PAP1261 - As diferenças de género no consumo de automóveis premium em Portugal: uma perspectiva sociológica
O automóvel privado desempenha um papel de
relevo nas sociedades ocidentais
contemporâneas e tem sido um indicador
clássico de status na sociologia do consumo e
no marketing.
Os trabalhos sobre consumo automóvel de
Sheller (2003) e Shove (1998) remetem-nos para
a importância do indivíduo e das suas
escolhas. Porém, os dados estatísticos em
Portugal sobre o consumo de automóveis do
segmento premium, mostram que a afirmação
individual não é um critério relevante. Além
disso, confirmam a existência de diferenças
significativas por géneros no que toca à
preferência de cada marca, parecendo reforçar
o que Mohammadian (2004) verificou quanto à
existência de diferenças nas motivações de
compra de automóveis por parte indivíduos do
género masculino e feminino.
Este trabalho tem por objecto o consumo de
automóveis do segmento premium em dois
períodos, 2003 e 2009, em Portugal. A escolha
deste segmento prende-se com a forte carga
simbólica e identitária de cada uma das marcas
que o compõem, conferindo ao automóvel um
estatuto que ultrapassa largamente o conceito
de meio de transporte.
Pretendemos identificar os factores
sociológicos que enformam as decisões de
consumo de automóveis premium em Portugal,
verificar se há critérios de escolha
distintivos entre o género masculino e
feminino e observar se estes registaram uma
evolução significativa no intervalo de 6 anos.
Com o intuito de caracterizar a realidade
sociológica da população em estudo, bem como
as vendas e a posse de automóveis, recorremos
à análise quantitativa de várias fontes, entre
outras o principal estudo realizado em
Portugal sobre o consumo automóvel. Foram
ainda aprofundadas as motivações de compra
através da aplicação de um inquérito a homens
e mulheres, proprietários de automóveis das
marcas seleccionadas.
Os resultados deste estudo revelam uma menor
proporção de mulheres proprietárias de
automóveis de marcas premium, tendo-se
registado, inclusive, uma variação negativa
nesta proporção entre 2003 e 2009.
Nos critérios de escolha confirmam-se as
conclusões de estudos efectuados anteriormente
noutras geografias, sobre a maior
racionalidade das mulheres, traduzida na
valorização dos aspectos relacionados com a
fiabilidade, segurança e economia em
detrimento das variáveis hedonísticas e
estatutárias, próprias do género masculino
(Mohammadian, 2004; Mitchell & Walsh, 2004).
Paulo Farias Rodrigues, Consultor e Partner da Visão Maior Consultores, Lda.
Consultor e Formador nas Áreas Comportamental, Gestão Estratégica, Comercial e de Marketing.
Licenciado em Marketing, Publicidade e Relações Públicas (ISLA-Lisboa) e Mestrando em Comunicação Social, na variante de Comunicação Estratégica (ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa).
Iniciou recentemente a sua carreira académica com as funções de docência na ESCS (Escola Superior de Comunicação Social – Lisboa), no ISEG (Universidade Técnica de Lisboa) e no ISLA (Instituto Superior de Línguas e Administração) em programas de Formação Avançada.
Possui cerca de 20 de anos de experiência de gestão em várias empresas multinacionais do sector farmacêutico, tendo desempenhado funções de responsabilidade crescente nos cargos de Director de Marketing, Director de Vendas e Director-Geral.
Tem artigos publicados na Revista “Marketing Farmacêutico”.