PAP0421 - Desenvolvimento em busca da diminuição da desigualdade? Estudo de processos globalizadores e mudanças locais no ES/ Brasil.
O objetivo do presente trabalho é analisar os impactos promovidos pelos processos de desenvolvimento localizados na região litorânea do estado do Espírito Santo (ES), na região sudeste do Brasil. Mais especificamente interessa investigar as populações pesqueiras artesanais, seus modos de vida, suas atividades econômicas e os impactos que as mesmas vêm sofrendo por conta dos processos globalizadores que penetram em seus territórios. Pois, esta faixa litorânea do estado do Espírito Santo tem sido nas últimas décadas foco de investimentos de grande porte executados por grandes empresas nacionais e multinacionais, dentre elas encontram-se: a Petrobras, a Aracruz Celulose (atual Fibria), a Vale do Rio Doce, a Arcelor Mittal, etc. e também de investimentos de médio e pequeno portes, decorrentes ou não, dos investimentos de grande porte.
Isso tem trazido inúmeras transformações para as localidades próximas à implantação destes investimentos, como também para o estado, tanto no quesito econômico, resultando em um incremento positivo de indicadores econômicos, tais como o PIB, porém quanto aos quesitos sociocultural e ambiental, há divergentes avaliações. Alguns destes, como os indicadores socioeducacionais e de saúde, apresentam resultados não compatíveis com o crescimento econômico, o que resulta de certo modo no aprofundamento de desigualdades sociais entre as classes e a concentração de renda. Utilizaremos dos levantamentos quantitativos disponíveis e dos trabalhos de campo realizados para a pesquisa para uma exposição sistemática desta realidade social. Esperando mostrar uma análise das condições socioeconômicas das vilas pesqueiras, assim como perceber processos de mudança social com a alteração de valores e comportamentos, estilos de vida nos diferentes grupos sociais, tanto quanto, a alteração das paisagens e ecossistemas de várias regiões do estado.
- KNOX, Winifred

- TRIGUEIRO, Aline

Segunda autora: Profa. Dra. Winifred Knox
Possui especialização em filosofia (UFRN - 1996), mestrado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e antropologia do IFCS pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Nos últimos anos tem se dedicado à pesquisa e à docência na área de Sociologia e Antropologia com grande ênfase em Comunidades Pesqueiras. Atualmente é professora adjunta do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo e uma das coordenadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento do ES (GEPPEDES).
Primeira autora: Profa. Dra. Aline Trigueiro
Graduação em Ciências Sociais (UFRJ); Mestrado em Sociologia e Antropologia (UFRJ); Doutorado em Sociologia (UFRJ), com Bolsa Sanduíche na Universidade de Oxford (Inglaterra). Atualmente é Professora Adjunta da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e uma das Coordenadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento do ES (GEPPEDES). Áreas de estudo e interesse: Sociologia Ambiental; Sociologia do Desenvolvimento; Ética e Epistemologia Ambiental; Política Ambiental.
PAP0324 - Perceções e divulgação de artistas plásticos africanos em Portugal
Em Portugal a receção e divulgação da obra de artistas plásticos africanos tem evidenciado, ao longo das últimas duas décadas uma cadência intermitente, marcada pontualmente pela integração das artes plásticas no discurso da lusofonia ou do pós-colonialismo sem que estes factos tenham contribuído na realidade para uma discussão ou análise crítica das suas linguagens particulares, decorrentes, nomeadamente, dos seus trânsitos transnacionais ou permanências continuadas, bem como das dinâmicas históricas que envolvem Portugal e África.
Com esta comunicação propõe-se um olhar sobre a obra de alguns artistas africanos, procurando vislumbrar algumas dinâmicas tais como a afirmação de identidades partilhadas, a problematização das realidades experienciadas nos países de origem ou nos espaços diaspóricos, a guerra e a violência, a reflexão acerca da própria história que envolveu a Europa e a África, assumidas como matéria de reflexão plástica, e desvendando linhas de continuidade entre passado e presente, numa trajetória solvente das fronteiras impostas pelo discurso histórico, que, em última análise, revelam as transfigurações e múltiplas faces da temporalidade vivida, narrada ou transformada em terreno de utopias.
