PAP1085 - Animação Sociocultural: imprecisões e ambiguidades de uma ocupação profissional
O presente artigo – surgido no âmbito do projecto de doutoramento “Animação Sociocultural, Actores e Controvérsias Públicas”, a decorrer na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa – tem como objectivo dar conta das problemáticas suscitadas no seio da Animação Sociocultural, problemáticas relacionadas com a definição do conceito de “Animação Sociocultural”, com as “licenças” e o “mandato” (Hughes, 1993), com o “poder profissional” (Freidson, 1986 e 1994), com a “jurisdição profissional” (Abbott, 1988) e com o “estatuto profissional”. Ao mesmo tempo, procura-se dar conta da pluralidade de justificações e/ou críticas apresentadas pelos seus protagonistas (Animadores Socioculturais com formação superior, estudantes finalistas de cursos superiores de Animação Sociocultural, professores desses mesmos cursos e dirigentes das associações que representam os Animadores Socioculturais) para as posições que vão assumindo nas controvérsias públicas em que se envolvem em torno dessas mesmas problemáticas. O trabalho de recolha exploratória de informação – através de documentos e através de entrevistas – com o propósito de perceber, por um lado, as posições que os vários protagonistas da Animação Sociocultural assumem face às problemáticas enunciadas e, por outro lado, os meios utilizados para dar expressão a essas mesmas posições, deixou clara a diversidade de posições que estes assumem, bem como a diversidade de meios utilizados para a sua expressão pública (jornais, revistas, fóruns de discussão, blogues, congressos, encontros, entre outros). Desta maneira, à luz da perspectiva da Sociologia Pragmática (Thévenot, 2006) – perspectiva que considera a acção como o produto de um encontro entre as situações/contextos /acontecimentos e as formas como os actores nelas se envolvem em determinados regimes –, tudo indica que a acção dos Animadores é orientada num regime de envolvimento em público, onde se realçam as questões da justiça e do bem comum. Verificado, pois, o seu envolvimento em controvérsias públicas em torno de situações problemáticas de justiça suscitadas pela Animação Sociocultural, importa perceber que dispositivos servem de base às justificações da sua acção e/ou à produção de juízos críticos sobre acção dos outros. Os dados resultantes do trabalho exploratório indicam que esses dispositivos resultam de “diferentes mundos” (cités) justificativos (Boltanski e Thévenot, 1991; Bolthanski e Chiapello, 1999, Boltanski, 2001), especialmente do mundo cívico, parecendo ser este o regime de acção justificativo mais presente e em que o bem colectivo, a promoção da participação na vida da cidade e a igualdade constituem as formas de expressão privilegiadas. Mas não deixam também de resultar do mundo industrial e, ao mesmo tempo, do mundo inspirado e do mundo assente numa lógica de projectos.
- BAPTISTA, António Manuel Rodrigues Ricardo

NOTA BIOGRÁFICA
• António Manuel Rodrigues Ricardo Baptista, aricardo1959@gmail.com.
• Formação académica: Doutorando em Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Diploma de Estudos Avançados em
Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de
Lisboa (Novembro de 2010). Mestrado em Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais
e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Janeiro de 2010). Pós-Graduação em
Sociologia. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de
Lisboa (Agosto de 2008). Licenciatura em Sociologia, ISCTE – Instituto Superior de
Ciências do Trabalho e da Empresa (Julho de 1985).
• Experiência profissional após a licenciatura até ao presente: áreas do emprego, da
educação e da formação profissional.
• Áreas de investigação: trabalho, organizações e profissões.
PAP1064 - Discursos técnico-científicos sobre energias renováveis em Portugal
As energias renováveis têm sido apontadas como cruciais não só para a mitigação das alterações climáticas mas também como panaceia para a dependência dos combustíveis fósseis em países que não os produzem, como Portugal. Neste país, nos últimos anos, o governo fez um forte investimento na promoção destas energias. As respostas sociais a estas tecnologias são um factor essencial para a sua difusão e sucesso. Porém, a macro-geração de energias renováveis, designadamente as centrais solares e eólicas, não produz apenas consensos, sendo igualmente alvo de crescentes controvérsias socio-técnicas pelo mundo fora, que tardaram mas chegaram a Portugal. Veja-se o caso de resistências à instalação de centrais eólicas por parte de grupos de conservação da natureza e de populações locais em espaço rural e periurbano, numa clara manifestação do efeito NIMBY (not in my backyard).
Pretende-se então traçar uma imagem abrangente do debate em torno destas tecnologias, com base nas acções e discursos dos actores sociais envolvidos: políticos, decisores, empresas, ONG ambientais, outras organizações da sociedade civil, cientistas. Sob análise estarão os processos de desenvolvimento de políticas e incentivos, de planeamento e tomada de decisão sobre localizações específicas, de gestão de interesses e valores divergentes. Será prestada uma atenção particular ao recurso ao aconselhamento de peritos e ao uso de argumentação científica, ao tipo de participação dos cidadãos nos processos deliberativos e como esta é vista pelos diferentes intervenientes. A metodologia escolhida para esta actividade é a análise documental e a entrevista a informantes privilegiados (cientistas, decisores políticos, empresários, representantes de ONG). Uma análise detalhada dos processos de Avaliação de Impacto Ambiental das centrais solares e eólicas é uma fonte central para este trabalho.
Esta apresentação tem por base um projecto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, executado por uma equipa multidisciplinar numa parceria entre várias instituições científicas.
- DELICADO, Ana

