PAP0584 - A ciência em Belo Monte: controvérsia, expertise e Direito.
Belo Monte é um projeto que vem se estendendo desde o governo militar, para a construção de uma usina hidrelétrica no Rio Xingu, no Pará, o qual vem trazendo consigo como características a falta de transparência nas informações oficiais, decorrente de sua classificação como “empreendimento estratégico” para o desenvolvimento nacional, e a desordem nos processos de aprovação junto aos órgãos de governo. Os movimentos sociais e lideranças indígenas da região são contrários à obra porque consideram que os impactos socioambientais não estão suficientemente dimensionados. Entre muitas idas e vindas, a hidrelétrica de Belo Monte, considerada a maior e mais cara obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, vem sendo muito questionado, principalmente a partir de 2009, quando foi apresentado o novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) intensificando-se a partir de fevereiro de 2010, quando foi concedida a licença ambiental prévia para sua construção, pelo Ministério do Meio Ambiente. Em razão de toda a polêmica que a construção da hidrelétrica vem ocasionando, o Ministério Público Federal do Pará já ajuizou onze ações na justiça, visando questionar diversas irregularidades que cercam o projeto da obra, tendo por base um “Painel de Especialistas”, elaborado por cerca de trezentos cientistas das principais universidades brasileiras, o qual consiste em uma análise crítica do Estudo de Impacto Ambiental do aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte. O presente trabalho irá selecionar os experts mais citados e utilizados nas petições do MPF de acordo com a tabela de expertises proposta por Harry Collins, de modo a identificar que tipo de expertise esses atores possuem, de acordo com a tabela de expertises de Harry Collins, a qual especifica que existem expertises especializadas (como o conhecimento tácito ubíquo e o conhecimento tácito especializado), que são tipos de expertise que não advém de livros, mas de habilidades adquiridas ao longo da vida e adquirido por meio de práticas, bem como existem metaexpertises e metacritérios demandam um conhecimento mais aprofundado, geralmente acadêmico sobre determinado assunto. O presente trabalho busca, então, compreender e classificar dentro desses tipos de expertise quem são os atores que estão sendo ouvidos na polêmica de Belo Monte, ou seja, quem está produzindo a ciência que está movimentando os processos que culminarão no futuro de Belo Monte, bem como se esses atores realmente sabem do que estão falando.
- RODRIGUES, Luciana Rosa

