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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0889 - As políticas sociais participativas e os movimentos ambientalistas no Brasil: tensões e conflitos
A promulgação da
Constituição Federal
de 1988, no Brasil,
foi o marco legal
institucionalizando
as políticas sociais
de cunho
universalista e
calcadas em
processos decisórios
participativos, quer
deliberativos ou
meramente
consultivos.
Considerando as
regras jurídicas e
teóricas, que
estabelecem quem e
como se participa do
“jogo” democrático,
ao longo de mais de
30 anos, estes
processos de
descentralização e
participação
moldaram inúmeras
experiências por
todo o País, através
de avanços e
retrocessos em
termos democráticos.
A democracia
participativa
pressupõe o
engajamento,
empoderando os
cidadãos e
aprimorando a
governança. A
participação social
redesenharia,
portanto, a
democracia e a
cidade, em oposição
à sua ocupação pela
ideologia e
políticas
neoliberais vigentes
na atualidade.
No município de Embu
das Artes (Grande
São Paulo), cuja
administração é
exercida há três
mandatos
consecutivos pelo
Partido dos
Trabalhadores - PT,
inúmeras
experiências
participativas vêm
sendo executadas.
Como o Orçamento
Participativo,
revisão
participativa do
Plano Diretor
Municipal, Conselho
Gestor da Área de
Proteção Ambiental
Embu-Verde e
Conselho Municipal
do Meio de Embu –
COMAM, entre tantas
outras.
O município também
possui um ativismo
ambiental histórico,
onde uma das
primeiras ONGs
ambientalistas
brasileiras iniciou
suas atividades, em
1971. Atualmente
vários embates e
confrontos têm
ocorrido, sendo que
a revisão do Plano
Diretor encontra-se
suspensa pela
Justiça, por
exemplo.
O que aqui se propõe
é analisar se as
instâncias
participativas,
formalmente
estabelecidas/existentes,
possibilitam, de
fato, a igualdade de
condições entre os
diferentes
participantes? Estes
são agentes ou
sujeitos?
Como tem ocorrido,
na prática, a
consolidação dos
canais e dos
mecanismos
participativos
instituídos pelos
instrumentos legais?
A legislação em
vigor, que habilita
a participação
ampla, realmente
legitima a
vontade/soberania
popular e a
autonomia/empoderamento
dos cidadãos nas
decisões políticas?
Portanto, um relato
de democracia urbana
fundamentada no
envolvimento direto
das pessoas na
política, mais
especificamente na
política ambiental,
é o que se propõe o
trabalho.
- ANTONINI, Luciana

Graduada e licenciada em Ciências Sociais (PUC - SP/RJ), e graduada e MSc em Geografia (USP). Com especialização em Meio Ambiente e metodologias participativas. Atuação em descentralização de políticas públicas, capacitação de getores governamentais e movimentos sociais.
PAP0574 - Participação e Cidadania: Orçamentos Participativos Jovens em Portugal
No decurso das últimas décadas, têm ficado patentes as limitações do sistema de democracia representativa, um fenómeno que não é exclusivamente português, mas que naturalmente obedece a determinados constrangimentos e a um contexto com especificidades locais. Uma das respostas para os défices democráticos tem sido veiculada através de práticas de orçamento participativo, numa abordagem que pretende, em definição, colmatar as falhas dos sistemas democráticos através do incentivo à participação e envolvimento dos cidadãos nos processos de decisão.
Uma das características associadas à prática de orçamento participativo assenta na sua plasticidade e adaptação a cada contexto específico, constituindo, uma ferramenta de enorme potencialidade. Nesse sentido, a instituição de um processo participativo obriga a afectação de recursos, mas o retorno é, a vários níveis, profícuo. Referem-se, assim, aspectos como transparência, responsabilização, confiança nas instituições ou mais eficácia na gestão dos recursos públicos, através de mecanismos de consulta e/ou deliberação.
Um dos modelos de orçamento participativo existente é especialmente dirigido aos cidadãos mais jovens, conferindo-lhes a possibilidade de participação, uma participação que pode abranger cidadãos que ainda não detenham a maioridade e, como tal, não podem recensear-se e fazer uso dos mecanismos tradicionais de democracia. Nesse sentido, esta poderá constituir-se como uma ferramenta de inclusão política de segmentos sociais arredados das decisões públicas.
Ainda não são muitos os casos de Orçamento Participativo Jovem em Portugal, mas pelo sucesso relativo de algumas das iniciativas levadas a cabo, será expectável uma replicação no futuro. Pretende, por isso, através desta comunicação, apresentar informação obtida através da análise de dois estudos de caso de duas autarquias portuguesas que têm desenvolvido dispositivos deste tipo. Referimo-nos, assim, aos municípios da Trofa e São Brás de Alportel, instituições que têm apostado no reforço dos seus sistemas de governação através da chamada à participação de um grupo específico de cidadãos.
Estes dados são resultantes de um projecto de investigação científica relativo à temática dos orçamentos participativos que tem sido levado a cabo em Portugal. Em tal projecto, tem havido o recurso a metodologias de índole qualitativa e quantitativa, assim como à integração de informação geográfica na análise de dados. Aduzindo os mecanismos de investigação-acção desenvolvidos, serão, assim, apresentados algusn resultados já obtidos, numa aproximação comparativa dos dois casos, para que se perceba que contributos advieram desta iniciativa, assim como as percepções reveladas pelos jovens dos dois concelhos sobre tópicos como participação, associativismo, confiança nas instituições,envolvimento político, entre outras dimensões de análise.
- PEREIRA, Anne
- FREITAS, Francisco

- LUIZ, Juliana
- DE MORAIS, Neiara
"Francisco Freitas é um sociólogo licenciado pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e mestre em Dinâmicas Sociais, Riscos Naturais e Tecnológicos pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Na sua atividade, tem participado em projetos de investigação juntamente com alguns dos mais conceituados cientistas sociais portugueses e estrangeiros nas áreas das migrações internacionais, da sociologia do risco e da participação pública. Para além da experiência no recurso a metodologias e técnicas de natureza quantitativa e qualitativa (colabora com a Verbi GmbH no desenvolvimento da versão portuguesa da aplicação MAXQDA), desenvolve ainda a integração da informação geográfica na análise de dados. Atualmente, trabalha sob supervisão direta do Prof. Boaventura de Sousa Santos."