PAP0793 -
Esta comunicação tem como fito apresentar resultados parciais de uma investigação de doutoramento em curso sobre os públicos e práticas de consumo de uma modalidade alternativa de consumo, o Comércio Justo.
A emergência do capitalismo industrial favoreceu o surgimento de um consumo massificado. Com o surgimento da globalização, esta homogeneização do consumo deu lugar ao culto do indivíduo, sustentado na procura de singularidade, presente no consumo de bens diferenciados, revestidos de simbolismo, e potenciadores de individualização e distinção. Esta nova modalidade de fruição, eminentemente individualizada, opera todo um significativo conjunto de alterações e reconfigurações sociais. Surgem novos padrões e novas formas de consumo, dos quais destacamos os consumos verdes, associados ao consumo sustentável, ao consumo responsável, à alimentação vegetariana, vegan e macrobiótica, e ao consumo de produtos de agricultura biológica. O Comércio Justo emerge neste segmento alternativo de consumo. Define-se como um movimento social que visa promover o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida dos pequenos produtores dos países do hemisfério Sul.
É nosso intuito avaliar o potencial do Comércio Justo enquanto acção de subversão das lógicas hegemónicas de distribuição, e perceber se o acto de compra surge, ou não, dissociado dos movimentos de contestação aos desequilíbrios gerados pelo mercado convencional, seguindo critérios mercantilistas tradicionais.
Pretendemos, igualmente, cogitar sobre a emergência de valores ligados ao consumo na pós-modernidade, e enquadrar as práticas de consumo alternativas nas sociedades actuais, bem como detectar a existência de valorização simbólica neste sistema comercial: os artigos são bens simbólicos, dotados de significação, ou somente mera mercadoria? Quais são as razões e motivações para a compra nos espaços simbólicos corporizados das lojas de Comércio Justo? Quais os significados que revestem essa acção: será este um consumo de “sentidos”, de simbologias, e não tanto de objectos materiais?
Estas são algumas das questões a que procuraremos dar resposta.
- COELHO, Sandra Lima

Nome: Sandra Lima Coelho
Sandra Lima Coelho, licenciada em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e mestre em Desenvolvimento e Inserção Social pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Investigadora integrada no Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Os principais interesses de investigação desenrolam-se em torno da Sociologia da Cultura, Sociologia do Consumo e Sociologia dos Movimentos Sociais, áreas em que se enquadram as mais recentes pesquisas e publicações.
Doutoranda em Sociologia, com área de especialização em Desigualdades, Cultura e Território, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a desenvolver a tese “O Comércio Justo: públicos e práticas de consumo de uma modalidade comercial alternativa”, projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH / BD / 48838 / 2008).
PAP0940 - A variabilidade das práticas alimentares das famílias com crianças em Portugal
No período anterior à institucionalização da democracia em Portugal, a alimentação era uma dimensão da vida social fundamentalmente a cargo das famílias e, em alguns casos, do assistencialismo proveniente de organizações de carácter filantrópico. Com o surgimento do Estado Social, ela passou a estar fortemente mediada pelo Estado, especialmente nas famílias com menos recursos económicos. Mais tarde, com a modernização do Estado, o mercado passou a ter um impacto crescente na vida das populações e, particularmente, na alimentação dos indivíduos. Nos últimos anos, assistiu-se em Portugal, a um conjunto de tendências de modernização do tecido social que, embora assimétricas, conduziram, entre outros, à consolidação da sociedade de consumo. A alimentação está por isso sujeita a uma rede mais abrangente e complexa de interdependências. Importa compreender, neste contexto de múltiplas combinações de recursos e possibilidades de acção, o papel de intermediação destas esferas de sociabilidade na estruturação das práticas alimentares. Ainda assim, a família permanece uma instituição central no processo pedagógico-cultural e, particularmente, na produção das identidades alimentares das crianças e dos cônjuges. Este trabalho presta especial atenção à importância que as interacções domésticas têm na estruturação dos hábitos alimentares dos elementos das famílias com crianças. A partir de uma abordagem compreensiva das negociações envolvidas na produção de culturas alimentares familiares e, numa leitura co-dependente de um conjunto de interferências como o Estado (alimentação escolar), as sociabilidades infanto-juvenis, as culturas familiares, a territorialidade, a exposição ao mercado (media) e a as classes sociais, vou procurar desenvolver um modelo conceptual que permita identificar dinâmicas familiares determinantes na alimentação.
- TEIXEIRA, José

José Pedro Teixeira, licenciado em Sociologia no ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa) em 2010, está actualmente está a terminar o mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de informação na mesma instituição e é bolseiro de investigação no ICS –UL (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) desde 2011 no âmbito do projecto “FCT (2011-2014) (PTDC/CS-SOC/111214/2009): “Entre a Escola e a Família: conhecimentos e práticas alimentares das crianças em idade escolar”. Os seus interesses de investigação são a sociologia do consumo, sociologia da alimentação e das desigualdades sociais.
PAP0917 - Alimentação, Austeridade e Criatividade: consumo e cidadania nas cantinas escolares
Em Portugal, a alimentação escolar desempenha um forte papel no acesso ao consumo alimentar e na atenuação dos impactos da pobreza. Muitas vezes, crianças e jovens tem acesso à única refeição quente do dia através deste importante sistema de provisão. Para além disso, esta refeição é juridicamente contornada por critérios de qualidade, segurança, higiene alimentar e nutrição. Porém, este sistema de provisão, sustentado numa forte presença do Estado Social, encontra-se fragilizado na sequencia da crise financeira despoletada em 2008 e, mais concretamente, pelas atuais políticas de austeridade e de reconfiguração institucional e administrativa do sector público. Questões como o aumento do IVA nas refeições escolares, dívidas aos fornecedores, cortes na despesa e estruturas orgânicas do Estado ameaçam a eficácia e abrangência deste sistema. Este último visa, por um lado, contribuir para a segurança alimentar dos mais carenciados e, por outro, para a adequação dos hábitos alimentares da população juvenil aos critérios biomédicos regidos pelos discursos da saúde e da nutrição. Embora a crise venha acentuar as assimetrias no acesso ao consumo alimentar, já conduziu a processos de inovação nos modos de aprovisionamento alimentar. É o caso de algumas cantinas que permanecem abertas durante todo o período lectivo. Situações como esta, em que se evidencia o papel determinante de certos agentes sociais na produção de inclusão social, e por isso mesmo, manifestando alguns elementos de uma cidadania ativa, conduzem-nos à análise de processos criativos diversificados para colmatar a ação fragilizada do Estado. Por recurso a um conjunto de entrevistas realizadas a agentes institucionais determinantes nestes processos (câmaras municipais, escolas, entre outros) procurámos compreender o papel da criatividade e da cidadania na flexibilização institucional em algumas escolas da região de Lisboa. Para tal, partimos do modelo dos modos de provisão de Warde (2002) para explorar os circuitos múltiplos de acesso ao consumo alimentar das populações escolares mais vulneráveis.
- TEIXEIRA, José

