Ficha Técnica:
Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt
Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com
ISBN: 978-989-97981-0-6
Depósito legal: 281456/08
Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader
©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1305 - O PAPEL DOS VALORES FAMILIARES NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR E NA CONSTRUÇÃO DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS GERADOS
Embora o predomínio das relações mercantis tenha afetado todas as esferas da vida social, as transformações em curso, em particular na agricultura familiar, não dissolvem outras relações sociais geradoras de lógicas diferenciadas. O estado de saber, aprender e fazer dos agricultores familiares passa, em muitos casos, a ser fundamental na concretização de novas atividades. É o caso da agroindustrialização, em que uma arte secular de transformação que existia na lógica de reprodução dos agricultores de subsistência passou a ser aprimorada e desenvolvida com um olhar além da família, objetivando espaços nos mercados. Dessa forma o intuito desta análise e verificar qual o papel dos valores familiares e dos meios de vida no processo de criação e consolidação da agroindústria familiar do Oeste do Estado do Paraná no Brasil. O que se observou com a pesquisa foi que o modo como as famílias se organizam e estabelecem relações entre seus membros e destes com a sociedade varia de acordo com as culturas e as épocas históricas. A família desempenha a função de agente integrador das relações sociais que se desenvolvem no interior das redes sociais e traz consigo toda a complexidade da realidade camponesa herdada pelos agricultores familiares, em que a lógica da atividade agrícola é um valor mais importante que a produção, indissociável, neste caso, da “propriedade-posse-agroindustrialização”. As relações familiares (seja na esfera do parentesco, seja na da produção – relações de reciprocidade, proximidade, generosidade) incluem um ideal, de pensamento ou de representação, que informa as atitudes e os comportamentos que permeiam as agroindústrias familiares. Assim, o modo de vida das famílias demonstram o sentido de suas ações e relações. Importante também para compreender que as relações de construção de mercados da agroindústria é que as famílias possuem uma capacidade de modificar-se face aos contextos, mas não perde completamente sua essência, valores e lógicas.
- LUA, Elizangela Mara Carvalheiro

Elizângela Mara Carvalheiro
Professora Adjunta da Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA (Rio Grande do Sul-Brasil). Economista, mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio e Doutora em Desenvolvimento Rural. Temas recentes estudados se relacionam com: a sociologia econômica na esfera que tange a construção social de mercados para agroindústrias familiares do Brasil, a economia criativa focando a relação entre o turismo e a cultura. Email: elizangelamara@hotmail.com
PAP0870 - Pluralidade, mudança e produção de valor na edição de livros: notas sobre a edificação social da cultura impressa
O mundo social do
livro não
corresponde ao mundo
do objecto, mas ao
das práticas e dos
agentes que o
viabilizam enquanto
tal. A afirmação de
semelhante truísmo
torna-se, por vezes,
necessária para que
se não perca de
vista uma das
características
centrais desse
mundo: o de que a
edição é um trabalho
de produção de
valor. O esforço de
materialização de um
livro é também o da
infusão de benefício
simbólico, sem o
qual o objecto
físico se perde
enquanto objecto de
desejo, factor de
aval de conteúdos ou
elemento de alarde
identitário. Em
matéria de livros e
de outros produtos
culturais, o fabrico
do bem palpável pode
estar destituído
simbolicamente, se
desacompanhado da
produção de valor
impalpável do
objecto fabricado. A
realização de um
livro é muito mais
que uma origem
autoral primordial;
é também o resultado
editorial e livreiro
da sua
instituição social
como obra conhecida
e reconhecida pelos
seus receptores
finais. O
conhecimento e
reconhecimento
radicam na convicção
dos seus
usufrutuários finais
no valor intrínseco
da obra. Muito mais
do que elemento
reduzido à
reificação do texto,
o editor produz a
crença no valor que
este adquire como
livro. E esse é, sob
vários aspectos, o
seu poder simbólico
de prescrição: o “de
constituir o dado
pela enunciação, de
fazer ver e fazer
crer, de confirmar
ou de transformar a
visão do mundo e,
deste modo, a acção
sobre o mundo,
portanto o mundo”. O
editor vê-se, então,
investido
objectivamente de um
papel também
veiculado
discursivamente como
ideologia do sector:
o de descobridor, o
de criador do
criador; preenchendo
um lugar central
enquanto peça
charneira no jogo
dinâmico entre a
cultura literária, a
emergência,
desenvolvimento e
declínio de géneros,
temas e autores, as
transformações do
mercado do livro e
as mudanças
tecnológicas que o
próprio objecto
traduz.
Personagem-filtro,
intérprete, mas
também interventor,
prescrevendo,
legitimando e
ordenando o universo
tipográfico, o
editor surge como
figura múltipla e
socialmente
investida de
atributos e práticas
mediadoras na sua
relação com o dado
textual. Produtor de
valor e
materialidade, o
editor inscreve o
projecto do livro
num espaço social
colaborativo de
trabalho, o campo da
edição. A presente
proposta de
comunicação procura
sistematizar
teoricamente alguns
tópicos relativos à
articulação do
editor com a
construção social do
campo editorial e a
edificação da
cultura impressa.
Empreender
semelhante
exploração é abdicar
forçosamente de uma
visão linear,
unidimensional e
historicamente
asséptica do mundo
social e cultural do
livro, cuja
morfologia e
suportes conhecem
crescentemente os
desafios da
desmaterialização.
- MEDEIROS, Nuno