- PEREIRA, Teresa Matos

Nota Curricular
Nome: Teresa Matos Pereira
Formação: Doutoramento em Belas Artes, Mestrado em Teorias da Arte e Licenciatura em Artes Plásticas – Faculdade de Belas Artes de Lisboa
Docente no Instituto Politécnico de Setúbal – Escola Superior de Educação e Investigadora no CIEBA- Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
Interesses de investigação. Artes visuais e colonialismo; discursos artísticos e pós-colonialidade.
Textos :
- «A Condição da mulher em Angola na cerâmica de Helga Gamboa, in :ESTÚDIO, Vol.3, nº5, FBA-Ul/CIEBA, Lisboa, 2012( pp.112-118). ISSN 1647-6158
- «As Artes Plásticas nos Labirintos da Colonialidade», in RODRIGUES, José Damião e RODRIGUES Casimiro. Representações de África e dos Africanos na História e Cultura – séculos XV a XXI. PONTA Delgada: CHAM, 2011 (pp.371-387)
- «Desenhos de África, Desígnios Coloniais, Desejos Suspensos: Artes Plásticas e Colonialidade» in CIEA7, Lisboa, ISCTE-IUL (disponível em http://hdl.handle.net/10071/2533 )
- "Intervisualidade e Metáfora. Trajectórias dos Signos na Pintura Angolana e Portuguesa durante a segunda metade do séc. XX " In Actas do VI Congreso de Estudios Africanos en el Mundo Ibérico (CD-ROM) Depósito Legal: GC- 247-2009
PAP0009 - A ARTE
Pierfranco Malizia, LUMSA, Roma
A ARTE “SOCIAL”
Notas sobre os quadros sociais da
criatividade artística
RESUMO
Este trabalho parte de um tema de base e de
uma hipótese; o tema consiste na idéia
segundo a qual – sem aliás nada tirar ao
sistema “competências-capacidades-
genialidades” que fazem de um artista um
artista, ou seja, a individualidade, a
subjetividade do artista e da sua
criatividade,ecc., a hipótese consiste no
fato que seja possível individuar os quadros
sociais que, tanto a apriori quanto a
posteriori, ora mais evidentemente ora mais
ocultamente tais, orientam e influenciam a
criatividade artística (uma enésima ação
social “efervescente”, come diria Durkheim) e
a arte em geral.
No âmbito de tal hipótese, os quadros sociais
aqui propostos são:
a) fatores estruturais de contexto (ou
seja, situações sociais “totalizantes” como a
anomia e a morfogênese entendida,
precisamente como cenários complexos que vêm
a descompor uma situação existente,
estimulando a mudança e a criatividade;
b) fatores ligados aos “círculos
sociais” (artísticos, nesse caso) e relativos
sistemas de relação e interação sociais como
os mundos artísticos (Becker);
c) os condicionamentos provenientes das
tradições, essa espécie de “memória coletiva
canonizada” , de “modelos estabilizados de
crenças, valores etc.” as quais de qualquer
forma podem orientar de fato o
pensamento/ação do artista;
d) fatores ligados ao sistema da
indústria cultural e da totalidade das
relações estabilizadas que em diferentes
maneiras e com diversas modalidades dele
derivam .
Como se pode deduzir, trata-se somente de
alguns dos possíveis quadros sociais que
podem vir a ter significado no âmbito do
discurso que aqui se sustenta; se entende que
o quanto acenado possa, de toda forma, trazer
confirmações para a hipótese inicial e que
reflexões, mesmo se não totalmente concluídas
como essas, sem nada tirar às tantas
diferentes modalidades de estudo dos
fenômenos artísticos, pretendem ser
enriquecedoras ao debate e à reflexão sobre
a própria arte.
- MALIZIA, Pierfranco

Pierfranco Malizia Mestre em Filosofia e em Letras,Phd. em Sociologia da cultura na Universidade “La Sapienza” de Roma,è professor de Sociologia na Universidade LUMSA de Roma e Diretor do Curso de pos-graduaçao em Comunicação e Diretor do Centro de pesquisa em comunicação: é tamben visiting professor de Teoria contemporaneas da comunicaçã no ISCEM de Lisboa. Atùa principalmente nas areas das trasformaçoes sociais,da produçao cultural e da comunicaçao.
