PAP0223 - O Potencial dialógico e Interactivo de um programa de rádio comunitária
O presente texto
remete à tese de
doutorado da autora
trazendo uma síntese
teórico-empírica
acerca dos
fundamentos dos
conceitos de
dialogismo e
dialética.
Discutimos aqui
algumas das
dimensões mais
relevantes da
ligação entre esses
temas, no que
concerne às relações
discursivas que
marcam as
manifestações de
comunicação
praticadas pelas
rádios comunitárias
no Brasil.
Centramo-nos sobre
os aspectos
estruturais dos
conceitos e sobre o
funcionamento
comunicacional,
voltado para o
modelo
pragmático-interativo,
mecanismo que
pressupomos ser
sistematicamente
usado por esses
meios.
Epistemologicamente,
buscamos analisar em
que medida essas
agências podem
constituir-se
enquanto meios
dialógicos,
contribuindo para
uma interatividade
dialética entre
locutores e
ouvintes. A partir
daí tentamos tecer
um panorama do real
enquadramento dessas
rádios em
comunidades com
baixo índice de
desenvolvimento
social, aí
incluídos, mormente,
os aspectos
econômico e
educacional.
As rádios
comunitárias foram
criadas no Brasil
com o propósito de
difundir ideias,
culturas e hábitos
sociais dessas
populações,
permitindo-lhes o
exercício da livre
expressão. Contudo,
nossa dúvida inicial
era se essas rádios
vinham,
efetivamente,
cumprindo essas
metas. O que
estariam fazendo
essas agências? Que
tipo de
comportamento
estariam adotando?
Apesar de
consideradas como
canais de abertura
para a participação
crítico-reflexiva e
carregarem, em
teoria, os
princípios da
interação social,
nem todas essas
emissoras podem-se
dizer ativos
instrumentos para a
dialogia e a
dialética. Algumas
se esforçam para
cumprir esse papel.
Outras, entretanto,
apenas reproduzem de
forma sistemática e
tosca os meios
comerciais nas quais
se espelham.
Enquanto promotores
de uma educação
popular
conscientizadora,
elas têm total
liberdade para
construir suas
programações
baseadas na
interatividade e
alteridade junto ao
ouvinte. Todavia,
algo acontece no
decorrer do processo
de funcionamento
desses meios que os
tornam ineficazes,
ou parcialmente
ineficazes, na busca
pelas metas
sugeridas em seus
princípios.
Pretendendo
encontrar esse ponto
de desequilíbrio,
analisamos, para
esse artigo, o
programa Rock da
Larica, da rádio
Alto Falante. Essa
agência foi
escolhida por ter
sido um dos meios
comunitários mais
ativos do Recife,
capital
pernambucana, tendo
sido apontado como
modelo por várias
instâncias públicas
e privadas que
trabalham em prol da
democratização da
comunicação. Para a
análise, focamos a
dimensão da
realização do
programa, observando
a proposta de
interatividade e o
conteúdo da emissão.
Apresentamos, por
fim, algumas
proposições a
respeito da relação
do discurso
realizado no
programa analisado
com a dialogia e a
dialética.
Obviamente que - e
pelo que esperamos
dos leitores -, se
ao dialogarem com
esse artigo
assumirem uma
perspectiva
dialética, essas
considerações finais
não poderão deixar
de ser refutadas.
Membro do Cesnova - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, especialista em Direitos Humanos pela Universidade Católica de Pernambuco, Mestre em Sociologia pela Universidade Nova de Lisboa e doutoranda em Sociologia, na área de Conhecimento, Educação e Sociedade pela mesma universidade. Interesse de investigação: comunicação comunitária.