Nuno Medeiros é investigador no CesNova - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa e na Númena - Centro de Investigação em Ciências Sociais e Humanas. Sociólogo e mestre em sociologia histórica, encontra-se a terminar a redacção de tese de doutoramento em Sociologia Histórica da Cultura. É professor da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa do Instituto Politécnico de Lisboa. Os seus actuais interesses de investigação centram-se na sociologia e história do livro, da edição, da leitura e da livraria, e na sociologia e história da alimentação. Em 2010 publicou Edição e editores: o mundo do livro em Portugal, 1940-1970 (Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais).
PAP0057 - Reconfiguração da ciência em tempo de crise: entre o conhecimento aplicado e o desenvolvimento tecnológico
O actual cenário económico-social impõe novas
pressões à criação de conhecimento, bem como à
sua gestão e aplicação produtiva. As
organizações que querem sobreviver nos tempos
futuros, não têm apenas que criar, mas sim
criar com valor acrescentado; e disseminar
esse valor para a envolvente. Universidades,
empresas e estado já não podem continuar a
viver em separado; isto, se querem manter uma
sociedade em desenvolvimento. Assim, a ciência
passa também pela necessidade de uma urgente
reconfiguração. Se não quer cristalizar entre
as suas “paredes laboratoriais” tem ir ao
encontro das problemáticas emergentes. O
presente trabalho apresenta os resultados que
advêm desta nova realidade.
Adoptou-se a perspectiva da construção social
da inovação, sob os contributos de Berger e
Luckmann (1967), e do grupo MIRP (Minnesota
Innovation Research Program - Van de Ven et
al, 2000; 1999; 1993; 1990, 1986), sobre a
gestão da inovação. Em paralelo, são
apresentadas práticas de gestão da inovação
portuguesas, que evidenciam a importância do
conhecimento aplicado e do desenvolvimento
tecnológico, numa lógica de tripla-hélice,
como estratégia de competitividade. Estas
práticas servem, também, como reflexão para
uma nova reconfiguração, na interacção entre
os vários actores sociais. O desenvolvimento
científico, neste novo cenário, passa, assim,
por ultrapassar fronteiras, integrando o
conhecimento aplicado e o desenvolvimento
tecnológico ao serviço de uma sociedade,
também em reconfiguração.
Por fim, entre os dados empíricos e as
reflexões teóricas, o trabalho discute a
necessidade de cooperar e competir em rede. A
inovação assenta no esforço de construir redes
onde se promova o desenvolvimento de
transacções e relações, com pessoas
suficientemente envolvidas nas suas ideias,
conduzindo à sua aceitação e legitimação (Tidd
et al., 1997).
- PITEIRA, M. Margarida

Informação Biográfica de Margarida Piteira
Licenciada em Sociologia pela Universidade Autónoma de Lisboa; Mestre em Comportamento Organizacional pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada; e Doutorada em Sociologia Económica e das Organizações pelo Instituto Superior de Economia e Gestão/Universidade Técnica de Lisboa.
É atualmente investigadora do SOCIUS – Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações/Instituto Superior de Economia e Gestão/Universidade Técnica de Lisboa. Em paralelo, tem vindo a lecionar em várias universidades portuguesas, sendo, no presente momento, coordenadora do Curso de Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos (ISLA de Santarém).
A investigação desenvolvida tem-se orientado para as áreas de Gestão de Recursos Humanos e Inovação; Mudança e Desenvolvimento Organizacional; e para a perspetiva da Construção Social e dos Estudos de Caso.