PAP0086 - Barragem de Girabolhos, expectativas dos habitantes da aldeia que lhe dà o nome
Em Portugal uma das matrizes associadas ao paradigma do desenvolvimento tem sido, entre outras, a daconstrução de grandes barragens. Desde os anos 40 do século passado, as políticas de ordenamento e ampliação da rede eléctrica, têm vindo a traduzir-se num exponencial investimento público na construção de grandes barragens.
A decisão da construção do aproveitamento hidroeléctrico de Girabolhos, integrado no Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico, pretende assegurar um melhor aproveitamento hídrico nacional, concorrendo para os objectivos da Estratégia Nacional até 2020.
Assim, a gestão da água – que é considerada como o petróleo do século XXI - terá que ser equacionada a partir de múltiplas variáveis tendo por base os indicadores de desenvolvimento sustentável, onde, prioritariamente, sejam tidas em consideração as implicações sociais, culturais e económicas da utilização deste recurso natural, património indispensável à vida, em todas as suas dimensões.
Ao contrário do que aconteceu na aldeia de Vilarinho da Furna no Gerês e na aldeia da Luz no Alentejo, a aldeia de Girabolhos não irá ser submersa ou deslocalizada em consequência da construção desta barragem, sendo que a adaptação dos seus habitantes ao novo espaço envolvente irá dar origem a mudanças quer no território, quer nas localidades mais próximas.
Previsivelmente, até 2015, a construção desta barragem irá criar cerca de 5000 postos de trabalho diretos e indirectos. Estes números foram indicados pela empresa Endesa, à qual foi adjudicada a concepção, construção e exploração deste empreendimento hidroeléctrico.
Numa primeira fase o impacto sobre a paisagem limitar-se-á à abertura de acessos para o transporte de equipamentos, procurando afectar a menor área possível da fauna e da flora ali existentes. O custo final da barragem de Girabolhos está avaliado em 102 milhões de euros e será o maior investimento alguma vez realizado no concelho de Seia.
As expectativas dos habitantes da aldeia de Girabolhos em torno deste empreendimento revestem-se de um certo impacto. Esta investigação procurará auscultar junto da população quais os seus anseios e expectativas quer individuais quer colectivas.
Exerce funções como Técnica Superior no Ministério da Educação, em Lisboa.
É Licenciada em Sociologia, pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.
Obteve ainda um diploma de Pós-graduação em Administração e Políticas Públicas, no ISCTE.
É investigadora não remunerada, no CPES, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e tem realizado trabalhos de de investigação apresentados em congressos nacionais e internacionais, em parceria com outros colegas, sobre Populações afectadas pela construção de Barragens.
Interesse especial na área da Sociologia Rural e da Sociologia Urbana.