Luciana Rosa Rodrigues é advogada e mestranda em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Maria – RS- Brasil. Formada em Direito pela mesma instituição em 2008, atuou como Assessora de Juiz de Direito entre 2008 e 2011, tendo atuado também como conciliadora e juíza leiga do Juizado Especial Cível da Comarca de São Sepé – RS- Brasil. No momento, a mestranda está dedicada ao estudo da sociologia do conhecimento, mais especificamente ao estudo da tradução da ciência pelo Direito, ou seja, como o Direito interpreta e utiliza informações técnicas e científicas em seus julgados. A autora teve trabalho aprovado para apresentação no 36º Encontro Anual da ANPOCS, que será realizado em Outubro de 2012.
PAP0583 - A interação entre Ciência e Arte vista pelos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia: análise de resultados e proposta de uma agenda de pesquisa
É fato que Ciência e Arte, entendidas como realizações tipicamente humanas, há muito fazem parte da história das civilizações. Ambas passaram por um longo processo até alcançarem sua institucionalização e, hoje, é possível reconhecer a particularização destes dois campos, cada qual orientado por um conjunto de referências teóricas e práticas, caracterizadas por controvérsias epistemológicas e conflitos internos. Deste modo, tanto a Ciência quanto a Arte podem ser consideradas como campos sociais visto que, segundo Pierre Bourdieu, em ambas reconhecemos a existência de atores sociais em permanente disputa, movimentando-se no sentido de acumular “capitais” (institucionais, científicos, artísticos). Estes agentes passam a internalizar disposições específicas (habitus) levando a formação das estruturas objetivas de cada campo. Todavia, a fronteira que demarca a separação entre os campos científico e artístico nem sempre foi delimitada. Em épocas como a Renascença, ainda que a Ciência e a Arte não estivessem institucionalizadas, os conhecimentos tidos como científicos e artísticos conviviam de maneira muito próxima. Na atualidade, com o advento das novas tecnologias, verificamos que a aproximação entre os dois campos tem se intensificado de maneira que é possível reconhecer diferentes níveis de interação, desde a apropriação de conceitos e técnicas por ambos os campos até a construção conjunta de conhecimento. O aumento do número de projetos voltados para divulgação científica que tem buscado na interação entre Ciência e Arte o fundamento de suas atividades demonstra esta hipótese. A partir do desenvolvimento de propostas interdisciplinares e transdisciplinares, tais projetos representam uma modificação na concepção estritamente disciplinar que justificava o afastamento entre Ciência e Arte. Dessa forma, pautado nos conceitos de campo social de Bourdieu e nos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia, o presente trabalho tem como principal objetivo a análise e discussão de projetos de divulgação científica desenvolvidos no Brasil, que tem como fundamento a fertilização cruzada entre estes dois campos sociais – Ciência e Arte. São analisados como as inscrições científicas (a exemplo de fotografias) são apresentados como objetos artísticos e como a linguagem artística é utilizada para representar a Ciência e seus artefatos. Ao final da análise, as autoras apresentam a proposição de uma agenda de pesquisa voltada para a investigação da interação entre Ciência e Arte.
- SANTOS, Rojanira Roque dos
- RIGOLIN, Camila Carneiro Dias
PAP1023 - Barreiras, discursos e recursos: o caso da reconstrução identitária das pessoas com lesão vertebro-medular
A ruptura existencial imposta pela experiência de uma lesão vertebro-medular obriga a um processo de reconfiguração pessoal e, consequentemente, a alterações significativas a nível identitário. Este processo de reconstrução identitária abarca diferentes dimensões, incluindo aspectos corporais, psico-sociais e culturais.
Tal como a literatura sociológica evidencia, a vida das pessoas com deficiência tem sido dominada pelo discurso biomédico, cuja influência neste processo de reconfiguração identitária é inegável. No caso das pessoas com lesão vertebro-medular, tal influência é ainda mais marcante tendo em conta as recorrentes complicações de saúde que reposicionam o lesionado vertebro-medular ciclicamente na posição de paciente, bem como o carácter súbito e traumático da lesão vertebro-medular que contribui para uma maior vulnerabilidade face ao poder biomédico, nomeadamente os serviços de reabilitação.
Contrariamente a outros contextos geográficos, no caso português a ausência de uma politização da questão da deficiência – capaz de oferecer discursos e recursos alternativos de construção identitária – e a consequente inexistência de uma identidade colectiva partilhada pelas pessoas com deficiência, aumenta a vulnerabilidade face ao poder biomédico. Neste contexto, o processo de reconstrução identitária torna-se refém da complexa rede de instituições, profissionais e poderes que domina a vida das pessoas com lesão vertebro-medular e que ignora por completo a importância das barreiras sociais na deficientização das pessoas com deficiência.
Esta apresentação, alicerçada no modelo social da deficiência, resulta do projecto actualmente em curso no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra – ‘Da lesão vertebro-medular à inclusão social: a deficiência enquanto desafio pessoal e sociopolítico’ – financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (PTDC/CS-SOC/102426/2008). Tendo por base um vasto conjunto de entrevistas biográficas, nesta comunicação apresentaremos o processo de reconfiguração identitária que se segue a uma lesão vertebro-medular traumática, identificaremos os factores chave neste processo e discutiremos o impacto a este nível da fraca politização das pessoas com deficiência em Portugal e da hegemonia do discurso biomédico.
- FONTES, Fernando
- MARTINS, Bruno Sena