- TRUNINGER, Mónica

- HORTA, Ana

- SILVA, Vanda

- ALEXANDRE, Sílvia

José Pedro Teixeira, licenciado em Sociologia no ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa) em 2010, está actualmente está a terminar o mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de informação na mesma instituição e é bolseiro de investigação no ICS –UL (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) desde 2011 no âmbito do projecto “FCT (2011-2014) (PTDC/CS-SOC/111214/2009): “Entre a Escola e a Família: conhecimentos e práticas alimentares das crianças em idade escolar”. Os seus interesses de investigação são a sociologia do consumo, sociologia da alimentação e das desigualdades sociais.
Mónica Truninger, socióloga, integrou o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) em 2008 como investigadora auxiliar. Tem uma Licenciatura em Sociologia pelo ISCTE (1996), trabalhou como assistente de investigação no Observa entre 1997 e 2001 em vários projectos sobre ambiente e sociedade. Em 2001 vai para Inglaterra onde fez o seu doutoramento em Sociologia na Universidade de Manchester. A tese intitulada Organic Food in Portugal: Conventions and Justifications tratou o consumo e o mercado dos produtos de agricultura biológica em Portugal, particularmente na cidade de Lisboa. Entre 2005 e 2008 integrou uma equipa interdisciplinar das Universidades de Bangor (País de Gales) e de Surrey (Inglaterra) como investigadora de pós-doutoramento. Antes do regresso a Portugal, passou ainda pela Universidade de Cardiff (País de Gales) onde foi assistente de investigação num projecto comparativo entre o Reino Unido e Itália sobre ementas escolares e sustentabilidade. Em 2010 publicou o livro O Campo Vem à Cidade – Agricultura Biológica, Mercado e Consumo Sustentável, editado pela Imprensa de Ciências Sociais. E em 2012 publicará o livro em co-autoria com Mara Miele intitulado Children, Food and Nature: linking the plate and the planet through school meals (Ashgate). Tem publicado artigos em revistas internacionais como: Journal of Consumer Culture; Food Trends in Science and Technology; International Journal of Agricultural Resources, Ecology and Governance e International Journal of Life Cycle Assessment.
Investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Membro da equipa de investigação do Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade. Doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura e Educação, licenciatura em Sociologia e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Actualmente participa em projectos de investigação sobre questões sociais relacionadas com energia, sustentabilidade e alimentação.
Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1995), mestrado em Educação (2000) e doutorado em Ciências Sociais (2005) pela UNICAMP. Atualmente é investigadora Pós-doc da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) no CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia)-ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa); pesquisadora colaboradora do CERES (Centro de Estudos Rurais-UNICAMP, Brasil) e membro da equipa de editores da RURIS, a revista deste mesmo centro. Tem experiência na área de Ciências Sociais, Antropologia, com ênfase em Antropologia rural; vem trabalhando e colaborando com vários pesquisadores, tanto em Portugal como no Brasil. Os temas das pesquisas são os seguintes: sexualidades, jovens, gênero, ruralidades, educação, alimentação, mobilidades, imagens.
Sílvia Alexandre é Investigadora de pós-doutoramento no SOCIUS - ISEG/UTL com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Doutorada em Gestão (Especialidade em Organização e Desenvolvimento dos Recursos Humanos) pelo ISCTE e Mestre em Sistemas Socio-organizacionais da Atividade Económica pelo ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão). Atualmente está a desenvolver trabalhos na área do consumo sustentável, da publicidade e da alimentação.
PAP1447 - As crianças e suas múltiplas práticas de consumo
O tema do consumo na sociedade contemporânea tornou-se um objeto de investigação e ação mais abrangentes. Nossas sociedades se caracterizam pelo consumo de bens e serviços. Entretanto, esse consumo não pode ser avaliado e analisado apenas a partir da ótica da produção desses bens e serviços que serão consumidos. A ampliação da problematização da questão do consumo não se deu apenas a partir da ampliação da importância dos aspectos simbólicos nela envolvidos. Limitada antes ao universo dos indivíduos com algum poder aquisitivo, o eixo da discussão passou a se deslocar também na direção dos adolescentes e das crianças. Assiste-se, assim, a uma transformação no status da criança também no universo do consumo. Antes considerada como um futuro consumidor, que deve ser preparado e cativado para ser fiel a determinados padrões e marcas de produtos, a criança passa a ser vista como um agente que já está apto a consumir esses produtos, independente de não possuir meios materiais que lhe possibilitem o consumo. Ela é reconhecida como consumidora de fato, na medida em que interfere e até mesmo direciona o consumo das unidades domésticas. Nos últimos tempos tem sido crescente a atenção para o público infanto-juvenil em diferentes aspectos, dentre eles o consumo. O objetivo da pesquisa é refletir sobre como as condições da cultura de consumo permeiam o comportamento de consumo de crianças e de adolescentes e se evidenciam no cotidiano escolar. Apesar de não restar dúvida sobre o caráter de transmissão de valores culturais desempenhado pela TV, devemos sempre nos lembrar que ela não atua sobre um público totalmente passivo. Esses valores sofrem uma releitura não sendo assimilados de maneira mecânica. Também se deve considerar que os valores apresentados pela publicidade não são os únicos presentes na sociedade. Embora seja inegável que as crianças cada vez mais estejam envolvidas com produtos industrializados e globalmente distribuídos, isso não as impede de fazer outros usos desses artefatos. Os sujeitos da pesquisa têm mostrado o quanto ressignificavam o que aprendem na TV, revelando-se como sujeitos criativos e não apenas consumidores compulsivos. Eles nos permitiram percebê-los como pertencentes a um mundo cada vez mais tecnológico, freqüentemente, nos mostraram como lidavam com as diferentes tecnologias, fazendo conexões e relações entre elas e ressignificando o que vêem na TV, no computador, no celular, por exemplo. Pensando nas ações das crianças, durante a realização da pesquisa, foi importante perceber a maneira como agem “[...] diante de uma produção racionalizada, expansionista, centralizada, espetacular e barulhenta [...]” (CERTEAU, 2004, p.94), gerando um tipo totalmente diverso do consumo, que tem como característica suas astúcias e sua invisibilidade na maneira de usar o que lhe é oferecido sedutoramente. E são essas práticas que estamos investigando.
- FREITAS, Patrícia Oliveira de

Patrícia Oliveira de Freitas é atualmente professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo realizado estágio doutoral em sociologia da infância, na UMINHO, sob orientação do prof Dr Manuel Jacinto Sarmento. Tem experiência na área de estudos do consumo, com interesse de investigação nos seguintes temas: educação financeira, comportamento do consumidor, publicidade e consumo e práticas de consumo de crianças e adolescentes. E na área de educação, tem interesse pelas questões relacionadas à infância, ao consumo e as novas tecnologias.
PAP1261 - As diferenças de género no consumo de automóveis premium em Portugal: uma perspectiva sociológica
O automóvel privado desempenha um papel de
relevo nas sociedades ocidentais
contemporâneas e tem sido um indicador
clássico de status na sociologia do consumo e
no marketing.
Os trabalhos sobre consumo automóvel de
Sheller (2003) e Shove (1998) remetem-nos para
a importância do indivíduo e das suas
escolhas. Porém, os dados estatísticos em
Portugal sobre o consumo de automóveis do
segmento premium, mostram que a afirmação
individual não é um critério relevante. Além
disso, confirmam a existência de diferenças
significativas por géneros no que toca à
preferência de cada marca, parecendo reforçar
o que Mohammadian (2004) verificou quanto à
existência de diferenças nas motivações de
compra de automóveis por parte indivíduos do
género masculino e feminino.
Este trabalho tem por objecto o consumo de
automóveis do segmento premium em dois
períodos, 2003 e 2009, em Portugal. A escolha
deste segmento prende-se com a forte carga
simbólica e identitária de cada uma das marcas
que o compõem, conferindo ao automóvel um
estatuto que ultrapassa largamente o conceito
de meio de transporte.
Pretendemos identificar os factores
sociológicos que enformam as decisões de
consumo de automóveis premium em Portugal,
verificar se há critérios de escolha
distintivos entre o género masculino e
feminino e observar se estes registaram uma
evolução significativa no intervalo de 6 anos.
Com o intuito de caracterizar a realidade
sociológica da população em estudo, bem como
as vendas e a posse de automóveis, recorremos
à análise quantitativa de várias fontes, entre
outras o principal estudo realizado em
Portugal sobre o consumo automóvel. Foram
ainda aprofundadas as motivações de compra
através da aplicação de um inquérito a homens
e mulheres, proprietários de automóveis das
marcas seleccionadas.
Os resultados deste estudo revelam uma menor
proporção de mulheres proprietárias de
automóveis de marcas premium, tendo-se
registado, inclusive, uma variação negativa
nesta proporção entre 2003 e 2009.
Nos critérios de escolha confirmam-se as
conclusões de estudos efectuados anteriormente
noutras geografias, sobre a maior
racionalidade das mulheres, traduzida na
valorização dos aspectos relacionados com a
fiabilidade, segurança e economia em
detrimento das variáveis hedonísticas e
estatutárias, próprias do género masculino
(Mohammadian, 2004; Mitchell & Walsh, 2004).
- RODRIGUES, Paulo

