Risks for Immigrant Workers in Cities of the Netherlands e tem contribuído para diversos volumes conjuntos e revistas científicas. Desde 2010, está a conduzir estudos de doutoramento na Universidade Técnica de Lisboa sobre as condições e as relações de trabalho no setor dos serviços domésticos.

PAP0381 - Em busca de práticas sustentáveis: A influência das crenças, dos valores e das atitudes ambientais nos comportamentos de uso de energia
Resumo de PAP0381 - Em busca de práticas sustentáveis:  A influência das crenças, dos valores e das atitudes ambientais nos comportamentos de uso de energia PAP0381 - Em busca de práticas sustentáveis:  A influência das crenças, dos valores e das atitudes ambientais nos comportamentos de uso de energia
PAP0381 - Em busca de práticas sustentáveis: A influência das crenças, dos valores e das atitudes ambientais nos comportamentos de uso de energia

O estudo que se apresenta é parte integrante do projecto Net Zero Energy School: Reaching the community (FCT-MIT), cujo objectivo é identificar como as percepções e os comportamentos relativos à energia, conjuntamente com a caracterização de parâmetros físicos do espaço, podem contribuir para uma maior eficiência e sustentabilidade no consumo de energia numa escola secundária de Lisboa, recentemente requalificada. Assim, com base na Teoria da Acção Planeada (Azjen & Fishbein, 1980; Azjen, 1991), na Teoria dos Valores e Crenças Normativas (Stern et al., 1999; Stern, 2000) e no Novo Paradigma Ambiental de Dunlap et al (2000), o estudo identifica a forma como as representações sobre energia, os valores sociais e ambientais e a cidadania ambiental podem contribuir para um uso mais eficiente de energia e para o reforço das práticas de conservação, delineando os aspectos que mais se destacam para a planificação de intervenções para a mudança comportamental face ao ambiente e para a promoção de práticas sustentáveis no contexto escolar. Os principais resultados, obtidos através de um inquérito por questionário aplicado a uma amostra representativa de 731 estudantes do 3º ciclo e do ensino secundário, mostram a forte influência do género, da idade e da classe social nas representações e práticas de uso de energia. Mais especificamente, as raparigas apresentam uma representação mais tradicional da energia, sobretudo associada à luz e à electricidade e ao uso de equipamentos domésticos, atribuem uma maior importância à conservação de energia, e apresentam uma maior preocupação com o ambiente e com a diminuição do consumo de energia no país do que os rapazes. Por outro lado, os rapazes, revelam um conhecimento mais preciso a respeito do uso e das fontes de energia, mas parecem menos sensibilizados em relação ao tema da energia em contexto doméstico e referem falar menos sobre o assunto. Em geral, estes resultados mostram que os jovens estão preocupados com os riscos ambientais e essa é a principal razão para a conservação da energia. Além destes resultados gerais, foi desenvolvido um modelo de equações estruturais para compreender os factores de influência das práticas de eficiência energética. A dimensão directa de explicação das práticas de eficiência energética refere-se às atitudes pró-activas de conservação dos recursos naturais (energia, água) e de prevenção das alterações climáticas. Estas, por seu lado, são formadas a partir da influência do contexto familiar na exposição ao tema da energia e nos valores altruístas e tradicionais. O planeamento da intervenção escolar para a mudança de comportamento deve tomar em conta estes resultados, nomeadamente, a necessidade de continuadamente expor os alunos a informação precisa sobre a energia, de fomentar uma monitorização activa dos consumos de energia e das formas eficientes de uso do recurso, de modo a ajustar comportamentos e a promover práticas sustentáveis.
  • REBELO, Margarida CV de REBELO, Margarida
  • MENEZES, Marluci CV de MENEZES, Marluci
  •  CAEIRO, Tiago CV - Não disponível 
  • SCHMIDT, Luísa CV de SCHMIDT, Luísa
  • HORTA, Ana CV de HORTA, Ana
  •  CORREIA, Augusta CV - Não disponível 
  • FONSECA, Susana CV de FONSECA, Susana
Nome: Margarida Rebelo
Afiliação: Laboratório Nacional de Engenharia Civil
Área de formação: Doutoramento em Psicologia Social
Interesses de investigação: Dimensões psicológicas e socio-culturais dos
comportamentos de sustentabilidade ambiental, designadamente, dos
comportamentos de uso e conservação de água e de energia.
Nome: Marluci Menezes
Afiliação Institucional: Núcleo de Ecologia Social (NESO) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)
Área de formação: Geografia / Antropologia
Interesses de Investigação: habitat, espaço público e qualidade de vida urbana, cultura, património e intervenção urbana, práticas e representações do espaço e de sustentabilidade.

Luísa Schmidt
Socióloga investigadora principal do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, dedica-se actualmente a duas áreas de investigação principais: Sociologia da Comunicação e Sociologia do Ambiente, em que se doutorou. No ICS-UL coordena a Linha de Investigação 'Sustentabilidade: Ambiente, Risco e Espaço' e integra o Comité Científico do Programa Doutoral em "Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável". Faz parte da equipa de investigadores que criaram e montaram em 1996 o OBSERVA - Observatório de Ambiente e Sociedade que actualmente dirige, onde desenvolve vários projectos de investigação que articulam ciências sociais e ambiente.
Investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Membro da equipa de investigação do Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade. Doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura e Educação, licenciatura em Sociologia e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Actualmente participa em projectos de investigação sobre questões sociais relacionadas com energia, sustentabilidade e alimentação.
- Susana Maria Duarte Fonseca
- Doutoranda do ISCTE-IUL no Programa de Doutoramento em Sociologia a trabalhar no projecto: “O princípio da prevenção nas políticas de ambiente - o caso da eficiência energética”;
- Colabora em projectos de investigação na área da sociologia do Ambiente no ISCTE– UL (Projecto GISA - Gestão Integrada da Saúde e do Ambiente no Litoral Alentejano) e no ICS-UL (Net Zero Energy School – Reaching the Community e Consensos e controvérsias socio-técnicas sobre energias renováveis);
- Tem colaborado em vários projectos de investigação nas áreas da percepção de risco, representações sociais, movimentos sociais, energia, ambiente e saúde;
- Voluntária da Quercus, tendo sido membro da Direcção Nacional entre Março de 2003 e Dezembro de 2011.

PAP0775 - Entre a defesa e o ataque, os imigrantes do futebol português
Resumo de PAP0775 - Entre a defesa e o ataque, os imigrantes do futebol português PAP0775 - Entre a defesa e o ataque, os imigrantes do futebol português
PAP0775 - Entre a defesa e o ataque, os imigrantes do futebol português

Num processo que não é novo, o futebol português participa na dinâmica global de forte competição pela procura de jogadores com características físicas, técnicas e táticas capazes de materializar em vitórias a ambição dos clubes, adeptos e patrocinadores. Em distintas escalas, essa procura tem desencadeado um intenso processo migratório internacional caracterizado, sobretudo, pela sua complexidade assente, em grande parte, na diversidade de origens e destinos migratórios. A observação dos plantéis dos principais clubes europeus, muitos deles constituídos, quase exclusivamente, por jogadores estrangeiros, é reveladora da importância que assume a migração internacional de futebolistas, sendo reflexo de uma cultura desportiva na qual o trabalho atlético atravessa fronteiras políticas, culturais, étnicas, e económicas Também em Portugal os futebolistas estrangeiros são parte integrante e relevante do cenário futebolístico. Nomes anónimos ou mediáticos, os futebolistas estrangeiros representam mais de metade da totalidade dos jogadores da Primeira Liga, sendo que há clubes nos quais os jogadores nacionais ocupam lugar meramente residual. Se para alguns protagonistas do futebol português esta é uma consequência inevitável do funcionamento das leis de oferta e procura do mercado futebolístico, outros apelam a uma atitude defensiva invocando que os futebolistas estrangeiros retiram espaço laboral aos jogadores nacionais. A presente comunicação visa caracterizar o fluxo imigratório do futebol português, determinando o volume, a origem, as reacções e consequências desse processo, considerando ainda que este fenómeno é determinado por dinâmicas de globalização bem como por especificidade da sociedade portuguesa. Esta análise terá em consideração as épocas futebolísticas mais recentes.
  • NOLASCO, Carlos CV de NOLASCO, Carlos
Carlos Nolasco, doutorando em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra/Centro de Estudos Sociais, com uma dissertação na área das migrações de trabalho desportivo. Licenciado em Sociologia e Mestre pela FEUC. Profissionalmente foi assistente de investigação no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra entre 1993 e 2002. Docente do Instituto Piaget desde 1997. Entre 2002 e 2005 exerceu o cargo de Presidente da Direcção da Escola Superior de Educação Jean Piaget de Viseu. Tem como áreas de interesse a sociologia do desporto, migrações e direito e globalização.

PAP1534 - Entre o gueto e a cidade: perspectivas cruzadas sobre a ‘colónia’ portuguesa na região de Boston no início do século XX
Resumo de PAP1534 - Entre o gueto e a cidade: perspectivas cruzadas sobre a ‘colónia’ portuguesa na região de Boston no início  do século XX PAP1534 - Entre o gueto e a cidade: perspectivas cruzadas sobre a ‘colónia’ portuguesa na região de Boston no início  do século XX
PAP1534 - Entre o gueto e a cidade: perspectivas cruzadas sobre a ‘colónia’ portuguesa na região de Boston no início do século XX

No início do século XX a ‘colónia’ de emigrantes portugueses em Nova Inglaterra, segundo a designação da época, constituía, do ponto de vista de Portugal, a segunda maior ‘colónia’ emigrante, a seguir à que escolhia o Brasil como destino. Constituída maioritariamente por açorianos, incluía também ‘continentais, cabo-verdianos e madeirenses’ e concentrava-se nalgumas das mais importantes cidades industriais da região: New Bedford, Fall River, Boston, Cambridge, Somerville (MA) Providence (RI). Localmente, tinham a dimensão suficiente para suscitarem a curiosidade e algum interesse científico. Os portugueses eram, apenas, um dos muitos grupos nacionais que nalgumas cidades americanas iam construindo esta ‘nação de imigrantes’, suscitando formas de conhecimento diversificadas, desde a análise sociológica, às descrições etnográficas, históricas e literárias, fazendo emergir a cidade como objecto de estudo e desenvolvendo os estudos urbanos a partir do pólo difusor da Universidade de Chicago, em redor dos anos 1920. Esta comunicação tem como objectivo fazer uma incursão nestas temáticas, a partir de um ponto de vista sócio antropológico e histórico. A revisitação de algumas das questões fundadoras da chamada ‘Escola de Chicago’, desde o ciclo de relações raciais do contacto à assimilação (ou integração), às formas de segregação sócio-espacial que, dialogicamente, fazem as cidades no fio da história, impõe-se, juntamente com outras perspectivas teóricas mais recentes que ajudam a melhor compreender o jogo complexo de múltiplas e sempre dinâmicas formas de identidade social, cultural, racial, étnica, política. Concretamente, propomo-nos fazer uma análise cruzada de alguns textos que se refetextos de referência que, na década de 20, se debruçaram sobre a comunidade portuguesa na região de Boston, tanto do lado americano como do lado português. Tal análise pretende identificar alguns elementos fundamentais que, do ponto de vista semântico e social, ajudam a compreender, na actualidade, os lugar dos territórios urbanos específicos e das representações particulares que compõem o caleidoscópio (para usar a expressão de Ulf Hannerz) da ‘Portuguese-speaking community’ nesta região do globo – neste início do século XXI.
  • CORDEIRO, Graça CV de CORDEIRO, Graça
  •  VIDAL, Frédéric CV - Não disponível 
Graça Índias Cordeiro
Departamento de Métodos de Pesquisa Social e CIES-IUL
Instituto Universitário de Lisboa, ISCTE-IUL
Antropologia Urbana
Etnografia Urbana

PAP0238 - Estilos e perfis dos líderes com funções de avaliação de desempenho docente – discussão conceptual
Resumo de PAP0238 - Estilos e perfis dos líderes com funções de avaliação de desempenho docente – discussão conceptual  PAP0238 - Estilos e perfis dos líderes com funções de avaliação de desempenho docente – discussão conceptual
PAP0238 - Estilos e perfis dos líderes com funções de avaliação de desempenho docente – discussão conceptual

Nesta comunicação pretende-se discutir os conceitos do perfil de liderança e estilo de liderança a partir das lideranças intermédias que, nas organizações escolares, têm a função de avaliar o desempenho dos docentes. A proposta de comunicação aqui apresentada dá conta da investigação em curso no âmbito do Programa de Doutoramento em Educação, especialidade em Liderança Educacional, na UAb, com o título Estilos e perfis dos líderes intermédios na escola com funções de avaliação de desempenho docente. Neste contexto, procuramos distinguir os dois conceitos partindo do entendimento de perfil enquanto predominantemente relacionado com as características profissionais / académicas existentes / exigidas e de estilo mais ligado às características pessoais moldáveis e relacionadas com os traços de personalidade ou eventualmente com as formas de actuação impostas pelo líder de topo. Os recentes desenvolvimentos das políticas educativas têm vindo a colocar as instituições escolares no centro das preocupações sociais. Concretamente, medidas como a generalização dos programas de avaliação de desempenho docente e a sua relação com a implementação de um novo modelo de gestão da escola têm contribuído para a reconfiguração da organização escolar ao nível das suas dinâmicas internas de funcionamento. Neste sentido, interessa compreender os modos como a organização escolar reage a este tipo de imperativos, de que forma recria as suas dinâmicas através da compreensão das práticas e olhares dos sujeitos nos seus contextos de ação. Começamos, pois, por mobilizar os conceitos de estilo de liderança e perfil de liderança fazendo a sua discussão tendo por referência a conjuntura atual de acentuados condicionalismos, o quadro de reflexividade social e a complexidade organizacional escolar. Desta forma, esperamos que esta comunicação (nesta fase, mas também o nosso trabalho) possa constituir um contributo para o entendimento coletivo do modo como as reconfigurações – que resultam das crises e outras – são refletidas e geridas no campo educativo. Palavras-chave: estilos de liderança; perfis de liderança; avaliação de desempenho docente; organizações escolares; reconfigurações sociais.
  • RICARDO, Luís CV de RICARDO, Luís
  • HENRIQUES, Susana CV de HENRIQUES, Susana
  • SEABRA, Filipa. CV de SEABRA, Filipa.
Luís Ricardo
Habilitações académicas/profissionais:
- Licenciado em Engenharia Eletrotécnica (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra);
- Licenciado em Educação na especialidade Administração Escolar (Escola Superior de Educação de Leiria);
- Pós graduado em Educação na especialidade Administração Escolar e Planificação da Educação (Universidade Portucalense);
- Mestre em Educação na especialidade Administração Escolar e Planificação da Educação (Universidade Portucalense);
- Doutorando em Educação na especialidade Liderança Educacional (Universidade Aberta) sob a orientação da professora doutora Susana Henriques e da professora doutora Filipa Seabra;
- Tutor na Universidade Aberta (mestrado em Administração e Gestão Educacional; licenciatura em Educação; Curso de Profissionalização em Serviço de professores);
- Professor no Grupo 540 (Esc. Sec. Engº Acácio Calazans Duarte – Marinha Grande).
Morada:
Rua das Arroteias, Lt 39, 2500-568 Caldas da Rainha
E-mail:
luisffricardo@gmail.com
Tel.:
960223344
Nome:
Susana Henriques
Habilitações académicas/profissionais:
Doutorada em Sociologia, especialidade me Sociologia da Educação, da Comunicação e da Cultura. Professora Auxiliar do Departamento de Educação e Ensino a Distância da Universidade Aberta, responsável por UCs de 1º, 2º e 3º ciclos. Investigadora no CIES-IUL e no LE@D-UAb, na área da educação, lideranças, literacias e das competências pessoais e sociais, bem como na área da comunicação.
Morada:
UAb – DEED
Campus do Taguspark
Edifício Inovação I
Av. Dr. Jacques Delors
2740-122 Porto Salvo, Oeiras
E-mail:
susanah@uab.pt; susana_alexandra_henriques@iscte.pt

Tel.:
213916300
Nome:
Filipa Seabra
Habilitações académicas/profissionais:
Doutorada em Ciências da Educação, especialidade em Desenvolvimento Curricular, pela Universidade do Minho. Professora Auxiliar do Departamento de Educação e Ensino a Distância da Universidade Aberta. Investigadora no LE@D-UAb, na área da educação, lideranças e no CIEd-UM, na área da teoria e desenvolvimento curricular.
Morada:
UAb – DEED
Campus do Taguspark
Edifício Inovação I
Av. Dr. Jacques Delors
2740-122 Porto Salvo, Oeiras
E-mail:
fseabra@uab.pt
Tel.:
216011417

PAP0708 - Experiência sexual: contributos para um novo conceito nos estudos de sexualidade e género
Resumo de PAP0708 - Experiência sexual: contributos para um novo conceito nos estudos de sexualidade e género PAP0708 - Experiência sexual: contributos para um novo conceito nos estudos de sexualidade e género
PAP0708 - Experiência sexual: contributos para um novo conceito nos estudos de sexualidade e género