- TRUNINGER, Mónica

- HORTA, Ana

- FIGUEIREDO, Elisabete

- SILVA, Luis
Ana Delicado é investigadora auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Socióloga, licenciada pela FCSH-UNL, mestre e doutorada pela Universidade de Lisboa. Foi investigadora do Observatório das Ciências e Tecnologias (Ministério da Ciência e Tecnologia) e do Institute for Prospective Technological Studies (Joint Research Centre - European Commission).
Trabalha principalmente na área dos estudos sociais da ciência. Já desenvolveu investigação sobre organizações não governamentais e voluntariado, riscos ambientais, museus de ciência e cultura científica e mobilidade internacional dos cientistas. Coordena atualmente projectos sobre associações científicas e sobre energias renováveis. Participa ainda em outros projectos sobre o uso da internet pelas crianças, sobre erosão costeira, sobre energia nuclear e sobre alterações climáticas.
É autora de um livro, "A musealização da ciência em Portugal" (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian), que recebeu o Prémio de Investigação em Museologia da APOM Associação Portuguesa de Museologia, co-autora de outros dois livros e tem publicados 14 capítulos de livros e 20 artigos em revistas científicas nacionais e internacionais.
Mónica Truninger, socióloga, integrou o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) em 2008 como investigadora auxiliar. Tem uma Licenciatura em Sociologia pelo ISCTE (1996), trabalhou como assistente de investigação no Observa entre 1997 e 2001 em vários projectos sobre ambiente e sociedade. Em 2001 vai para Inglaterra onde fez o seu doutoramento em Sociologia na Universidade de Manchester. A tese intitulada Organic Food in Portugal: Conventions and Justifications tratou o consumo e o mercado dos produtos de agricultura biológica em Portugal, particularmente na cidade de Lisboa. Entre 2005 e 2008 integrou uma equipa interdisciplinar das Universidades de Bangor (País de Gales) e de Surrey (Inglaterra) como investigadora de pós-doutoramento. Antes do regresso a Portugal, passou ainda pela Universidade de Cardiff (País de Gales) onde foi assistente de investigação num projecto comparativo entre o Reino Unido e Itália sobre ementas escolares e sustentabilidade. Em 2010 publicou o livro O Campo Vem à Cidade – Agricultura Biológica, Mercado e Consumo Sustentável, editado pela Imprensa de Ciências Sociais. E em 2012 publicará o livro em co-autoria com Mara Miele intitulado Children, Food and Nature: linking the plate and the planet through school meals (Ashgate). Tem publicado artigos em revistas internacionais como: Journal of Consumer Culture; Food Trends in Science and Technology; International Journal of Agricultural Resources, Ecology and Governance e International Journal of Life Cycle Assessment.
Investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Membro da equipa de investigação do Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade. Doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura e Educação, licenciatura em Sociologia e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Actualmente participa em projectos de investigação sobre questões sociais relacionadas com energia, sustentabilidade e alimentação.
Elisabete Figueiredo, Socióloga (ISCTE, 1989), doutorada em Ciências Aplicadas ao Ambiente (Universidade de Aveiro, 2003). Professora Auxiliar no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território e investigadora na Unidade de Investigação GOVCOPP – Governança, Competitividade e Políticas Públicas. Os principais interesses de investigação são a sociologia rural, o turismo rural, a sociologia do ambiente e as perceções sociais de riscos ambientais e tecnológicos. É autora e co-autora de mais de 100 comunicações e publicações nacionais e internacionais nas áreas mencionadas. Coordena atualmente o projeto Rural Matters – significados do rural em Portugal- entre as representações sociais, os consumos e as estratégias de desenvolvimento, financiado pela FCT e COMPETE.