- CORREIA, Ana
Paulo Farias Rodrigues, Consultor e Partner da Visão Maior Consultores, Lda.
Consultor e Formador nas Áreas Comportamental, Gestão Estratégica, Comercial e de Marketing.
Licenciado em Marketing, Publicidade e Relações Públicas (ISLA-Lisboa) e Mestrando em Comunicação Social, na variante de Comunicação Estratégica (ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa).
Iniciou recentemente a sua carreira académica com as funções de docência na ESCS (Escola Superior de Comunicação Social – Lisboa), no ISEG (Universidade Técnica de Lisboa) e no ISLA (Instituto Superior de Línguas e Administração) em programas de Formação Avançada.
Possui cerca de 20 de anos de experiência de gestão em várias empresas multinacionais do sector farmacêutico, tendo desempenhado funções de responsabilidade crescente nos cargos de Director de Marketing, Director de Vendas e Director-Geral.
Tem artigos publicados na Revista “Marketing Farmacêutico”.
PAP1237 - Consumo cultural do cinema: práticas de exibições itinerante e em praças
Desde seu nascedouro o cinema tem a marca inelutável da transformação, mas da origem até a atualidade ocorreram muitas mudanças no modo de consumir essa grande arte. A seara da produção, distribuição e exibição cinematográfica serve de lente de análise do cenário mundial, onde a tônica assenta-se na distribuição de produtos das corporações transnacionais de entretenimento e informação. Nesse contexto, a cultura passa ser vista como área estratégica de investimento, tornando-se, por isso, cada vez mais forte, os debates em torno das questões referentes às políticas culturais. No cenário brasileiro destaca-se alguns aspectos importantes, quais sejam: número reduzido de salas de cinema, (nos bairros e nas cidades de médio/pequeno portes) em que a produção nacional não dispõe de um amplo espaço para ser exibida; a preponderância norte-americana nos processos de exibição de filmes; as mudanças nos modos de consumo do cinema. Diante desse quadro, medidas do Governo brasileiro vem sendo tomadas para consolidar um plano de desenvolvimento, no qual se insere a cultura como setor estratégico, em especial o audiovisual. Explicita-se, igualmente, a compreensão do cinema como meio de difusão de valores, como forma de expressão, capaz de modelar a identidade cultural. Nesse sentido, ações pertinentes às políticas culturais, são implementadas com o intuito de possibilitar aos brasileiros o acesso ao conhecimento acerca do cinema nacional e às salas de exibição. O que vem possibilitando a conformação de diversas práticas (cineclubes, aumento de festivais e das produções de filmes, projetos de exibição em espaços sociais como universidades e praças). No rastro dessas considerações, surge o presente trabalho que consiste em analisar a prática social de exibição da arte cinematográfica, tendo como ponto de investigação os projetos de apresentação de cinema itinerantes e em praças públicas, que atualmente pululam em todo o país.
- SILVA, Alzilene Ferreira da
PAP0084 - Consumo de drogas, tratamento e reinserção
Os consumos e
dependências de
drogas são um
fenómeno transversal
a qualquer
sociedade, tanto no
tempo como no espaço
(Escohotado, 2004).
Uma das
singularidades deste
fenómeno nas
sociedades
ocidentais
contemporâneas
consiste na
possibilidade de
abandonar estes
consumos e
dependências com
recurso a ajudas
formais, de entre
uma pluralidade
delas, as
comunidades
terapêuticas.
As comunidades
terapêuticas têm
origem no Reino
Unido, datam da
década de 40 do
século passado,
tendo-se tornado
populares nos EUA a
partir de meados dos
anos 50. As actuais
comunidades
terapêuticas
resultam de um
desenvolvimento dos
grupos informais de
auto-ajuda criados
por
ex-toxicodependentes
que foram
incorporando no seu
staff especialistas
– médicos,
psicólogos,
psiquiatras, etc.
(Leon, 2000).
A presente
comunicação
apresenta dados de
um projeto de
investigação mais
abrangente que tem
como objetivo
estudar as
trajectórias sociais
de
ex-toxicodependentes
após alta clínica
numa comunidade
terapêutica.
A nível metodológico
a comunicação
congrega dados
provenientes de duas
fontes de
informação: em
primeiro lugar, os
processos clínicos
dos utentes que
completaram o
processo terapêutico
entre os anos de
1999 e 2009 na
Comunidade
Terapêutica Quinta
das Lapas da
Associação Dianova;
em segundo lugar, um
inquérito por
questionário
aplicado
telefonicamente a
ex-utentes desta
comunidade
terapêutica entre
Setembro e Dezembro
de 2010.
A comunicação que se
apresenta tem como
objectivos:
1) Efectuar uma
comparação da
situação social
destes ex-utentes,
em dois momentos no
tempo – à entrada do
tratamento e na
atualidade – tendo
por base os
indicadores de
caracterização
social, bem como a
sua situação perante
os consumos;
2) Identificar
estratégias e
agentes chave no
processo de
reintegração
vivenciado pelos
sujeitos.
- HENRIQUES, Susana

- CANDEIAS, Pedro

Nome:
Susana Henriques
Habilitações académicas/profissionais:
Doutorada em Sociologia, especialidade me Sociologia da Educação, da Comunicação e da Cultura. Professora Auxiliar do Departamento de Educação e Ensino a Distância da Universidade Aberta, responsável por UCs de 1º, 2º e 3º ciclos. Investigadora no CIES-IUL e no LE@D-UAb, na área da educação, lideranças, literacias e das competências pessoais e sociais, bem como na área da comunicação.
Morada:
UAb – DEED
Campus do Taguspark
Edifício Inovação I
Av. Dr. Jacques Delors
2740-122 Porto Salvo, Oeiras
E-mail:
susanah@uab.pt; susana_alexandra_henriques@iscte.pt
Tel.:
213916300
Pedro Candeias. Licenciado em Sociologia no ISCTE em 2008, mestrando em Sociologia na mesma instituição. Assistente de investigação no CIES-IUL (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia - Instituto Universitário de Lisboa) desde 2009. Principais áreas de investigação: migrações, tolerância social e reinserção social.
PAP0183 - Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico
Neste artigo, explora-se a importância do contexto socioeconómico para as práticas de consumo e poupança das crianças. O estudo das desigualdades e do consumo tem prestado pouca atenção à infância e à educação para o consumo. Esta investigação tem por objectivo comparar as representações e os comportamentos de crianças, pais e encarregados de educação de estratos sociais diferentes, identificando oportunidades educativas que promovam a literacia financeira e a inclusão social. Para tal, recorre-se a uma pesquisa quali-quantitativa centrada em 245 crianças das escolas básicas da Penha de França, em Lisboa, e dos Salesianos do Estoril. Os resultados apontam para diferenças relevantes por escola e contexto socioeconómico dos agregados, levando-nos a reflectir sobre os contributos de Goldthorpe e Lockwood, por exemplo, acerca da mentalidade das classes no que toca ao gasto, ao investimento, ao planeamento do futuro e ao adiamento da gratificação.
- RIBEIRO, Raquel Barbosa

Raquel Barbosa Ribeiro é Doutora em Ciências Sociais, na especialidade de Sociologia, pelo ISCSP-UTL, onde lecciona desde 1998. É professora auxiliar e investigadora no CAPP – Centro de Administração e Políticas Públicas, integra a equipa de coordenação da Secção Temática Classes e Desigualdades da Associação Portuguesa de Sociologia e é membro da ESA Consumption Research Network. Os seus principais interesses de pesquisa incidem sobre o consumo, as classes sociais e a poupança. A sua produção sobre o consumo inclui: “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos” (2011, Causa das Regras), “Sociologia do Consumo” (2010, ISCSP-UTL); “Children spend, children save” (10th ESA Conference, 8 de Setembro de 2011, Genève, Suíça), “The impact of economic downturn on “distinctive” consumption choices” (ESA Consumption Research Network Interim Meeting, 27 de Agosto de 2010, Tartu, Estónia); “Consumption and contemporary distinction”, (9th European Sociological Association Conference, 5 de Setembro de 2009, Lisboa); “O consumo: uma perspectiva sociológica” (VI Congresso Português de Sociologia, 26 de Junho de 2008, Lisboa).
PAP0252 - Consumo verde: práticas quotidianas e preocupações ambientais dos estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa
As acções humanas têm sérias implicações negativas sobre os ecossistemas. Já há vários anos que a comunidade científica alerta para o facto de que a produção e consumo de bens e serviços são a grande causa dos problemas ambientais e que urge uma mudança de atitude.
Dada a dimensão dos problemas ambientais e sociais que o consumo tem trazido e o aumento do acesso à informação sobre os mesmos, muitos consumidores começaram a preocupar-se com esses aspectos e a mudar os seus hábitos de consumo, numa tentativa de proteger o ambiente. Nasceu, assim, o consumo verde, ou seja, um consumo que se preocupa fundamentalmente com a protecção ambiental.
Para além de ter um elevado poder de compra, a população juvenil representa o grupo de consumidores do futuro e, portanto, é importante perceber que ideias orientam as suas práticas. Assim, procurámos apreender os hábitos de consumo que pautam o quotidiano dos estudantes universitários face às suas preocupações de índole ambiental.
No âmbito do projecto de investigação Making Science Work in Society (Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Strathclyde, Glasgow), que visa conhecer as atitudes pró-ambientais dos estudantes do ensino superior, foi aplicado um inquérito que partiu da adaptação da escala NEP (New Ecological Paradigm, Dunlap et al., 2000) em associação com questões relacionadas com padrões de consumo verde, gaps de comportamento pró-ambiental, ligação ao campus universitário e felicidade.
Esta comunicação incidirá e reflectirá sobre os principais resultados desse mesmo inquérito, no sentido de perceber se existe ou não uma tendência para o consumo verde, por parte dos estudantes da FCSH – UNL.
- RIBEIRO, Salomé Cosme