PAP0583 - A interação entre Ciência e Arte vista pelos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia: análise de resultados e proposta de uma agenda de pesquisa
É fato que Ciência e Arte, entendidas como realizações tipicamente humanas, há muito fazem parte da história das civilizações. Ambas passaram por um longo processo até alcançarem sua institucionalização e, hoje, é possível reconhecer a particularização destes dois campos, cada qual orientado por um conjunto de referências teóricas e práticas, caracterizadas por controvérsias epistemológicas e conflitos internos. Deste modo, tanto a Ciência quanto a Arte podem ser consideradas como campos sociais visto que, segundo Pierre Bourdieu, em ambas reconhecemos a existência de atores sociais em permanente disputa, movimentando-se no sentido de acumular “capitais” (institucionais, científicos, artísticos). Estes agentes passam a internalizar disposições específicas (habitus) levando a formação das estruturas objetivas de cada campo. Todavia, a fronteira que demarca a separação entre os campos científico e artístico nem sempre foi delimitada. Em épocas como a Renascença, ainda que a Ciência e a Arte não estivessem institucionalizadas, os conhecimentos tidos como científicos e artísticos conviviam de maneira muito próxima. Na atualidade, com o advento das novas tecnologias, verificamos que a aproximação entre os dois campos tem se intensificado de maneira que é possível reconhecer diferentes níveis de interação, desde a apropriação de conceitos e técnicas por ambos os campos até a construção conjunta de conhecimento. O aumento do número de projetos voltados para divulgação científica que tem buscado na interação entre Ciência e Arte o fundamento de suas atividades demonstra esta hipótese. A partir do desenvolvimento de propostas interdisciplinares e transdisciplinares, tais projetos representam uma modificação na concepção estritamente disciplinar que justificava o afastamento entre Ciência e Arte. Dessa forma, pautado nos conceitos de campo social de Bourdieu e nos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia, o presente trabalho tem como principal objetivo a análise e discussão de projetos de divulgação científica desenvolvidos no Brasil, que tem como fundamento a fertilização cruzada entre estes dois campos sociais – Ciência e Arte. São analisados como as inscrições científicas (a exemplo de fotografias) são apresentados como objetos artísticos e como a linguagem artística é utilizada para representar a Ciência e seus artefatos. Ao final da análise, as autoras apresentam a proposição de uma agenda de pesquisa voltada para a investigação da interação entre Ciência e Arte.
- SANTOS, Rojanira Roque dos
- RIGOLIN, Camila Carneiro Dias
PAP1380 - AS CIÊNCIAS SOCIAIS DO VISUAL E OS MÉTODOS GEONEOLÓGICOS
A Sociologia e Antropologia Visuais registaram um desenvolvimento notável nos últimos anos. Em particular, os métodos de recolha, análise e interpretação de fontes visuais propõem novos cursos e percursos para o investigador. No entanto, a incomensurável mudança epistemológica recente deriva da emergência das metodologias visuais nunca dantes vistas, utilizando instrumentos digitais, transmedia e em rede.
Neste texto, para além da apresentação de um estudo de públicos num museu de arte, pretende-se mostrar e demonstrar algumas das cumplicidades e permeabilidades entre as Ciências Sociais do visual e os utensílios experimentais digitais para a pesquisa, que englobaremos no conceito federador ‘Metodologia GeoNeológica’.
Par isoo, o projecto intitulado Comunicação Pública da Arte-CPA visou 2 direcções principais da pesquisa:
1) Uma reflexão sociológica, através da qual foi efectuado um diagnóstico de situação sobre a CPA em museus de arte físicos e virtuais.
No respectivo campo empírico, foi testada, entre outros conceitos, a ideia de museabilidade (i.e., as condições contextuais, económicas, sócio-culturais e politicas da musealização, no interior de uma dada sociedade).
A musealização significa o conjunto de estratégias de apresentação de obras de arte, pelos profissionais do museu, a um público de não-especialistas. Algumas questões iniciais nesta perspectiva foram as seguintes:
2) Uma parte mais prática e pedagógica do projecto visa a aplicação de um sistema digital de aprendizagem e investigação informais para as artes, a usar em museus ou em outras instituições culturais, baseado em hipermédia apresentando novas interfaces, como uma mesa interactiva multitoque para consulta e comentários das obras de um artista. Nesta perspectiva, foi realizado um Questionário Interactivo Multitoque e um jogo cultural nomeado Jogo das Tricotomias, na referida exposição da artista Joana Vasconcelos em 2010.
