PAP0352 - A Construção da Transnacionalização da Educação de Adultos no Contexto Comunitário Europeu – Impactos na Agenda Política Nacional para o Sector
Considera-se que as actuais dinâmicas de
europeização das políticas públicas nacionais
estão inscritas no processo histórico da
construção europeia, impondo-se atender à
relação entre a edificação deste bloco
regional e a elaboração progressiva de um
mandato europeu para a educação e formação de
adultos. Teoricamente percepciona-se o campo
educativo enquanto campo de
transnacionalização, construído, como aponta
Mendes, numa “dinâmica fluída e biunívoca de
entrosamento e embaralhamento, entre as
dinâmicas internacionais e as dinâmicas
nacionais, não numa soma ou sobreposição de
elementos justapostos, mas antes num processo
de definição e redefinição constantes que
conduz a tradutabilidades, a particularismos,
a singularismos e a hibridismos” (Mendes,
2007: 4). Tomamos aqui o conceito de
europeização como “um processo de articulação
e interligação de referência muito estreita
entre os sistemas políticos nacionais e o
sistema político comunitário e entre as
políticas e as prioridades nacionais e
comunitárias” (Antunes, 2005: 463). Desta
forma procura-se contextualizar o actual
protagonismo da União Europeia, no âmbito da
propagação do paradigma da aprendizagem ao
longo da vida, num processo de europeização da
educação que adquire hoje uma importância
central para interpretar as diacríticas das
novas instituições e processos educativos que
emergem na realidade portuguesa actual do
sector da educação e formação de adultos. O
Texto enfatiza que o processo da
transnacionalização da educação no contexto
comunitário, tem vindo a decorrer numa
sequência três fases principais. Num primeiro
momento, de configuração da esfera política da
educação, identificamos duas fases: uma que
decorre entre 1971 e 1986, em que se dá a
institucionalização da educação como área de
cooperação e acção comunitárias; e outra, que
decorre a dois tempos, entre 1986 e 1992 e
depois acentuando-se entre 1992 e 1998/9, em
que tem lugar a intervenção política
comunitária no domínio da educação. No segundo
momento assistimos, numa terceira fase que
ainda decorre, à edificação da articulação
sistemática de políticas e do espaço europeu
de educação e formação, cuja emergência
representa, a nosso ver, uma verdadeira
viragem na elaboração de políticas públicas
para o sector que, inovadoramente desde então,
se inscrevem no âmbito de uma governação
pluriescalar da educação (Barros, 2009) com
lógicas diferentes para pontos diferentes do
sistema da economia-mundo capitalista. Defende-
se que no arranque do século XXI, as políticas
nacionais de educação e formação de adultos
aparecem imbricadas num novo contexto europeu
de políticas coordenadas, configurando uma
matriz de políticas pluriescalar cujas
prioridades têm emanado, invariavelmente, da
esfera económica.
- BARROS, Rosanna

Rosanna Barros é Professora Adjunta da Universidade do Algarve. É a Coordenadora da Área Científica de Educação Social desta Instituição. E é a Directora do Curso de Educação Social da ESEC (Regime Diurno e Pós-laboral). Étambém Membro da Comissão Coordenadora do Mestrado em Educação Social da ESEC. Tem experiência docente em diversas áreas das Ciências Sociais, com destaque para a Sociologia Crítica da Educação e as Políticas Públicas de Educação de Adultos.
Academicamente:
Rosanna Barros possui licenciatura em Antropologia Social e Cultural (1998). Mestrado em Sociologia do Desenvolvimento e da Transformação Social (2002, orientação de Boaventura de Sousa Santos) ambos pela Universidade de Coimbra. É pós-graduada em Direitos Humanos e Democratização pela Universidade de Coimbra (2000) e em Educação de Adultos e Desenvolvimento Comunitário pela Universidade de Sevilha (2003). É Doutora em Educação pela Universidade do Minho (2009, orientação de Licínio Lima).
Cientificamente:
Rosanna Barros tem em curso alguns projectos de investigação avançada, pertencendo ao CIEd (Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho) e ao CIEO (Centro de Investigação em Espaço e Organizações da Universidade do Algarve). Tem diversos Livros e Artigos publicados.
PAP1195 - A EMERGÊNCIA DE UM NOVO CORPO: O CONTRIBUTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO
Com esta comunicação pretendemos atingir os seguintes objectivos:
1 – Analisar o impacto que o discurso higienista teve na génese da Educação Física e Desporto;
2 – Discutir o papel que foi atribuído à Educação Física e Desporto no combate ao definhamento da raça.