Salomé Ribeiro
Licenciada em Sociologia, pelo ISCTE, trabalhou em Educação e Formação de Adultos nos últimos 4 anos. No passado, trabalhou com Organizações Não Governamentais de Desenvolvimento e de Ambiente, nomeadamente como investigadora, formadora e coordenadora de projectos. Frequenta actualmente o 1º ano do doutoramento em Ecologia Humana, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH-UNL), em Lisboa. Os seus interesses de investigação prendem-se com sociologia do consumo e sociologia do ambiente.
Votos de continuação de bom trabalho,
PAP0977 - Consumos, Identidades e Processos de Diferenciação Social no Parque das Nações
Na cultura de consumo que também tem caracterizado a sociedade portuguesa nas últimas décadas, o valor de uso dos objectos é suplantado pelo seu valor de significação. Os objectos entram na mesma lógica identitária e estetizante que envolve as práticas quotidianas e os espaços onde elas acontecem, sendo manipulados pelos consumidores com vista a marcar posições sociais e a compor estilos de vida. Estilos de vida que tanto podem ser entendidos enquanto formas padronizadas de estabelecer identificações sociais através dos significados dos objectos consumidos, como de retratar as opções que formalizam as negociações das identidades pessoais.
Tendo por base esta articulação de postulados teóricos pretende-se nesta comunicação demonstrar como é que o consumo se pode traduzir em formas complexas de composição identitária e de representação social, com repercussões directas ao nível dos valores e modos de vida. Para tal será apresentado um caso de estudo centrado nos residentes do Parque das Nações e nos seus hábitos de consumo.
É amplamente reconhecido que o consumo de praticamente todo o tipo de bens deixou de estar sujeito à simples satisfação de necessidades para funcionar, entre outros aspectos, como uma espécie de negociação de identidades, valores e imagens, sublinhando-se a sua capacidade de expressão e comunicação. Acontece que esta capacidade também participa na inevitável categorização da realidade e na consequente diferenciação social.
Tendo como ponto de partida o consumo do espaço habitacional, o percurso desta comunicação em direcção a escalas de análise mais finas sobre hábitos de consumo e práticas de vida quotidiana visa demonstrar não só a existência de diferentes sentidos e relações com o consumo dentro de um estilo de vida aparentemente único, como também a importância das estratégias de diferenciação social na construção e recomposição de identidades, valores e modos de vida.
- GATO, Maria Assunção

Maria Assunção Gato
Afiliação institucional: DINÂMIA'CET-ISCTE/IUL
área de formação: doutoramento em Antropologia Cultural e Social
principais interesses de investigação: recomposições sociais, consumos e estilos de vida, modos de vida em espaço urbano
PAP1019 - DISCUTINDO O CONSUMO E A CULTURA INFANTIL CONTEMPORÂNEA
A relação entre infância e mídia se reconfigura
em função de processos históricos, econômicos e
culturais que jamais podem ser dissociados do
fenômeno da cultura do consumo. O trabalho tem
como objetivo problematizar as representações
da estreita relação do consumo e a criança
contemporânea. A análise partiu das chamadas de
anúncios publicitários e comerciais, tendo como
questão norteadora a representação do universo
infantil na mídia. Tomando contribuições de
Zigmunt Bauman, Nestor Garcia Canclini e
Beatriz Sarlo, o texto procura trazer elementos
que possam potencializar a problematização das
relações entre cultura infantil contemporânea e
consumo. O texto resulta de pesquisa
qualitativa que, em termos metodológicos, foi
desenvolvida com base em duas abordagens
técnicas: 1) análise de dois conjuntos de
anúncios publicitários veiculados na mídia
brasileira onde a infância esteja representada:
o primeiro voltado para o público infantil e o
segundo para o público adulto; 2) oficinas de
Educação e Consumo desenvolvidas em uma escola
pública. Este trabalho procura trazer ao centro
do debate acadêmico as relações entre infância
e cultura do consumo. A obesidade, a anorexia,
a pedofilia e a erotização precoce fazem parte
da rotina das crianças e são pautas recorrentes
quando o assunto é infância e consumo na mídia
brasileira. Ao mesmo tempo, no atual contexto
em que vivemos, são inúmeros os argumentos e
evidências para afirmar que o consumo infantil
pode ser considerado a grande “descoberta
mercadológica”. É neste sentido que este texto
aposta na pertinência de problematizar a
pedagogia do consumo que nos educa de
diferentes formas para olhar, compreender e
naturalizar o universo infantil. Quando o tema
é a criança estamos lidando com narrativas
culturais que nos interpelam e nos fazem crer
em certezas naturalizadas como únicas e
universais. Vivemos um tempo em que a criança
aparece de forma multifacetada na mídia nossa
de cada dia, onde os pequenos aprendem nas
propagandas que o mundo é daqueles que tem o
poder e sabem chegar antes e que as meninas
precisam saber seduzir desde a mais tenra
idade. Talvez com tais discussões seja possível
estabelecer uma nova relação entre os campos da
Comunicação, da Educação e da Sociologia,
buscando os contornos de um debate sobre
consumo e cultura infantil.
- SCHMIDT, Saraí Patrícia

Saraí Patrícia Schmidt possui Doutorado (2006) e Mestrado (1999) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Graduada em Comunicação Social (1991) é Professora Titular da Universidade Feevale, docente do Mestrado Acadêmico em Processos e Manifestações Culturais e coordenadora do projeto de extensão Nosso Bairro em Pauta na mesma instituição. Tem experiência como pesquisadora nas áreas de Comunicação e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: juventude, infância e consumo.
PAP1358 - Dimensão sociológica do processo de decisão de compra de bens de grande envolvimento: automóveis de gama média-alta
No processo de
(re)construção das
identidades, no
contexto de uma
sociedade de consumo
e de consumidores,
os actores sociais
consomem os objectos
enquanto signos
diferenciadores,
através dos quais
mobilizam a
expressão de uma
posição social, de
status ou a
expressão de um
estilo de vida.
Sem perder de vista
a importância de que
se revestem os
lugares de classe
referenciais na
subjectividade dos
actores, damos conta
da existência de uma
classe burguesa,
cujas práticas de
consumo são
passíveis de
revelar,
ostensivamente, os
respectivos lugares
de classe de
pertença.
Surge, deste modo,
uma classe de bens,
cujo consumo
representa a
assumpção de um
conjunto de signos
enquanto símbolos de
sucesso de pertença
classista distintiva
e, em última
análise, de
mobilidade
ascendente
consolidada ou em
processo de
consolidação.
Genericamente, os
bens de grande
envolvimento e
particularmente os
bens de luxo, são
exemplo disso.
É precisamente sobre
este tipo de bens
que, no âmbito de
uma investigação
doutoral em curso,
procuramos dar
resposta à questão:
“Qual o papel
desempenhado pelo
contexto de
socialização dos
indivíduos no
processo de decisão
de compra de bens de
grande
envolvimento?”. Para
dar corpo e
concretizar esta
questão, elegemos a
aquisição de
automóveis de gama
média-alta como
objecto de estudo,
realizada entre os
anos 2005 e 2010.
O objecto de estudo
circunscreveu-se aos
detentores de
Mercedes Classe E,
Audi modelo A6 e BMW
Série 5. Foram
escolhidas estas
marcas/modelos, não
só por essas marcas
serem consideradas
“marcas premium”, de
acordo com as
entrevistas
exploratórias
realizadas nos
diferentes pontos de
venda, mas também,
porque esses modelos
representam
proporções
significativas nas
vendas deste
segmento, variando
de 79% até 88%, no
período em estudo.
O interesse em
estudar o processo
de decisão de compra
de automóveis de
gama média-alta
inscreve-se num
quadro que pretende
averiguar de que
forma essa posse
funciona como fonte
de prestígio para o
proprietário, dentro
de uma lógica de
representações
simbólicas e dos
correspondentes
lugares de classe,
enquanto
manifestação de um
capital, não só
económico mas também
cultural, social e
simbólico, e
enquanto
manifestação de um
conjunto de
disposições
incorporadas.
- SILVA, Rui Almeida e