Nesta comunicação apresento uma proposta de um novo conceito para os estudos de sexualidade e género, o conceito de experiência sexual, desenvolvido numa tese de doutoramento defendida em 2011 (Policarpo, 2011). Partindo das três lógicas de acção propostas por F. Dubet – integração, estratégia e subjectivação -, pretendo explorar os significados que cada uma destas lógicas assume no que respeita à vida sexual. Cada uma pode ser descrita em três níveis diferentes. Em primeiro lugar, cada uma reporta a diversos aspectos da vida dos indivíduos (profissional, familiar, afectiva, sexual), com destaque para a sexualidade. Porém, é a forma como o indivíduo se «move» nas restantes dimensões da vida que explica os modos que a sexualidade assume, em cada lógica. Um exemplo muito evidente seria o de um indivíduo que, tendo uma forte integração profissional em determinada fase, vê a sua vida sexual reduzir-se em frequência, diversidade de parceiro/as e/ou práticas. Este nível descreve onde tudo se passa: é o das dimensões da vida pessoal. O que nos leva a um segundo nível analítico, em cada lógica da acção: o grau de «compromisso individual» com cada uma das dimensões consideradas. Trata-se de uma medida de intensidade da adesão do actor social à lógica em questão, nos seus diversos desdobramentos (familiar, profissional, sexual). Ela pode ser «medida» em termos de grau como «forte», «média» ou «fraca». Conforme a conjugação dos diferentes graus de intensidade do posicionamento do actor social em cada uma das lógicas (e respectivas dimensões), podemos chegar então a um terceiro nível, em que qualificamos o modo de posicionamento do actor. Em cada lógica, conforme a intensidade da adesão for «forte», «média» ou «fraca», teremos três modalidades de acção. Deste modo, partindo da intensidade da adesão a papéis sociais, valores, grupos e comunidades (integração), nas várias dimensões da vida individual, chegamos a diversas modalidades de viver essa pertença: convencional, marginal ou alternativa. Na lógica estratégica foi possível identificar três modalidades de acção: limitadas, ocasionais ou ad hoc, e diversificadas. Finalmente, foi possível chegar a várias modalidades de subjectivação, modos qualitativos de construção do sujeito sexual e sua identidade: padrão, problematizada e singular. Este novo conceito permitiu construir seis ideais-tipo de experiência sexual: convencional, alternativo-singular, marginal-diversificado, alternativo-diversificado, ambivalente.
  • POLICARPO, Verónica CV de POLICARPO, Verónica
Nota biográfica:
Doutorada em Ciências Sociais (Sociologia), pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), com uma tese com o título Indivíduo e Sexualidade: a construção Social da Experiência Sexual. Mestre (pré-Bolonha) em Sociologia, pela Universidade de Coimbra; e licenciada (pré-Bolonha) em Comunicação Social e Cultural pela Universidade Católica Portuguesa. Desde 2000 leciona na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Católica Portuguesa, diversas disciplinas às licenciaturas e mestrados, com destaque para as Metodologias de Investigação das Ciências Sociais. É membro do Conselho de Coordenação do Centro de Estudos em Serviço Social e Sociologia (CESSS-UCP), vogal da Direção do Centro de Estudos de Povos de Cultura e Expressão Portuguesa (CEPCEP, UCP), investigadora do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica (CESOP, UCP) e do Centro de Estudos Comunicação e Cultura (CECC, UCP), onde co-organisou a primeira Spring School on Advanced Methodologies in Communication Studies (Abril 2012). Os seus interesses de investigação são multidisciplinares, e incluem temas como a construção do indivíduo contemporâneo; sexualidade, género, transformações da vida privada e íntima; redes e comunidades pessoais; valores e atitudes face às minorias, preconceito, discriminação, desigualdades sociais; métodos e técnicas de investigação qualitativa e quantitativa em ciências sociais. Entre as suas publicações mais recentes contam-se os livros Os Imigrantes e a Imigração aos Olhos dos Portugueses: Manifestações de preconceito e perspectivas sobre a inserção de imigrantes, (Coord. com João H.C. António, Fundação Calouste Gulbenkian, 2012) e Imigrantes Sem Abrigo em Portugal, (em co-autoria) Lisboa, ACIDI (no prelo); dois capítulos do IV Volume da História da Vida Privada, pelo Círculo de Leitores (coord. Ana Nunes de Almeida), «Sexualidades em construção: entre o público e o privado» e «Media e Entretenimento» (em co-autoria), 2011; Viver a telenovela: um estudo sobre a recepção (Livros Horizonte, 2006); Os Imigrantes e a População Portuguesa: imagens recíprocas (coord. Mário Lages, Observatório da Imigração, 2006). Coordena actualmente diversos projectos, entre os quais Jovens e Idosos: relações intergeracionais e envelhecimento activo (CEPCEP)e Personal Communities: transformations in private life, family relationships and intimacies (CESSS).

PAP0711 - Fragmentos de vidas profissionais de professores: vivências e reacções às recentes reformas educativas
Resumo de PAP0711 - Fragmentos de vidas profissionais de professores: vivências e reacções às recentes reformas educativas PAP0711 - Fragmentos de vidas profissionais de professores: vivências e reacções às recentes reformas educativas
PAP0711 - Fragmentos de vidas profissionais de professores: vivências e reacções às recentes reformas educativas

Enquanto medidas profissionais e gestionárias definidas “de fora para dentro”, a implementação da revisão do Estatuto da Carreira Docente (2007) e da Gestão e Direcção Escolar (2008) tiveram implicações na autonomia e autoridade dos professores, desafiando e reenquadrando as suas identidades profissionais. Apresentamos nesta comunicação resultados parciais obtidos numa investigação qualitativa que, procurando um aprofundamento das trajectórias profissionais dos professores para desvendar as suas identidades profissionais, permitiu entender a relação entre perfis de identidade e respostas às reformas educativas. Interessou-nos, fundamentalmente, analisar as reacções em função de variáveis que têm sido consideradas relevantes - anos de serviço, género, área disciplinar, experiência profissional -, mas também o nível de envolvimento dos professores em associações e sindicatos de professores. Esta abordagem implica, por um lado, uma análise dos processos institucionais tendo em consideração os processos individuais e, por outro, o entendimento da identidade profissional como processo dinâmico, construído e reconstruído em determinadas épocas histórias e contextos sociais, através de dinâmicas de conflito e negociação. A partir de uma discussão articulada entre a Sociologia da Educação, a Sociologia das Profissões e a utilização da metodologia de Histórias de Vida, analisamos fragmentos de biografias e discursos de um conjunto de professores do ensino secundário que ilustram características-chave das formas de posicionamento e apropriação simbólica das reformas: aceitação, conformidade, afastamento, resistência, transformação. Os resultados obtidos permitem constatar que os professores se posicionam baseando-se em esquemas de pensamento e acção reflexivos, na mobilização de valores e poderes e na expressão de emoções. Trazemos para a discussão algumas questões pertinentes e actuais: poder-se-á falar de um posicionamento generalizado dos professores face às reformas? Existirão diferenças consoante grupos específicos? São essas reacções estratégias de preservar poderes profissionais, uma identidade profissional reivindicada?
  •  STOLEROFF, Alan CV - Não disponível 
  •  SANTOS, Patrícia CV - Não disponível 

PAP0823 - Gestão de Conhecimento em Organizações Turísticas
Resumo de PAP0823 - Gestão de Conhecimento em Organizações Turísticas PAP0823 - Gestão de Conhecimento em Organizações Turísticas
PAP0823 - Gestão de Conhecimento em Organizações Turísticas

O debate sobre a Gestão do Conhecimento tem mobilizado uma variedade de áreas que procuram descortinar a complexidade do conceito e do próprio processo. Atendendo à importância crescente do conhecimento nos processos de inovação e de desenvolvimento das sociedades na era da globalização, a diferença entre as sociedades e as organizações depende, cada vez mais, da qualidade da gestão do capital humano e do conhecimento. O cerne da questão não se encontra no recurso em si mas sim na criação de um contexto, onde a criação, a aquisição e a difusão de novo conhecimento possa ser promovida e alimentada, recorrendo aos instrumentos organizacionais explicitamente criados para o efeito. Assim, o conhecimento da organização deve ser entendido como o fruto de interacções específicas entre indivíduos, sendo um activo socialmente construído. No âmbito das organizações, a Gestão do Conhecimento emerge intrinsecamente ligada à capacidade destas utilizarem e combinarem as várias fontes e tipos de conhecimento organizacional, com os objectivos de promoverem o desenvolvimento de competências específicas e assumirem uma capacidade inovadora, traduzida em novos produtos, novos processos e, desejavelmente, a liderança do mercado onde se inserem. A importância da Gestão do Conhecimento no sector turístico é ainda mais fulcral devido ao facto de este se basear em serviços que apresentam características associadas à intangibilidade, à perecibilidade ou à heterogeneidade. Neste âmbito, a presente comunicação, consubstancia-se na apresentação do um modelo de análise e dos resultados preliminares de uma investigação, designada “Gestão do Conhecimento Organizacional em Organizações Turísticas”. A qual, tem como objectivo analisar a forma como organizações turísticas no Algarve gerem o seu conhecimento, ou seja, observar como criam, retêm, partilham e utilizam o conhecimento. A investigação empírica, ainda a decorrer, tem como metodologia de base a análise aprofundada a três estudos de caso em grupos hoteleiros com recurso ao inquérito por questionário, à entrevista semi-estruturada e à análise documental. O modelo de análise utilizado nesta investigação estrutura-se em torno de dois eixos analíticos: i) as etapas do processo e ii) as práticas facilitadoras da Gestão do Conhecimento; os quais, embora não existindo isoladamente afiguram-se como fundamentais para uma abordagem global dos processos de Gestão do Conhecimento Organizacional. A abordagem da Gestão do Conhecimento centra-se nos processos relacionados com a criação, retenção, transferência e utilização do conhecimento organizacional, realçando a importância de diversas práticas de gestão facilitadoras dos mesmos: gestão estratégica; cultura organizacional; estrutura e processos de trabalho; políticas de recursos humanos; sistemas de informação e comunicação; medição de resultados e relação com o ambiente externo.
  • SEQUEIRA, Bernardete Dias CV de SEQUEIRA, Bernardete Dias
  •  SERRANO, António Manuel CV - Não disponível 
  • MARQUES, João Filipe CV de MARQUES, João Filipe
Bernardete Dias Sequeira, Assistente da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, investigadora integrada do Centro de Investigação em Inovação, Espaço e Organizações (CIEO) da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, licenciada em Sociologia, Mestre em Organização e Sistemas de Informação, interesses de investigação em Sociologia das Organizações, Recursos Humanos, Sociologia da Comunicação e Metodologias de Investigação.
João Filipe Marques é Doutor em Sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, Professor Auxiliar na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e Director da Licenciatura e do Mestrado em Sociologia daquela Universidade. Para além de leccionar na área das Teorias Sociológicas, tem publicado e ensinado nas áreas da Sociologia do Racismo, das Relações Inter-étnicas e da Etnicidade. Para além de vários artigos e capítulos de livros sobre aqueles temas é autor do livro Du «non racisme» portugais aux deux racismes des Portugais, (Lisboa, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, 2007). Atualmente, é membro da Direção da Associação Portuguesa de Sociologia.

PAP0798 - Greenwashing na publicidade associada ao consumo de energia e às alterações climáticas
Resumo de PAP0798 - Greenwashing na publicidade associada ao consumo de energia e às alterações climáticas PAP0798 - Greenwashing na publicidade associada ao consumo de energia e às alterações climáticas
PAP0798 - Greenwashing na publicidade associada ao consumo de energia e às alterações climáticas

O aparecimento e a renovação dos objectos e desejos de consumo são acompanhados pela criatividade dos meios publicitários com o objectivo de ampliar o anseio do consumidor na aquisição dos produtos. Desde os anos 80 têm sido desenvolvidas estratégias de marketing dirigidas aos consumidores interessados na protecção do ambiente. Nesse sentido, as empresas têm muitas vezes recorrido à “publicidade verde”, ou seja, a anúncios que contêm alusões a qualidades ecológicas dos produtos, embora muitas vezes não possam ser realmente comprovadas ou a informação fornecida seja insuficiente para o efectivo esclarecimento do consumidor. É o caso de menções como "produto amigo do ambiente", “protege a natureza”, "100% natural" ou “não poluente”. Algumas destas expressões violam o direito do consumidor à informação, desrespeitando princípios como a veracidade, a transparência, a objectividade e a clareza, entre outros. O criticismo gerado pelos abusos praticados conduziu a que diversos autores apelidassem o fenómeno de greenwashing (Westerveld, 1986), sugerindo uma camuflagem de produtos convencionais com uma errónea imagem de impactos ambientais reduzidos. O cepticismo desenvolvido relativamente a este tipo de marketing poderá explicar o decréscimo na «publicidade verde» a partir de meados dos anos 90 (Corbett, 2002; Hansen, 2002). Nos últimos anos, a atenção pública internacionalmente dada aos problemas relacionados com as alterações climáticas e à crise energética parece ter motivado um recrudescimento deste género de publicidade, sobretudo com recurso a argumentos relativos ao consumo de energia e à redução de emissões de gases com efeito de estufa (Alexandre e Horta, 2011). Neste trabalho analisam-se os argumentos veiculados nos anúncios publicitários considerados «verdes», identificando e caracterizando as estratégias de greenwashing centradas na eficiência energética, na utilização de energias renováveis e na redução de emissões com impacto nas alterações climáticas. A análise realizada incidiu em todos os anúncios com aqueles argumentos inseridos na revista de informação geral semanal Visão, de 2008 a 2011. Palavras Chave: Greenwashing, Discurso Publicitário, Alterações climáticas, Energia.
  • HORTA, Ana CV de HORTA, Ana
  • ALEXANDRE, Sílvia CV de ALEXANDRE, Sílvia
Investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Membro da equipa de investigação do Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade. Doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura e Educação, licenciatura em Sociologia e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Actualmente participa em projectos de investigação sobre questões sociais relacionadas com energia, sustentabilidade e alimentação.
Sílvia Alexandre é Investigadora de pós-doutoramento no SOCIUS - ISEG/UTL com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Doutorada em Gestão (Especialidade em Organização e Desenvolvimento dos Recursos Humanos) pelo ISCTE e Mestre em Sistemas Socio-organizacionais da Atividade Económica pelo ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão). Atualmente está a desenvolver trabalhos na área do consumo sustentável, da publicidade e da alimentação.

PAP0508 - Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal - Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e Estratégias Identitárias de uma Família Cigana Portuguesa – 1827 – 1957
Resumo de PAP0508 - Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal - Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e Estratégias Identitárias de uma Família Cigana Portuguesa – 1827 – 1957 PAP0508 - Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal - Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e Estratégias Identitárias de uma Família Cigana Portuguesa – 1827 – 1957
PAP0508 - Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal - Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e Estratégias Identitárias de uma Família Cigana Portuguesa – 1827 – 1957

Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal. Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e Estratégias Identitárias de uma Família Cigana Portuguesa são estudadas desde 1827 – ano do nascimento de Manuel António Botas – até 1957, ano do falecimento de António Maia, neto deste, e filho de Maria da Conceição de Sousa e Botas. As histórias de vida destes três indivíduos pertencentes a uma família cigana lisboeta são investi¬gadas a partir dos relatos orais de membros desta família; do jazigo de família; dos registos paroquiais de batismo, casamento e óbito; dos jornais relativos aos períodos que medeiam aquelas datas; dos arquivos militares e da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Estas fontes foram instru¬mentalizadas de maneira a possibilitar e a inter-rela¬cio¬nar categorias de informa¬ção que permitiram, através da sua triangulação, a consoli¬da¬ção, descoberta e a criação de novos conhecimentos. Nascido dois anos depois do primeiro quartel do século XIX, Manuel António Botas foi bandarilheiro, diretor de corridas, guitarrista, amigo da Severa e do Conde de Anadia, entre outros. A sua participação pessoal e, sobretudo, profissional na sociedade oitocentista portuguesa influenciou a geração do seu tempo e as vindouras. A sua filha, Maria da Conceição de Sousa e Botas, casou pela igreja católica e de acordo com a Lei cigana, com um cigano, José Paulos Botas, com quem conceberia oitos filhos. Tia Chata, nome pelo qual viria a ser conhecida na idade adulta, transformou-se numa mulher de respeito. Um dos seus filhos, António Maia, casou com uma jovem cigana que não seria, segundo os testemunhos, o amor da sua vida. Foi combatente na Primeira Grande Guerra, vindo a falecer, vítima de gases nela inalados. A sua atividade política/social/económica/profissional e, sobretudo, a mediação cultural fize¬ram dele um tradutor-intérprete intra/intercultural. As dinâmicas sociais, culturais e étnicas desenvolvidas por estes três indivíduos, e a sua família, foram objeto de investigação de forma a compreender a pluralidade das suas pertenças étnicas através dos contrastes e continuidades, nas suas dimensões sociais e culturais, com a restante sociedade portuguesa.
  • SOUSA, Carlos Jorge dos Santos CV de SOUSA, Carlos Jorge dos Santos
Nome: Sousa, Carlos Jorge dos Santos

Afiliação institucional: CEMRI – Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – Universidade de Lisboa

Área de formação: Doutoramento em Sociologia (Especialidade em Relações Interculturais)
Interesses de investigação: Cultura, Etnicidade, Trajetórias, Narrativas e Identidades
Outros interesses:
· A50 - Sociologia
· A91 - Ciência Política
· B12 - Políticas Educativas
· C03 - Conceção e Organização de Projetos Educativos
· D02 - Educação e Multiculturalidade
· D05 - Relações Entre Educação e Sociedade
(Formador creditado pelo Conselho Cientifico e Pedagógico da Formação Continua (CCPFC/RFO-14653/02)

