PAP0653 - Análise tipológica baseada em conjuntos difusos: uma ilustração empírica
O objetivo deste estudo é ilustrar empiricamente uma análise tipológica baseada em conjuntos difusos e, através disso, mostrar a sua potencialidade como instrumento de avaliação em ciências sociais. Análise tipológica, também referida como análise em agrupamentos, tem que ver com a agregação de objetos, cada um avaliado por um certo número de atributos. Contrariamente aos métodos tradicionais de agregação, a diferença aqui reside no facto de os objetos poderem partilhar parcialmente mais do que um agrupamento ao mesmo tempo, um apanágio da teoria dos conjuntos difusos. O modelo estatístico que sustenta a aplicação é conhecido pelo acrónimo GoM, que significa Grade of Membership.
Em traços gerais, este modelo tem como pressuposto que a população em estudo se encontra estruturada numa partição difusa constituída por K conjuntos difusos. Quer dizer, cada objeto é representado nessa estrutura por um vetor de K coordenadas não negativas e de soma unitária. Cada coordenada desse vetor representa o grau de pertença do objeto ao respetivo conjunto difuso. O modelo GoM permite estimar os vetores individuais e também as tipologias associadas a cada um dos K conjuntos difusos da partição. O valor de K é desconhecido, devendo ser fixado antes da aplicação do modelo, o que encerra alguma dificuldade. Esta metodologia é particularmente ajustada à análise das competências, uma vez que cada indivíduo representa um vector de conhecimentos e capacidades, que configura o seu perfil de competências. Todavia, a composição singular dessas componentes da competência não é conhecida a priori. Neste estudo, usámos dados relativos à avaliação das competências de uma amostra de empregados bancários em Portugal. Cada trabalhador bancário foi avaliado por um supervisor em diversas dimensões da competência, numa escala de Likert, com 5 níveis.
A aplicação sucessiva do modelo GoM, fazendo variar o valor de K de 2 a 5, mostrou que a partição baseada em K=4 conjuntos difusos é a que melhor se ajusta aos dados observados. Quer isto dizer que no setor bancário distinguem-se essencialmente quatro perfis de competências. Os resultados obtidos revelaram uma partição hierárquica de competências, e a distribuição particular dos trabalhadores bancários nessa estrutura permitiu adicionalmente ordená-los por competência. Esta possibilidade de uma análise individualizada torna apelativa a utilização de um tal modelo em problemas de classificação nas ciências sociais.