- BERG, Aleksandra
- HESPANHA, Pedro

"Bruno Sena Martins é licenciado em Antropologia pela Universidade de
Coimbra e Doutorado em Sociologia pela mesma instituição. Sempre
enleado na questão das representações culturais, tem dedicado o seu
trabalho de investigação aos temas do corpo, deficiência e conflito
social.
Em 2006, publicou o livro 'E se Eu Fosse Cego: narrativas silenciadas
da deficiência', produto da sua dissertação de mestrado galardoada com
Prémio do Centro de Estudos Sociais para Jovens Cientistas Sociais de
Língua Oficial Portuguesa. Foi Research Fellow no Centre for
Disability for Disability Studies (CDS) na School of Sociology and
Social Policy da Universidade de Leeds, entre Abril e Junho de 2007.
Na sua tese de doutoramento - 'Lugares da Cegueira: Portugal e
Moçambique no Trânsito de Sentidos' - explorou as relações entre as
histórias de vida das pessoas cegas e os valores culturais dominantes
através dos quais a cegueira é pensada. Paralelamente, no contexto do
CES tem integrado a equipa de vários projectos de investigação que se
dedicam a temas como Guerra Colonial portuguesa e a inclusão social
das pessoas com deficiência."
Pedro Hespanha
Sociólogo. Professor da Faculdade de Economia de Coimbra e Membro Fundador do Centro de Estudos Sociais.
Coordenador do Programa de Mestrado “Políticas Locais e Descentralização".
Tem investigado e publicado nas áreas dos estudos rurais, políticas sociais, sociologia da medicina, pobreza e exclusão social
Coordena o Grupo de Estudos sobre Economia Solidária (ECOSOL/CES)
PAP0808 - Between reason and and literary imagination: travel literature and the rise of modern science in Brazil
The history of science in occidental world shows us a singular path. The rise of modern science – an empirical and experimental way of produce formal knowledge about the nature and culture – has specifics features according to the structure of society. We are talking about the existence of connections between science and society. Robert K. Merton and Joseph Ben-David, using a comprehensive approach, argue that the rise of modern science in the main European societies has special connections with the protestant ethics. In other words, the rise of modern science in Europe was directed linked with the “spirit of capitalism” and, consequently, associated with the process of “disenchantment of the world”. Thus, the legitimacy of science in society as an integral discourse resulted from its capacity to glorify the God’s faith, and this was possible because science was comprehended through the protestant ethic. The sociological elucidation of the pre-institutional moment of science, therefore, can reveal the process of transmission of a new kind of knowledge.
In this paper we try to show the connections between science, literature and pictorial arts (landscape paintings) as a way to comprehend the rise science in Brazil in the late 18th and in the first half of 19th. Without the protestant ethic element, the natural science in Brazil was disseminated through a special kind of literary genre: the scientific travel literature. The connection between modern science and literature substituted in Brazil the connection between science and religious. But, this type of social process reveals the rise of a specific kind of science. The narrative of scientific expeditions in 18th and 19th centuries was ordered by a singular methodological approach based on a descriptive procedure that mixed formal perceptions with subjective feelings. That type of science is called “romantic science” because it have a large personal substance – Alexander Humboldt, for instance, can be understood as a central reference of that kind of science. Romantic science was assimilated in Brazil through literary groups. These social groups diffused a literary type of science as a result of the structural organization of society in Brazil (colonial state with no class structure and no social competition). Finally, our goal in this paper is i) to show the main characteristics of the scientific travel literature; and ii) to describe the main characteristics of the Brazilian society between 18th and 19th century; and, finally, iii) we pretend to understand the connections between “fruition” and “reason” in the literary and science domains, that allowed the assimilation and the diffusion of a special type of a scientific thought in the pre-institutional science in Brazil.
- FETZ, Marcelo