PAP0532 - Grupos étnicos e estrangeiros em contexto prisional: representações de guardas prisionais e elementos da direcção
Resumo de PAP0532 - Grupos étnicos e estrangeiros em contexto prisional: representações de guardas prisionais e elementos da direcção PAP0532 - Grupos étnicos e estrangeiros em contexto prisional: representações de guardas prisionais e elementos da direcção
PAP0532 - Grupos étnicos e estrangeiros em contexto prisional: representações de guardas prisionais e elementos da direcção

Nas últimas décadas a imigração tornou-se um fenómeno relevante em vários países, incluindo Portugal. Esse fenómeno terá contribuído para firmar discursos provenientes de várias esferas da sociedade civil que alegam que certos grupos sociais, como estrangeiros e minorias étnicas, apresentam uma maior propensão para comportamentos criminais. Com efeito, estudos prisionais realizados em vários países apontam para a uma forte tendência de encarceramento de grupos socialmente vulneráveis. Em Portugal existe, grosso modo, uma sobrerepresentação em contexto prisional de estrangeiros e do grupo étnico cigano. A população reclusa estrangeira vem aumentando sistematicamente nas prisões portuguesas, sendo as nacionalidades com maior historial imigratório no contexto português as mais representadas no sistema prisional (ex. PALOP), verificando-se de igual modo a expansão gradual da presença de indivíduos do Leste Europeu. O objectivo desta comunicação não é questionar o que estará na base desta sobrerepresentação de estrangeiros dos PALOP e do Leste Europeu e de ciganos em contexto prisional. Através da análise de entrevistas com guardas prisionais e elementos da direcção de estabelecimentos prisionais portugueses, quer masculino quer feminino, pretendemos expor as representações sociais que estes profissionais detêm, no que diz respeito à relação destes reclusos com o crime e ao seu comportamento em meio prisional. Não obstante as representações destes actores do sistema prisional sobre os reclusos se apoiarem, em larga medida, na proximidade institucional que possuem com estes, argumentaremos que as representações partilhadas projectam também visões do mundo que se interconectam com mensagens culturais que circulam noutras esferas da vida em sociedade (ex. média), que, por sua vez, reforçam estereótipos e consolidam processos de estigmatização social de grupos sociais desfavorecidos.
  • GOMES, Sílvia CV de GOMES, Sílvia
  • MACHADO, Helena CV de MACHADO, Helena
  • SILVA, Manuel Carlos CV de SILVA, Manuel Carlos
Gomes, Sílvia
Investigadora no Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. Licenciada em Sociologia pela Universidade do Minho (2008), é estudante de doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da mesma universidade, sob as orientações dos Professores Doutores Manuel Carlos Silva e Helena Machado. O projecto de doutoramento tem como título provisório “Criminalidade, Exclusão Social e Racismo: um estudo comparado entre portugueses, ciganos e imigrantes dos PALOP e do Leste Europeu”. No âmbito do projecto de doutoramento, desenvolveu o projecto “Criminalidade, Etnicidade e Desigualdades” junto de Estabelecimentos Prisionais portugueses e foi investigadora visitante na Universidade da Califórnia, Berkeley, sobre a orientação do Professor Loïc Wacquant. O seu trabalho está relacionado com a criminalidade, exclusão social e etnicidade, designadamente as representações sociais dos grupos étnicos e imigrantes nos media, as representações sociais dos guardas prisionais sobre os fenómenos da imigração e do crime e também as trajectórias de vida e estatísticas da reclusão feminina e masculina em Portugal.
Helena Machado
hmachado@ics.uminho.pt

Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.
Silva, Manuel Carlos
Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).

PAP1500 - IMPACTOS DA PROFISSÃO MILITAR NOS PADRÕES FAMILIARES: RECONFIGURAÇÕES A PARTIR DO CASO PARTICULAR DO COMANDO DE INSTRUÇÃO E DOUTRINA
Resumo de PAP1500 - IMPACTOS DA PROFISSÃO MILITAR NOS PADRÕES FAMILIARES: RECONFIGURAÇÕES  A PARTIR DO CASO PARTICULAR DO COMANDO DE INSTRUÇÃO E DOUTRINA PAP1500 - IMPACTOS DA PROFISSÃO MILITAR NOS PADRÕES FAMILIARES: RECONFIGURAÇÕES  A PARTIR DO CASO PARTICULAR DO COMANDO DE INSTRUÇÃO E DOUTRINA
PAP1500 - IMPACTOS DA PROFISSÃO MILITAR NOS PADRÕES FAMILIARES: RECONFIGURAÇÕES A PARTIR DO CASO PARTICULAR DO COMANDO DE INSTRUÇÃO E DOUTRINA

As Forças Armadas (FA) são um dos pilares mais relevantes em qualquer Estado e a especificidade da profissão militar, reforça a pertinência deste estudo, inserindo-o numa temática ainda pouco desenvolvida em Portugal. Concomitantemente, na actualidade a reconfiguração das FA emerge como uma incontornável realidade numa sociedade que se caracteriza por um elevado grau de insegurança/instabilidade associado um novo perfil de risco e de ameaças difusas. As mudanças que se fazem sentir a nível de estrutura, organização e doutrina das FA têm evidentes repercussões, directa ou indirectamente, na sociedade no seu todo assim como nas suas principais instituições sociais. É o caso da instituição família, mas muito em particular da denominada Família Militar pela diferenciação desta profissão face aos demais contextos profissionais.Decorrente deste pressuposto, pretende-se contribuir para uma melhor compreensão sobre o impacto da profissão nas famílias dos militares do Comando de Instrução e Doutrina (CID). Dada a multidimensionalidade do conceito Família Militar, no presente estudo foram destacadas algumas das suas dimensões, que são condicionadas pela noção de solidariedade - resultante de todos os militares estarem sujeitos a determinadas contingências profissionais – e cujos efeitos no contexto familiar sempre têm demarcado as dissemelhanças entre o grupo militar e demais profissionais. O presente estudo baseia-se numa abordagem intensiva, a partir da recolha de informação através de inquéritos por entrevistas e questionários junto de militares, e intergeracional, o que possibilita a identificação de similitudes e diferenças entre a família militar no contexto das guerras coloniais e das actuais missões militares. As condutas destes profissionais são condicionadas por regras e normas inerentes à especificidade da sua profissão, afectando de forma significativa o dia-a-dia do meio familiar, numa permanente reconfiguração das FA no seio de uma sociedade em constante e rápida mudança.
  • BALTAZAR, Maria da Saudade CV de BALTAZAR, Maria da Saudade
  • SALVADOR, Rafaela CV de SALVADOR, Rafaela
MARIA DA SAUDADE BALTAZAR é professora auxiliar, com nomeação definitiva, do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e investigadora integrada no CESNOVA – FCSH da UNLisboa e colaboradora do CISA-AS da UÉvora. Licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora, em 1990, Mestre em Sociologia pelo ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa, em 1994 e Doutorada em Sociologia pela Universidade de Évora, em 2002. É Auditora de Defesa Nacional (IDN/Curso 2006). Tem diversas publicações sobre as áreas a que correspondem os seus principais interesses de investigação: Segurança, Defesa e Forças Armadas; Desenvolvimento; Planeamento (metodologia e instrumentos de intervenção). Tem coordenado e constituído várias equipas de investigação de projetos nacionais e internacionais sobre desenvolvimento regional e local, prospetiva, planeamento, intervenção comunitária e relações civil-militares. Tem uma vasta experiência no acompanhamento e apoio técnico a projetos de intervenção comunitária. Tem exercido diversos cargos de gestão na Universidade de Évora, entre os quais Diretora de vários cursos e do Departamento de Sociologia.
Rafaela Sofia Ferreira Salvador é Licenciada em Sociologia, pela Universidade de Évora, tendo concluído o curso em 2010. Participou ativamente nas atividades desenvolvidas pelo Núcleo de Estudantes de Sociologia da Universidade de Évora. Tem uma publicação na sua principal área de interesse de investigação: Forças Armadas. Colaborou com as equipas de investigação e técnica num projeto de desenvolvimento local, participação que fomentou o interesse pela área do desenvolvimento local e planeamento estratégico, assim como o contato com a população do concelho desencadeou o interesse pela área das políticas de integração e exclusão social.

PAP1139 - Imigração, Crime e Crimigração: alteridades e paradoxos
Resumo de PAP1139 - Imigração, Crime e Crimigração: alteridades e paradoxos PAP1139 - Imigração, Crime e Crimigração: alteridades e paradoxos
PAP1139 - Imigração, Crime e Crimigração: alteridades e paradoxos

Área Temática: Imigração, Crime e Reclusão Os movimentos migratórios têm-se acentuado nos últimos anos, apesar de se afirmarem uma excepção à regra. Na verdade, apenas 3% da população mundial se encontra nesta condição, não fazendo verdadeiro jus à designação de “século em movimento”. Os migrantes têm sido cruciais para o desenvolvimento das principais economias, disponibilizando mão-de-obra de baixo custo e contribuindo para o crescimento da população, factores frequentemente desconsiderados em épocas de crise e recessão. Apesar de plasmados internacionalmente determinados direitos inalienáveis a todos os seres humanos, os migrantes estão sujeitos às regulamentações específicas definidas por cada Estado, em contextos precisos. Os Estados, empossados de uma soberania pós-vestefálica regulamentam a entrada, permanência e saída de estrangeiros dos seus territórios, através de leis às quais os migrantes têm que se sujeitar. Votados com frequência a situações de irregularidade, muitos deles ingressam em esquemas criminosos na demanda de melhores condições de vida, tornando-se presas de grande vulnerabilidade. A resposta de alguns Estados tem sido crescentemente severa no que respeita à intolerância pela irregularidade, confundindo com frequência vítimas com ofensores. Estes papéis alternam por vezes, passando as vítimas a ofensores e estes últimos a vítimas. A crimigração resultante da convergência da lei penal com a lei de imigração promulgada nos EUA nos finais do séc. XX veio levantar determinadas questões e paradoxos, uma vez que a distinção entre a vítima e o ofensor não nacional se torna difícil de descortinar. Avoluma-se uma névoa de desconfiança e endurecimento relativamente aos ofensores não nacionais, frequentemente sob a forma de medidas semelhantes à resposta dada à irregularidade. Olhando para a Europa, podemos vislumbrar também traços preocupantes neste campo, ainda que em níveis diferentes em diversos Estados e não se afirmando ainda em todos. No caso dos ofensores não nacionais em Portugal, e pensando no caso específico da criminalidade violenta, a recolha quantitativa e qualitativa de condenações referentes ao período de uma década (2002-2011), vem mostrar-nos que as diferenças em relação às condenações de cidadãos nacionais não são, aparentemente, significativas e que haverá factores a ter em conta na análise destes casos, num exame mais acurado deste problema. A forma como são apresentados estes casos pela comunicação social e o sentimento de insegurança que, dessa forma, é suscitado tem contribuído para a afirmação de uma crescente intolerância. Procuramos nesta apresentação abordar as questões acima levantadas, tentando identificar dilemas enfrentados e soluções previstas por vários Estados, focando em específico o caso português, ao lidar com um problema que se afigura cada vez mais necessitado de atenção.
  •  GUIA, Maria João CV - Não disponível 

PAP0049 - Intimidades em (des)conexão com a prisão: as relações amorosas de mulheres antes e durante a reclusão
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PAP0049 - Intimidades em (des)conexão com a prisão: as relações amorosas de mulheres antes e durante a reclusão

Os estudos prisionais sobre mulheres reclusas tendem a negligenciar as configurações e transformações das suas relações amorosas. Partindo de um conjunto de entrevistas com 20 reclusas em Santa Cruz do Bispo (Portugal), nesta comunicação almeja-se explorar as trajetórias conjugais destas mulheres reclusas, focando, por um lado, as relações amorosas no período prévio à reclusão, por outro, as reconfigurações das mesmas nos primeiros meses do cumprimento da pena. Estas evidenciam matizes específicos e singulares – ao nível dos contextos e motivações que as envolvem, sobretudo se comparadas às dinâmicas que tendem a caracterizar as primeiras relações de namoro e conjugalidade em estratos sociais mais favorecidos. Partindo de uma abordagem crítica ao modo como o tema das relações amorosas de reclusas tem sido abordado pela literatura, serão analisados pontos de conexão e desconexão entre estas e os comportamentos desviantes das mulheres. Serão explorados fenómenos sociais que atravessam as relações amorosas destas mulheres – maternidade, violência, pobreza, reclusão de companheiros – e as consequências que cada um destes elementos imprime nas vivências amorosas, tanto no período que antecedeu a reclusão, como ao nível dos impactos que o cumprimento da pena de prisão teve nessas mesmas relações.Os nossos dados evidenciam como as relações amorosas destas mulheres as conectaram às malhas da justiça e do sistema penal antes da sua própria reclusão e independentemente dos seus próprios comportamentos desviantes. Estes vínculos ao sistema penal resultam do apoio que estas mulheres, antes de serem reclusas, prestavam aos seus companheiros reclusos. Este é um papel que não se esbate perante a própr
  • GRANJA, Rafaela CV de GRANJA, Rafaela
  • CUNHA, Manuela Ivone CV de CUNHA, Manuela Ivone
  • MACHADO, Helena CV de MACHADO, Helena
Rafaela Granja é socióloga e está atualmente a desenvolver a sua tese de doutoramento que se intitula Representações sobre os impactos sócio-familiares da reclusão: visões femininas e masculinas. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. As principais áreas de interesse do seu trabalho centram-se nos estudos prisionais, relações familiares, criminalidade, género e etnicidade.
Manuela Ivone Cunha é doutorada em antropologia e ensina na Universidade do Minho. É membro do Centro em Rede de Investigação em Antropologia, pólo CRIA-UM (Portugal) e do Institut d'Ethnologie Méditerranéenne et Comparative (IDEMEC/ CNRS, França). Foi galardoada com o Prémio Sedas Nunes para as Ciências Sociais pela obra, Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos (2002).
Helena Machado
hmachado@ics.uminho.pt

Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.

PAP0859 - Inundações e ação social em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro, Brasil)
Resumo de PAP0859 - Inundações e ação social em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro, Brasil) PAP0859 - Inundações e ação social em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro, Brasil)
PAP0859 - Inundações e ação social em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro, Brasil)

O presente artigo aborda pesquisas realizadas no Brasil no campo da sociologia dos desastres, buscando esclarecimentos conceituais e metodológicos relevantes à interpretação da dimensão sócio-política do acontecimento das inundações periódicas na região Norte do estado do Rio de Janeiro, com destaque para o município de Campos dos Goytacazes. Entre os meses de novembro e dezembro de 2008, Campos recebeu um grande volume de chuvas que desencadeou intensas inundações, como a que atingiu o bairro de Ururaí, localizado às margens do rio de mesmo nome, que atravessa parte deste município. Neste período, mais de setecentas pessoas foram alojadas em abrigos improvisados nas escolas do bairro, mas logo tiveram de ser transferidas para outras escolas do centro da cidade – interrompendo-se assim o calendário escolar –, em função de uma nova elevação do nível das águas. Segundo a Defesa Civil cerca de 8 mil pessoas foram “atingidas pela chuva” nas áreas mais críticas do evento neste município (2.450 desabrigados e 5.500 desalojados), e em todo o estado do Rio de Janeiro contabilizou-se mais de 394 mil pessoas afetadas pelas inundações. Concordando com Mattedi & Butzke (2001), partimos da compreensão do desastre como um fenômeno social, buscando interpretar o acontecimento da inundação através de uma abordagem integrada a) da construção das condições sociais prévias ao desastre e b) da dinâmica de enfrentamento, durante e após o evento. Diferentemente das situações de desterritorialização a partir de eventos de desastres, apontadas em Valencio e outros (2009) – quando a prática institucional da Defesa Civil aliada ao discurso técnico dos mapeamentos de áreas de risco promove o deslocamento involuntário dos moradores –, chamou-nos à atenção o fato do governo municipal de Campos intensificar os trabalhos para a consolidação da urbanização do bairro de Ururaí em 2011, nesta chamada área de risco. Este fato pareceu-nos indicar, por um lado, um esforço de fortalecimento de alianças políticas locais por parte do governo municipal – como também sugerem alguns depoimentos de moradores locais; e por outro lado, provoca-nos a construir uma compreensão mais aprofundada sobre a percepção, enraizamento e ação dos próprios moradores do bairro, que lutam por permanecer na área. Buscamos assim debater algumas possibilidades de interpretação desta dinâmica social associada às inundações periódicas neste bairro, de modo a trazer novos elementos que colaborem para uma reflexão crítica das políticas públicas de enfrentamento das inundações no município e região.
  •  MALAGODI, Marco Antonio Sampaio CV - Não disponível 
  •  SIQUEIRA, Antenora Maria da Mata CV - Não disponível 

PAP1318 - MANIFESTAÇÕES CULTURAIS CONTEMPORÂNEAS: A PARTICIPAÇÃO DE JOVENS EM MOVIMENTOS RELIGIOSOS DE NATUREZA PENTECOSTAL
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PAP1318 - MANIFESTAÇÕES CULTURAIS CONTEMPORÂNEAS: A PARTICIPAÇÃO DE JOVENS EM MOVIMENTOS RELIGIOSOS DE NATUREZA PENTECOSTAL