Nome: Rui Manuel Silva
Afiliação Institucional: Instituto de Sociologia - Departamento de Sociologia, Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Área de Formação: Gestão de Marketing
Interesses de Investigação: Sociologia do Consumo; Classes Sociais; Mobilidade Social
PAP1353 - Espaços semipúblicos de bebidas e de bebidas e/ou restauração: plano de ação e percurso metodológico subjacente à seleção de plataformas empíricas
Qualquer trabalho de natureza científica exige considerável clarificação quanto aos processos adoptados para o implementar, tendo em vista o tipo de outputs que, em termos de respostas, se pretendem alcançar.
A comunicação que nos propomos apresentar resultou de um trabalho de investigação decorrido em espaços semipúblicos portuenses associados ao vinho, tendo contado com um conjunto articulado de múltiplas estratégias metodológicas com vista a um maior conhecimento da realidade em estudo. Tentar conhecer a realidade passa, precisamente, por um processo de construção dessa mesma realidade, à qual não é alheia nem a perspectiva de abordagem nem a prática acional adotadas. Assim, esteve presente um traçado metodológico tão rigoroso quanto a própria pesquisa o permitiu.
Nesse sentido, para evitar arbitrariedades e garantir o rigor sociológico exigido pela ciência, elaborámos, meticulosamente, um plano de ação e um percurso metodológico conducentes à seleção de plataformas empíricas para recolha de informação.
Nesta comunicação propomo-nos, por conseguinte, apresentar o processo de construção da amostra de espaços semipúblicos associados a consumos vínicos, incidindo particularmente em três etapas: i) delimitação do universo no espaço geográfico circunscrito ao estudo; ii) construção de uma tipologia dos estabelecimentos inseridos nos Centros Históricos do Porto e de Vila Nova de Gaia; iii) seleção das plataformas de observação empírica para um estudo focalizado nos consumos vínicos.
- MAGALHÃES, Dulce Maria da Graça

Nome, - Dulce Maria da Graça Magalhães
afiliação institucional - Faculdade de Letras da Universidade doPorto
área de formação - Sociologia
interesses de investigação - Sociologia das classes sociais, sociologia da Educação e sociologia do consumo
PAP1142 - O CONSUMO CULTURAL NA INFÂNCIA COMO UM APRENDIZADO PARA A FORMAÇÃO DE CIDADÃOS
Investir em conquistar a preferência das
crianças é investir no futuro. Garantir que
elas tenham afeição por uma marca, desejo e
identificação por determinado produto é
certamente um dos objetivos de negócios de
grande parte das empresas que atuam no mercado
mundial, ainda que elas não tenham produtos
exclusivamente desenhados aos pequenos
consumidores. Esse cenário é recente, o
reconhecimento das crianças como público
consumidor, que teve início na década de 1980,
foi o primeiro passo para que elas fossem
incluídas em diversas discussões, como a
Convenção Internacional dos Direitos da
Criança, estabelecida pela ONU, em 1989
reforçou a importância de incluir esse público
nos debates sociais e também nos que se
referiam ao consumo e às mídias.
A relação entre consumo das crianças e a
formação de futuros cidadãos parece uma
proposta intrigante e por isso mesmo passível
de ser estudada. Nestor Garcia Canclini, afirma
que o consumo é que define como um indivíduo se
integra à e se diferencia na sociedade e, a
partir dele, cria e organiza novas identidades
culturais. O espaço na esfera política está
cada vez mais restrito, ou menos atrativo, aos
cidadãos, que têm suas escolhas cada vez mais
favorecidas no ambiente do mercado (2006),
quando se trata das crianças então, essa
possibilidade de atuação político-social é mais
distante e a do mercado favorecida. Como,
então, aprender com o exercício de uma atuação
participativa no campo do consumo para gerar
experiência e aprendizado para uma postura
atuante no campo social e político? Isso é
possível e, como em todos os aprendizados,
quanto mais cedo acontecer, mais natural será,
como ensina a sociologia do gosto, de Pierre
Bourdieu (1999).
O objetivo desse artigo é investigar como o
consumo de um produto cultural por parte das
crianças tem a possibilidade de incentivar o
engajamento delas em causas voltadas ao
coletivo, e conseqüentemente a formação de
futuros cidadãos. Para isso foi estudado um
produto cultural que esteve disponivel no
mercado brasileiro em dois momentos diferentes,
na década de 1970 e posteriormente em 2000.
Esse produto é uma revista infantil cujo nome é
Recreio que se propoe a divertir e isntruir
seus leitores com uma abordagem diferenciada.
Porém, após as análises é possivel identificar
que utiliza o mesmo formato do mercado
editorial destinado aos adultos.
- CORREIA, Ligia Stella Baptista

Ligia Stella Baptista Correia
Mestre em Ciências Sociais: antropologia pela PUC-SP (2010). Especialista em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (2002). Bacharel em Comunicação Social: Publicidade e propaganda - habilitação Marketing pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2000). Áreas de pesquisa infância, mídia e educação, cultura e indústria cultural, práticas de consumo e consumo cultural.Atua no mercado de bens de consumo há 15 anos, dos quais a maior parte na área de marketing com foco em consumo infantil e conhecimento do consumidor.
PAP0395 - O Consumo Cultural nos Museus Virtuais: O caso do Museu virtual da Rádio e Televisão de Portugal (RTP)
Nas últimas décadas tem-se vindo a observar profundas transformações nos mais diversos contextos, dando origem a novas dimensões culturais. As mudanças de paradigma são o resultado da crescente globalização e interdependência internacional nos finais do século XX. Desta forma, é fundamental implementar novas e criativas soluções no sector cultural, como o recurso às novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Neste sentido, a presente investigação, pretende desconstruir o impacto das mesmas nas instituições culturais, concretamente no caso dos museus, que se deparam com mudanças paradigmáticas ao nível conceptual, impulsionando a emergência de novas tendências de consumo e acessibilidade, nomeadamente através da sua virtualização. Surge assim uma nova concepção do espaço museológico, como forma de ultrapassar as dificuldades de comunicação com o seu consumidor, única e exclusivamente associada à virtualização do seu espaço físico - museu virtual - que se caracteriza pela divulgação de “informações mais detalhadas sobre o seu acervo e, muitas vezes, através de visitas virtuais” (Oliveira e Silva). O museu virtual é ainda caracterizado por Deloche (2001) como um museu ubíquo, sem fronteiras, e como “um espaço paralelo e complementar que privilegia a medição da relação do utilizador com o património” (Oliveira e Silva: 7).
O Museu da RTP é um exemplo desta mudança no contexto museológico português, notando-se um investimento e esforço por parte da instituição em adaptar–se às tendências do consumidor contemporâneo. É de salientar que esta instituição é de carácter estatal, pelo que enfatiza a valorização de reorganização do sector cultural por parte do Estado português, no sentido de actualizar e dinamizar as suas instituições. Em suma, esta investigação centra-se na virtualização do Museu da RTP, procurando identificar as motivações que levam o público a aceder (ou não) a esta plataforma e de que forma esta mudança conceptual contribui para o desenvolvimento do consumo cultural no contexto museológico português.
- ALVES, Sofia Branquinho