- ANDRADE, Pedro de

Professor na FBAUL. Investigador do CECL, FCSH-UNL e no CECS, ICS da Univ. do Minho. Coordenador do projecto de pesquisa 'Comunicação Pública da Arte: o caso dos museus de arte locais/globais', entre outros projetos apoiado pela FCT e por outras instituições nacionais e internacionais. Membro do Conselho Editorial da Revista de Comunicação e Linguagens. Membro do Comité de Rédaction da revista LORETO, Ministère de la Culture e Université Libre de Bruxelles. Director da revista Atalaia. Autor de diversas obras e eventos nas áreas da Sociologia, cinema, artes visuais e digitais e no ciberespaço/cibertempo. Obras recentes: 2011a, Sabores e saberes do beber: consumos de lazer, poder e cultura em cafés, tabernas e bares Portugueses, Ed. Univ. Estadual da Paraíba, Brasil. 2011b, Sociologia Semântico-Lógica da Web 2.0/3.0 na sociedade da investigação: significados e discursos quotidianos em blogs, wikis, mundos/museus virtuais e redes sociais semântico-lógicas, Lisboa, Ed. Caleidoscópio. 2011c, Novas autorias / leitorias / actorias: escrita comum, literacias híbridas e anti-vigilâncias na Web 2.0, Ed.Caleid. 2011d, Novela GeoNeológica nº 1: um caso de Literatura Transmediática, Caleid.
PAP0992 - Arte Pública Participada: o Monumento à Multiculturalidade no Parque Urbano do Fróis
Nesta comunicação propõe-se a apresentação de um projecto de Arte Pública a instalar no Parque Urbano do Fróis, Monte da Caparica, cuja característica inovadora assenta num processo de criação/concepção completamente aberto e participado pela população que reside na área envolvente deste futuro Parque Urbano.
O Parque Urbano do Fróis localiza-se no Monte da Caparica e na zona do PIA (Plano Integrado de Almada). Significa isto que a sua envolvente é composta por vários bairros de realojamento e por uma população residente de estratos económicos baixos mas bastante diversificada em termos socioculturais, cujos grupos maioritários contemplam portugueses, cabo-verdianos e ciganos. Este Parque Urbano pretende ser o espaço público de lazer e de ligação do Centro Cívico do Fróis, do qual também fazem parte um complexo de piscinas, uma biblioteca e a nova sede do Clube Recreativo União Raposense.
Atendendo à diversidade sociocultural presente na envolvente deste Parque, a entidade camarária responsável solicitou a colaboração do Departamento de Escultura da Faculdade de Belas Artes de Lisboa para desenvolver um projecto de Arte Pública que fosse um monumento de referência urbana e evocativo da multiculturalidade existente naquele território. Respondendo a este repto constituiu-se uma equipa interdisciplinar com objectivos de desenvolver um processo de envolvimento e de participação da comunidade, com vista à criação e concepção de um “monumento” que fomentasse não só o reconhecimento e maior entrosamento dos grupos que compõem aquela comunidade, como também o seu envolvimento efectivo no processo de qualificação urbana em curso.
Através de várias metodologias de participação, este processo partiu das leituras territoriais e das representações identitárias da comunidade para se concretizar em propostas concretas de objectos escultóricos. Serão estas propostas que irão estar na base do(s) objecto(s) artístico(s) que a equipa de escultores irá concretizar neste Parque Urbano durante a Primavera de 2012.
Desta forma e pretendendo salientar o uso da arte como motor de participação pública e cidadã, esta comunicação será desenvolvida em quatro pontos. No primeiro abordar-se-á o tema da participação da população no ordenamento do território procedendo a um enquadramento deste projecto e discussão das suas premissas de envolvimento comunitário. No segundo serão apresentados e debatidos alguns dos conceitos essenciais ligados ao território em análise, nomeadamente, a multiculturalidade, a representação espacial, espaços de memória, de pertença e de referência. Num terceiro ponto será apresentada e discutida a metodologia de trabalho seguindo-se o projecto concretizado.
