Ficha Técnica:
Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt
Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com
ISBN: 978-989-97981-0-6
Depósito legal: 281456/08
Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader
©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0651 - Cidades Litorais. Vulnerabilidade e Resiliência no âmbito da Sociologia do Risco e Incerteza
O que torna algumas cidades mais vulneráveis e menos resilientes face a eventos naturais? As cidades, nomeadamente as litorais, são, hoje, locais com enormes recursos, mas também territórios de grandes vulnerabilidades. Representando tecidos sociais muito complexos, palcos de diversas mudanças e recomposições ao longo dos anos, incorporam a questão dos riscos urbanos, onde se cruzam, entre outros, problemas como os planos de ordenamento, as assimetrias no desenvolvimento das relações socioeconómicas, que se repercutem nomeadamente no acesso desigual ao espaço e à informação pelas comunidades, grupos e indivíduos presentes. De facto, o que transforma um evento natural num desastre não são apenas os aspectos físicos dos fenómenos, associados à destruição ambiental e parque edificado, mas o grau e a qualidade da informação das pessoas sobre tais eventos e consequentes reacções aos mesmos. E, por isso, as causas e efeitos do impacto de fenómenos naturais não poderão ser entendidas à parte dos contextos sociais onde ocorrem. Com base no modelo de vulnerabilidade contextualmente situada, e tendo Cascais como objecto de análise, propomo-nos identificar os factores de vulnerabilidade bem como as características que permitem responder e recuperar do impacto de eventos naturais que podem configurar desastres ou mesmo catástrofes. Os conceitos de vulnerabilidade e resiliência, neste sentido, aparecem interconectados, dando visibilidade às características que demonstram tanto a respectiva variação geográfica da sua componente social, como o espectro causal da mesma. Em suma, numa perspectiva da sociologia do risco faz-se uma reflexão sobre os conceitos de perigo, incerteza e risco e sua interligação com a problemática dos desastres. O foco será orientado para a cultura de risco e suas implicações sociais, económicas e políticas, relacionadas com as dimensões físicas de eventos naturais, mas também com as acções humana que podem contribuir para aumentar ou reduzir a incerteza tanto em medidas preventivas como na capacidade de resposta, e de recuperação, tendo por base que tanto a vulnerabilidade como a resiliência são parte de um processo que ocorre ao longo de um tempo em que organizações sociais operam como sistemas sociais complexos.
- CARMEN, Diego Gonçalves

