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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0872 - Inovação Urbana nos serviços de base local prestados pelas organizações da economia social
A cidade congrega todo o potencial associado à sua densidade. Por um lado, é palco privilegiado da criatividade, do movimento e dos fluxos. Por outro, concentra dualidades sociais marcantes que evidenciam as desigualdades na redistribuição dos rendimentos. Distinguir estes campos traduz-se apenas num exercício analítico que não procura tratar cada uma das dimensões de forma desligada. Muito pelo contrário, o que existe de mais interessante é a miscigenação entre as diferentes variáveis em jogo.
Face às tensões e às oportunidades que emergem da cidade, interessa perceber a forma como as organizações procuram dar uma resposta direta aos problemas e às necessidades dos cidadãos. Incidindo sobre as organizações cujo perfil se enquadra nos critérios europeus de definição da economia social (Ávila e Campos, 2007), o enfoque é centrado sobre aquelas que desenvolvem serviços de base local. Entendem-se por estes serviços aqueles que suprem necessidades sociais dos indivíduos a partir de uma perspetiva assente nas características específicas de cada local (Bradford, 2011) e a partir de relações subjetivas e objetivas de proximidade (Laville, 2005; 2009). Estaremos perante um novo localismo ou uma outra abordagem territorialista que recupera as potencialidades das intervenções «bottom-up» não descurando o caráter sistémico e global em que se enquadram as relações sociais.
Trata-se de saber que tipo de respostas são dadas por estas organizações, que recursos mobilizam e qual a sua importância na construção da vida da cidade. A partir de uma análise descritiva que decorre do seu mapeamento na cidade de Lisboa, pretende-se dar conta dos elementos mais inovadores. Uma inovação entendida: i) pela forma como são mobilizados os recursos para além das lógicas assistencialistas que medeiam parte da intervenção social; ii) a partir da mobilização de áreas de ação e de grupos sociais distintos como meio de promoção da inclusão; iii) pela ativação de novas formas de organização coletiva para o consumo e a produção que valorizam a proximidade como elemento central na construção de uma cidadania ambiental urbana; iv) pela reivindicação e lobby exigindo o direito à vivência e à apropriação da cidade; v) através da participação ativa dos cidadãos na valorização e na reabilitação do património; vi) pela criação de sistemas autónomos de proteção face a riscos assentes na confiança entre desconhecidos.
Apresentam-se os casos mais emblemáticos que refletem a capacidade de auto-organização cidadã para a criação de respostas diretas aos problemas emergentes da cidade.
- SOUSA, Vanessa

“Vanessa Duarte de Sousa é assistente convidada da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, associada do Dinâmia’CET, ISCTE – IUL e Bolseira da FCT para o doutoramento em Cidades e Culturas Urbanas pelo Centro de Estudos Sociais e Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. É licenciada em Sociologia e Planeamento e Mestre em Planeamento e Avaliação de Processos de Desenvolvimento, ambos pelo ISCTE. Áreas de interesse: construção de indicadores de desenvolvimento social, investigação-ação, sociologia da intervenção, sociologia do território, políticas sociais e economia social urbana, tema em que se centra a tese de doutoramento em desenvolvimento.”
PAP0227 - Processos de capacitação social: o caso do microcrédito
O microcrédito consubstancia-se num instrumento inovador das políticas públicas e sociais no combate aos processos de pobreza e de exclusão social, bem como num instrumento inovador de intervenção e de promoção de processos de capacitação social.
A investigação “Processos de capacitação social: o caso do microcrédito” promove a discussão sobre políticas públicas e sociais que visam combater as múltiplas formas de desigualdades sociais, fruto dos disfuncionamentos do sistema económico.
O objeto de estudo da análise incide sobre os papéis sociais do microcrédito, que consiste num processo de concessão de empréstimos de pequenos montantes económicos, sem exigência de garantias reais, para financiar a iniciativa económica da população excluída do sistema financeiro tradicional. Este instrumento visa impulsionar a geração de rendimento, promovendo melhorias na qualidade de vida da população afetada diretamente pelos problemas sociais da pobreza e exclusão social.
O estudo segue uma estratégia de análise qualitativa, na qual a aproximação ao terreno empírico se procede através de entrevistas de caráter exploratório a informantes privilegiados e de grupos de discussão com beneficiários do microcrédito.
Da análise surgem um conjunto de considerações sobre as virtualidades e fragilidades do modelo de microcrédito português, que importa discutir e aprofundar, bem como sugestões de novas estratégias de atuação, de forma a incrementar a eficácia e eficiência dos programas de microcrédito portugueses, tendo em consideração a análise e interpretação dos sentidos e dos significados atribuídos pelos próprios beneficiários do microcrédito ao recurso a este instrumento, inovador no combate aos processos de pobreza e exclusão social.
Numa lógica de investigação para a ação, o conhecimento científico procedente da pesquisa é aplicado a favor da promoção de processos de capacitação e inclusão social.
- SILVA, Cristiana

Cristiana Isabel Marques Silva (1988) licenciou-se em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), em 2009, com a classificação final de quinze valores.
Em 2011, concluiu na FLUP, com a classificação final de dezassete valores, o ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Sociologia, com a tese “Processos de capacitação social - o caso do microcrédito”.
Apresenta experiência profissional nas áreas de investigação científica, ação/intervenção social e logística.
Atualmente é Bolseira de Gestão de Ciência e Tecnologia, no Instituto de Telecomunicações – Porto, desempenhando funções ligadas à gestão de projetos científicos de I&D.