- GATO, Maria Assunção

- RAMALHETE, Filipa
- VICENTE, Sérgio
- ESTEVES, José
Maria Assunção Gato
Afiliação institucional: DINÂMIA'CET-ISCTE/IUL
área de formação: doutoramento em Antropologia Cultural e Social
principais interesses de investigação: recomposições sociais, consumos e estilos de vida, modos de vida em espaço urbano
PAP0645 - Cinema e realidade: entender a função vital da sétima arte
Para a compreensão e definição da vida humana e das distintas “versões-do-mundo” (Goodman), a Arte desempenha um papel fundamental ao permitir indagar elementos sensoriais e criativos da realidade que a Ciência não enquadra na sua ambição de objectivar e universalizar o real. Neste contexto, o Cinema instituiu-se como forma artística mais completa para criar metáforas sobre dados do real. Ao aliar imagem, som, palavra, ficção, metáfora e narrativa, permite simular e actualizar o passado, reflectir sobre o presente ou imaginar o futuro. O Homem pode assim expressar e experimentar sentidos e ideias em mundos possíveis e simulados, que contribuem para a construção da sua identidade e compreensão da (sua) realidade.
- ALVES, Pedro

Pedro Alves, Porto (Portugal). Conclui, em 2007, a Licenciatura com Mestrado integrado em Som e Imagem na Escola das Artes da U.C.P. - Porto, com estágio curricular na RTP - Meios de Produção. Entre 2007 e 2008 trabalha na Utopia Filmes, Lisboa, nas áreas de Produção, Operação de Câmara e Argumento. Entre 2008 e 2011 participa no projecto “Revisitar / Descobrir Guerra Junqueiro” da Escola das Artes da U.C.P. - Porto, como Assistente de Realização e Co-Director de Fotografia de "Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro" e Assistente de Produção em "A Música de Junqueiro". Actualmente é bolseiro da FCT em Doutoramento na Faculdade de Ciencias de la Información da Universidade Complutense de Madrid, investigando temas relacionados com produção e recepção de cinema. É também membro da Associação Científica ICONO14 (Espanha) desde 2010, e colaborador do CITCEM (FLUP - Porto) desde 2011.
PAP1044 - Espectáculos com “gente real”
Hoje é frequente encontrarmos o próprio público com núcleo central de um espectáculo, não como receptor último, agente que assiste a uma obra/processo/mensagem pré-definida e que tem de a descodificar nos códigos próprios cunhados pelo artista, mas como agente activo, “colaborador”, “co-criador”, ou mesmo “conteúdo” desse mesmo espectáculo. O próprio espectador torna-se um meio para questionar e dar corpo a questões/ problemáticas do social. Esta “activação” do espectador no sentido da criação e participação no acto artístico ainda que não traduzindo uma dinâmica nova tem-se ampliado desde os anos 90 através de um contexto de maior “hibridação estrutural” (Pieterse) onde a esfera da arte se articula/mistura ou se dilui com as outras esferas do social.
Essa dinâmica que no campo da crítica de arte tem vindo a ser definida como “retorno ao real” (Hal Foster), “ viragem para o social” (Claire Bishop), “estética relacional” (Nicolas Bourriaud) e que na filosofia tem vindo a ser problematizada por Jacques Ranciére através do conceito de “emancipação do espectador”, parece encontrar uma base analítica na “sociologia performativa” de Jeffrey Alexander. A partir desta perspectiva e tendo por base um conjunto de entrevistas efectuadas a artistas portugueses de diversas esferas do que pode ser denominado de uma” arte social” (uma arte implicada intencionamente e performativamente no social) — desde a arte política, à arte pública, à arte género, à bio arte, à arte ambiental e à arte tecnológica—, procuraremos analisar as representações sobre a reconfiguração e hibridização de papéis — do artista e do espectador— através do conceito de participação, assim como analisar recorrências e especificidades entre esferas artísticas sobre como são pensadas e problematizadas hoje pelos artistas as funções da arte na sociedade.
