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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1408 - O impacto das TIC no quotidiano juvenil: implicações para as dinâmicas de confiança, autonomia e identidade pessoal
Esta comunicação pretende apresentar os resultados de uma pesquisa feita no âmbito de uma tese de doutoramento em sociologia na qual se procura desmontar – em disposições e atitudes – as diversas práticas relacionadas com as TIC, entrelaçadas com as dinâmicas de sociabilidade, práticas identitárias e autonomia de adolescentes de classe média urbana e escolarizada. Pretende-se, pois, dar a conhecer os resultados do estudo que utilizou um dispositivo metodológico baseado numa série de entrevistas a jovens e um inquérito extensivo, por questionário.
As TIC, tornaram-se ferramentas predominantes para a coordenação da vida diária, para a actualização de si próprio e das relações sociais. O impacto do telemóvel no quotidiano juvenil, imprime novos ritmos e formas de comunicar. A sobrevalorização da contingencialidade das regras sociais exprime-se na coordenação das actividades diárias, a qual é negociada e alterada no momento, assumindo um carácter flexível e potenciando, ainda, aspectos da autonomia pessoal (Stald; Castells). Outra característica impactante nas disposições quotidianas dos jovens é a possibilidade de conectividade permanente, seja através de SMS’s, telefonemas ou da internet.
Alguns indícios recolhidos na pesquisa revelam uma preponderante necessidade de comunicação e actualização instantâneas. As consequências para a sociabilidade são imensas. Refira-se, por exemplo, a interrupção do fluxo normal de interacção em co-presença, ou a permeabilidade das próprias relações amorosas face aos riscos associados à privacidade ou a um acesso virtualmente ilimitado às redes sociais.
As implicações para a identidade pessoal tornam-se importantes se tivermos em conta o feedback social facilitado e instantâneo dos outros: se este for positivo, os ganhos para a confiança – um dos pilares da construção identitária – são integrados no mundo offline. Contudo, uma sobrevalorização do feedback poder minar a autonomia, evidenciando um conflito latente entre as escolhas pessoais e estilo de vida e a importância da aprovação instantânea – porque mais facilitada e mais rápida – das amizades virtuais ou reais. O risco aumenta com a conectividade permanente, que permite contornar a solidão.
Apesar de terem sido observadas diferentes atitudes perante o uso do telemóvel, sobressaem traços de dependência comunicacional e mesmo alguma compulsividade onde, por exemplo, as chamadas e SMS’s assumem uma função fática – manter a comunicação como o principal objectivo, em detrimento do conteúdo. O telemóvel torna-se, assim, um meio de suporte instantâneo e presença emocional (Stald) actuando como um “substituto” da confiança (Giddens).
O quotidiano juvenil actual parece, assim, ser pautado por complexas dinâmicas de confiança e de reciprocidade, sendo que esta parece assumir um carácter mais imediatista (contingencial) em detrimento de um ethos coerente ao nível dos valores.
- FERREIRA, Nuno

Nuno Ferreira: licenciado em Sociologia pelo ISCTE-IUL. Presentemente
a terminar o
doutoramento em Sociologia pela mesma instituição. Tem como interesses de
pesquisa as metodologias de investigação, a identidade pessoal, os processos
educativos e juventude. Assistente convidado na ESECS - Instituto
Politécnico de Leiria.
PAP0301 - Reconfigurações organizacionais, organizações em rede e o papel da confiança
A procura crescente de flexibilidade tem
favorecido as formas de cooperação entre
empresas e, consequentemente, a sua
organização em rede.
As configurações organizacionais em rede
indiciam novos modelos de relacionamento entre
empresas, os quais integram várias estruturas
organizacionais com diferentes lógicas de
funcionamento.
No contexto das redes empresariais, as
relações de cooperação e de subcontratação
assumem contornos mais ou menos vantajosos
para as empresas, em função do papel que estas
ocupam na rede, ou seja, da divisão do
trabalho entre empresas. As empresas
subcontratantes – que detêm o trabalho
qualificado e tecnológico – têm oportunidade
de desenvolver a especialização, aumentar a
flexibilidade, concentrar recursos nas
actividades cruciais e aceder ao mercado
externo, por exemplo. As empresas
subcontratadas – que detêm o trabalho
desqualificado e manual – ganham
possibilidades de aprendizagem em vários
domínios (e.g. gestão, tecnológico), mas
também sofrem algumas desvantagens:
participação nas redes como uma condição de
sobrevivência, imposições de exclusividade,
perda de contacto directo com o mercado, fraco
poder de negociação e dependência da empresa
subcontratante, entre outros.
Nesta comunicação propomo-nos analisar o
modelo de relacionamento numa rede de
empresas, com especial atenção para o grau de
dependência das empresas subcontratadas
relativamente à empresa subcontratante e para
o papel que a confiança desempenha na dinâmica
relacional entre os elementos da rede.
Para a caracterização do modelo de
relacionamento da rede consideraram-se os
seguintes indicadores: duração da relação,
formas de contratualização, grau de
dependência, valores dominantes e vantagens da
cooperação. No que concerne à confiança, a
análise do discurso dos empresários permitiu
identificar aquilo que consideram ser os
principais suportes da confiança: preço,
qualidade, cumprimento de prazos, proximidade
geográfica, cliente final e relações informais.
Analisam-se os aspectos formais (definidos nos
contratos comerciais) e informais (baseados na
confiança) do funcionamento da rede.
Os resultados apresentados derivam de um
estudo de caso sobre uma rede formada por seis
empresas localizada no sul de Portugal. A
recolha de dados fez-se essencialmente com
base em entrevistas (aos dirigentes das
empresas) e questionários (aos trabalhadores).
- SERRANO, Maria Manuel