Métodos/resultados: para analisarmos o problema enunciado seguimos a análise do discurso seguindo a perspectiva de Michel Foucault. Do trabalho que realizámos verificámos que o discurso higienista trouxe uma nova racionalidade, servindo para fazer a fundamentação à protecção colectiva e individual. O exercício físico surgiu, com a higiene, legitimado pelo saber científico. Desde o século XVII que assistimos a um discurso que relaciona a importância do exercício com a conservação da saúde. A grande aspiração da higiene era governar, ultrapassando os parâmetros da fisiologia, querendo também abraçar a sociologia e a moral. A ignorância, a incúria, fomentavam o viver anti-higiénico. Face a esta realidade, considerou-se que a escola poderia servir de instrumento de mudança. O apelo feito pela higiene veio contribuir para dar relevância à educação física e ao desporto. As vítimas que a surménage provocava e os trabalhos que Mosso desenvolveu, vieram colocar a necessidade de as reformas cuidarem da saúde dos jovens. Os trabalhos de antropologia escolar apareceram para se tentar saber a correlação existente entre o desenvolvimento físico e o desenvolvimento da inteligência. Daí que a avaliação antropométrica dos alunos tivesse ganho tão elevado interesse.
Como conclusão podemos dizer que a educação física e o desporto ganharam reconhecimento com o discurso higienista através do combate às doenças escolares. Foi num contexto de degenerescência da raça - como então se dizia - que se colocaram novas exigências à governação da população. Nesta viragem de mundividência, a população saudável passa a ser vista como uma riqueza. Para esta mundividência, foram muito importantes os contributos da política de saúde, da educação física e do desporto.
Palavras-chave: saúde, corpo, educação física, desporto.
- BRÁS, José Viegas

- GONÇALVES, Maria Neves

José Gregório Viegas Brás
Doutorado em História da Educação, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Lisboa (2006).
Mestre em Ciências da Educação, pela Faculdade de Motricidade de Humana, Universidade Técnica de Lisboa (1990).
Professor Associado na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT).
Coeditor da Revista Lusófona de Educação
Coeditor da revista electrónica Entretextos
Coordenador do Grupo de Investigação Memórias das Instituições Educativas e do Pensamento Pedagógico do Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF) da ULHT.
Autor de diversas comunicações ( em eventos nacionais e estrangeiros).
Autor de diversos artigos publicados em livros, revistas nacionais e estrangeiras.
Maria Neves Leal Gonçalves
Professora Auxiliar na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT) em Lisboa. Doutora em História da Educação, pela Universidade de Évora. É coeditora da Revista Lusófona de Educação. E co-coordenadora do Grupo de Investigação Memórias das Instituições Educativas e do Pensamento Pedagógico do Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF) da ULHT. Áreas de interesse: Republicanismo, laicização do ensino; História do Currículo; Professores e Associativismo Docente.
PAP0379 - A Educação em Tempo de Mudança e a relação com “As Novas Oportunidades” – O Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) na Região Autónoma da Madeira.
Resumo: A presente comunicação centra-se na problemática do reconhecimento e validação das aprendizagens experienciais dos adultos (RVAE) numa perspetiva educativa-formativa. Estas novas práticas pedagógicas, resultantes do Processo de Reconhecimento, Certificação e Validação de Competências (RVCC), decorrem num período de mudanças muito significativas na dinâmica global. É inevitável que as diversas correntes do saber se esforcem para dar respostas aos novos desafios da humanidade, num período de crise e, em simultâneo, de luta pelas novas oportunidades. Vivemos, assim, num terreno de tensões e contradições, onde as crises e reconfigurações que atravessamos hoje na sociedade portuguesa necessitam de reflexão e de apostas em investimentos pessoais e necessidade de novas qualificações académicas.
Os novos enquadramentos legislativos integrados no paradigma de Educação/Formação ao Longo da Vida valorizam as aprendizagens informais e não-formais dos adultos, decorrentes dos seus percursos pessoais, sociais e profissionais.
A presente investigação tem como principal objetivo a análise do sistema de ação que enforma (cf. no sentido da sociologia formal de Simmel) as práticas de adultos que, não tendo concluído a Escolaridade Básica Obrigatória (3º Ciclo do Ensino Básico), recorrem às ofertas de educação e formação de compensação, mais concretamente as propostas a nível do Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), nos Centros de Novas Oportunidades (CNOS= 5), na Região Autónoma da Madeira (R.A.M.)
A referida investigação permite a identificação de dimensões de análise do nosso objeto de estudo e, ao mesmo tempo, faz emergir diversas pistas de investigação a desenvolver no futuro no campo da Educação e Formação de Adultos e a sua integração no Sistema Educativo.
Palavras-Chave: Educação – Formação de Adultos; Sociedade; Novas Oportunidades; Processo de Reconhecimento Certificação e Validação de Competências.