Quando falamos em religião, logo nos vem à mente ideias como fé, sagrado, teofania. Se, por um lado, estão corretas tais ideias, por outro, apresentam-se incompletas para entendermos a presença, cada vez em maior número, de jovens em movimentos religiosos, nos quais a emoção, o fervor e a devoção são valorizados e incentivados. Partimos do princípio de que a religiosidade, entendida como manifestação pessoal de fé, em uma busca por experiências e valores que transcendam a dimensão material, dá sentido à existência do indivíduo e equilíbrio para os diferentes aspectos da vida, determinando o comportamento e as ações deste indivíduo, de seu grupo social e mesmo de uma coletividade. Outrossim, as condições materiais objetivas condicionam a percepção e atitudes diante das situações que acontecem ao seu redor, de sua concepção de vida, de religião, de política, de economia. Portanto, movimentos culturais e neles os movimentos religiosos que surgem, extinguem-se e ressurgem, vêm ao encontro das necessidades de homens e mulheres. A partir de observações de celebrações religiosas, foi possível uma primeira aproximação para compreendermos um fenômeno religioso que promoveu o surgimento de centenas de igrejas no Brasil e está presente tanto na Igreja Católica, como nas Protestantes Históricas: o movimento pentecostal, o qual também provocou o aumento da presença de jovens nas igrejas. Fato que nos chama a atenção porque estas igrejas exigem compromissos, como a participação em serviços ou ministérios, e impõem normas de conduta, como proibição do sexo antes do casamento, discrição no vestir e no consumo de bebidas alcoólicas. E ao realizarmos entrevistas com jovens pertencentes às igrejas pentecostais, constatamos que as motivações para estarem ali se concentraram principalmente na busca de amigos, de equilíbrio emocional e/ou cura para doenças. Como pudemos apreender, se a religião não exerce mais a função cultural de centro integrador e harmonizador da sociedade, ela ainda tem a função de oferecer respostas para questões consideradas insolúveis, além de possibilitar a integração social daqueles que se encontram, e se consideram, excluídos da ordem social vigente.
  •  SILVA, Claudia Neves da CV - Não disponível 
  •  LANZA, Fábio CV - Não disponível 

PAP0947 - Mapeando e explicando as disparidades de aspirações profissionais entre diplomados do ensino superior
Resumo de PAP0947 - Mapeando e explicando as disparidades de aspirações profissionais entre diplomados do ensino superior PAP0947 - Mapeando e explicando as disparidades de aspirações profissionais entre diplomados do ensino superior
PAP0947 - Mapeando e explicando as disparidades de aspirações profissionais entre diplomados do ensino superior

Destinada ao GT proposto: “Inserção de diplomados do ensino superior: relações objectivas e subjectivas com o trabalho” Entroncando dados resultantes da aplicação de um amplo inquérito extensivo à inserção profissional dos licenciados da Universidade de Lisboa e da Universidade de Lisboa no ano de 2004/05 num modelo de análise que tem como objectivo promover a articulação conceptual das dimensões objectivas e subjectivas inerentes ao processo de inserção, esta comunicação incidirá nas aspirações profissionais dos diplomados do ensino superior. Especificamente, pretende responder a quatro questões: haverá aspirações profissionais enraizadas em (quase) toda a população observada? De que aspirações se tratam? Inversamente, clivar-se-ão diferentes aspirações no interior desse mesmo universo? E, em caso afirmativo, qual o efeito que as diferentes situações profissionais exercem sobre essas disparidades aspiracionais? Responder a estas interrogações permitirá restituir a constelação de aspirações profissionais que pontificam no seio do universo estudado, ao mesmo tempo que facultará a possibilidade de testar a hipótese, já antes explorada pelos autores, de que o peso relativo conferido às “aspirações profissionais” se encontra associado às “situações profissionais concretas” que os indivíduos experimentam, tendo estas um significativo impacto na formação daquelas. Tal dever-se-á à convergência de dois movimentos simultâneos mas paradoxais: ao mesmo tempo que os indivíduos exacerbam, em termos relativos, as aspirações que, por não serem concretizadas na sua situação profissional, lhes provocam maiores sentimentos de insuficiência, de frustração ou até de sofrimento, tendem também a ajustar, em grande medida de forma infra-consciente, as suas aspirações à sua situação profissional presente (ou àquela que crêem poder conquistar no futuro), processo bem documentado pela sociologia de inspiração bourdiana. É pois no balanço entre estes dois movimentos que propomos analisar a relação entre a “realidade profissional concreta” e o desenvolvimento dos quadros volitivos na esfera profissional. Accionar este enfoque analítico e cotejá-lo nos dados empíricos, tem a virtude de permitir identificar e mapear as aspirações profissionais dos diplomados do ensino superior e dar passos significativos na investigação dos processos sociogenéticos que subjazem à sua constituição, destacando, analiticamente, aquele que consideramos ser um dos seus aspectos centrais – a “situação profissional concreta” com que os graduados se deparam num dado momento da sua trajectória.
  • CHAVES, Miguel CV de CHAVES, Miguel
Miguel Chaves é professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigador do CESNOVA. Enquanto investigador dedicou parte do seu percurso ao estudo da exclusão social, do desvio e da marginalidade, tendo produzido vários textos sobre estas matérias, dos quais se destaca o livro Casal Ventoso: da Gandaia ao Narcotráfico. Actualmente, desenvolve e coordena vários estudos centrados na inserção profissional e nos estilos de vida de jovens altamente qualificados, tendo neste âmbito publicado o livro Confrontos com o Trabalho entre Jovens Advogados: as Novas configurações da Inserção Profissional, bem como diversos artigos.

PAP0338 - Negociación colectiva en las empresas multinacionales en Argentina
Resumo de PAP0338 - Negociación colectiva en las empresas multinacionales en Argentina PAP0338 - Negociación colectiva en las empresas multinacionales en Argentina
PAP0338 - Negociación colectiva en las empresas multinacionales en Argentina

En los últimos treinta años y en el marco de la llamada globalización, las empresas multinacionales (EMN) se han transformado en actores predominantes de la economía mundial en general y del mundo del trabajo en particular. Este predominio económico condujo a que se convirtiesen en agentes clave para el desarrollo de nuevas prácticas vinculadas con las relaciones laborales. De esta manera, las EMN incorporarían prácticas desarrolladas en el país de origen a sus filiales, dando como resultado en el país la instalación de relaciones laborales convergentes con los modelos desarrollados en otros países. El objetivo de esta comunicación es doble. En primera instancia se busca establecer las formas de gestión de la fuerza de trabajo, su impacto sobre las relaciones laborales en la firma y las estrategias hacia los representantes de las organizaciones sindicales en el marco de esas formas de gestión en las filiales de EMN instaladas en Argentina, determinando en qué medida las estrategias de las empresas están definidas por variables estructurales tales como el país de origen, el sector y el momento de instalación. Por otra parte se busca dar cuenta de los cambios y continuidades operados en la negociación colectiva vinculada al conjunto de empresas analizadas para poder observar los efectos de las instituciones sobre las lógicas de gestión de la fuerza de trabajo. El presente análisis parte de los siguientes interrogantes: ¿Cuáles son las estrategias de las EMN en torno a las relaciones laborales? ¿Existen prácticas convergentes en torno a la negociación colectiva? ¿Se observan diferencias en las estrategias empresarias en relación a las variables estructurales? ¿Qué efectos tiene las nuevas formas de gestión de la fuerza de trabajo sobre la acción sindical? ¿Cuáles son las continuidades y rupturas en torno a la década del 90? Para el desarrollo de este trabajo, se analizará la negociación colectiva llevada adelante en empresas transnacionales en los últimos años, estableciendo los elementos vinculados a la gestión de la fuerza de trabajo y la inscripción en éstas de las lógicas vinculadas a las relaciones entre empresarios y representantes sindicales en la firma.
  • DELFINI, Marcelo - Drolas Ana CV de DELFINI, Marcelo - Drolas Ana
Marcelo Delfini: Lic. En sociología y Dr. en Ciencias Sociales Universidad de Buenos Aires (UBA). Investigador CONICET. Docente de las carreras de Relaciones del Trabajo, UBA. Publicó en revistas nacionales e internacionales artículos referidos a las temáticas de Sociología del trabajo, procesos de producción, gestión de la fuerza de trabajo y relaciones laborales. mdelfini@conicet.gov.ar

PAP1305 - O PAPEL DOS VALORES FAMILIARES NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR E NA CONSTRUÇÃO DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS GERADOS
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PAP1305 - O PAPEL DOS VALORES FAMILIARES NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR E NA CONSTRUÇÃO DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS GERADOS

Embora o predomínio das relações mercantis tenha afetado todas as esferas da vida social, as transformações em curso, em particular na agricultura familiar, não dissolvem outras relações sociais geradoras de lógicas diferenciadas. O estado de saber, aprender e fazer dos agricultores familiares passa, em muitos casos, a ser fundamental na concretização de novas atividades. É o caso da agroindustrialização, em que uma arte secular de transformação que existia na lógica de reprodução dos agricultores de subsistência passou a ser aprimorada e desenvolvida com um olhar além da família, objetivando espaços nos mercados. Dessa forma o intuito desta análise e verificar qual o papel dos valores familiares e dos meios de vida no processo de criação e consolidação da agroindústria familiar do Oeste do Estado do Paraná no Brasil. O que se observou com a pesquisa foi que o modo como as famílias se organizam e estabelecem relações entre seus membros e destes com a sociedade varia de acordo com as culturas e as épocas históricas. A família desempenha a função de agente integrador das relações sociais que se desenvolvem no interior das redes sociais e traz consigo toda a complexidade da realidade camponesa herdada pelos agricultores familiares, em que a lógica da atividade agrícola é um valor mais importante que a produção, indissociável, neste caso, da “propriedade-posse-agroindustrialização”. As relações familiares (seja na esfera do parentesco, seja na da produção – relações de reciprocidade, proximidade, generosidade) incluem um ideal, de pensamento ou de representação, que informa as atitudes e os comportamentos que permeiam as agroindústrias familiares. Assim, o modo de vida das famílias demonstram o sentido de suas ações e relações. Importante também para compreender que as relações de construção de mercados da agroindústria é que as famílias possuem uma capacidade de modificar-se face aos contextos, mas não perde completamente sua essência, valores e lógicas.
  • LUA, Elizangela Mara Carvalheiro CV de LUA, Elizangela Mara Carvalheiro
Elizângela Mara Carvalheiro
Professora Adjunta da Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA (Rio Grande do Sul-Brasil). Economista, mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio e Doutora em Desenvolvimento Rural. Temas recentes estudados se relacionam com: a sociologia econômica na esfera que tange a construção social de mercados para agroindústrias familiares do Brasil, a economia criativa focando a relação entre o turismo e a cultura. Email: elizangelamara@hotmail.com

PAP0062 - O consumo da ficção nacional na televisão portuguesa: uma análise crítica
Resumo de PAP0062 - O consumo da ficção nacional na televisão portuguesa: uma análise crítica  PAP0062 - O consumo da ficção nacional na televisão portuguesa: uma análise crítica
PAP0062 - O consumo da ficção nacional na televisão portuguesa: uma análise crítica

O contexto português na última década, no que se refere à produção de ficção audiovisual, tem sofrido profundas convulsões, bem patente sobretudo no domínio quantitativo desta, a ser exibida em regime “prime-time” nas principais cadeias televisivas generalistas portuguesas, como são os casos da RTP e SIC, mas sobretudo da TVI, com uma forte aposta neste tipo de produção própria. Ora, partindo do pressuposto estatisticamente observável, de que é a televisão, o principal meio de acesso a informação, bem como a bens de consumo cultural da população portuguesa, em claro detrimento de outros mecanismos, como o teatro ou o cinema, pretende-se desenvolver uma análise crítica a partir do paradigma marxista na pessoa do seu fundador Karl Marx, bem como desenvolvimentos posteriores mormente oriundos da designada escola de Frankfürt, como Walter Benjamin, tal como esforços teóricos contemporâneos, como é o caso de Pierre Bourdieu. Para tal, concebemos como unidade de análise o conjunto das três séries de novelas a exibi actualmente na TVI entre as 21h20 e as 00h30, num período compreendido entre 6 e 10 Fevereiro (apenas dias úteis). Tendo como objectivo a apreensão de representações sociais, assim como formas sub-reptícias de exercício do poder e de dominação a partir de uma determinada ideologia, optámos no plano metodológico, pela aplicação da análise de conteúdo a partir de uma grelha previamente concebida, em que se ensaiarão a operacionalização de diversas dimensões e seus respectivos indicadores, de forma a promover a maior e melhor sistematização da análise que se pretende realizar.
  • SOUSA, João CV de SOUSA, João
  • MORAIS, Ricardo CV de MORAIS, Ricardo
João Carlos Sousa - Licenciado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. É Bolseiro de Investigação do projecto “Agenda dos Cidadãos: jornalismo e participação cívica nos media Portugueses” no Laboratório de Comunicação Online. As suas áreas de interesse na investigação estão centradas na sociologia da juventude, política e religião.
Ricardo Morais - Investigador de Doutoramento em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior. Nesta mesma Universidade tirou a licenciatura em Ciências da Comunicação e o Mestrado em Jornalismo: Imprensa, Rádio e Televisão. Desenvolve a sua investigação na análise das diferentes dimensões das oportunidades de participação oferecidas aos cidadãos pelos novos media. É Bolseiro de Investigação do projecto “Agenda dos Cidadãos: jornalismo e participação cívica nos media Portugueses” no Laboratório de Comunicação Online.

PAP0182 - O desenvolvimento de recursos humanos no contexto das organizações sociais
Resumo de PAP0182 - O desenvolvimento de recursos humanos no contexto das organizações sociais PAP0182 - O desenvolvimento de recursos humanos no contexto das organizações sociais
PAP0182 - O desenvolvimento de recursos humanos no contexto das organizações sociais

Esta comunicação baseia-se numa investigação que sustenta uma tese de Mestrado em Sociologia (ramo de recursos humanos e desenvolvimento sustentável). As motivações que presidiram à escolha do tema de investigação são de ordem pessoal e profissional e compreendem a pertinência sugerida pelas especificidades das organizações sociais na sociedade globalizada actual e grandes transformações que as afectam em todas as áreas. O impacto dessa reestruturação materializa-se por intermédio de processos de racionalização e técnicas oriundas do ambiente empresarial, como as novas tecnologias e os novos modelos de desenvolvimento de recursos humanos. Planear, desenvolver e monitorizar as competências organizacionais e individuais tem-se tornado uma das estratégias das organizações para satisfazer as necessidades dos seus utentes/clientes. A crescente importância das organizações sociais, nomeadamente no que concerne ao significado social das suas actividades, ao volume de recursos movimentados, às potencialidades enquanto entidades empregadoras, são, entre outras, razões que justificam a maior atenção a estas organizações no sentido do aperfeiçoamento das suas estruturas, dos seus instrumentos e técnicas, e claro das práticas de desenvolvimento dos seus recursos humanos. O objectivo geral desta investigação centra-se na compreensão das dinâmicas de desenvolvimento dos recursos humanos no contexto das organizações sociais. Deste modo, tornar-se relevante abordar dois conceitos centrais: “organizações sociais”, e “desenvolvimento de recursos humanos”, importando também identificar as dimensões de análise subjacentes aos dois conceitos, nomeadamente: estrutura da organização; missão, visão e valores que enquadram os objectivos estratégicos da organização; concepção dos dirigentes e técnicos no que respeita aos RH e ao DRH; recrutamento e selecção; formação; organização de trabalho; politica de emprego; avaliação de desempenho e sistema de recompensas. A estratégia de investigação escolhida foi o método do estudo de caso. Especificamente, são estudadas duas organizações sociais, através da observação e recolha de dados sustentada em informação disponível e provocada, utilizando para o efeito a entrevista e o inquérito por questionário. Espera-se que esta investigação possa contribuir para a compreensão da importância estratégica e para o papel efectivo das praticas de DRH no contexto das organizações sociais, afinal “ (…) a gestão estratégica integra o planeamento estratégico, as decisões operacionais e o funcionamento quotidiano das organizações” (Bilhim, 2004:47).
  • COSTA, Ana CV de COSTA, Ana
  • SERRANO, Maria Manuel CV de SERRANO, Maria Manuel
Ana Delfina Leal Granjeia Costa

Técnica de Segurança Social no Centro Distrital de Évora do ISS, IP.
desde 1994 com funções nas áreas de Assessoria técnica aos tribunais
em matéria de regulação do poder paternal, bem como gestora de IPSS's
em matéria de acordos de cooperação Interinstitucional

Licenciada em História pela Universidade de Évora

Mestranda em Sociologia, especialização em Recursos Humanos e
Desenvolvimento Sustentável

Áreas de interesse: Assessoria Social; Desenvolvimento Social; Gestão
de Recursos Humanos em Organizações Sociais.
Maria Manuel Serrano é Doutorada em Sociologia Económica e das Organizações e Mestre em Sistemas Socio-Organizacionais da Atividade Económica, pelo ISEG/UTL e Licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora.
É investigadora do SOCIUS – Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações do ISEG/UTL .
É Professora Auxiliar no Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e Diretora do 1.º Ciclo de Estudos em Sociologia desta Universidade, desde 2009.
É autora de diversas publicações científicas na área da Sociologia Económica e das Organizações.

