PAP0306 - Género na perspectiva individual: agência, constrangimentos e oportunidades
A comunicação "Género na perspectiva individual: agência, constrangimentos e oportunidades", inserida no Congresso Português de Sociologia com o tema Sociedade: Crise e Reconfigurações, pretende explorar resultados iniciais da tese de doutoramento, orientada pela Professora Anália Torres, que visa compreender como o indivíduo vive a sua condição de género na sociedade portuguesa actual, num contexto de grandes e rápidas mudanças sociais, económicas e culturais.
Sendo que se entende o género numa perspectiva que engloba quatro níveis de análise (Messner, 2000): o nível individual (o património individual de disposições e esquemas de acção, avaliação e percepção de si (Lahire, 2001)); o nível interaccional (as interacções e relações tidas e mantidas pelo indivíduo com os outros e como esse indivíduo, nesse contexto, desenvolve a sua condição de género e a sua reflexão de si); o nível estrutural (as possibilidades e os constrangimentos impostos pelas situações e posições ocupadas pelo indivíduo genderizado); e o nível cultural (as concepções normativas de género que foram sendo transmitidas e adquiridas ao longo da história de vida do indivíduo, com as quais o indivíduo pode ter rompido ou agido em conformidade).
Deste modo, no contexto do projecto de tese de doutoramento, percepciona-se o género enquanto integrando não só uma perspectiva individualista em que o indivíduo é agente da sua condição de género (West e Zimmerman, 1987 e 2009; Butler, 1990), mas também uma perspectiva estruturalista, em que esse mesmo indivíduo se encontra integrado numa sociedade que lhe oferece constrangimentos e possibilidades estruturais ao exercício dessa agência no âmbito da sua condição de género (Connell, 2009; Martin, 2003; Messner, 2000).
Para a compreensão do que consiste, no século XXI, na sociedade portuguesa em mudança acelerada, ser homem ou mulher, começou-se a realizar entrevistas biográficas a indivíduos dos 30 aos 60 anos, de modo a encontrar-se diferenças culturais e sociais provenientes de diferenças geracionais; e de proveniências diversificadas no que diz respeito à classe social. As entrevistas são constituídas por duas partes distintas. Uma relativa ao curso de vida do indivíduo nos vários níveis de análise mencionados (individual, interaccional, estrutural e cultural) ao longo da infância, adolescência e vida adulta. Outra relativa ao momento presente e como o indivíduo investe e coloca prioridades em cinco planos distintos: a conjugalidade, a parentalidade, o trabalho profissional, a política e a religião. São os resultados preliminares das primeiras entrevistas realizadas que se pretendem abordar nesta comunicação.
Diana Maciel
CIES-IUL
Mestre em Família e Sociedade pelo ISCTE-IUL e Doutoranda em Sociologia no ISCTE-IUL
Interesses de investigação: Género, Sociologia da família, Participação política, Família e trabalho, e Toxicodependências