PAP0143 - CRISES IDENTITÁRIAS NA PRODUÇÃO E CONSUMO DE BANDAS DESENHADAS: questões de Reprodução e Hibridização
Fruto de uma dissertação de mestrado em Sociologia, o trabalho apresenta diversas questões: Será que a maneira de desenhar uma BD revela a cultura de sua região de origem? Será possível reconhecer uma linguagem nacional em cada tipo de HQ? Os “Comics” representam a cultura estadunidense? As Bandé Dessinée representam a cultura francófona? E os Mangás, por sua vez, representam a japonesa?
Se a resposta for positiva – e se defende esta perspectiva – como avaliar as produções que se espelham na linguagem de uma BD de outra cultura? BD de super-heróis que visualmente lembram os mangás japoneses, mas produzidos nos EUA, são um “Comic” ou um “Mangá”? Como proceder para avaliar estas HQ´s? O quanto elas têm de uma cultura o quanto se apropriam da outra? Estas nomenclaturas não são simples verbetes que nominam “Bandas Desenhadas” em inglês, francês ou em japonês.
Compreender os limites estéticos de cada um é compreender os meios necessários para acessar suas Representações Sociais e efetivar os meios pelos quais os quadrinhos representam a cultura em que é produzida, isto é, se compõe enquanto produto identitários.
O trabalho analisa o surgimento dos Mangá Nacionais, as assim chamadas bandas desenhadas produzidas no país com uma estética visual baseada nas HQ´s japonesas. Avalia o papel desempenhado pelos quadrinhistas na produção de fanzines e revistas e as escolhas estéticas que são feitas, na constituição e reconhecimento de uma linguagem nacional dos quadrinhos brasileiros e até que ponto reproduzem padrões comerciais e como corroboram para engendrar uma hibridização cultural responsável, segundo Bauman, por uma liquidez da identidade cultural.
O trabalho resgata os perfis estéticos que definem a aparência e a estrutura do mangá no Japão e os compara com aqueles presentes nas versões nacionalizadas, concentrando o levantamento e o enfoque analítico em várias BD´s de sucesso editorial.
Partindo da estrutura semiótica unida com a análise sociológica, procura-se discutir como os processos de reprodução da estética seqüencial – acolhido de forma despretensiosa por parte dos produtores de BD, podem incentivar a hibridização cultural, um fenômeno com efeitos não planejados na identidade e na estética nacional. O objetivo do trabalho, portanto, é mapear as estruturas que permitem perceber até que ponto a produção e consumo de BD contribui para dissipar ou fortalecer as fronteiras simbólicas entre “nós” e “eles”.