PAP1426 - O papel e uso social das Casas do Benfica para o seu desenvolvimento enquanto organização desportiva
Resumo de PAP1426 - O papel e uso social das Casas do Benfica para o seu desenvolvimento enquanto organização desportiva PAP1426 - O papel e uso social das Casas do Benfica para o seu desenvolvimento enquanto organização desportiva
PAP1426 - O papel e uso social das Casas do Benfica para o seu desenvolvimento enquanto organização desportiva

O desporto é um fenómeno social marcante na sociedade, assumindo diferentes contornos dependendo do contexto social, político, económico e cultural em que se encontra inserido, tendo assim os movimentos associativos, através dos clubes desportivos, um importante papel enquanto agentes de socialização. A problemática que acompanha toda esta investigação é «Qual o papel social e uso das Casas do Sport Lisboa e Benfica para o seu desenvolvimento enquanto organização desportiva?» Nesse sentido a presente investigação tem carácter exploratório, e consiste num estudo de caso cujo objectivo, é conhecer e descrever o fenómeno social e cultural das Casas do Benfica, que fazem parte de uma das mais importantes marcas em Portugal, em termos da sua representatividade comercial, valor social e cultural, o Sport Lisboa e Benfica. Através da realização de entrevistas estruturadas a uma amostra de quarenta responsáveis de Casas do Benfica em Portugal, conclui-se que estas têm um papel social de extrema importância, funcionando como elo de ligação ao clube e como um espaço de convívio em que se fomenta o espírito benfiquista, fundamental ao desenvolvimento do Sport Lisboa e Benfica enquanto organização desportiva.
  •  SOUSA, Ana Margarida Tavares de CV - Não disponível 

PAP0387 - O que se diz quando se pensa em energia? Reflexões sobre o tema da energia a partir das representações dos jovens e dos professores de uma escola secundária
Resumo de PAP0387 - O que se diz quando se pensa em energia? Reflexões sobre o tema da energia a partir das representações dos jovens e dos professores de uma escola secundária PAP0387 - O que se diz quando se pensa em energia? Reflexões sobre o tema da energia a partir das representações dos jovens e dos professores de uma escola secundária
PAP0387 - O que se diz quando se pensa em energia? Reflexões sobre o tema da energia a partir das representações dos jovens e dos professores de uma escola secundária

A crescente importância da temática da eficiência energética em edifícios, designadamente os de uso colectivo como são as escolas, através do aperfeiçoamento das práticas de conservação energética e da implementação de novas tecnologias, tem paulatinamente enfatizado o papel que a mudança de comportamentos associados ao uso e à conservação de energia detém na melhoria desta eficiência. Mas como contribuir para a alteração de comportamentos sem antes conhecer os sentidos e significados sociais atribuídos ao tema da energia? Considerando que este conhecimento é fulcral no âmbito da alteração de comportamentos, o presente estudo caracteriza as representações sociais da energia de dois grupos – alunos e professores de uma escola secundária – investigando as possíveis articulações entre essas representações e a forma como ambos os grupos se pronunciam acerca das práticas de uso e conservação de energia. Na concretização deste objectivo, recorre-se aos resultados de um inquérito por questionário sobre o uso de energia desenvolvido com alunos e professores de uma escola secundária de Lisboa recentemente intervencionada no âmbito de um programa de reabilitação (Parque Escolar) –, conforme foi desenvolvido no âmbito do projecto Net Zero Energy School - Reaching the Community (FCT-MIT Portugal). A primeira pergunta do questionário solicitava aos inquiridos que indicassem as primeiras três palavras que lhes vinham à ideia quando pensavam em energia. Enquanto a maioria dos alunos associa a palavra “energia” às energias renováveis e à luz, para os professores energia é sinónimo de ambiente e de sustentabilidade energética, de questões de natureza económica e de consumo de energia. Só nas categorias menos referidas pelos professores é que estes concordam com os alunos e consideram que a energia se refere às fontes renováveis e à luz eléctrica/electricidade. Tomando como central a primeira ideia avançada, e a partir da articulação destas com outras variáveis de análise, explora-se os aspectos centrais e periféricos das representações da energia na explicitação dos sentidos e significados atribuídos a energia e discutem-se as questões fundamentais a considerar no âmbito da mudança de comportamentos de uso e conservação de energia de uma dada comunidade escolar.
  • MENEZES, Marluci CV de MENEZES, Marluci
  • REBELO, Margarida CV de REBELO, Margarida
  •  CAEIRO, Tiago CV - Não disponível 
  • SCHMIDT, Luísa CV de SCHMIDT, Luísa
  • HORTA, Ana CV de HORTA, Ana
  •  CORREIA, Augusta CV - Não disponível 
  • FONSECA, Susana CV de FONSECA, Susana
Nome: Marluci Menezes
Afiliação Institucional: Núcleo de Ecologia Social (NESO) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)
Área de formação: Geografia / Antropologia
Interesses de Investigação: habitat, espaço público e qualidade de vida urbana, cultura, património e intervenção urbana, práticas e representações do espaço e de sustentabilidade.
Nome: Margarida Rebelo
Afiliação: Laboratório Nacional de Engenharia Civil
Área de formação: Doutoramento em Psicologia Social
Interesses de investigação: Dimensões psicológicas e socio-culturais dos
comportamentos de sustentabilidade ambiental, designadamente, dos
comportamentos de uso e conservação de água e de energia.

Luísa Schmidt
Socióloga investigadora principal do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, dedica-se actualmente a duas áreas de investigação principais: Sociologia da Comunicação e Sociologia do Ambiente, em que se doutorou. No ICS-UL coordena a Linha de Investigação 'Sustentabilidade: Ambiente, Risco e Espaço' e integra o Comité Científico do Programa Doutoral em "Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável". Faz parte da equipa de investigadores que criaram e montaram em 1996 o OBSERVA - Observatório de Ambiente e Sociedade que actualmente dirige, onde desenvolve vários projectos de investigação que articulam ciências sociais e ambiente.
Investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Membro da equipa de investigação do Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade. Doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura e Educação, licenciatura em Sociologia e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Actualmente participa em projectos de investigação sobre questões sociais relacionadas com energia, sustentabilidade e alimentação.
- Susana Maria Duarte Fonseca
- Doutoranda do ISCTE-IUL no Programa de Doutoramento em Sociologia a trabalhar no projecto: “O princípio da prevenção nas políticas de ambiente - o caso da eficiência energética”;
- Colabora em projectos de investigação na área da sociologia do Ambiente no ISCTE– UL (Projecto GISA - Gestão Integrada da Saúde e do Ambiente no Litoral Alentejano) e no ICS-UL (Net Zero Energy School – Reaching the Community e Consensos e controvérsias socio-técnicas sobre energias renováveis);
- Tem colaborado em vários projectos de investigação nas áreas da percepção de risco, representações sociais, movimentos sociais, energia, ambiente e saúde;
- Voluntária da Quercus, tendo sido membro da Direcção Nacional entre Março de 2003 e Dezembro de 2011.

PAP0050 - Partidas, Largadas, Fugidas. Uma análise da saída de casa dos pais a partir dos pontos de viragem amorosos.
Resumo de PAP0050 - Partidas, Largadas, Fugidas. Uma análise da saída de casa dos pais a partir dos pontos de viragem amorosos.  PAP0050 - Partidas, Largadas, Fugidas. Uma análise da saída de casa dos pais a partir dos pontos de viragem amorosos.
PAP0050 - Partidas, Largadas, Fugidas. Uma análise da saída de casa dos pais a partir dos pontos de viragem amorosos.

As diferenças de género no timing da saída de casa dos pais ao longo do tempo e do espaço europeu são consistentes. As mulheres saem mais cedo de casa dos pais do que os homens, padrão em muito justificado (como, aliás, as diferenças entre os países e as gerações) pela predominância destas na co-ocorrência da saída de casa com a entrada em papéis conjugais. Mas este padrão está a alterar-se, sobretudo em países onde estas diferenças de género (quantitativas e qualitativas) na saída de casa dos pais são mais evidentes. Com base em dados com representatividade europeia, pode afirmar-se que é precisamente essa uma das maiores alterações nas sequências das transições para a vida adulta: a co-ocorrência feminina da saída de casa dos pais com a conjugalidade tende a diminuir, aproximando-se das trajectórias masculinas (Nico, 2011). A democratização e a feminização do ensino superior não explicam na totalidade esta recente tendência. Há, para além deste fenómeno, aspectos relacionados com a “emergência de uma especificidade da individualização feminina” (Thomson, 2009) e com o facto do período da transição para a vida adulta “ser o mais genderizado de todo o desenvolvimento humano” (Kimmel, 2008) que simplesmente não são apreendidos através de uma análises ziguezagueantes entre países e gerações, mas sim necessariamente através de uma metodologia centrada no indivíduo. Com base em 52 entrevistas de carácter biográfico alicerçadas em calendários de vida, foram analisados os “turning points”, “inerentemente narrativos” (Abbott, 2001), associados a trajectórias e rupturas amorosas durante o período de transição para a vida adulta, e o seu impacto nos processos de saída de casa dos pais e de redireccionamento do curso de vida. Foram encontrados efeitos de género vários no impacto que o processo e rupturas amorosas têm na emancipação residencial dos jovens adultos. Algumas evidências apontam, portanto, para uma dicotomização da ”especificidade da individualização feminina” dos processos de transição para a vida adulta em Portugal.
  • NICO, Magda CV de NICO, Magda
Magda Nico, Investigadora de Pós Doutoramento do CIES - Instituto Universitário de Lisboa, actualmente a desenvolver um projecto sobre gerações, cursos de vida e mobilidade social.
Autora da tese de doutoramento "Transição Biográfica Inacabada. Transições para a Vida Adulta na Europa e em Portugal na Perspectiva do Curso de Vida", desenvolvida no CIES-Institutito Universitário de Lisboa.
Os principais interesses de investigação e temas de publicações são: Metodologias do Curso de Vida, Transições para a Vida Adulta e Mudança Social, Saída de casa dos pais, Gerações, Género e mais recentemente Mobilidade Social.

PAP0108 - Percepções face à discriminação por parte dos Imigrantes na Área Metropolitana de Lisboa: elementos de comparação entre dois concelhos
Resumo de PAP0108 - Percepções face à discriminação por parte dos Imigrantes na Área Metropolitana de Lisboa: elementos de comparação entre dois concelhos PAP0108 - Percepções face à discriminação por parte dos Imigrantes na Área Metropolitana de Lisboa: elementos de comparação entre dois concelhos
PAP0108 - Percepções face à discriminação por parte dos Imigrantes na Área Metropolitana de Lisboa: elementos de comparação entre dois concelhos

Em Portugal, os estudos sobre a discriminação face aos imigrantes concentram-se quase que exclusivamente, ora sobre a população autóctone, ora sobre a população estrangeira. Os primeiros têm privilegiado o uso de metodologias quantitativas/extensivas, enquanto os segundos revelam uma preferência bem clara por metodologias qualitativas/intensivas, focalizando-se em segmentos específicos da população (jovens ou imigrantes de uma dada nacionalidade). Assim, há poucos estudos longitudinais, assim como aqueles em que a população imigrante é extensamente estudada, abrangendo imigrantes de diversas origens nacionais. É nosso objectivo discutir e comparar alguns dos resultados derivados de uma pesquisa de pendor dominantemente quantitativo em que se utilizou a técnica do inquérito por questionário a imigrantes residentes em dois municípios da Área Metropolitana de Lisboa com histórias locais de imigração bem distintas: Oeiras e Sesimbra, tendo-se inquirido 840 imigrantes (422 em Oeiras e 418 em Sesimbra). Tendo como enfoque de análise a discriminação percepcionada/percebida definida como “a group member’s subjective perception of unfair treatment of ethnic groups or members of such groups, based on racial prejudice and ethnocentrism.” (Neto: 2006, 90) questionou-se os imigrantes se alguma vez se tinham sido discriminados por motivos étnico-raciais, tendo-se constatado que mais de 40% dos imigrantes já tinham sido discriminados pelo menos uma vez, desde que se fixaram em Portugal. Com esta comunicação pretende-se discutir de forma comparada os principais preditores relacionados com a discriminação percepcionada/percebida (i) sócio-demográficos, (ii) contacto com a população autóctone e (iii) aculturação/proximidade cultural pelos imigrantes residentes nos 2 concelhos.
  • MENDES, Maria Manuela CV de MENDES, Maria Manuela
  • CANDEIAS, Pedro CV de CANDEIAS, Pedro
Maria Manuela Mendes

Maria Manuela Mendes é licenciada e mestre em sociologia (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) e doutora em ciências sociais (Instituto de Ciências sociais da Universidade de Lisboa). É docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FA-UTL) e investigadora no CIES, ISCTE – IUL desde 2008 nas áreas da etnicidade, imigração, exclusão social, desenvolvimento local, realojamento e territórios desqualificados. Publicou em 2005 o livro Nós, os Ciganos e os Outros: etnicidade e exclusão social.
Mais recentemente em 2012 e 2010, respectivamente, publicou as obras: Identidades, Racismo e Discriminação: Ciganos da Área Metropolitana de Lisboa, Caleidoscópio, Lisboa e Imigração, identidades e discriminação: imigrantes russos e ucranianos na área Metropolitana de Lisboa, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais.
Interesses de investigação: migrações, etnicidade, cidade e diversidade cultural, exclusão sócio-espacial.
Pedro Candeias. Licenciado em Sociologia no ISCTE em 2008, mestrando em Sociologia na mesma instituição. Assistente de investigação no CIES-IUL (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia - Instituto Universitário de Lisboa) desde 2009. Principais áreas de investigação: migrações, tolerância social e reinserção social.

PAP1363 - Propostas para o ensino de Sociologia na educação básica: o caso brasileiro
Resumo de PAP1363 - Propostas para o ensino de Sociologia na educação básica: o caso brasileiro PAP1363 - Propostas para o ensino de Sociologia na educação básica: o caso brasileiro
PAP1363 - Propostas para o ensino de Sociologia na educação básica: o caso brasileiro

Esta comunicação traz um mapeamento das orientações curriculares para o ensino da Sociologia na educação básica brasileira. A intenção é, por um lado, refletir sobre as diretrizes elaboradas, no âmbito do Ministério da Educação, para o ensino da Sociologia, levantando os objetivos traçados para esta disciplina, as propostas de seleção de conteúdos, de materiais e de recursos didáticos, bem como a sugestão de estratégias de ensino. Por outro lado, analisa a participação dos membros da comunidade científica na elaboração desses documentos, problematizando em que medida as discussões acadêmicas foram incorporadas aos documentos oficiais ou estiveram relacionadas a eles. O trabalho recorre à pesquisa documental e bibliográfica, tendo como foco os documentos e materiais produzidos pelo Ministério da Educação a partir do ano 2000. Ele abarca algumas reflexões sobre as publicações direcionadas para os docentes e para a seleção de manuais didáticos e, principalmente, sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais, de 2000 e de 2002, e sobre as Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, de 2006. Com um histórico de descontinuidade nas propostas curriculares nacionais desde 1925, quando começou a ser oferecida como disciplina do ensino secundário ou, nos termos utilizados no Brasil, do “ensino médio”, a Sociologia tornou-se obrigatória em 2008, com a aprovação da lei 11.684, que revogou o item III da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. À intermitência da Sociologia nos currículos da educação básica ao longo de muitos anos, soma-se a ausência de um acúmulo de experiências e de pesquisas sobre a questão ou até mesmo a inexistência de uma tradição de ensino. No próprio meio acadêmico, chama a atenção a carência de estudos científicos sobre o ensino de Sociologia no sistema escolar. Ensinada atualmente em todas as escolas brasileiras, públicas e privadas, nos três anos do ensino secundário, a Sociologia consolida-se como componente curricular da educação básica. Aponta-se, neste trabalho, que com esta obrigatoriedade do ensino da disciplina, o Ministério da Educação tem ampliado e diversificado a produção de materiais que versam sobre este componente curricular, contando com a participação de professores e pesquisadores das universidades brasileiras.
  •  NEUHOLD, Roberta dos Reis CV - Não disponível 

PAP0696 - Práticas laborais em Conselhos de Empresa Europeus em tempo de crise. Exemplos a partir dos setores metalúrgico, químico e financeiro
Resumo de PAP0696 - Práticas laborais em Conselhos de Empresa Europeus em tempo de crise. Exemplos a partir dos setores metalúrgico, químico e financeiro  PAP0696 - Práticas laborais em Conselhos de Empresa Europeus em tempo de crise. Exemplos a partir dos setores metalúrgico, químico e financeiro
PAP0696 - Práticas laborais em Conselhos de Empresa Europeus em tempo de crise. Exemplos a partir dos setores metalúrgico, químico e financeiro

Este trabalho resulta de um projeto de investigação sobre o impacto sectorial de Conselhos de Empresa Europeus (CEEs) – instituições de informação e consulta nas empresas/grupos de empresas de dimensão comunitária (ao abrigo das Diretivas 94/45/CE e 2009/38/CE) – em Portugal. Tem sido mais recorrente identificar obstáculos à constituição e funcionamento de CEEs do que realçar as suas conquistas, traduzidas na capacitação de boas práticas. Em contexto de crise económica não surpreende que esses obstáculos verificados no plano das práticas laborais quotidianas possam ser mais notórios. Partindo de um estudo realizado junto de representantes de trabalhadores em CEEs de três sectores (metalúrgico, químico e financeiro) e de três multinacionais (Autoeuropa, Air Liquide e Banco Espírito Santo) – procura-se, no entanto, salientar alguns dos contributos para uma boa implementação de formas de democracia laboral nas multinacionais, em especial como forma de superar impedimentos de facto e de jure ao modus operandi dos CEEs. Após a identificação de algumas das principais transformações associadas à Diretiva 2009/38/CE (que entrou formalmente em vigor em Junho de 2011, substituindo a Diretiva 94/45/CE), bem como à exposição de algumas das tipologias associadas ao funcionamento dos CEEs (que vão de um grau mínimo a um grau máximo da valorização da participação laboral no âmbito das multinacionais), procede-se a um breve enquadramento sectorial da constituição de CEEs em Portugal, nos sectores metalúrgico, químico e financeiro. Por fim, expõe-se a visão dos representantes de trabalhadores em CEEs desses sectores, conferindo-se destaque especial a três multinacionais que se têm destacado pela sua capacidade não só de lidar com a crise económica internacional, como pelo modo como têm sabido valorizar os mecanismos de informação de consulta de trabalhadores.
  •  COSTA, Hermes Augusto CV - Não disponível 

PAP0958 - Reconfigurações de uma Instituição Desportiva como resposta a solicitações educativas e sociais no acompanhamento a percursos educativos de jovens atletas.
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PAP0958 - Reconfigurações de uma Instituição Desportiva como resposta a solicitações educativas e sociais no acompanhamento a percursos educativos de jovens atletas.