- FERREIRA, Leila C.
Marcelo Fetz
Cientista Social, PhD em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Brasil) com estágio de doutoramento na The University of Mississippi (USA). Atualmente realiza pesquisas na área de Sociologia da Ciência, Sociologia do Conhecimento e Sociologia da Cultura, com especial interesse no envolvimento entre ciência, literatura e pintura de paisagem no pensamento científico presente na passagem do século XVIII para o XIX, naquilo que convencionou-se denominar por Segunda Revolução Científica. Desenvolve trabalhos na área de Teoria Social e Epistemologia da Ciência, com ênfase no processo de formação do pensamento científico e da Instituição Científica brasileira.
PAP1066 - Cidadania e acção colectiva: o caso do movimento de pessoas com deficiência em Portugal
A proliferação de conflitos sociais durante os anos 1960 resultante da acção de novos movimentos sociais teve como efeito uma expansão do modelo tripartido de cidadania (civil, política e social) tal como pressuposto por T. H. Marshall. A acção de novos movimentos sociais, como o movimento feminista, o movimento ecologista ou o movimento LGBT, deu origem a novas formas de cidadania, ao mesmo tempo que permitiu a incorporação de grupos sociais anteriormente excluídos do processo de cidadania. Entre os novos movimentos sociais conta-se o movimento de pessoas com deficiência.
Tal como acontece noutros contextos geográficos, o movimento de pessoas com deficiência em Portugal emerge apenas na década de 1970, uma realidade pós 25 de Abril de 1974. Não obstante existirem em Portugal organizações de pessoas com deficiência desde os anos 1920, a maioria destas organizações centravam-se em incapacidades específicas, não eram politizadas e eram dirigidas por pessoas sem deficiência. O 25 de Abril de 1974 permitiu, todavia, uma mudança significativa na acção colectiva na área da deficiência em Portugal. A emergência de novas organizações, a sua politização e a conquista do poder por parte das pessoas com deficiência nas organizações já existentes criou as bases para a construção do movimento de pessoas com deficiência no contexto nacional. Este movimento social tem sido responsável não só pela denúncia de processos de exclusão e opressão social, como também pela reivindicação de direitos de cidadania.
Tendo por base a investigação desenvolvida no âmbito da minha tese doutoramento recentemente concluída em Estudos de Deficiência, esta comunicação apresenta algumas das características mais marcantes deste movimento social, assim como as principais consequências da sua acção a nível político, social e cultural. Na última parte reflectir-se-á sobre o papel deste movimento social na construção da cidadania das pessoas com deficiência e no desafio das concepções dominantes de deficiência em Portugal.
- FONTES, Fernando
PAP1077 - Entre o “défice” e o “diálogo”: uma proposta de análise para diversas modalidades de promoção de cultura científica
Fruto dos processos de mudança em curso no domínio das ciências e da sua relação com outras esferas sociais, nos últimos anos tem vindo a registar-se uma crescente atenção à questão da promoção da cultura científica das populações. Tal é patente tanto no plano da reflexão teórico-analítica sobre os processos de educação científica e de comunicação pública da ciência, como no que toca ao desenvolvimento de acções específicas neste domínio (de que são exemplo múltiplos projectos de ensino experimental das ciências, exposições científicas, dias de “portas abertas” em laboratórios, colóquios dirigidos a audiências alargadas, cafés de ciência, entre outros).
Qualquer que seja o plano considerado, a noção de cultura científica tende a ser alvo de entendimentos bastante diversificados, como diversas são também as modalidades adoptadas no que respeita à sua promoção junto de públicos não especializados. Na bibliografia de referência é frequente encontrar-se alusão à oposição entre duas abordagens fundamentais: por um lado, o chamado “modelo do défice”, que grosso modo pressupõe a transmissão didáctica e discursiva de conhecimentos científicos, numa perspectiva internalista das ciências, em actividades dirigidas a públicos considerados como homogéneos e despojados de saberes relevantes; e, por outro, o que se pode designar como o “modelo do diálogo”, que apela a uma transformação de tais actividades (e da própria forma de entender a relação dos cidadãos com a ciência).
Tendo por base uma análise teórica aprofundada destes modelos e dos debates em torno de noções como literacia científica, compreensão pública da ciência ou diálogo entre ciência e sociedade, bem como a observação de várias acções concretas neste domínio, o que agora se apresenta é uma tipologia para análise deste tipo de actividades, particularmente atenta à diversidade dos seus enquadramentos e modos de concretização. Considera-se que esta pode constituir não só um instrumento relevante para a análise de intervenções públicas nesta área, como também suscitar o debate em torno da multiplicidade e eventual complementaridade das opções que podem estar aqui em causa (e que tendem a ficar algo obscurecidas quando se enuncia cada um daqueles dois modelos de forma agregada). De modo a ilustrar a operacionalização daquela tipologia são tomadas em consideração algumas das actividades desenvolvidas em Portugal no âmbito do programa Ciência Viva, nas suas várias vertentes.
- CONCEIÇÃO, Cristina Palma