- ALVES, Tânia Patrícia Lima
Sofia Branquinho Alves, Research Analyst na Sonae Sierra, Portugal. Licenciada em Comunicação Social – especialização em Comunicação Cultural (ESE- Instituto Politécnico de Setúbal) e Mestranda em Comunicação Social – especialização em Comunicação Estratégica (ISCSP – Universidade Técnica de Lisboa). Iniciou o seu percurso como estagiária na AYR - Consulting, empresa de consultoria na área da inovação estratégica (tendências & consumer research), onde também desempenhou funções de Coolhunting. Colaborou na edição do livro “Tendências e Gestão da Inovação” e publicou um artigo na área do consumo: “Museu Virtual da RTP”. Em 2011, começou a estagiar no departamento de Market Intelligence, da empresa Sonae Sierra (Portugal), onde desempenhou funções na área do Market Research, Competitive Intelligence & Scouting. Em 2012, integrou a equipa de Data Analysis & Reporting, no mesmo departamento, onde exerce atualmente funções.
PAP0062 - O consumo da ficção nacional na televisão portuguesa: uma análise crítica
O contexto português na última década, no que se refere à produção de ficção audiovisual, tem sofrido profundas convulsões, bem patente sobretudo no domínio quantitativo desta, a ser exibida em regime “prime-time” nas principais cadeias televisivas generalistas portuguesas, como são os casos da RTP e SIC, mas sobretudo da TVI, com uma forte aposta neste tipo de produção própria. Ora, partindo do pressuposto estatisticamente observável, de que é a televisão, o principal meio de acesso a informação, bem como a bens de consumo cultural da população portuguesa, em claro detrimento de outros mecanismos, como o teatro ou o cinema, pretende-se desenvolver uma análise crítica a partir do paradigma marxista na pessoa do seu fundador Karl Marx, bem como desenvolvimentos posteriores mormente oriundos da designada escola de Frankfürt, como Walter Benjamin, tal como esforços teóricos contemporâneos, como é o caso de Pierre Bourdieu. Para tal, concebemos como unidade de análise o conjunto das três séries de novelas a exibi actualmente na TVI entre as 21h20 e as 00h30, num período compreendido entre 6 e 10 Fevereiro (apenas dias úteis). Tendo como objectivo a apreensão de representações sociais, assim como formas sub-reptícias de exercício do poder e de dominação a partir de uma determinada ideologia, optámos no plano metodológico, pela aplicação da análise de conteúdo a partir de uma grelha previamente concebida, em que se ensaiarão a operacionalização de diversas dimensões e seus respectivos indicadores, de forma a promover a maior e melhor sistematização da análise que se pretende realizar.
- SOUSA, João

- MORAIS, Ricardo

João Carlos Sousa - Licenciado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. É Bolseiro de Investigação do projecto “Agenda dos Cidadãos: jornalismo e participação cívica nos media Portugueses” no Laboratório de Comunicação Online. As suas áreas de interesse na investigação estão centradas na sociologia da juventude, política e religião.
Ricardo Morais - Investigador de Doutoramento em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior. Nesta mesma Universidade tirou a licenciatura em Ciências da Comunicação e o Mestrado em Jornalismo: Imprensa, Rádio e Televisão. Desenvolve a sua investigação na análise das diferentes dimensões das oportunidades de participação oferecidas aos cidadãos pelos novos media. É Bolseiro de Investigação do projecto “Agenda dos Cidadãos: jornalismo e participação cívica nos media Portugueses” no Laboratório de Comunicação Online.
PAP0309 - O duplo consumo do deus: a inserção da festa da Semana Santa no contexto do mercado turístico na cidade de São João del Rei, Minas Gerais
A Semana Santa se inscreve no ano litúrgico do catolicismo romano, que tem como marcadores os eventos da vida de Jesus Cristo, do seu nascimento à sua morte, culminando em sua ressurreição. Contudo, dizer que essa festa se institui a partir do mito cristão da morte e da ressurreição de Jesus, guarda uma questão seminal que funda a sua prática, ou seja, o próprio sacrifício do deus que padece para salvar a humanidade. O sacrifício de Cristo é, então, a base do culto e dos festejos da Semana Santa.
A abnegação de Cristo pela humanidade [diga-se cristã] faz com que esta se reúna periodicamente, em um tempo distinto daquele imposto pelo mundo do trabalho, para dissipar sua própria força em um gesto de penitência pelo dom do deus [através do jejum, das orações, das vigílias e das procissões].
Por se introduzir no princípio que Georges Bataille (1975) denomina de “economia geral” - porque consagrada ao gasto inútil - a festividade da Semana Santa, acaba por se defrontar com estruturas sociais que “orientam-se no sentido inverso ao da valorização do instante, da imersão do presente absolutizado, da destruição sistemática e do consumo de signos que se recusa a acumular” (Sanchis: 1992, p.30). Tais estruturas levam a cabo as concepções do pensamento econômico utilitário que se baseiam nas necessidades de produção, conservação e consumo racional, que visa o lucro e exclui a despesa improdutiva
A Semana Santa da cidade histórica de São João del Rei, em Minas Gerais, se introduz no interior dessa natureza festiva; porém, a iniciativa da cidade em integrar o chamado “mercado mundial de cidades”, faz com que essa festa religiosa seja exaltada como um traço autêntico dessa sociedade e, consequentemente, utilizada como moeda de troca para o consumo turístico. Nessa conjuntura, a festa da Semana Santa [vivenciada como dádiva entre a divindade e os fiéis] se defronta com estruturas de uma outra qualidade de economia inversa àquela da festa, posto que é pautada pela produção para o lucro e o consumo. É, então, na mútua incidência de ambas as lógicas avessas que surgem os paradoxos dessa ação de mercadorização da festa da Semana Santa como parte do contexto brevemente descrito.
Entretanto, o conflito engendrado não declara a morte da festa. Ao contrário, a festa religiosa sobrevive e não o faz de forma estática, mas transformando-se e reinventando-se porque se encontra em permanente conflito com as leis do mercado.
Essa comunicação pretende, então, pensar sobre os paradoxos existentes quando da convergência entre duas lógicas distintas [a do consumo pelo turismo e a da despesa improdutiva pela festa], quando a festa da Semana Santa é empregada como uma moeda para o consumo turístico na cidade de São João del Rei.
- BELONE, Ana Paula Lessa

Afiliação institucional: Universidade Federal de Minas Gerais
área de formação: Mestrado em Sociologia (ainda não concluído)
Interesses de investigação: Religião, Festa, Cidade e Cultura de Consumo.
PAP1274 - Os jovens e o consumo: em que contextos as marcas de vestuário e calçado serão relevantes?
O consumo juvenil é uma temática actual, oportuna e pertinente, dadas as implicações e os desafios que levanta no contemporâneo tecido social. Porém, surpreendentemente, denota-se a escassez de investigações que incidem sobre a problemática consumista no panorama sociológico nacional (Cruz, 2009). Se o consumo surge como uma forma de escapar à insegurança, como um ritual diário que visa exorcizar a incerteza prevalecente (Bauman, 2000), numa época em que impera a mudança e as consequentes reconfigurações, com a presente comunicação pretende-se dar a conhecer as práticas consumistas juvenis e as novas questões que se colocam ao indivíduo, actualmente imerso numa sociedade de consumo.
Apresentaremos os resultados iniciais da nossa tese de doutoramento, relativamente ao lugar que o consumo ocupa na vivência e convivência juvenis, com particular destaque para o papel desempenhado pelas marcas (comerciais) de vestuário e calçado, dado o relevo que a aparência adquire entre a juventude (Pais, 1991). Vários são os questionamentos, aos quais procuraremos dar resposta, nomeadamente: poderão os logotipos inscritos nas roupas e calçado dos jovens contribuir para a sua integração ou desenraizamento nas estruturas sociais? Serão fulcrais nas interacções sociais estabelecidas com os seus pares? Usar marcas conhecidas poderá permitir ao indivíduo ser encarado como um jovem de sucesso? Pelas marcas usadas, conhecer-se-á o poder económico do respectivo usuário? Existirão diferenças genderizadas nos padrões de consumo? Qual a importância da publicidade no processo? Será o consumo central na construção identitária juvenil?
É com base na sua vertente mais convivialista que os estabelecimentos de ensino são encarados como agentes de estimulação de consumo (Pais, 2001), pelo que a nossa investigação incidirá sobre estudantes. A amostra será composta por jovens que se encontram a frequentar o 9º ano de escolaridade em escolas do ensino público e privado afectas ao concelho de Cascais, de forma a captar as desigualdades da juventude cascaense. Para a escolha deste município contribuíu o facto de os seus residentes apresentarem condições socioeconómicas e culturais heterogéneas (Projecto Educatico de Agrupamento 2008-12, 2010). Para esse efeito, recorrer-se-á a uma metodologia extensiva, através da aplicação de um inquérito por questionário, cujos resultados permitirão percepcionar qual a relação que os jovens estabelecem com o consumo e qual a importância que as marcas de vestuário e calçado poderão assumir na esfera social. Com a presente comunicação, esperamos ainda relançar o debate sociológico sobre a importância deste fenómeno, o consumo, em pleno século XXI.
- SANTOS, Cristina Alexandra Figueiredo