- RIBEIRO, Manuel João

- MENDES-VICTOR, Luís Alberto

Carmen Diego Gonçalves: Doutorada em Sociologia, especialidade da Comunicação, Cultura e Educação, pelo ISCTE. Investigadora de pós-doutoramento, com bolsa da FCT, e Investigadora Associada ao Núcleo de Estudos em Ciência, Economia e Sociedade, no Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. A sua investigação centra-se nas dimensões da vulnerabilidade e resiliência, incidindo: (a) na natureza compósita do conceito de desastre natural; (b) no desenvolvimento de métodos e métricas para avaliar e quantificar as condições de base da vulnerabilidade e resiliência aos desastres, mas também para avaliar os adversos e diferenciais impactos dos hazards, nomeadamente o impacto traumático nas populações e equipas de emergência; e (c) os factores que inibem a resposta eficaz a desastres. Desenvolveu a actividade profissional nas áreas da docência, investigação e formação universitárias. Participou em vários projectos nacionais e internacionais. Experiência na concepção, implementação, desenvolvimento e acompanhamento de projectos de investigação em rede, nacionais e internacionais. Autora de diversas comunicações. O seu trabalho tem sido publicado em revistas e livros nacionais e internacionais.
Manuel João Ribeiro: Sociólogo, pelo ISCTE. Doutorando do Programa de Doutoramento "Território, Risco e Políticas Públicas, do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Actualmente Director de Departamento do Serviço Municipal de Protecção Civil da Câmara Municipal de Cascais. Tem desenvolvido trabalho na área da vulnerabilidade, com construção de índices, nomeadamente das zonas históricas de Lisboa. Colabora em projectos nacionais e internacionais, tendo o seu trabalho sido publicado em revista nacionais e internacionais da especialidade.
Luís Alberto Mendes Víctor: Geófisico, Professor Emeritus, FCUL. Ingressou no quadro de docentes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em 1971, criou o Grupo de Geofísica Interna da FCUL em ligação com o Instituto Geofísico do Infante D. Luís. Desenvolveu intensa actividade científica nacional e internacional nos domínios da Geofísica Interna, assegurou a participação científica em dezenas de reuniões das Comissão Sismológica Europeia, Sociedade Europeia de Geofísica, União Europeia de Geociências, Associação Internacional de Sismologia e de Física do Interior da Terra e União Geodésica e Geofísica Internacional, desde 1975. Actualmente é Presidente do Centro Europeu de Riscos Urbanos ( EUR-OPA – Conselho da Europa) e Presidente do Comité Português para o Ano Polar Internacional. Tem vindo a dedicar-se a estudos interdisciplinares, com ênfase para a interacção ciência-sociedade, nomeadamente no que diz respeito à redução dos impacto de fenómenos naturais nas populações.
PAP0859 - Inundações e ação social em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro, Brasil)
O presente artigo aborda pesquisas realizadas
no Brasil no campo da sociologia dos desastres,
buscando esclarecimentos conceituais e
metodológicos relevantes à interpretação da
dimensão sócio-política do acontecimento das
inundações periódicas na região Norte do estado
do Rio de Janeiro, com destaque para o
município de Campos dos Goytacazes. Entre os
meses de novembro e dezembro de 2008, Campos
recebeu um grande volume de chuvas que
desencadeou intensas inundações, como a que
atingiu o bairro de Ururaí, localizado às
margens do rio de mesmo nome, que atravessa
parte deste município. Neste período, mais de
setecentas pessoas foram alojadas em abrigos
improvisados nas escolas do bairro, mas logo
tiveram de ser transferidas para outras escolas
do centro da cidade – interrompendo-se assim o
calendário escolar –, em função de uma nova
elevação do nível das águas. Segundo a Defesa
Civil cerca de 8 mil pessoas foram “atingidas
pela chuva” nas áreas mais críticas do evento
neste município (2.450 desabrigados e 5.500
desalojados), e em todo o estado do Rio de
Janeiro contabilizou-se mais de 394 mil pessoas
afetadas pelas inundações. Concordando com
Mattedi & Butzke (2001), partimos da
compreensão do desastre como um fenômeno
social, buscando interpretar o acontecimento da
inundação através de uma abordagem integrada a)
da construção das condições sociais prévias ao
desastre e b) da dinâmica de enfrentamento,
durante e após o evento. Diferentemente das
situações de desterritorialização a partir de
eventos de desastres, apontadas em Valencio e
outros (2009) – quando a prática institucional
da Defesa Civil aliada ao discurso técnico dos
mapeamentos de áreas de risco promove o
deslocamento involuntário dos moradores –,
chamou-nos à atenção o fato do governo
municipal de Campos intensificar os trabalhos
para a consolidação da urbanização do bairro de
Ururaí em 2011, nesta chamada área de risco.
Este fato pareceu-nos indicar, por um lado, um
esforço de fortalecimento de alianças políticas
locais por parte do governo municipal – como
também sugerem alguns depoimentos de moradores
locais; e por outro lado, provoca-nos a
construir uma compreensão mais aprofundada
sobre a percepção, enraizamento e ação dos
próprios moradores do bairro, que lutam por
permanecer na área. Buscamos assim debater
algumas possibilidades de interpretação desta
dinâmica social associada às inundações
periódicas neste bairro, de modo a trazer novos
elementos que colaborem para uma reflexão
crítica das políticas públicas de enfrentamento
das inundações no município e região.
- MALAGODI, Marco Antonio Sampaio
- SIQUEIRA, Antenora Maria da Mata