PAP0191 - O turismo como via de engrandecimento para as cidades: Dilemas e estratégias de desenvolvimento de quatro cidades médias da Península Ibérica
Os discursos que vêm
sendo produzidos
sobre as cidades no
mundo ocidental
tenderam a perpetuar
a ideia de que as
cidades deveriam ser
coisas grandes,
independentemente de
serem
extraordinárias ou
terríveis na sua
grandeza. A
literatura produzida
pela sociologia
urbana concedeu
desde cedo primazia
a determinadas
geografias centrais
e privilegiadas do
ponto de vista
socioeconómico – a
grandes cidades
encaradas pelos
teóricos como os
casos mais
tipicamente urbanos
e, por isso, mais
representativos das
cidades de todo o
mundo. A assunção
desta possibilidade
de generalização a
outros contextos
implicou, por seu
turno, um
esquecimento
razoável das cidades
de pequena e média
dimensão. Nesta
comunicação
pretende-se,
justamente, discutir
um conjunto de
interrogações
teóricas sobre as
cidades que não são
grandes e as várias
formas como tais
conceptualizações
são diversamente
percetíveis nas
realidades físicas e
simbólicas destas
cidades.
Partindo de
investigação em
curso acerca do
papel do turismo na
(re)construção das
paisagens, das
imagens e da
identidade cultural
das cidades,
equaciono a pequenez
de tamanho por
comparação ao
engrandecimento que
algumas cidades
perseguem. Faço-o
por referência a uma
atividade específica
– o turismo – nas
suas componentes
económica, cultural
e simbólica, e com
recurso a situações
exemplares dos
contextos urbanos
português e espanhol
– onde, a uma escala
comparativa global,
existem sobretudo
pequenos aglomerados
urbanos.
Centrando a atenção
em cidades que estão
geralmente ausentes
da literatura
globalizada dos
estudos urbanos, e
considerando a
componente turística
de cada uma, discuto
os modos como
(re)inventam,
justificam ou
perseguem formas de
grandeza ou
pequenez. Defendendo
a hipótese de que o
turismo permite às
cidades alcançar uma
influência que
supera o seu tamanho
geográfico,
considero alguns
materiais de
promoção turística
que, descrevendo
cidades idealizadas
e apresentando-as de
forma atrativa, as
inscrevem em espaços
mais vastos,
enunciando formas de
engrandecimento e
valorização que as
colocam para além da
sua dimensão física
e material mais
imediata.
Procura-se assim
problematizar o
estatuto, as funções
e as possibilidades
que o fenómeno
turístico encerra em
cidades pequenas –
cidades que entre a
grandeza cosmopolita
das metrópoles e a
proximidade ao rural
mais localista,
enfrentam
constantemente
desafios e dilemas
entre a
possibilidade de
crescimento e a
conservação da sua
pequenez.
Carina Sousa Gomes
Investigadora do Centro de Estudos Sociais, integra o Núcleo de Estudos sobre Cidades, Culturas e Arquitetura. É licenciada em Sociologia, pela Universidade de Coimbra e mestre em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É doutoranda em Sociologia, no programa "Cidades e Culturas Urbanas", da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Os seus interesses atuais de investigação centram-se nas questões das cidades e seus centros históricos, turismo, imaginários turísticos urbanos, património e culturas urbanas.