- NETO, Paulo

Maria Manuel Serrano é Doutorada em Sociologia Económica e das Organizações e Mestre em Sistemas Socio-Organizacionais da Atividade Económica, pelo ISEG/UTL e Licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora.
É investigadora do SOCIUS – Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações do ISEG/UTL .
É Professora Auxiliar no Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e Diretora do 1.º Ciclo de Estudos em Sociologia desta Universidade, desde 2009.
É autora de diversas publicações científicas na área da Sociologia Económica e das Organizações.
Paulo Neto é Professor na Universidade de Évora, Departamento de Economia, tem Doutoramento e Agregação em Economia, e é autor de vários artigos e livros científicos publicados em Portugal e no estrangeiro. Foi Pró-Reitor para o Planeamento Estratégico e Director do Departamento de Economia desta Universidade, onde também coordenou vários cursos de licenciatura, pós-graduação e mestrado. É investigador colaborador do Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão e Economia da Universidade de Évora (CEFAGE-UE) e do Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações da Universidade do Algarve (CIEO-UALG).
PAP0416 - Valores culturais e confiança nas instituições em Portugal e países de expressão lusófona
Título: Em quem confiamos? Valores culturais e confiança nas instituições: uma investigação comparada entre países da CPLP
Autor: Paulo Finuras
Sociólogo
Doutorando ULHT
A comunicação apresenta os resultados de uma investigação internacional comparada, realizada em quatro países de expressão lusófona (Angola, Cabo Verde, Moçambique e Portugal) no âmbito de um doutoramento em Ciência Política.
Os seus objetivos foram, i) caracterizar o perfil de valores culturais dos países nas 7 dimensões de Hofstede, ii) medir o grau de confiança institucional e, iii) identificar qual a relação entre os valores culturais e o nível de confiança nas instituições. Utilizou-se o VSM08 de Hofstede para a caracterização das culturas nacionais e concebeu-se uma Escala de Confiança nas Instituições que foi aplicada, em simultâneo às mesmas amostras de respondentes em cada país.
Utilizou-se uma metodologia de análise extensiva recorrendo a métodos qualitativos e quantitativos, incluindo a colocação de hipóteses e o estudo do seu comportamento bem como a análise fatorial e regressão linear simples. A análise dos resultados revela que, a orientação coletiva dos cidadãos portugueses se aproxima dos cidadãos dos três países africanos em seis das sete dimensões de valores das respetivas culturas nacionais. Não obstante, verificaram-se diferenças significativas em vários sentidos e intensidades.
Entre as descobertas efetuadas, verificou-se, no caso de Portugal, um padrão de tendência para uma maior confiança nas instituições que oferecem segurança e proteção (nomeada e especificamente os Bombeiros, Forças Armadas, Médicos e Segurança Social) e dois tipos de correlações: uma positiva entre IDV e Cf nas instituições e outra negativa entre a classe etária e a confiança institucional. Os resultados globais obtidos com esta investigação internacional vão, no sentido de outras investigações anteriores que predizem uma influência entre o nível de confiança institucional e alguns dos valores culturais. Concluiu-se também, sem muitas ambiguidades, que a Confiança é um fenómeno muito complexo e multidimensional que para ser cabalmente estudado e compreendido deve ser encarado como um fenómeno social total.
- FINURAS, Paulo

Paulo Finuras
Sociólogo
Doutorando ULHT