A proposta que aqui se apresenta surge das reflexões emergentes de um processo de intervenção realizado no âmbito do Mestrado Profissionalizante em Ciências da Educação da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Sempre acompanhada por uma forte componente de investigação que alimenta e é alimentada pela intervenção, esta experiência toma lugar no Departamento Pedagógico de um clube de futebol da região norte. A intervenção organiza-se em torno de um projecto que procura acompanhar e desenvolver percursos educativos para a cidadania de jovens atletas de alta competição - implicando não só torná-los afectos e participativos à realidade política e social envolvente, como dar espaço à criação de identidades pessoais no seio de uma comunidade (Estevão, 2003; Araújo, 2007). Decorrendo num contexto de intervenção algo novo para a construção da profissionalidade em Ciências da Educação – o contexto desportivo de alta competição - a intervenção explora o reconhecimento de que a Educação se corporiza e desenvolve em múltiplos contextos, para além dos formais (Afonso, 1989) e que contextos sociais imprevistos estão cada vez mais preocupados com dimensões sociais e educativas no desenvolvimento pessoal, social e para a cidadania. O contexto de intervenção aqui mencionado, no sentido de responder a exigências internas e externas de cumprir um papel educativo integrado ao nível da formação dos seus jogadores, tem solicitado o contributo de várias áreas das Ciências Sociais e Humanas, nomeadamente das Ciências da Educação, e em particular, dos contributos da Sociologia da Educação para melhor compreender os seus jovens e respectivas realidades (Silva, 2010). É com este enfoque que se procura contribuir para a reflexão acerca do papel de organizações sociais, que sem tradicionalmente terem preocupações educativas, sentem necessidade de desenvolver de forma mais sustentada o seu papel educativo, espelhando solicitações sociais que obrigam as referidas organizações a reconfigurações, visíveis nomeadamente a partir da criação de departamentos pedagógicos. A aposta no desporto é acompanhada, deste modo, pelo desejo de formação sócio-educativa das crianças e jovens (Freitas, 2010; Pinheiro, 2010). Esta comunicação procura, então, discutir algumas questões despoletadas pela operacionalização em práticas de mediação em contexto e respectiva reflexão teórico-conceptual: Quais as respostas desenvolvidas por uma instituição desportiva face a provocações sociais que a obrigam a assumir responsabilidades educativas para além das previstas? De que modo acolhe novos projetos de forma a diversificar o seu modo de atuação e criar práticas educativas inovadoras? Que sustentação teórico-metodológica para intervir e desenvolver uma consciência interna que fuja da função mecânica e esperada, no sentido de sustentar percursos educativos dos jovens atletas?
  • SALDANHA, Ana CV de SALDANHA, Ana
  • SILVA, Liliana CV de SILVA, Liliana
  • SILVA, Sofia Marques da CV de SILVA, Sofia Marques da
Ana Isabel Moreira de Sá Saldanha
Afiliação institucional: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto (Mestranda)
Área de formação: Ciências da Educação
Interesses de investigação: Educação Não-Formal, Desenvolvimento Local, Poder Local.
Liliana Raquel Guedes da Silva
Afiliação institucional: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto (Mestranda)
Área de formação: Ciências da Educação
Interesses de investigação: Desenvolvimento Local, Educação de Adultos, Educação Não-Formal.
Sofia Marques da Silva
Afiliação institucional: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto (Docente)
Área de formação: Ciências da Educação
Interesses de investigação: Culturas Juvenis e educação, Metodologias de Investigação e Sociologia da Educação.

PAP0548 - Reconhecimento das Diferenças Étnico-Raciais, Ações Afirmativas e a política para a Educação Superior Pública no Governo Lula (2003-2010)
Resumo de PAP0548 - Reconhecimento das Diferenças Étnico-Raciais, Ações Afirmativas e a política para a Educação Superior Pública no Governo Lula (2003-2010) PAP0548 - Reconhecimento das Diferenças Étnico-Raciais, Ações Afirmativas e a política para a Educação Superior Pública no Governo Lula (2003-2010)
PAP0548 - Reconhecimento das Diferenças Étnico-Raciais, Ações Afirmativas e a política para a Educação Superior Pública no Governo Lula (2003-2010)

Neste artigo pretendo contribuir para a reflexão sobre as duas gestões do Governo Federal brasileiro sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT (Partido dos Trabalhadores), a partir de análise da política de reconhecimento das diferenças. Detenho-me, no referido período, mais especificamente nas diferenças étnico-raciais, discutindo o quadro em que avançam as ações afirmativas nas universidades públicas, relacionando-as com as políticas do Governo Federal brasileiro para a Educação Superior Pública. Explicito primeiramente o que entendo como política de reconhecimento das diferenças étnico-raciais no Brasil e descrevo a sua formação dominante – a democracia racial –, bem como a atual erosão desta formação. Tento evidenciar a centralidade do reconhecimento para nossa ordem social, em sua “direção intelectual e moral” como poderia dizer Gramsci, ou seja, seu papel na construção de hegemonia, nesta sociedade nacional a partir da década de 1930. As transformações na política de reconhecimento emergem com maior visibilidade na cena pública brasileira nos anos 2000, com a demanda pelo movimento social negro e a implementação, por iniciativa de governos estaduais e/ou por decisão de instituições públicas de Ensino Superior, de ações afirmativas que prevêem formas de acesso diferenciado – o que no debate público no Brasil usualmente é definido como “cotas” –, para ingresso de estudantes negros/as nas universidades. As ações afirmativas nas universidades públicas, indicativo da mudança no padrão de reconhecimento das diferenças étnico-raciais no Brasil, não são centralizadas por políticas do Governo Federal, porém ganham crescentes incentivos do mesmo. Assim sendo, apresentarei alguns dados gerais sobre estas iniciativas no país, para uma reflexão panorâmica sobre a mudança na política de reconhecimento que as ações afirmativas podem engendrar. Aqui se destacam os elementos de sinergia na relação entre as ações afirmativas desenvolvidas dentro da autonomia constitucional das universidades e o Governo Federal, no período entre 2003 e 2010.
  • MORAIS, Danilo de Souza CV de MORAIS, Danilo de Souza
Danilo de Souza Morais

Curriculum resumido

Bacharel e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atualmente é doutorando em Sociologia no PPGS-UFSCar, consultor do Programa de Ações Afirmativas e membro do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB), ambos também na UFSCar. Tem atuado principalmente nos seguintes temas: democracia, cidadania, espaços públicos, relações étnico-raciais, juventude, políticas públicas e ações afirmativas. No mestrado estudou o Orçamento Participativo nas cidades de Araraquara e São Carlos, como espaços públicos de co-gestão entre Estado e sociedade civil no âmbito do poder local. Em seu doutorado, que conta com apoio de bolsa do CNPq, pesquisa o Conselho Nacional de Saúde (CNS) e o Conselho Nacional de Educação (CNE), enfocando as possíveis transformações no sentido atribuído à cidadania a partir do reconhecimento das diferenças étnico-raciais nestes espaços públicos.

PAP0820 - Representações políticas: o combate à violência doméstica
Resumo de PAP0820 - Representações políticas: o combate à violência doméstica PAP0820 - Representações políticas: o combate à violência doméstica
PAP0820 - Representações políticas: o combate à violência doméstica

Esta proposta pretende ser uma reflexão em torno das políticas públicas de combate à violência doméstica em Portugal. O objectivo é analisar as políticas indo além da sua enumeração e descrição, fazendo emergir os significados e sentidos que estão por trás da sua existência através da análise dos quadros de referência, esquemas de interpretação construídos socialmente que permitem aos indivíduos localizar, perceber, identificar e rotular a realidade envolvente (frames). Constituem-se como bases simbólicas que significativamente estruturam o mundo social e que moldam e são moldados pelo sector político. Estudos anteriores realizados na Europa apontam para a existência de diferentes representações da violência doméstica, assim como várias origens e respostas para este problema. Assim, e através da análise dos discursos políticos sobre a violência doméstica, têm vindo a ser identificados pontos de tendência e frames que revelam como a classe política entende o problema da violência doméstica com base em representações em torno da igualdade de género; da mulher como vítima; das normas sociais; do Estado de Direito; da saúde pública, entre outras. Partindo de Goffman (1974) abordamos o sistema político segundo uma perspectiva interaccionista onde os frames ajudam os indivíduos a ordenar a realidade por eles percebida através de uma espécie de “background” cognitivo que fornece instrumentos para os actores sociais criarem formas organizadas de ver o mundo e os acontecimentos que os rodeiam. De acordo com esta perspectiva, não existem dinâmicas sociais e estruturas políticas fixas e pré-determinadas mas sim dinâmicas e estruturas mutáveis e em constante renegociação, moldadas por repetições de acontecimentos e interpretações daquilo que é transmitido aos indivíduos. Concomitantemente são-nos dadas ferramentas para definir o que se está a passar de acordo com os princípios de organização que estruturam os eventos. Interessa-nos fundamentalmente analisar três momentos que consideramos marcantes para as políticas públicas de combate à violência doméstica: a criação da primeira lei que autonomizou o crime de violência doméstica; a passagem de crime privado para semipúblico e de semipúblico para crime público. Em cada um deles apresentamos aspectos relevantes dos textos políticos que nos permitem definir representações relativamente a três questões fundamentais: como se define o problema da violência doméstica; qual a sua causa; e como é que é pensado o combate a este problema social e político.
  • SANTANA, Ricardo CV de SANTANA, Ricardo
Ricardo Santana, Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Assistente de Investigação no Cesnova (Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa) e no Observatório Nacional de Violência e Género desde 2008. A sua actividade de investigação tem-se desenvolvido nas áreas das Políticas Públicas e Violência de Género. É Mestrando em Sociologia.

PAP0821 - Representações políticas: o combate à violência doméstica
Resumo de PAP0821 - Representações políticas: o combate à violência doméstica PAP0821 - Representações políticas: o combate à violência doméstica
PAP0821 - Representações políticas: o combate à violência doméstica

Esta proposta pretende ser uma reflexão em torno das políticas públicas de combate à violência doméstica em Portugal. O objectivo é analisar as políticas indo além da sua enumeração e descrição, fazendo emergir os significados e sentidos que estão por trás da sua existência através da análise dos quadros de referência, esquemas de interpretação construídos socialmente que permitem aos indivíduos localizar, perceber, identificar e rotular a realidade envolvente (frames). Constituem-se como bases simbólicas que significativamente estruturam o mundo social e que moldam e são moldados pelo sector político. Estudos anteriores realizados na Europa apontam para a existência de diferentes representações da violência doméstica, assim como várias origens e respostas para este problema. Assim, e através da análise dos discursos políticos sobre a violência doméstica, têm vindo a ser identificados pontos de tendência e frames que revelam como a classe política entende o problema da violência doméstica com base em representações em torno da igualdade de género; da mulher como vítima; das normas sociais; do Estado de Direito; da saúde pública, entre outras. Partindo de Goffman (1974) abordamos o sistema político segundo uma perspectiva interaccionista onde os frames ajudam os indivíduos a ordenar a realidade por eles percebida através de uma espécie de “background” cognitivo que fornece instrumentos para os actores sociais criarem formas organizadas de ver o mundo e os acontecimentos que os rodeiam. De acordo com esta perspectiva, não existem dinâmicas sociais e estruturas políticas fixas e pré-determinadas mas sim dinâmicas e estruturas mutáveis e em constante renegociação, moldadas por repetições de acontecimentos e interpretações daquilo que é transmitido aos indivíduos. Concomitantemente são-nos dadas ferramentas para definir o que se está a passar de acordo com os princípios de organização que estruturam os eventos. Interessa-nos fundamentalmente analisar três momentos que consideramos marcantes para as políticas públicas de combate à violência doméstica: a criação da primeira lei que autonomizou o crime de violência doméstica; a passagem de crime privado para semipúblico e de semipúblico para crime público. Em cada um deles apresentamos aspectos relevantes dos textos políticos que nos permitem definir representações relativamente a três questões fundamentais: como se define o problema da violência doméstica; qual a sua causa; e como é que é pensado o combate a este problema social e político.
  • SANTANA, Ricardo CV de SANTANA, Ricardo
Ricardo Santana, Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Assistente de Investigação no Cesnova (Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa) e no Observatório Nacional de Violência e Género desde 2008. A sua actividade de investigação tem-se desenvolvido nas áreas das Políticas Públicas e Violência de Género. É Mestrando em Sociologia.

PAP0580 - Sair ou entrar? As características dos migrantes, dos movimentos migratórios e as dinâmicas regionais.
Resumo de PAP0580 - Sair ou entrar? As características dos migrantes, dos movimentos migratórios e as dinâmicas regionais. PAP0580 - Sair ou entrar? As características dos migrantes, dos movimentos migratórios e as dinâmicas regionais.
PAP0580 - Sair ou entrar? As características dos migrantes, dos movimentos migratórios e as dinâmicas regionais.

Esta comunicação desenvolve-se no âmbito do Projecto de Investigação Demospin (Projecto financiado pela FCT PTDC/CS-DEM/100530/2008) cujo principal objectivo consiste na concepção de uma ferramenta de apoio à definição de políticas de desenvolvimento de regiões demograficamente deprimidas. Ora, a concepção deste tipo de ferramenta, bem como a perspectiva de intervenção política, pressupõe um conhecimento profundo das características demográficas regionais, bem como dos factores que desencadeiam quer os fluxos de saída quer os fluxos de atracção. Movimentos de entrada e saída – atracção e repulsão que por sua vez têm impactos diversos, contrastantes, nas dinâmicas populacionais e nas dinâmicas socioeconómicas regionais. Complementarmente, importa também perceber de que forma a atracção se exerce, ou seja, de que forma a dinâmica socio económica se repercute na dinâmica populacional. A este interesse/necessidade acresce um outro desafio que tem vindo a conquistar a atenção por parte da investigação internacional: o movimento de retorno de migrantes reformados. Estes movimentos têm revestido um interesse crescente pela percepção do seu contributo para o desenvolvimento económico e pelas necessidade de respostas sociais ao nível do planeamento de equipamentos e serviços como habitação, saúde e bem estar (Relatório Plurel 2010). A previsível chegada à idade de reforma dos baby boomers naturalmente avoluma a questão. Enquanto na literatura americana é possível, desde os finais dos anos 70, encontrar tentativas de enquadramento teórico relativamente às migrações dos mais velhos, na Europa e demais países desenvolvidos, a produção vai surgindo, de alguma forma, acompanhando o envelhecimento da população. Em Portugal esta é uma problemática um tanto sem resposta. Muitos dos pressupostos que são referidos, relativamente às migrações, muitas vezes não estão sustentados em dados são sobretudo apreciações de casos mais ou menos próximos de realidades familiares, de informação tornada pública sem que subjacente esteja informação consolidada. Com este trabalho procura-se, como se depreende pela exposição da problemática, encontrar respostas, discutindo as bases para uma matriz de análise que permita equacionar as dimensões da mobilidade demográfica e dos seus impactos socioeconómicos. Esta análise é feita com recursos aos dados do censo de 1991, 2001 – População residente segundo as migrações por concelho habitual de residência. É intenção da equipa de investigação que esta matriz de análise compreenda e venha a englobar os dados 2011, tanto mais importante para a compreensão da mobilidade em Portugal quanto a falta de dados persiste.
  •  GOMES, Maria Cristina Sousa CV - Não disponível 
  • MOREIRA, Maria João Guardado CV de MOREIRA, Maria João Guardado
  •  PINTO, Maria Luís Rocha CV - Não disponível 
Maria João Guardado Moreira
Mestre em Demografia Histórica e Social, Doutorada em Sociologia, especialidade Demografia, Professora Coordenadora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB). Investigadora do Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade (CEPESE) tem participado em projectos nacionais e internacionais na área da demografia. Autora de diversas publicações nas áreas da demografia, demografia histórica, demografia regional e envelhecimento. Algumas publicações mais recentes:
2009 - Rodrigues, Teresa, Moreira, Maria João Guardado, “Realidades Demográficas”, in Rodrigues, Teresa, Lopes, João Teixeira, Baptista, Luís, Moreira, Maria João Guardado (coord.), Regionalidade Demográfica e Diversidade Social, Porto, Ed. Afrontamento, pp.77-110
2010- Moreira, Maria João Guardado, “Environmental Changes and Social Vulnerability in an Ageing Society: Portugal in the Transition from the 20th to the 21st Centuries“.Volume 9, Issue 1: 397–409 http://www.ep.liu.se/ej/hygiea/v9/i1/a19/hygiea10v9i1a19.pdf
2010- Moreira, Maria João Guardado, “Quem são emigrantes portugueses emEspanha - uma primeira abordagem a partir da Encuesta Nacional de Inmigrantes (2007)”, Revista População e Sociedade, nº 18. pp.161- 175
2011-Rodrigues, Teresa, Moreira, Maria João Guardado, “ Portugal e a UniãoEuropeia: Mudanças Sociais e Dinâmicas Demográficas” in Rodrigues, Teresa, Pérez, Rafael Garcia, Portugal e Espanha. Crise e Convergência na União Europeia, Lisboa, Tribuna, pp.29-48