Cristina Palma Conceição, investigadora no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, onde também leciona. É doutorada em Sociologia, interessando-se em particular por questões no domínio da sociologia da ciência e comunicação pública da ciência.
PAP0017 - O humano na contemporaneidade: a utopia do homem perfeito e as deficiências
Os progressos científicos, sobretudo os que
dizem respeito à revolução genética, trazem à
tona a preocupação com um possível mau uso
desta e de sua indiscriminada exploração
comercial, circunstância em que a liberdade
individual, anunciada como uma liberdade de
escolha sem precedentes, poderia estar ferindo
a dignidade e os direitos humanos, compondo um
novo cenário tão sombrio quanto os anteriores,
visto que a seleção e o descarte dos
incapazes, deficientes e ineficientes não se
dariam mais pela via do extermínio, mas pela
salvação dos eleitos, estes manipulados,
programados e legitimados por argumentos
científicos. Para tal análise apoio-me, em
grande parte em grande parte, em proposições
do paradigma semiótico, como caracterizado por
Ginzburg (1989), uma metodologia que valoriza
o pensamento conjetural, além de acolher o
ensaio como gênero de composição do trabalho.
Tomo por base especialmente publicações
acadêmicas em diálogo com a produção
cinematográfica intitulada Gattaca: a
experiência genética (1997). Abordo neste
entrelaçamento de produtos culturais, impactos
e dilemas relacionados às inovações
tecnológicas, em particular, as da engenharia
genética e sua relação com as deficiências, ao
problematizar a busca de melhorias da vida do
homem pautada por um discurso científico que
cada vez mais tende a almejar a ordenação das
diferenças em nosso mundo, fixando-as no
âmbito da norma e das diagnoses, com a
promessa ou a efetiva oferta de intervenções
que viabilizariam a cura ou a reparação de
imperfeições humanas, sobretudo nas
deficiências, cuja existência poderia ser
previamente eliminada.
- MOURA, Simone Moreira de

Simone Moreira de Moura
Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Mestre e
Doutora em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba. Atualmente
é docente na Universidade Estadual de Londrina, Departamento de Educação.
Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Especial. Os
temas a seguir aparecem com maior frequência nas ações, estudos e
publicações: Educação e Dversidade, Educação Inclusiva, Deficiências,
Eugenia e as Novas Tecnologias. Líder do Grupo de Pesquisa GEPEDETC (Grupo
de Estudos e Pesquisa em Educação, Deficiências e Tecnologias). Aprovada
para o Pós doutorado no Instituto de Psicologia da Universidade do Estado
de São Paulo (USP) com o tema: Eugenia e Deficiências.
PAP0387 - O que se diz quando se pensa em energia? Reflexões sobre o tema da energia a partir das representações dos jovens e dos professores de uma escola secundária
A crescente importância da temática da eficiência energética em edifícios, designadamente os de uso colectivo como são as escolas, através do aperfeiçoamento das práticas de conservação energética e da implementação de novas tecnologias, tem paulatinamente enfatizado o papel que a mudança de comportamentos associados ao uso e à conservação de energia detém na melhoria desta eficiência. Mas como contribuir para a alteração de comportamentos sem antes conhecer os sentidos e significados sociais atribuídos ao tema da energia? Considerando que este conhecimento é fulcral no âmbito da alteração de comportamentos, o presente estudo caracteriza as representações sociais da energia de dois grupos – alunos e professores de uma escola secundária – investigando as possíveis articulações entre essas representações e a forma como ambos os grupos se pronunciam acerca das práticas de uso e conservação de energia. Na concretização deste objectivo, recorre-se aos resultados de um inquérito por questionário sobre o uso de energia desenvolvido com alunos e professores de uma escola secundária de Lisboa recentemente intervencionada no âmbito de um programa de reabilitação (Parque Escolar) –, conforme foi desenvolvido no âmbito do projecto Net Zero Energy School - Reaching the Community (FCT-MIT Portugal). A primeira pergunta do questionário solicitava aos inquiridos que indicassem as primeiras três palavras que lhes vinham à ideia quando pensavam em energia. Enquanto a maioria dos alunos associa a palavra “energia” às energias renováveis e à luz, para os professores energia é sinónimo de ambiente e de sustentabilidade energética, de questões de natureza económica e de consumo de energia. Só nas categorias menos referidas pelos professores é que estes concordam com os alunos e consideram que a energia se refere às fontes renováveis e à luz eléctrica/electricidade. Tomando como central a primeira ideia avançada, e a partir da articulação destas com outras variáveis de análise, explora-se os aspectos centrais e periféricos das representações da energia na explicitação dos sentidos e significados atribuídos a energia e discutem-se as questões fundamentais a considerar no âmbito da mudança de comportamentos de uso e conservação de energia de uma dada comunidade escolar.
- MENEZES, Marluci