- MADEIRA, Cláudia

Cláudia Madeira (1972) Socióloga. Encontra-se desde Setembro de 2009 a desenvolver o seu projecto de pós-doutoramento, intitulado "Arte Social", no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, enquanto bolseira da FCT. Com o apoio destas duas instituições doutorou-se em Sociologia com a tese" O Hibridismo nas Artes Performativas em Portugal" (2008), da qual já resultou uma publicação dedicada à análise do conceito de híbrido desde o mito, passando pelas ciências exatas e pelas ciências sociais, que se denominou "Hibrido: do Mito ao Paradigma Invasor?" (Mundos Sociais, 2010), encontrando-se no prelo para publicação no ICS outra dedicada ao processo de hibridização nas artes em Portugal. É ainda autora de "Os Programadores Culturais: Novos Notáveis" e de vários artigos sobre novos hibridismos nas artes. Actualmente, dá o seminário "Metamorfoses do Espectáculo" no mestrado de Comunicação e Artes, na Universidade Nova de Lisboa.
PAP0860 - O trabalho de mediação cultural em Portugal: alguns contextos e os seus figurinos organizacionais
O aumento da programação de actividades
pedagógicas para os públicos de museus,
teatros e outros espaços culturais constitui
uma das principais mudanças que marcam o
sector cultural e artístico, em Portugal, nas
últimas duas décadas. Possuindo um historial
mais antigo nos museus, este tipo de
intervenção tem vindo a intensificar-se num
número crescente de instituições e de
iniciativas.
A prática da mediação cultural não é uma
realidade homogénea, verificando-se a
existência de percursos profissionais diversos
e de diferentes modelos organizacionais nas
instituições/contextos que promovem e acolhem
actividades de mediação cultural.
Esta comunicação foca algumas iniciativas de
divulgação cultural e criação de novos
públicos – nas áreas das artes visuais, música
e livro e leitura –, dando destaque aos
formatos organizacionais que, nos diversos
contextos, estruturam o seu funcionamento. Na
área das artes visuais, são abordados os
Serviços educativos do Centro de Arte Moderna
José de Azeredo Perdigão da Fundação Calouste
Gulbenkian, em funcionamento desde 2002, e da
Área de Exposições do Centro Cultural de
Belém, com actividades pedagógicas desde 1998.
No domínio da música analisam-se duas
iniciativas de divulgação musical, com
diferente longevidade: i) Música em Diálogo,
orientada pelo maestro José Atalaya desde os
anos 80 do século XX; ii) Descobrir. Programa
Gulbenkian Educação para a Cultura, iniciativa
da Fundação Calouste Gulbenkian, e em especial
a intervenção pedagógica do Serviço da Música,
intensificada desde 2005. Na área do livro e
da leitura, consideram-se dois projectos de
promoção e o incentivo do gosto pela leitura e
pela escrita, ambos lançados em 1997: i)
Programa de Acções de Promoção da
Leitura/Itinerâncias, promovido pela tutela da
cultura; ii) Artes na Escola, projecto
coordenado pelo Ministério da Educação.
A análise conjunta destas diferentes
iniciativas e contextos evidencia traços
comuns – desde logo, no que se refere aos
figurinos organizacionais mas também no que
respeita ao crescente investimento das
políticas do sector público e do terceiro
sector em iniciativas tendo por objectivo
disseminar o conhecimento da cultura e das
artes. E identifica características mais
distintivas – como a centralidade que a figura
do divulgador cultural pode assumir na
dinamização de um projecto, reconfigurando-o
de acordo com as transformações que vão
ocorrendo no sector cultural.
- MARTINHO, Teresa Duarte

Teresa Duarte Martinho é socióloga e completou o doutoramento em Sociologia em 2011 no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). É licenciada em Sociologia (1990) pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). É mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (2000), pelo ISCTE, e em Estudos Curatoriais (2006), pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).
Actualmente, é investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) (http://www.ics.ul.pt). Desde 1996, participou em diversos projectos de investigação no Observatório das Actividades Culturais (OAC) (http://www.oac.pt) entidade fundada em 1996 por: Ministério da Cultura, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Instituto Nacional de Estatística (INE). Interesses de investigação: profissões e ocupações culturais e artísticas; políticas culturais; processos de mediação da arte e da ciência: práticas, actores e trajectórias.