PAP0171 - Sobre(Viver) com Violência… Um olhar sociológico sobre a construção de trajectórias de violência de género nas relações amorosas
Resumo de PAP0171 - Sobre(Viver) com Violência… Um olhar sociológico sobre a construção de trajectórias de violência de género nas relações amorosas PAP0171 - Sobre(Viver) com Violência… Um olhar sociológico sobre a construção de trajectórias de violência de género nas relações amorosas
PAP0171 - Sobre(Viver) com Violência… Um olhar sociológico sobre a construção de trajectórias de violência de género nas relações amorosas

A violência interpessoal, sobretudo quando ocorre nas relações amorosas, raramente é um acto isolado, repete-se ciclicamente configurando trajectórias de violência que, quando vividas no feminino, tendem a prolongar-se no tempo. Esta comunicação sintetiza resultados da investigação de doutoramento da autora que procura comparar dois cenários de vitimação – a feminina versus a masculina – e dois modos distintos de experienciar violência – mulheres e homens vítimas com trajectórias, versus, sem trajectórias de vitimação. A informação utilizada deriva do aprofundamento de parte dos dados do Inquérito Nacional Violência e Género, realizado pelo CesNova, em 2007 e dizem respeito, unicamente, ao total de vítimas que sofreram pelo menos 1 de 52 actos de violência física, psicológica e/ou sexual. Para identificação das trajectórias, consideraram-se não só casos de mulheres e homens que referiram ter sido vítimas de violência no último ano e/ou em anos anteriores à aplicação do inquérito mas, também, situações que apesar de mencionarem não o ter sido, contradizem-se ao afirmarem, adiante, ter sofrido actos de violência na infância/adolescência, às mãos dos próprios pais. Nesta linha de raciocínio consideramos que os laços amorosos se estabelecem ao longo do processo de socialização e a forma como são mais ou menos consolidados, deve constituir um dos factores a ter em conta no estudo dos motivos que levam as vítimas de violência no âmbito das relações amorosas (parentais e/ou conjugais) a seguir determinada conduta ao longo da vida – de sujeição (permanência) ou de resistência (abandono) face à relação com o ofensor e à situação abusiva. Assim, num universo de 1000 mulheres e 1000 homens inquiridos, obtiveram-se 397 mulheres e 435 homens vítimas. Embora, em termos gerais, o peso deles seja superior ao delas é, em contrapartida, bastante inferior relativamente à existência de trajectórias de vitimação (M: 54%; H: 27%), o que significa que estamos perante violências de natureza diferente: nas mulheres, geralmente acontece reiteradamente, em casa, exercida por parceiro ou outros familiares, nomeadamente, pais/padrastos, tendo na sua configuração desigualdades de género; nos homens, é uma vitimação semelhante à que verificamos na população em geral, maioritariamente perpetrada por outros homens, em espaços públicos, sem reiteração e que quando surge associada a papéis de género, visa reforçar a masculinidade. Somente na infância/adolescência, os homens tendem a apresentar trajectórias de vitimação, causadas pelos pais/padrastos, enquanto que as mulheres prolongam-nas pela idade adulta, exercidas pelos pais, parceiros íntimos, ou por ambos: os dados da investigação mostram que entre o total de mulheres vítimas de violência no contexto das relações amorosas, 74,6% apresentam percursos de vitimação continuada.
  •  BARROSO, Zélia CV - Não disponível 

PAP0486 - Tensões e equilíbrios na mediatização da justiça: As perspetivas dos atores
Resumo de PAP0486 - Tensões e equilíbrios na mediatização da justiça: As perspetivas dos atores PAP0486 - Tensões e equilíbrios na mediatização da justiça: As perspetivas dos atores
PAP0486 - Tensões e equilíbrios na mediatização da justiça: As perspetivas dos atores

As relações entre os media e a justiça vêm sendo fonte recorrente de tensões e conflitos com reflexos legislativos, políticos e sociais, mas também com impactos para a cidadania. Com efeito, numa era em que a circulação da informação é efetuada cada vez mais rapidamente e através de mais canais, afigura-se pertinente lançar questões aos atores envolvidos nas relações entre a justiça e os media no intuito de compreender as suas perspetivas enquanto co-construtores daquelas relações, tanto do ponto de vista individual, como estrutural. Com base numa tese de mestrado sobre esta temática, esta comunicação tem como objetivo principal lançar um olhar sobre as dinâmicas relacionais que se estabelecem no relacionamento mútuo entre os atores do sistema judicial e dos média. As auto e heterorepresentações poderão fornecer pistas relevantes para o modo como as ideologias e idiossincrasias profissionais influenciam a problemática das relações justiça/média. As conclusões apontam para a configuração e manutenção de um ambiente algo dualista, marcado por aproximações e afastamentos, frequentemente influenciadas por experiências pessoais, mas também pelos constrangimentos profissionais de ambos os grupos. Embora sejam avançadas possíveis soluções com vista a uma normalização dos contactos entre a justiça e os media, estas são encaradas pelos atores com algum ceticismo quanto à sua exequibilidade e eficácia.
  • SANTOS, Filipe José da Silva Cardoso CV de SANTOS, Filipe José da Silva Cardoso
Filipe Santos é mestre em sociologia e doutorando em sociologia na Universidade do Minho. Foi investigador nos projetos “Justiça, Media e Cidadania” e “Base de dados de perfis de DNA com propósitos forenses em Portugal: questões atuais de âmbito ético, prático e político do Centro de estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Tem pesquisado na área dos estudos sociais da ciência, tecnologia e tribunais e estudos de comunicação na área da justiça, tendo recentemente editado, com Helena Machado, o livro Direito, Justiça e Média: Tópicos de Sociologia (Afrontamento, 2012).

PAP0385 - Trajectórias não reprodutivas em três gerações de portugueses: incidência, circunstâncias, oportunidade
Resumo de PAP0385 - Trajectórias não reprodutivas em três gerações de portugueses: incidência, circunstâncias, oportunidade PAP0385 - Trajectórias não reprodutivas em três gerações de portugueses: incidência, circunstâncias, oportunidade
PAP0385 - Trajectórias não reprodutivas em três gerações de portugueses: incidência, circunstâncias, oportunidade

Foram vários os países europeus que chegaram ao século XXI com baixos níveis de fecundidade e alguns viram a sua fecundidade diminuir ainda mais na última década. Foi o caso de Portugal, que passou de um índice sintético de fecundidade de 1,6 em 2000, para 1,3 em 2009. Se o adiamento estrutural da maternidade e a diminuição das descendências têm explicado em grande medida este cenário, a verdade é que alguns países registam uma incidência crescente de childlessness, ou seja, de mulheres que, voluntária ou involuntariamente, não fazem a transição para a maternidade. Em Portugal, este fenómeno foi sempre pouco expressivo e ligado a situações de celibato ou infertilidade, e o adiamento também não tem sido tão intenso como noutros países, pelo que é a drástica redução do número de filhos que tem contribuído para a nossa baixa fecundidade. Ora, já se sabe que períodos de recessão económica e de insegurança e pessimismo face ao futuro, como é este que enfrentamos actualmente, têm um impacto negativo na fecundidade, tendendo a promover comportamentos defensivos, como adiar ou contrair um projecto de parentalidade. Nesta perspectiva, é de esperar que as coortes em idade reprodutiva estejam a adiar a transição para a parentalidade, aumentando o risco de childlessness involuntário. Mas também é expectável que, como vem acontecendo noutros países, mais homens e mulheres estejam a optar por estilos de vida que não contemplam ter filhos. Por conseguinte, a partir dos resultados de um inquérito nacional (2009/2010), vamos desvendar as trajectórias não reprodutivas de três gerações nascidas nos anos 30, 50 e 70. Para tal, vamos dar conta da incidência do fenómeno e das circunstâncias que o determinam em cada geração. Mas visto os homens e as mulheres mais jovens ainda se encontrarem em idade reprodutiva, vamos explorar mais detalhadamente a relação entre o actual adiamento da parentalidade, as intenções reprodutivas, as circunstâncias e oportunidades com que se deparam e a incidência (latente) de childlessness quando chegarem ao fim da trajectória reprodutiva. Os resultados confirmam a importância de analisar as trajectórias não reprodutivas numa perspectiva geracional, pois trata-se de um fenómeno em mudança. Mas também que é fundamental conhecer melhor o papel dos homens – sistematicamente negligenciado – na fecundidade e nas decisões reprodutivas. Com efeito, este estudo revelou importantes dessincronias de género na esfera da reprodução, que traduzem campos distintos de oportunidades e constrangimentos para homens e mulheres.
  • CUNHA, Vanessa CV de CUNHA, Vanessa
Vanessa Cunha, socióloga, investigadora auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e membro da comissão coordenadora do OFAP (Observatório das Famílias e das Políticas de Família). Os seus interesses de investigação têm vindo a desenvolver-se em torno das questões da baixa fecundidade e do filho único, das decisões reprodutivas e da negociação conjugal da fecundidade. Atualmente coordena o projeto de investigação "O duplo adiamento: as intenções reprodutivas de homens e mulheres depois dos 35 anos".

PAP1516 - Um olhar interorganizacional sobre a formação profissional. Dilemas e desafios para as organizações
Resumo de PAP1516 - Um olhar interorganizacional sobre a formação profissional. Dilemas e desafios para as organizações PAP1516 - Um olhar interorganizacional sobre a formação profissional. Dilemas e desafios para as organizações
PAP1516 - Um olhar interorganizacional sobre a formação profissional. Dilemas e desafios para as organizações

O primado das organizações fechadas e auto-suficientes está excedido. Neste clima de incerteza ganha fundamento a necessidade das organizações se associarem, unirem esforços, delinearem estratégias comuns de actuação, rumo a objectivos individuais e colectivos.Consequentemente, também a necessidade das organizações actuarem conjuntamente e associadas, partilhando os mais diversos recursos, como por exemplo, informação e conhecimento, vem fundamentar a tese da necessidade de cooperação interoganizacional. A concorrência cada vez mais «perversa, implica uma cultura organizacional estratégica e de ruptura com anteriores modelos organizacionais virados para dentro, em busca duma economia de escala e sem preocupações com as variáveis do ambiente. Esta comunicação resulta duma reconstrução e actualização dos resultados obtidos num trabalho de investigação realizado entre os anos de 2004 e 2007, cujas principais linhas de orientação se centraram na identificação das dinâmicas interorganizacionais das entidades formadoras, designadamente ao nível dos processos e formas de cooperação desenvolvidas pelas entidades que desenvolvem acções de formação profissional no Alentejo (Portugal). Com o recurso à metodologia de análise de redes sociais, a equipa de investigação procurou compreender as dinâmicas de cooperação que se estabeleceram entre as organizações que desenvolvem acções de formação profissional neste território. Sendo uma região prioritária em termos de aplicação de Fundos Estruturais da União Europeia, a equipa de investigação procurou desocultar as lógicas de partilha de recursos, a definição de estratégias de formação e, por último, o posicionamento dos actores na rede. PALAVRAS-CHAVE: análise de redes sociais, organizações, cooperação, formação profissional
  • FIALHO, Joaquim CV de FIALHO, Joaquim
  • SILVA, Carlos Alberto da CV de SILVA, Carlos Alberto da
  • SARAGOÇA, José CV de SARAGOÇA, José
JOAQUIM MANUEL ROCHA FIALHO, Licenciado em Serviço Social, é quadro superior do Instituto do Emprego e Formação Profissional desde 1999, onde exerce funções de assistente social no Centro de Formação Profissional de Évora. É detentor do Mestrado em Sociologia, na variante de recursos humanos e desenvolvimento sustentável (2003), tendo desenvolvido a tese sobre a re-integração de desempregados de longa duração no mercado de emprego. Em 2008, obteve, com distinção e louvor a aprovação nas provas de Doutoramento em Sociologia, onde apresentou a sua investigação sobre as redes de formação profissional. É professor auxiliar convidado no Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e docente no Campus Universitário de Santo André do Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares (Instituto Piaget). Tem mais de uma de dezena de artigos publicados sobre organizações e formação profissional, bem como a participação em inúmeros eventos científicos como orador. As suas principias linhas de investigação são a análise de redes sociais, dinâmicas organizacionais e a formação profissional.
E-mail: jfialho@uevora.pt
Carlos Alberto da Silva - Director do Departamento de Sociologia da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora (2011-...). Director do Programa de Doutoramento em Sociologia da Universidade de Évora (2011-...). Investigador integrado no CESNOVA - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (2011-...). Doutorado em Sociologia. Agregação em Sociologia. Mestrado em Sociologia. Licenciatura em Investigação Social Aplicada. Bacharel em Radiologia. Autor de vários trabalhos científicos e relatórios técnicos co-finaciados por programas nacionais e europeus nas áreas do diagnóstico e avaliação de projectos sociais, planificação estratégica e desenvolvimento regional. Principais áreas de interesses deinvestigação: a) Análise de redes sociais como ferramenta metodológica para o diagnóstico e intervenção social; b) Redes e cooperação territorial e transfronteiriça; c) Análise prospectiva; d) Avaliação da qualidade e satisfação de utentes e profissionais nas unidades de saúde; Avaliação em tecnologias da saúde.
José Saragoça
É Professor Auxiliar na Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora.
No Departamento de Sociologia leciona Sociologia da Educação, Planeamento e Gestão de Projetos, Diagnóstico e Prospetiva Social, Sociologia do Desporto, entre outras u.c..
É adjunto do Diretor do Departamento de Sociologia e membro do Conselho Pedagógico da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora.
É Docente Convidado no Instituto Piaget (Campus de Santo André).
É investigador integrado do CESNOVA (Centro de Investigação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa).
Os seus interesses de investigação científica direcionam-se para os future studies/prospetiva estratégica e para a análise de redes sociais/social network analysis, sobretudo nos domínios da educação/formação, cooperação entre territórios e governo eletrónico. É autor de diversos artigos científicos, de capítulos de livros e do livro Tecnologias da Informação e da Comunicação, Educação e Desenvolvimento dos Territórios (publicado pela Fundação Alentejo em 2009).

PAP1368 - Uma abordagem compreensiva aos processos de identificação com a profissão – o caso de psiquiatras em início de carreira
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PAP1368 - Uma abordagem compreensiva aos processos de identificação com a profissão – o caso de psiquiatras em início de carreira

O ponto de partida proposto é uma discussão em torno do trabalho teórico-metodológico desenvolvido no âmbito de uma dissertação de Mestrado, na qual se procurou observar empiricamente a experiência subjectiva produzida no domínio profissional da Psiquiatria. Teve-se em vista abordar as representações que médicos psiquiatras em início de carreira manifestam face aos seus saberes, às suas práticas e aos contextos onde exercem a sua actividade profissional. Em ternos teóricos, procurou-se equacionar este objectivo à luz dos quadros conceptuais que informam o fenómeno identitário. É, portanto, objectivo desta comunicação apresentar os desafios que esta abordagem encerra, bem como as propostas de superação encontradas. No domínio das Ciências Sociais, a Psiquiatria aparece inscrita num espaço marcado por controvérsias teóricas que acentuam em graus e níveis diversos as dicotomias expressas nos pares indivíduo versus sociedade, e liberdade versus constrangimento. Àquelas, acrescentam-se as implicações políticas relativas ao alcance, ao impacto e às funções que esta especialidade tem assumido na individualização dos problemas sociais. Por outro lado, o tema da «identidade» e a sua recente transposição para os quadros da Sociologia impõem a superação de vários obstáculos decorrentes de uma observação à «escala dos sujeitos». Assim, tanto em termos substantivos como metodológicos, a delimitação deste objecto revelou ser um percurso íngreme, de contornos sinuosos. Informada por uma orientação metodológica qualitativa, esta pesquisa reclamou um trabalho de vaivém, multi-posicionado e atento na definição de uma correspondência progressiva entre as condições específicas do terreno, as perguntas orientadoras da pesquisa e os recursos teóricos disponíveis. A resolução (provisória) dos dilemas analíticos presentes, concretizou-se na concepção de um desenho de pesquisa que procurou integrar a dupla valência da descoberta e da construção, faseado por dois momentos, com objectivos e procedimentos diferenciados. Obteve-se, em resultado, um tratamento qualitativo das entrevistas realizadas, organizado na apresentação de um registo duplo – biográfico e relacional – de apreensão aos processos de identificação manifestados por médicos psiquiatras face à profissão exercida. Os resultados obtidos vêem acrescentar contributos ao debate metodológico no que toca a observação e operacionalização da temática identitária quando equacionada à escala das profissões de natureza intelectual e científica. Nomeadamente ao esclarecer e discutir o estatuto sociológico a atribuir às singularidades e ao conhecimento de «especialistas», à entrevista como técnica de recolha central, e às exigências epistemológicas que aquelas circunstâncias colocam na situação social de interacção entre os papéis de entrevistador e entrevistado.
  • COSTA, Nádia CV de COSTA, Nádia
Nome: Nádia Costa (PAP 1368)
Formação/Afiliações institucionais: Licenciada e Mestre em Sociologia pela FLUP.
A colaborar actualmente no âmbito do projecto "Empreendedorismo Social em Portugal: as políticas, as organizações e as práticas de educação" desenvolvido pelo ISFLUP em parceria com a A3S - Associação para o Terceiro Sector - e Dinâmia/ISCTE.
Interesses de investigação: interesse teórico-metodológico em torno do tema mais lato das "identidades", da produção do conhecimento (científico e leigo), dos valores, dos estilos de vida e das formas de participação cívica.

