PAP1019 - DISCUTINDO O CONSUMO E A CULTURA INFANTIL CONTEMPORÂNEA
A relação entre infância e mídia se reconfigura
em função de processos históricos, econômicos e
culturais que jamais podem ser dissociados do
fenômeno da cultura do consumo. O trabalho tem
como objetivo problematizar as representações
da estreita relação do consumo e a criança
contemporânea. A análise partiu das chamadas de
anúncios publicitários e comerciais, tendo como
questão norteadora a representação do universo
infantil na mídia. Tomando contribuições de
Zigmunt Bauman, Nestor Garcia Canclini e
Beatriz Sarlo, o texto procura trazer elementos
que possam potencializar a problematização das
relações entre cultura infantil contemporânea e
consumo. O texto resulta de pesquisa
qualitativa que, em termos metodológicos, foi
desenvolvida com base em duas abordagens
técnicas: 1) análise de dois conjuntos de
anúncios publicitários veiculados na mídia
brasileira onde a infância esteja representada:
o primeiro voltado para o público infantil e o
segundo para o público adulto; 2) oficinas de
Educação e Consumo desenvolvidas em uma escola
pública. Este trabalho procura trazer ao centro
do debate acadêmico as relações entre infância
e cultura do consumo. A obesidade, a anorexia,
a pedofilia e a erotização precoce fazem parte
da rotina das crianças e são pautas recorrentes
quando o assunto é infância e consumo na mídia
brasileira. Ao mesmo tempo, no atual contexto
em que vivemos, são inúmeros os argumentos e
evidências para afirmar que o consumo infantil
pode ser considerado a grande “descoberta
mercadológica”. É neste sentido que este texto
aposta na pertinência de problematizar a
pedagogia do consumo que nos educa de
diferentes formas para olhar, compreender e
naturalizar o universo infantil. Quando o tema
é a criança estamos lidando com narrativas
culturais que nos interpelam e nos fazem crer
em certezas naturalizadas como únicas e
universais. Vivemos um tempo em que a criança
aparece de forma multifacetada na mídia nossa
de cada dia, onde os pequenos aprendem nas
propagandas que o mundo é daqueles que tem o
poder e sabem chegar antes e que as meninas
precisam saber seduzir desde a mais tenra
idade. Talvez com tais discussões seja possível
estabelecer uma nova relação entre os campos da
Comunicação, da Educação e da Sociologia,
buscando os contornos de um debate sobre
consumo e cultura infantil.
Saraí Patrícia Schmidt possui Doutorado (2006) e Mestrado (1999) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Graduada em Comunicação Social (1991) é Professora Titular da Universidade Feevale, docente do Mestrado Acadêmico em Processos e Manifestações Culturais e coordenadora do projeto de extensão Nosso Bairro em Pauta na mesma instituição. Tem experiência como pesquisadora nas áreas de Comunicação e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: juventude, infância e consumo.