PAP0366 - Crise e Emprego: O Turnover no sector da hotelaria em Andorra
Será analisado ao
longo deste texto, a
hotelaria desde a
sua característica
humana á
sua mão-de-obra.
Várias teses
abordaram e
continuam a abordar
o fenómeno do
Turnover como
resultado de uma
insatisfação no
trabalho (Mobley,
1977); como
consequência de
uma difícil
conciliação entre os
diversos tempos
sociais; como
consequência de uma
percepção positiva
das oportunidades
existentes no
mercado de trabalho
(Gerhart,1990), de
<>, etc.
O meu tema central
parte da ideia de
que existem outras
razões, além das já
apresentadas, para
esta rotação
permanente de
trabalhadores na
hotelaria.
O turnover de
trabalhadores, tema
central na minha
pesquisa, tem sido
visto e
analisado unicamente
como consequência
directa de uma
decisão estratégica
e
voluntária por parte
do trabalhador.
Após os primeiros
resultados extraídos
das minhas análises
produzidas durante o
meu
trabalho de campo,
outros pontos de
reflexão surgiram.
O Turnover é
entendido como um
fenómeno mais
complexo; um
processo que não é
unilateral (decisão
feita
estrategicamente
pelo trabalhador)
mas sim bilateral (
decisão
feita
estrategicamente por
ambas as parte:
trabalhor/empregador).
“Agora somos nós
(empresários) que
temos de mandar
embora os
trabalhadores”
(discurso de um
director de Hotel 3*
de gerência
familiar).
A situação económica
actual, que atinge
cada vez mais
sectores
profissionais, pode
ser
um dos elementos
para reflexão e
explicação para o
turnover por parte
dos
trabalhadores/empresários
o que fortalece o
que disse
anteriormente, em
relação aos
outros pontos de
reflexão, que
surgiram, podendo
vir a ser motivo de
investigação.
Richard Sennett
(2000) e Annette
Jobert (2011)
expuseram nas suas
obras as
problemáticas sobre
o crescimento
exponencial da
flexibilidade no
trabalho, a perda
de emprego,
projectos pessoais a
longo prazo e a
dificuldade que isso
vem impor nas
relações laborais.
Uma presencia
crescente de curto
prazo que esta a
começar a quebrar a
estrutura
tradicional dos
tempos sociais dos
indivíduos,
levando-os assim um
menor
investimento perante
as atividades
profissionais. Uma
visao de
inestabilidade e de
curto prazo nas
atividades
professionnais que
se està a
enfortalecer frente
a situaçao
de crise actual.
Depois de um breve
resumo sobre o tema
principal da minha
pesquisa e de uma
breve descrição
sócio-histórica e
institucional do
terreno de estudo –
Andorra – vou expor
a
minha metodologia de
recolha de dados e
irei demonstrar o
turnover como
resultado
de uma sociedade com
planos a curto prazo
levando os
trabalhadores
(conscientes do
curto período de
validade do seu
contracto, acordado
por eles ou
entendimento com o
patrão) a não
investirem ou
investirem pouco nas
relações entre os
trabalhadores.
Palavras Chave:
Hotelaria, Turnover,
Tempo de Trabalho,
Crise, Observação
Participante,
Andorra
Diana Margarida Oliveira da Silva
Doutoranda em sociologia
Université de Toulouse II- Le Mirail
UMR5044 CERTOP – pôle TAS
oliveira@univ-tlse2.fr
Doutoranda em sociologia na Universidade de Toulouse II- Le Mirail, eu, Diana Margarida Oliveira da Silva sou nativa de Viana do Castelo, porém resido em Andorra desde 1990.
Este trajeto migratório, assim como minha experiência profissional no setor do turismo e no Centre de recerca i d’Estudis Sociologics d’Andorra (CRES), influenciaram os meus interesses de pesquisa por temas relacionados com a trajetória dos imigrantes em território de acolhimento, a influência dos fluxos turísticos em território andorrano e as questões mais gerais ligadas a sociologia do trabalho e das organizações.
Atualmente, a minha pesquisa de doutorado trata-se principalmente dos determinantes sociais e culturais do turnover de pessoal no setor da hotelaria em Andorra. Para realizar este estudo, e desta forma, compreender minha problemática central, me baseio na análise estratégica e sistêmica através do uso de metodologias qualitativas e quantitativas.