PAP0131 - Utilização dos novos media por três gerações de meio rural: apresentação de resultados dos focus groups e diários
Resumo de PAP0131 - Utilização dos novos media por três gerações de meio rural: apresentação de resultados dos focus groups e diários PAP0131 - Utilização dos novos media por três gerações de meio rural: apresentação de resultados dos focus groups e diários
PAP0131 - Utilização dos novos media por três gerações de meio rural: apresentação de resultados dos focus groups e diários

Será a utilização de novos media realizada de forma diferente dependendo das gerações, residentes em meio rural? Esta é a questão que serve de mote a uma investigação que pretende compreender que utilização os indivíduos nascidos nas décadas de 50, 70 e 90, e que se encontram inseridos no meio rural, fazem dos media, nomeadamente, da televisão, do computador e do telemóvel, os três ecrãs. Assim, e uma vez que estão em estudo três das principais tecnologias utilizadas no quotidiano, é importante compreender como se faz essa utilização nos diferentes contextos, como o/a trabalho/escola, o contexto familiar e de lazer. Esta comunicação pretende apresentar os resultados da primeira etapa da investigação em desenvolvimento, enquadrada no Programa Doutoral Informação e Comunicação em Plataformas Digitais, sob o tema mais vasto “Gerações de ecrã em meio rural. As práticas de utilização dos novos media no quotidiano rural de três gerações.” O estudo inicia-se com a realização de focus groups a três gerações diferentes (nascidos nos anos 50, 70 e 90), colocando-as em interação monogeracional (três grupos com nove elementos de cada década), mas também multigeracional (um grupo com três elementos nascidos em cada década), com o objetivo essencial de compreender as mudanças históricas na utilização dos media, assim como as práticas dos dias de hoje, quer nas gerações mais novas, como nas mais velhas. Como complemento à análise de conteúdo realizada a partir das discussões ocorridas nos focus groups, nos quais a posição é fruto da dinâmica discursiva e argumentativa desse grupo, pretende-se analisar uma perspetiva mais individual, através da solicitação aos participantes do focus group multigeracional do preenchimento de diários durante 15 dias, os quais se pretendem preenchidos com informações sobre o tipo de media que utilizam, quando (altura do dia e contexto – de lazer, laboral/escolar ou familiar), a duração da utilização, a finalidade e se o fazem sozinhos ou acompanhados e, neste caso, com quem. O preenchimento realiza-se em todos os dias da semana, incluindo os fins de semana para, dessa forma, se conseguir captar informações reativas a períodos que se consideram ter dinâmicas de trabalho/estudo, familiar e de lazer diferentes. A aplicação dos focus group e dos diários será realizada em freguesias rurais de Ponte de Lima, interior Norte de Portugal, durante os meses de novembro e dezembro, sendo a sua análise realizada entre dezembro e janeiro.
  • MELRO, Ana CV de MELRO, Ana
  • OLIVEIRA, Lídia CV de OLIVEIRA, Lídia
Ana Melro é aluna do doutoramento Informação e Comunicação em Plataformas Digitais, na
UA e na FLUP. Pertence ao CETAC.MEDIA e é bolseira de investigação na Escola de Engenharia,
da UM. É licenciada em Sociologia (2004) e mestre em Sociologia da Infância (2007), pela
Universidade do Minho, Braga. Os interesses de investigação são: a literacia e inclusão digital,
a utilização de ecrãs e as perspetivas socio-históricas da apropriação dos novos media.
Lídia Oliveira é Professora Auxiliar com Agregação da UA. Licenciada (1991) em Filosofia pela
UC, mestre (1995) em Educação Tecnológica pela UA, Valenciennes (França) e Mons (Bélgica) e
doutorada (2002) em Ciências e Tecnologias da Comunicação também pela UA. Os seus
interesses de investigação concentram-se na sociologia da comunicação, novos media,
ecologia dos media e cibercultura. Investigadora no CETAC.MEDIA e no CES.

PAP1215 - Velhos e Novos Racismos no Brasil
Resumo de PAP1215 - Velhos e Novos Racismos no Brasil PAP1215 - Velhos e Novos Racismos no Brasil
PAP1215 - Velhos e Novos Racismos no Brasil

O presente estudo irá tratar o tema das relações raciais no Brasil. Nosso pressuposto consiste em considerar que uma das facetas do “racismo à brasileira” se manifesta na escolha do riso como canal de expressão e consolidação do racismo. Não consideramos que tal escolha seja feita intencionalmente, de forma consciente. Defendemos a hipótese de que o riso seja uma solução inconsciente para o dilema que envolve a questão do racismo no Brasil. Por um lado, os brasileiros não se consideram racistas e gostam de ostentar uma imagem de gente sem preconceito afeita à mistura racial, uma vez que condenam abertamente o racismo. Por outro lado, fornecem indicadores, quando sondados sutilmente, que apontam para um preconceito racial latente. Inúmeras pesquisas reforçam esse paradoxo no Brasil. A expressão “racismo à brasileira” tornou-se corrente na literatura sobre relações raciais designando, grosso modo, uma forma de racismo peculiar ao Brasil que se caracteriza, sobretudo, por sua manifestação sutil, velada e ambígua. Não pretendemos aqui naturalizar a expressão como se ela tivesse um significado único e fixo ou essencializar um povo e seus atributos, ao contrário, nosso ponto de vista é fazer o caminho inverso no sentido de tentar entender um dos muitos percursos históricos traçados e uma das muitas possibilidades interpretativas atribuídas às relações raciais no Brasil. Embora a manifestação encoberta do racismo seja um fenômeno reconhecido em todo o mundo ocidental, assume uma terminologia diferente conforme o referencial de análise utilizado: racismo sutil, racismo moderno, racismo aversivo (Meertens e Petttigrew, 1995, 1999; MacConahay e Hough, 1976; Gaertner e Dovidio, 1986). Tais estudos apontam para novas e sutis expressões dos racismos em diversos contextos sociais que, a despeito de suas especificidades, consagram um modelo de manifestação mais “civilizada” para esse fenômeno. No Brasil, o modelo de racismo em questão parece não apenas reforçar essa nova tendência internacional, mas, sobretudo, evidenciar uma forma particular de se relacionar construída historicamente pelos brasileiros para expressar sua identidade.
  • DAHIA ,Sandra Leal de Melo CV de DAHIA ,Sandra Leal de Melo
Sandra Leal de Melo Dahia
Professora Adjunta da Universidade Federal do Amazonas, com lotação provisória na Universidade Federal da Paraíba
Graduada em Psicologia pela Universidade Federal da Paraíba (1992)
Mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Paraíba (1996)
Doutora em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (2007)
Atuação profissional nos seguintes temas: relações sociais, representação social, racismos, preconceito racial e inclusão social.

PAP1327 - Voluntariado: complemento às aspirações do trabalho remunerado
Resumo de PAP1327 - Voluntariado: complemento às aspirações do trabalho remunerado PAP1327 - Voluntariado: complemento às aspirações do trabalho remunerado
PAP1327 - Voluntariado: complemento às aspirações do trabalho remunerado

Desejo inscrever a comunicação no GT "Inserção de diplomados do ensino superior: relações objectivas e subjectivas com o trabalho". Na presente comunicação identificamos a prática do voluntariado como uma forma de complementar aspirações satisfeitas ou não por meio do trabalho remunerado, principalmente aquelas ligadas à ajuda e à autonomia. Além disso, demonstramos como a realização de voluntariado varia de acordo com a área de formação acadêmica, sendo baixa na área de "Saúde e proteção social", identificada pelos profissionais da mesma como tendo um forte cariz altruísta. O universo de análise é a população licenciada no ano 2004-2005 de duas universidades públicas de Lisboa. Utilizamos uma matriz de dados quantitativos com base no inquérito realizado no âmbito do projeto de investigação "Percursos de inserção dos licenciados: relações objectivas e subjectivas com o trabalho" (PTDC/CS-SOC/098459/2008), aplicado a uma amostra de 1004 indivíduos. Conjugamos a esse material a análise temática de entrevistas aprofundadas com 8 destes, centradas na relação entre o trabalho remunerado e o voluntariado. Os dados apontam para uma alta apetência para o voluntariado entre a população em estudo, com 44% sendo ou tendo sido voluntário e 30% declarando-se interessados em sê-lo. Há entretanto uma distribuição marcadamente desigual pelas áreas científicas de formação, sendo maior na área de "Artes e Humanidades" e menor nas de "Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção" e "Saúde e proteção social". Analisando esse desequilíbrio, apresentamos então algumas formas pelas quais a atuação profissional se relaciona com a apetência para o voluntariado. À menor adesão ao voluntariado na área da "Saúde e proteção social" está relacionada a percepção de "dever cumprido" (tanto por parte dos próprios profissionais sobre si mesmos, quanto dos de outras áreas em relação àqueles) verificada por meio das entrevistas aprofundadas. Na área de "Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção", há menor apetência para o desenvolvimento de atividades ligadas ao altruísmo. Apresentamos por fim a distribuição do voluntariado entre onze indicadores de valores subjetivos do trabalho remunerado constantes do inquérito, com destaque para três deles: "ajudar aos outros", "progredir na carreira" e "adquirir novos conhecimentos por meio do trabalho remunerado".
  • CUNHA, Simone C. da CV de CUNHA, Simone C. da
Atua profissionalmente como jornalista, tendo iniciado a pesquisa em sociologia e o aprofundamento na investigação académica por meio do mestrado em Sociologia, concluído em 2011 na Universidade Nova de Lisboa. Em jornalismo, se especializou na área de economia, tendo trabalhado como correspondente freelancer desde Portugal para veículos brasileiros como o jornal O Globo e a revista Carta Capital e, no Brasil, na Folha de S. Paulo. Hoje trabalha no site de notícias G1, da TV Globo.
Por conta da experiência profissional voltada à economia, a sociologia torna-se uma ferramenta para compreender mais aprofundadamente o universo econômico, observado no dia a dia. Diante disso, a escolha específica do recorte do voluntariado sob a perspectiva do mercado de trabalho e, de uma forma mais abrangente, o estudo da influência do mercado de trabalho nas relações e aspirações pessoais são vistas como ponto de partida para a investigação académica sociológica e interessantes perspectivas para o futuro.

PAP1366 - “Alguém dirá o que fazer” – (im)preparação face às ameaças costeiras
Resumo de PAP1366 - “Alguém dirá o que fazer” – (im)preparação face às ameaças costeiras PAP1366 - “Alguém dirá o que fazer” – (im)preparação face às ameaças costeiras
PAP1366 - “Alguém dirá o que fazer” – (im)preparação face às ameaças costeiras

A resposta a emergências no quadro da estrutura de protecção civil pressupõe o progressivo envolvimento de meios, por patamares, desde o nível local ao nacional, passando pelo concelhio e distrital. O envolvimento de meios (e a assunção do comando) por parte de um nível territorial mais amplo deverá resultar, por sua vez, de pedido do nível territorial precedente, que considere esgotada a sua capacidade de resposta à situação. A resposta eficaz a calamidades, por parte de uma estrutura deste tipo, pressuporia entretanto o conhecimento, ao nível dos vários patamares, dos planos existentes e das formas de actuação previstas. No entanto, o caso de uma zona costeira próxima de Lisboa e significativamente vulnerável a inundações vindas do mar não corresponde, de todo, a tais requisitos. A um nível local, as autoridades costeiras e as instituições existentes pressupõem que existirá algum plano de emergência municipal para o caso de galgamentos graves ou tsunamis, mas não têm conhecimento dele, nem de qual se espera seja a sua actuação. Assumem apenas que, em caso de necessidade, lhes sejam dadas ordens claras e adequadas, e tenham capacidade para as porem em prática. A um nível distrital, o comando da protecção civil assume não ter conhecimento ou preparação para responder a ameaças vindas do mar, pressupondo também a existência de algum plano concelhio de emergência e evacuação, e que terá capacidade para fornecer os meios necessários, em caso de necessidade. A um nível nacional, a autoridade de protecção civil privilegia abordagens preventivas e proactivas, mas reconhece as limitações que enfrenta para, inclusivamente, fazer respeitar as suas recomendações de que não seja autorizada nova construção nas zonas costeiras de risco. Esta situação, que plausivelmente se repetirá em muitas outras zonas com vulnerabilidades semelhantes, traça um quadro potencialmente catastrófico quer no caso de tsunamis quer de tempestades extremas, cuja ocorrência se torna mais expectável e provável em virtude do actual processo de alterações climáticas.
  • GRANJO, Paulo CV de GRANJO, Paulo
  • SCHMIDT, Luísa CV de SCHMIDT, Luísa
  • GOMES, Carla CV de GOMES, Carla
  • GUERREIRO, Susana CV de GUERREIRO, Susana
Doutorado em Antropologia Social, é investigador no ICS-UL e realiza pesquisas em Portugal e Moçambique que, abrangendo terrenos tão diversos como a indústria, as práticas divinatórias e curativas, os processos de aprendizagem, o direito familiar ou a violência pública, possuem um fio condutor comum: compreender as concepções e respostas sociais à incerteza, ao perigo e à tecnologia, em contextos de mudança cultural e social. Em combinação com a sua actividade de investigador, desenvolve trabalho docente na FCSH-UNL (licenciatura) e no ICS-UL (doutoramento).

Luísa Schmidt
Socióloga investigadora principal do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, dedica-se actualmente a duas áreas de investigação principais: Sociologia da Comunicação e Sociologia do Ambiente, em que se doutorou. No ICS-UL coordena a Linha de Investigação 'Sustentabilidade: Ambiente, Risco e Espaço' e integra o Comité Científico do Programa Doutoral em "Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável". Faz parte da equipa de investigadores que criaram e montaram em 1996 o OBSERVA - Observatório de Ambiente e Sociedade que actualmente dirige, onde desenvolve vários projectos de investigação que articulam ciências sociais e ambiente.
Carla Gomes nasceu no arquipélago dos Açores em 1978. Como jornalista, escreveu em diversas publicações generalistas e especializadas, como os jornais “Quercus Ambiente” e “Água & Ambiente”, tendo colaborado ainda em projectos como a publicação internacional “Green China” e o livro “Quercus: 20 Anos”. Colaborou com a CCDR de Lisboa e Vale do Tejo (Ministério do Ambiente) na área da comunicação, entre 2007 e 2009.

Licenciou-se em Comunicação Social em Setúbal e fez o Mestrado em Gestão e Políticas Ambientais na Universidade de Aveiro, com a dissertação “Desenvolvimento Limpo: uma nova Cooperação entre Portugal e os PALOP”. Este trabalho, que incidiu particularmente no arquipélago de Cabo Verde, deu origem ao livro “Alterações Climáticas e Desenvolvimento Limpo”, premiado pela Fundação Calouste Gulbenkian (programa Gulbenkian Ambiente) e publicado em Janeiro de 2010. Foi integrada no projecto “Change-Mudanças Climáticas, Costeiras e Sociais” em Maio de 2010, como bolseira de investigação do ICS.
"Bolseira de Investigação no projecto CHANGE – Mudanças Climáticas, Costeiras e Sociais do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, desde Junho de 2011. Licenciada em Psicologia Social e das Organizações pelo ISCTE em 2007, com dissertação na área da Psicologia Ambiental centrada no estudo das razões da oposição a áreas protegidas. Em 2010 concluiu uma pós-graduação em Gestão e Intervenção Ambiental nas Empresas e na Administração Pública pela Universidade de Barcelona.
Entre 2008 e 2011 foi Gestora de Programa na ONG Climate Parliament em Londres, sendo uma das responsáveis pela implementação do projecto “Alterações climáticas e acesso à energia das populações mais pobres” nas regiões de África, Caraíbas e Pacifico, financiado pela Comissão Europeia e pela Agência Sueca de Desenvolvimento."