PAP0749 - Securitização da Imigração - Ser-se o Outro na Europa
A securitarização da migração, já visível
desde a década de 80, sofreu um incremento
significativo no discurso político e nas
práticas nele sustentadas após os atentados de
11 de Setembro, consagrando em definitivo o
estereótipo do imigrante muçulmano como ameaça
à segurança do Estado e da sociedade europeia,
e forçando à legitimação entre as opiniões
públicas de um suposto nexo entre imigrante
muçulmano, terrorismo e criminalidade
transnacional organizada.
Na Alemanha foram os Turcos, quer sob a forma
de membros da maior comunidade imigrante
muçulmana, quer sob a forma de potenciais
imigrantes, que sofreram o maior impacto desta
securitarização. Os Turcos são neste contexto
portadores de uma dupla condição
estigmatizante: a de serem imigrantes, ou
estarem pelo menos associados a um passado
pessoal/ familiar marcado por trajectórias
migrantes, e a de serem muçulmanos.
Esta apresentação visa contribuir para uma
compreensão do efeito que a securitarização da
migração poderá ter tido sobre os fluxos de
imigrantes turcos por um lado, e sobre a
qualidade da integração da comunidade
imigrante turca a viver na Alemanha, por
outro, no período compreendido entre 1999 e
2009.
Concluímos que, pese embora a diminuição das
correntes migratórias provenientes da Turquia
ser visível, não é todavia possível afirmar
que tal se deva directa e muito menos
exclusivamente à adopção de políticas
securitárias no campo da gestão migratória na
Alemanha. Dada a ausência de dados recolhidos
pelas autoridades turcas que atestem o volume
de emigração rumo à Alemanha durante o período
em questão, torna-se difícil explorar as
eventuais causas que explicarão a redução do
número de migrantes chegados à Alemanha, pelo
que só podemos especular sobre o verdadeiro
impacto que a securitarização teve sobre o
mesmo.
Já em relação às consequências das políticas
securitárias sobre a qualidade da integração
turca instalada, é possível perceber que esta
só veio reforçar (e acelerar) a legitimação
latente de processos de discriminação e
estigmatização a que a comunidade sempre
esteve sujeita. Discursos e práticas de
securitarização da imigração tiveram pois um
impacto negativo no possível sucesso da
integração da comunidade turca na Alemanha, ao
mesmo tempo que se revelaram contraproducentes
a alguns esforços que em igual período de
tempo também foram tomados no sentido de
melhorar essa mesma integração.
PAP0804 - Securitização da Imigração na Europa- [GT-Pensar a Europa – os paradoxos e desafios de um projecto em mudança].
A securitarização da migração, já visível desde a década de 80, sofreu um incremento significativo no discurso político e nas práticas nele sustentadas após os atentados de 11 de Setembro, consagrando em definitivo o estereótipo do imigrante muçulmano como ameaça à segurança do Estado e da sociedade europeia, e forçando à legitimação entre as opiniões públicas de um suposto nexo entre imigrante muçulmano, terrorismo e criminalidade transnacional organizada.
Na Alemanha foram os Turcos, quer sob a forma de membros da maior comunidade imigrante muçulmana, quer sob a forma de potenciais imigrantes, que sofreram o maior impacto desta securitarização. Os Turcos são neste contexto portadores de uma dupla condição estigmatizante: a de serem imigrantes, ou estarem pelo menos associados a um passado pessoal/ familiar marcado por trajectórias migrantes, e a de serem muçulmanos.
Esta apresentação visa contribuir para uma compreensão do efeito que a securitarização da migração poderá ter tido sobre os fluxos de imigrantes turcos por um lado, e sobre a qualidade da integração da comunidade imigrante turca a viver na Alemanha, por outro, no período compreendido entre 1999 e 2009.
Concluímos que, pese embora a diminuição das correntes migratórias provenientes da Turquia ser visível, não é todavia possível afirmar que tal se deva directa e muito menos exclusivamente à adopção de políticas securitárias no campo da gestão migratória na Alemanha. Dada a ausência de dados recolhidos pelas autoridades turcas que atestem o volume de emigração rumo à Alemanha durante o período em questão, torna-se difícil explorar as eventuais causas que explicarão a redução do número de migrantes chegados à Alemanha, pelo que só podemos especular sobre o verdadeiro impacto que a securitarização teve sobre o mesmo.
Já em relação às consequências das políticas securitárias sobre a qualidade da integração turca instalada, é possível perceber que esta só veio reforçar (e acelerar) a legitimação latente de processos de discriminação e estigmatização a que a comunidade sempre esteve sujeita. Discursos e práticas de securitarização da imigração tiveram pois um impacto negativo no possível sucesso da integração da comunidade turca na Alemanha, ao mesmo tempo que se revelaram contraproducentes a alguns esforços que em igual período de tempo também foram tomados no sentido de melhorar essa mesma integração.