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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0834 - Condição juvenil e trajetórias de desvio
Esta comunicação situa o desvio juvenil no
espectro mais alargado das condições
socioeconómicas das metrópoles ocidentais,
exigindo o cruzamento de perspectivas micro e
macro sociológicas. Parte-se da compreensão das
condições materiais e simbólicas que determinam
os modos de vida nas cidades e a forma como se
repercutem na vida dos jovens, configurando
processos de desinscrição social. A condição
juvenil é associada aos actuais processos de
desregulação laboral: instabilidade,
flexibilidade e precariedade laborais,
multiplicidade de experiências de trabalho
fragmentárias, deriva no espaço de consumo
urbano. Questiona-se a centralidade discursiva
do trabalho nas sociedades pós-modernas, a
partir do paradoxo entre as narrativas que
sustentam o valor do trabalho e as condições de
efectivação da atividade produtiva, apontando-
se para um novo pacto social baseado no acesso
ao consumo. Identificam-se, deste modo,
trajectórias de deriva juvenil, a partir das
quais é possível perspectivar o desenho de
rotas desviantes.
O objectivo desta comunicação prende-se com a
apresentação de um estudo exploratório de
delimitação teórico-conceptual que sustenta um
projecto de investigação empírica sobre os
processos de desinscrição social de populações
desviantes. O desenho metodológico aponta para
uma opção qualitativa assente numa abordagem
indutiva e exploratória das narrativas
biográficas produzidas pelos jovens
institucionalizados em Centro Educativo por
prática de facto qualificado pela lei como
crime.
As expectativas de análise admitem a associação
da condição juvenil a trajetórias de deriva,
marcadas pela situação de desinscrição dos
jovens dos tradicionais espaços de
socialização. Aponta-se, assim, para a
possibilidade de uma leitura de duplo enfoque
das rotas desviantes: (i) o desvio como
expressão do agravamento das trajectórias de
deriva juvenil, representando forma última da
desinscrição do jovem na ordem social
estabelecida; (ii) o desvio como alternativa de
inscrição no plano da normatividade, permitindo
o acesso do jovem às instituições e à
confirmação da existência do Eu pela reacção
social do Outro.
Esta leitura sugere a necessidade de repensar
as narrativas sociais sobre a desviância e o
ideal de reintegração inerente à lógica de
funcionamento das instituições de custódia das
metrópoles actuais.
Palavras-chave: desvio juvenil; trajectórias de
deriva; desinscrição social.
- MANSO, Ana

- FERNANDES, Luís
Ana Manso
Professora de Filosofia do Ensino Secundário público. Termina, em 2006, o mestrado em Estudos da Criança, na área de especialização em Intervenção Psicossocial com Crianças, Jovens e Famílias pelo Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho. Tem dedicado o seu trabalho de investigação à problemática do desvio juvenil e aos processos de desinscrição social de populações jovens. Frequenta atualmente o Programa Doutoral em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, sob orientação de Luís Fernandes.
PAP0045 - Violência, crime e a dimensão simbólica da Lei
A presente
comunicação versa
sobre um projecto de
investigação de
doutoramento em
Sociologia que se
encontra a ser
desenvolvido no
CIES-ISCTE-IUL, sob
a orientação
científica do Sr.
Prof. Doutor Paulo
Pereira de Almeida
(ISCTE-IUL). O objecto
empírico abordado é
o crime de violência
doméstica e as suas
dimensões materiais
e simbólicas através
do olhar dos
diversos operadores
que lidam de perto
com esta realidade
(magistrados
judiciais,
magistrados do
Ministério Público,
advogados, órgãos de
polícia criminal,
assistentes sociais,
psicólogos, sem
olvidar as vítimas),
com um especial
enfoque no papel
desempenhado pelas
forças de segurança,
à luz da Sociologia
do Crime, em
triangulação com o
universo da
Sociologia do
Direito e as
Políticas de
Segurança que, nesta
senda, pretendemos
repensar. É nosso
desiderato, assim,
apresentar um
contributo com
aplicabilidade
prática, na medida
em que as conclusões
da presente
investigação deverão
representar um
avanço positivo para
a sociedade em
matéria de relações
entre os cidadãos e
os diversos
operadores da
justiça, sobretudo
as forças de
segurança. Para isso
importa perceber a
forma como os
diversos actores
encaram o objecto
empírico sub judice,
os restantes
parceiros, o
articulado da lei e
as vítimas. Ao
compreendermos este
campo de fenómenos
consideramos que
será possível
apresentar subsídios
para a (re)definição
das políticas de
segurança neste
âmbito em Portugal,
tendo como ponto de
partida a análise ao
Inquérito Nacional à
Vitimação: 2008-2009
desenvolvido pelo
CIES-IUL, financiado
pelo Ministério da
Administração
Interna, e que
consubstancia o
primeiro inquérito
aplicado à escala do
território português
(Continente e
Regiões Autónomas).
- POIARES, Nuno Caetano Lopes de Barros

Nuno Caetano Lopes de Barros Poiares
Formado pelo Colégio Militar, titular de duas licenciaturas pré-Bolonha (Direito e Ciências Policiais) e mestre em Sociologia. Frequentou, com a média final de 18 valores, o curso de doutoramento em Sociologia (componente curricular) e, neste momento, é doutorando em Sociologia (2.º ano curricular) no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). É Oficial da Polícia de Segurança Pública, Professor de Sociologia do Direito no Curso de Licenciatura em Solicitadoria do Instituto Politécnico de Beja; Professor de Sociologia do Desvio no Curso de Pós-graduação em Enfermagem Forense da Universidade de Atlântica e no Curso de Mestrado em Criminologia e Investigação Criminal no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (Lisboa), onde também orienta dissertações de mestrado. É Assistente de Investigação no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL) e Investigador Convidado do Lab UbiNET – Segurança Informática e Cibercrime e do Centro de Investigação do ISCPSI. Tem experiência de trabalho em Bruxelas e Angola e em outros estabelecimentos de ensino superior. É autor e co-autor de diversos títulos da área da Sociologia e dos Comportamentos Desviantes. É Consultor em diversos Organismos.