- REBELO, Margarida

- CAEIRO, Tiago
- SCHMIDT, Luísa

- HORTA, Ana

- CORREIA, Augusta
- FONSECA, Susana

Nome: Marluci Menezes
Afiliação Institucional: Núcleo de Ecologia Social (NESO) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)
Área de formação: Geografia / Antropologia
Interesses de Investigação: habitat, espaço público e qualidade de vida urbana, cultura, património e intervenção urbana, práticas e representações do espaço e de sustentabilidade.
Nome: Margarida Rebelo
Afiliação: Laboratório Nacional de Engenharia Civil
Área de formação: Doutoramento em Psicologia Social
Interesses de investigação: Dimensões psicológicas e socio-culturais dos
comportamentos de sustentabilidade ambiental, designadamente, dos
comportamentos de uso e conservação de água e de energia.
Luísa Schmidt
Socióloga investigadora principal do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, dedica-se actualmente a duas áreas de investigação principais: Sociologia da Comunicação e Sociologia do Ambiente, em que se doutorou. No ICS-UL coordena a Linha de Investigação 'Sustentabilidade: Ambiente, Risco e Espaço' e integra o Comité Científico do Programa Doutoral em "Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável". Faz parte da equipa de investigadores que criaram e montaram em 1996 o OBSERVA - Observatório de Ambiente e Sociedade que actualmente dirige, onde desenvolve vários projectos de investigação que articulam ciências sociais e ambiente.
Investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Membro da equipa de investigação do Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade. Doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura e Educação, licenciatura em Sociologia e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Actualmente participa em projectos de investigação sobre questões sociais relacionadas com energia, sustentabilidade e alimentação.
- Susana Maria Duarte Fonseca
- Doutoranda do ISCTE-IUL no Programa de Doutoramento em Sociologia a trabalhar no projecto: “O princípio da prevenção nas políticas de ambiente - o caso da eficiência energética”;
- Colabora em projectos de investigação na área da sociologia do Ambiente no ISCTE– UL (Projecto GISA - Gestão Integrada da Saúde e do Ambiente no Litoral Alentejano) e no ICS-UL (Net Zero Energy School – Reaching the Community e Consensos e controvérsias socio-técnicas sobre energias renováveis);
- Tem colaborado em vários projectos de investigação nas áreas da percepção de risco, representações sociais, movimentos sociais, energia, ambiente e saúde;
- Voluntária da Quercus, tendo sido membro da Direcção Nacional entre Março de 2003 e Dezembro de 2011.
PAP0232 - O “public engagement” nos actuais projectos desenvolvidos na área Ciência na Sociedade da União Europeia
O objectivo deste trabalho é apresentar os resultados de um primeiro estudo acerca do modo como o "engagement" é abordado nos projectos actualmente em curso financiados pelo 7º Programa-Quadro (FP7) da Comissão Europeia, na área Ciência na Sociedade (SIS). Em 2010, foram identificados dezasseis projectos voltados para a comunicação científica, em especial a participação pública na ciência, a partir da perspectiva do “engagement”. Após a selecção dos projectos em curso, os líderes dos projectos foram entrevistados por e-mail acerca dos seguintes temas: 1) o público a que se destinavam; 2) o significado de “engagement” na ciência; 3) por que o público deve envolver-se na ciência; 4) as técnicas utilizadas e que visam promover o “engagement” e 5) as expectativas em relação ao público. Os entrevistados tiveram que responder as questões a partir do projecto que coordenavam. Dos dezasseis líderes de projecto, nove responderam às perguntas. A partir das respostas, observou-se que, embora o modelo do “engagement” pareça estar disseminado entre os actuais projectos desenvolvidos na área Ciência na Sociedade, consoante o projecto, o “engagement” não tem o mesmo sentido e nem é necessariamente visto enquanto modelo de comunicação pública da ciência. De facto, o uso corrente do termo “engagement”, às vezes parece servir muito mais como recurso retórico do que propriamente referir-se a iniciativas comprometidas com um certo modelo de participação pública, visto como alternativo ao antigo modelo do défice. Num certo sentido, isto ratifica algumas afirmações de alguns autores sobre a maioria das iniciativas estabelecidas em torno da noção de engagement serem meras recriações da perspectiva do défice. A análise das respostas também considerou o modo como a ciência e o público são abordados, especialmente os valores e o que se espera da relação entre a ciência e o público. Para isso, utilizou-se como referência o Quadro Analítico dos Modelos de Comunicação Científica, de Brian Trench (2008).
- CARVALHO, Monica