"Cristina Alexandra Figueiredo Santos é docente na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e investigadora do CICANT. Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação (ISCTE-IUL) e doutoranda (ISCTE-IUL), os seus interesses de investigação incidem, maioritariamente, sobre a publicidade e o consumo. Participou em congressos nacionais e internacionais, tendo diversos artigos publicados, em áreas ligadas à comunicação e à sociologia da comunicação e do consumo".
PAP1086 - Problemática actual de los Mercados de Abastos a través de un caso de estudio.
El comercio, en general, y las Plazas de Abastos, en particular, están sufriendo en las últimas décadas cambios importantes derivados, principalmente, de los cambios de hábitos en el consumo. Existen Mercados de Abastos que han consolidado su actividad y han conseguido renovar su clientela y, con ello, mantener su cuota de negocio; pero muchos otros se encuentran desde hace año s en un proceso de decadencia que parece no tener fin a pesar de los apoyos institucionales y esfuerzos corporativos realizados.
A través del trabajo de campo realizado en el Mercado de Abastos de Pontevedra se pretenden conocer: (1) cual es el perfil del vendedor y consumidor de este tipo de establecimiento y (2) cuales son las estrategias emprendidas para garantizar el funcionamiento y atraer clientela, con el objetivo (3) de valorar si estas estrategias son acertadas y suficientes para garantizar el futuro de la Plaza. Este análisis de caso requirió de la realización de encuestas personales a pie de calle (clientes) y establecimiento (vendedores), la observación de las instalaciones actuales y la documentación sobre el pasado inmediato (traslado temporal por obras y regreso al edificio remodelado ) y presente (apoyo institucional y movimiento asociativo).
- OUTÓN, Sara Mª Torres

Sara Mª Torres Outón es profesora asociada de Sociología en la
Universidad de Vigo desde el año 2001. Licenciada en Sociología por la
Universidad de Deusto (1994), especialidad en Sociología Urbana,
Máster en Sociología y Planeamiento Regional en la Ball State
University (Indiana-USA)(1998) y Licenciada en Ciencias Políticas por
la Universidad de Santiago de Compostela (2011). Como freelance
participó en proyectos de investigación en diferentes fases: trabajo
de campo, análisis y redacción. Vinculada desde el 2000 al Seminario
de Estudios Socioeconómicos de Pontevedra Carlos Velasco, se
especializó en diagnóstico comercial y estudios de intervención
municipal hasta que ocupó el puesto de Agente de Desarrollo Local
(2007-2010). Actualmente, centra su actividad en la docencia e
investigación.
PAP1431 - Publicidade e Consumo: uma reflexão de gênero
O presente trabalho é parte de um estudo
sobre a relação entre o conteúdo da
publicidade e o imaginário social que
conforma o feminino e o masculino. Essa
relação foi investigada a partir da análise
do conteúdo da publicidade destinada ao
público infantil, por ocasião do “dia das
crianças”.. O corpus da análise da
investigação foi obtido a partir da gravação
da programação matinal de três emissoras
abertas de televisão, no Brasil: Rede Globo,
Rede Record e do Sistema Brasileiro de
Televisão. A gravação envolveu os meses de
setembro e outubro de 2000 e 2010. No
primeiro momento do estudo foram realizadas a
gravação e a análise quantitativa do conjunto
de comerciais. Na segunda etapa os comerciais
foram classificados e investigados de forma
mais ampla. Esse artigo aborda uma parte da
investigação realizada. Durante o período
analisado foram exibidas mais de 3.200 peças
publicitárias, sendo a maioria voltada para o
público infantil. Os anúncios foram
inicialmente classificados em “para
crianças”, “da própria emissora”,
“propagandas políticas”, “outras” e “beleza”.
Para além do agrupamento inicial em grandes
categorias passamos a focalizar a publicidade
direcionada “para crianças” o que constitui o
interesse principal da análise. Classificamos
a publicidade direcionada à criança nas
seguintes categorias: alimentos, brinquedos,
calçados/acessórios/roupas, entretenimento e
educativos e lojas/promoção. Na categoria
brinquedos foi incluída a maioria das
publicidades exibidas. Dentre elas estavam:
bonecas e bonecos, carrinhos e jogos. Esta
categoria foi privilegiada para uma análise
do conteúdo da publicidade veiculada no
período estudado. Tal categoria foi sub-
dividida em: brinquedos “para meninas”,
brinquedos “para meninos” e brinquedos “para
ambos”. Ao utilizar o termo propaganda “para”
meninas e “para” meninos não foi aceita
nenhuma definição estanque, cristalizada, que
aponte uma essencialização dos papeis
sexuais. Apenas é possível notar que se opera
na publicidade uma separação entre o universo
de meninos e de meninas, que é própria à
nossa cultura. Definem-se alguns atributos
mutuamente exclusivos que são sinalizadores
ou da feminilidade, ou da masculinidade.
Neste sentido, a publicidade absorve a
cultura e opera a partir dela. Também foi
analisado como a publicidade de brinquedos
contribui para a naturalização das definições
de gênero. Percebeu-se que a publicidade
analisada “para crianças”, nos permitiu notar
que tais anúncios fazem muito mais do que
vender brinquedos. Eles funcionam como um
tipo de pedagogia e de um currículo cultural,
que produzem valores e saberes. Eles fornecem
determinados modelos de conduta e modos de
ser; re-produzem identidades e
representações; constituem certas relações de
poder e fornecem elementos que veiculam
modelos de comportamento, como por exemplo,
modos de ser mulher e homem, ou seja, formas
de feminilidade e de masculinidade.
- FREITAS, Patrícia Oliveira de

Patrícia Oliveira de Freitas é atualmente professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo realizado estágio doutoral em sociologia da infância, na UMINHO, sob orientação do prof Dr Manuel Jacinto Sarmento. Tem experiência na área de estudos do consumo, com interesse de investigação nos seguintes temas: educação financeira, comportamento do consumidor, publicidade e consumo e práticas de consumo de crianças e adolescentes. E na área de educação, tem interesse pelas questões relacionadas à infância, ao consumo e as novas tecnologias.
PAP0523 - Reconstrução de identidades estigmatizadas: o caso dos jovens consumidores de drogas
Quem recusa uma visão determinista dos comportamentos indivíduos e dos factores que os ocasionam terá que colocar os seguintes problemas: como desencadear a construção de uma identidade positiva, valorizada, normativa e integrada em indivíduos que descrêem profundamente de si próprios? Como dotar os toxicodependentes de instrumentos que os façam significar a realidade, rompendo com as racionalizações que aprenderam a construir no grupo de pares? Como propiciar vivências que induzam a descolagem dos modos de vida estruturados enquanto as sociabilidades estiveram fechadas no grupo de pares?
A resposta a estas questões funda-se no estudo das condições de existência e modos de vida de indivíduos cujos consumos se iniciaram na infância e na adolescência e cujo acompanhamento se diversifica por tipos de instituições e programas de tratamento. A administração de um inquérito por questionário à totalidade dos utilizadores destas instituições na Área Metropolitana do Porto permitirá explorar a hipótese, com fundamento na observação de terreno proporcionada pela actividade profissional que desenvolvemos, de as práticas de consumo de drogas terem significados consideravelmente distintos, consoante se trata de jovens originários das classes médias e altas ou de jovens das classes populares e do sub proletariado.
Algumas análises que incidem sobre o funcionamento global das modernas sociedades mais desenvolvidas têm vindo a assinalar a instalação de uma crise civilizacional que atinge os próprios fundamentos da coesão social. Lipovetsky, Sennett, Castel, e outros produziram reflexões que desvendam a fragilização dos valores universais, o desaparecimento das causas colectivas e dos laços que preservavam os indivíduos dos acidentes da existência e lhes asseguravam o acesso a formas de organização colectiva compatíveis com a afirmação de interesses próprios e da dignidade social.
Há fundamentos para admitir que a crise dos laços sociais tem implicações mais complexas nos jovens originários de famílias privadas de recursos fundamentais, expondo-os a uma vulnerabilidade profunda em todas as dimensões cruciais da inclusão social. Interessa-nos contribuir para criar dispositivos de intervenção orientados para a ampliação dos recursos educacionais, económicos e relacionais dos jovens socialmente mais desmunidos.
- QUEIROZ, Maria Cidália
- PINTO, Maria Luisa
PAP0713 - Sobre as Possibilidades de Participação Política na Esfera do Consumo
Sobre as Possibilidades de Participação
Política na Esfera do Consumo
Djalma Eudes dos Santos
Bolsista do CNPQ/CAPES, é Doutorando no
Programa de Pós-Graduação em Sociologia da
Universidade Federal de Minas Gerais
(PPGS/UFMG) e Mestre em Sociologia.
Endereço eletrônico: djalma@ufmg.br
Telefone do autor: + 55 31 88154410
RESUMO:
O debate que aqui se propõe visa traçar um
abreviado perfil do conjunto de estudos e
pesquisas relacionados aos movimentos ou formas
de associação de consumidores. Pelo estudo
deste fenômeno é possível ilustrar e lastrear
empiricamente uma das faces da crescente
participação política na esfera do consumo.
Estudos recentes destacam a politização do
consumo com¬o um fator relevante na formação de
uma nova consciência de cidadania e tal
politização nos remete, frequentemente, à
participação em movimentos que se organizam
para defender os interesses dos consumidores.
Este campo de pesquisas, assim apresentado, nos
abre imensas possibilidades analíticas,
principalmente quando consideramos suas
conexões com os principais temas que foram
impulsionadores de ação coletiva e lutas
sociais durante o Século XX – um século marcado
por importantes mudanças sociais que foram, de
algum modo, detonadas pelas crises e clivagens
estruturais na matriz ideológica do
industrialismo. Notadamente a partir da segunda
metade do século passado, pela emergência de
padrões e níveis de consumo centrados em
modelos que têm levado ao uso dos recursos
naturais em níveis preocupantes, somos
desafiados a construir novas ferramentas
analíticas e a considerar novos fenômenos em
nossas reflexões. Com o apoio metodológico de
uma análise comparativa, faremos uma explanação
do ativismo de consumidores utilizando dados da
Europa e América Latina. Destacaremos os
momentos de maior alcance político de temas
específicos como: custo de vida ou carestia de
vida; direitos dos consumidores; consumo
consciente, consumo e sustenbilidade; dentre
outros não menos importantes. Como um resultado
desta análise, evidenciaremos a ocorrência duma
importante mudança no principal tema da agenda
que orientou os movimentos de consumidores dos
anos 1970, a saber, a questão do custo de vida
e da carestia, e o processo de translação da
temática com cariz socioeconômico para o atual
foco socioambiental, o que configura um novo
discurso para a ação política no campo do
consumo.
- SANTOS, Djalma Eudes dos

