PAP0253 - Tendências e diferenças na mortalidade da população idosa em Portugal: uma abordagem sub-nacional
Em Portugal, e à semelhança do que se verifica
na maioria dos países ocidentais, a população
idosa tem vindo a aumentar. A pirâmide de
idades da população portuguesa passou a
apresentar um estreitamento na base,
acompanhado por um alargamento no topo, forma
que caracteriza uma população envelhecida.
Mas os idosos não se distribuem da mesma forma
pelo território nacional. Existem indícios de
que a população portuguesa está a envelhecer
de forma desigual nas várias regiões do país.
A partir dos dados disponíveis no Eurostat
(taxa bruta de mortalidade, TBM, por 100 mil
habitantes), estudámos as tendências de
mortalidade e variações associadas no período
de 1994 a 2006, entre a população idosa
portuguesa, por sexo, grupo etário e
principais causas de morte (segundo a
International Statistical Classification of
Diseases and Related Health Problems, ICD),
procurando estabelecer diferenças regionais.
Estas ocorrem apenas pontualmente, por sexo,
mas sobretudo entre o grupo etário dos 65 aos
69 anos e o dos 85 ou mais anos, no que se
refere às principais causas de morte. Das seis
causas estudadas, três são dominantes entre a
população idosa: doenças do sistema
circulatório, neoplasias e doenças do sistema
respiratório. Em termos de variação, os óbitos
por doenças endócrinas sofrem, no período em
análise, aumentos acentuados em todo o país,
enquanto que os relativos às doenças do
sistema circulatório tendem a diminuir.
Globalmente, a região Centro apresenta as
maiores diferenças, no que se refere ao
afastamento entre as duas principais causas de
morte e as restantes. Por sua vez, os Açores e
a Madeira apresentam, em certos aspectos,
padrões, quer de tendência das taxas brutas de
mortalidade, quer da sua variação, por sexo,
grupo etário e causa, diferentes dos
observáveis nas regiões do continente, não
podendo considerar-se, no entanto, estas
regiões homogéneas entre si.
Este estudo procura assim fazer um retrato do
país, com um nível de desagregação sub-
nacional. Os resultados relativos às
tendências de mortalidade são apresentados, em
função do sexo, grupo etário e causas de morte.
REFERÊNCIAS PRINCIPAIS
-CANUDAS-ROMO, V. et al., Mortality changes in
the Iberian Península in the last decades of
the twentieth century, Population-E, 63(2),
2008, pp. 319-344.
-GRUNDY, E., Demography and Gerontology:
Mortality Trends Among the Oldest Old, Age and
Ageing, 17, 1997, pp. 713-725.
-INE, Projecções de População Residente,
Portugal e Nuts III, 2000-2050, Instituto
Nacional de Estatística, 2005.
http://www.ine.pt [extraído em 4-3-2009]
-JANSSEN, F., Cohort patterns in mortality
trends among the elderly in seven European
countries, 1950-99, International Journal of
Epidemiology, 2005, 34, pp. 1149-1159.
http://ije.oxfordjournals.org/cgi/reprint/34/5/
1149 [extraído em 25-02-09].
Maria Filomena Mendes, licenciada em Economia e doutorada em Sociologia na especialidade de Demografia pela Universidade de Évora é Professora Associada no Departamento de Sociologia desta Universidade.
Publicou recentemente, entre outras, as seguintes publicações:
2010, “A diferença de esperança de vida entre homens e mulheres: Portugal de 1940 a 2007” (com I. T. de Oliveira) in Análise Social, Vol. XLV (1.º), 2010 (n.º 194), 115-138.
2010, “Perfil dos imigrantes em Portugal: dos países de origem às regiões de destino” (com C. Rego, J. R. dos Santos e M. G. Magalhães), in Revista Portuguesa de Estudos Regionais, RPER, nº 24-2º Quadrimestre, artigo 7, APDR, Coimbra, pp. 17-39.