Investigadora do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa (Porto)
Doutorada em Ciências da Comunicação pela Universidade federal do Rio de Janeiro
Interesses de investigação: Comunicação da ciência; comunicação da saúde; risco; ciência e público
PAP0313 - REPENSAR A SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO: DAS TEORIAS PRIMITIVISTAS AO TELEMÓVEL.
REPENSAR A SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO: DAS TEORIAS PRIMITIVISTAS AO TELEMÓVEL.
Carlos Ramos Aguirre
Sociólogo
Dr. Humanidades e Ccs. Sociais
Galiza - Espanha
RESUMO
A sociologia da religião vem configurándose desde o primeiro terço do século XIX como uma das subdisciplinas mais relevantes da ciência sociológica, embora nas últimas décadas tenha caído numa série de discussões estériles producindo-se uma debilitação desembocada em descrédito. A vitalidade amosada pelas religiões no mundo actual, fenómeno que algums denominam «resurgir da crença», invalida em grande medida o paradigma da secularização que tem sido até agora dominante na nossa disciplina.
A partir desta observação objectiva faze-se necessário elaborar um diagnóstico do estado presente da sociologia da religião e enfrentar uma reconfiguração da mesma a fim de poder dar resposta ás questões que ja está a erguer o século XXI. Entre as características que têm conformado a sociologia da religião tal como a conhecemos hoje em dia destacam duas que este trabalho considera principais. Em primeiro termo, o sucesso logrado pelas visões durkheimiana e weberiana do fenómeno social religioso. É dizer, o sucesso duma interpretação «sociologista» que pesa muito e afasta do interesse do sociólogo da religião outras interpretações de caste «psicologista» aportadas por autores valiosos como Herbert Spencer, William James, Edward B. Tylor, Vilfredo Pareto, Georg Simmel ou Bronislaw Malinowski. Em segundo termo, o feito de ter investido a nossa disciplina uma ingente quantidade de esforços investigadores e carreiras profissionais no único paradigma da secularização que, á fim, não tem obtido os resultados esperados. Outras características hão de se somar ás ja sinaladas, por exemplo, a conceição falaz que opõe conhecimento científico e religião, a desunião da antropologia e da sociologia da religião por motivos académicos e departamentais, ou o intrusismo de determinadas teologias de inspiração social.
Por outro lado, a necessária reconfiguração da sociologia da religião passa pela integração dos distintos paradigmas tradicionais e das novas perspectivas que é preciso incorporar e potenciar. Assim, o estudo do pluralismo religioso não constitue uma perspectiva estritamente nova, mas desde este trabalho defende-se a iportância capital que dito enfoque está chamado a ter na futura sociologia da religião, pois nunca como agora vivemos num mundo tão globalizado e amplamente interconetado. Mas a corrente anovadora da disciplina também deve adicionar perspectivas inéditas como é o caso da observação da religião na Internet -online religion- e nas novas tecnologias da informação e da comunicação, ou a consideração das relações entre cérebro e religião, o que ha de nos levar a um diálogo multidisciplinario com a ciência cognitiva da religião e a neurociência cognitiva.
- AGUIRRE, Carlos Ramos

O meu nome é Carlos Ramos Aguirre, após ter ocupado o posto de Coordenador da Cátedra das Três Religiões da Universidade das Ilhas Baleares (Espanha) entre os anos 2008 e 2011, na actualidade exerzo de sociólogo independente na Galiza. Sou Licenciado em Sociologia pela Univ. da Corunha e Doutor em Humanidades e Ciências Sociais pela Univ. das Ilhas Baleares. Os meus âmbitos de interesse são a sociologia da religião, a sociologia da literatura e o estudo da evolução humana.