Djalma Eudes dos Santos (PAP0713)
Graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; Especialista em Elaboração de Projetos Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG-2007); Mestre em Sociologia (UFMG-2009), cursando o Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS/UFMG, início em 2010). Atualmente tenho me dedica a uma pesquisa sociológica sobre como são construídos os mercados consumidores de produtos orgânicos no Brasil.
PAP1354 - Vinhos: práticas de consumo, construção de gostos e socializações vínicas
Actualmente, e cada vez mais, o homem está inserido num conjunto de relações sociais que estabelece não só com os outros homens mas também com os objectos e com as coisas de que se rodeia (Baudrillard) e que considera fulcrais para a sua vivência no quotidiano. Neste contexto, os vinhos e os estabelecimentos que os comercializam são apenas o exemplo que nos leva a equacionar toda uma prática de consumo que daí decorre.
O consumo, em sentido lato, insere-se no quadro das práticas sociais passíveis de serem analisadas numa perspectiva sociológica. Estudar o consumo, não obstante, implica circunscrevê-lo a um determinado bem, tendo sido, para o efeito, elegido o vinho, nomeadamente o vinho corrente e o vinho do Porto.
O vinho é um bem cujo consumo se insere no âmbito muito mais alargado das práticas alimentares. Não se limitando à mera necessidade fisiológica, extravasa-a largamente, reportando-se ao social. Decorre, então, daqui, a pertinência em abordar-se sociologicamente a prática vínica em contexto social. Tabernas, adegas, casas de pasto e clubes de elite foram os espaços eleitos, uma vez que a diferentes potencialidades de consumo vínico se associam diferentes (pré)disposições para a ação vínica.
Neste sentido, a comunicação que nos propomos apresentar incide no consumo do vinho em espaços semipúblicos portuenses e privilegia os frequentadores-consumidores in loco. Neste patamar, sublinhamos o relevo particular que adquirem os consumos em si, intrínsecos a hábitos e práticas consolidados no quotidiano. Isto é, importa ter em linha de conta não só o tipo de consumo vínico, mas também o locus escolhido e o motivo subjacente ao consumo em geral e ao tipo de consumo em particular. Todo o hábito está inscrito no mundo de vida de quem o pratica e é passível de ser equacionado, respectivamente, enquanto vertente integrante do seu habitus de classe. Por conseguinte, a ele não é alheio um conjunto de (pré)disposições consonantes com a construção social de gostos e com socializações vínicas, aspectos centrais nesta apresentação.
- MAGALHÃES, Dulce Maria da Graça

Nome, - Dulce Maria da Graça Magalhães
afiliação institucional - Faculdade de Letras da Universidade doPorto
área de formação - Sociologia
interesses de investigação - Sociologia das classes sociais, sociologia da Educação e sociologia do consumo
PAP0963 - À Escala do Lugar. Lazer e Consumo na Praia de Carcavelos
"Mas contrariamento àquilo que se teme ou
espera, estas tecnologias [TIC] não põem em
causa a concentração metropolitana nem
substituem as cidades reais pelas cidades
virtuais."
François Ascher
Conhecer o sentido das práticas sociais à
escala do lugar permite-nos, de igual modo,
atribuir sentidos às vivências quotidianas de
um território inequivocamente mais extenso, e
denso, como a metrópole de Lisboa.
Neste documento propomo-nos a desvelar algumas
dessas práticas, compreendendo que os lugares
não se circunscrevem apenas por limites
fronteiriços socialmente construídos, antes
que os mesmos concentram em si toda uma
panóplia de actores sociais, que os usam e dos
quais se apropriam, provenientes de diferentes
segmentos etários e de distintos segmentos no
que concerne à estratificação social.
A opção de termos traçado como laboratório uma
praia enquadrada na metrópole de Lisboa e no
concelho de Cascais em particular não foi, de
modo algum, ingénuo ou obra do acaso. Também
não o foram a escolha do lazer e do consumo,
fenómenos que amiúde se encontram entrosados
pelas suas características específicas.
Decidiu-se enveredar pela escolha de um lugar
que pelas suas particularidades reúne o
consenso na escolha do seu uso por actores
sociais provenientes dos mais diferentes
territórios da metrópole de Lisboa. Tal deve-
se, em nosso entender, à imagem positiva que
consegue transmitir para o exterior, tornando-
se assim um espaço em que a atractividade
desenrola um papel da maior relevância.
Neste caso específico também decidimos
orientar o nosso olhar sociológico para uma
prática que cada vez mais é valorizada quer
por actores sociais individuais, quer por
actores sociais colectivos, pertençam, estes
últimos, tanto à esfera pública - o Estado na
sua dimensão de poder público nacional como
local - como à esfera privada, onde os agentes
económicos desempenham uma diversidade de
papéis no sentido de satisfazerem objectivos
orientados para o lucro.
Sabemos que os tempos de lazer têm vindo a
impôr-se cada vez mais como uma exigência de
uma sociedade civil, que cada vez mais
segmentada e ancorada em processos de
individualização, ávida por tempos que
qualidade desprendidos da esfera laboral ou do
trabalho. Esses mesmos tempos de lazer querem-
se, então, vistos preenchidos por práticas que
lhes são específicas e que podem ocorrer em
diversas alturas do ano e, inclusivamente, em
distintos momentos do dia. Incidiremos
portanto a análise não só num lazer diurno,
mas também no lazer nocturno, que muito
sensibiliza camadas mais jovens.
No lugar da Praia de Carcavelos é no espaço
público ou nos espaços de cariz de uso público
que encontramos um mosaico de vivências
urbanas ricas em diversidade e dotadas de uma
durabilidade a que se tem vindo a assistir.
Importa mencionar que a ocupação dos tempos
livres se encontra amiúde entrosada com
lógicas de consumo, relativamente próprias, às
quais nos iremos igualmente dedicar.
- ALMEIDA, Pedro Miguel

- Pedro Miguel (Carvalho Pacheco de) Almeida
- CesNova / FCSH-UNL
- Sociologia – Licenciado Universidade Autónoma de Lisboa (opção preferencial – Exclusão Social) ; Mestre FCSH-UNL (op – Território, Cidade e Ambiente); Doutorando FCSH-UNL (op – Urbana, Território e Ambiente)
- Sociologia Urbana, do Quotidiano, do Consumo, do Turismo, do Género, dos Comportamentos Desviantes