- PEREIRA, Maria Manuela Vieira Teixeira

Maria Manuela Vieira Teixeira Pereira
Afiliação institucional - Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Àrea de formação - Ciências da Educação
Interesses de investigação - Educação/Formação de Adultos (Processo de Reconhecimento, Certificação e Validação de Competências)
PAP0556 - A FORMAÇÃO PARA O TRABALHO EM SAÚDE E O DEBATE SOBRE AS NOVAS COMPETÊNCIAS
Os anos noventa do século XX configuram-se como espaço de ruptura do modelo de organização e institucionalização do sistema de saúde brasileiro. A saúde é entendida como um direito com base nos princípios da integralidade, universalidade e equidade. Em tempos de ajustes macro-econômicos e politicas neoliberais ocorreu, no pais, a reforma democrática consubstanciada na Constituição Federal de 1988, espaço privilegiado para o protagonismo de vários movimentos sociais. Neste espaço, o movimento sanitário, exerceu uma contra-hegemonia política e cultural, ensejando a implantação de um modelo de saúde baseado no ideais da Reforma Sanitária, conseguindo incorporar legalmente parte de sua proposta na legislação do Sistema Único de Saúde (SUS). Neste cenário de modificações, reorganização, reestruturação do trabalho em saúde e redefinição do seu objeto, novas exigências são postas para os trabalhadores em saúde, e amplia-se o debate em relação a uma formação voltada para a construção de novas competências que não se restrinja ao aspecto técnico-instrumental, mas que possibilite uma ampliação e construção de competências organizacionais, comunicativas, comportamentais sociais, intelectuais e técnicas. Adotando a perspectiva histórico/crítica e a visão de totalidade na abordagem da relação entre Educação, Trabalho e Saúde, esta pesquisa objetivou analisar o processo de formação dos enfermeiros participantes do Centro de Educação Permanente em Saúde (CEPS) em Aracaju/SE/Brasil, desenvolvido com base na reestruturação organizacional do modelo de saúde e da política de qualificação empreendida no período de 2002 a 2006, conforme princípios orientadores da Política de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde. A abordagem qualitativa por meio estudo de caso possibilitou a consulta de diferentes fontes bibliográficas (revisão da literatura) e documentais como: o relatório de gestão, projeto político pedagógico do Curso de Especialização Integrado em Saúde Coletiva (EISC). O acesso aos respondentes da pesquisa ocorreu com a realização de dezessete entrevistas semi-estruturadas com os enfermeiros que participaram da EISC. Especial destaque foi atribuído à pedagogia do fator de exposição, utilizada no CEPS, significando um modo de ver e intervir, uma possibilidade pedagógica real e coerente de se exercer uma ação educacional política problematizadora da realidade, visando à transformação das práticas com base nos conteúdos trabalhados. Os resultados descobr
- BORGES, J.Lusitânia de J
- CRUZ, Maria Helena Santana
PAP1350 - A construção da Identidade Profissional no decurso do Estágio Profissional: Um estudo com estudantes-estagiários de Educação Física
O estágio profissional, no âmbito da formação de professores, é
entendido como uma etapa fundamental no processo de construção da
Identidade Profissional (IP). Deste modo, o propósito deste estudo foi
percepcionar os traços da IP que emergem nos Estudantes-Estagiários
(EE) durante o Estágio Profissional. Adicionalmente procurou-se
identificar as características em que estes se distinguem enquanto
professores e as características que os aproximam enquanto elementos
de uma mesma classe, a de professores. Participaram neste estudo 12
EE (6 do sexo feminino e 6 do sexo masculino) da Faculdade de
Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), do ano letivo 2010/2011,
pertencentes a 4 núcleos de estágio de escolas do Distrito do Porto.
Para a recolha dos dados foram realizados 4 Focus Grupo com todos os
EE subordinados às seguintes temáticas: i) partilha de experiências
acerca do percurso formativo enquanto alunos; ii) construção do diário
de bordo; iii) aprendizagens mais significativas em resultado da
elaboração do diário de bordo; iv) conceções do que é ser professor e
professor de educação física. As sessões foram gravadas em aúdio e
transcritas verbatim. Na análise dos dados recorreu-se à análise
temática com temas definidos a priori. Da análise efetuada ficou
evidente que: i) a maioria dos EE refere que sempre quis seguir o curso
de educação física, reconhecendo uma identidade distinta à sua
faculdade, materializada em aspetos como a indumentária, a atitude e
o vocabulário específico; ii) os EE descrevem aspetos positivos
(conquista, vitória) e negativos (medo, receio) relacionados com o
estágio. Os registos relacionam-se com a condução das aulas, sendo
estas os elementos referidos como mais relevantes na construção da IP;
iii) o registo no diário de bordo evoluiu para reflexões mais
interpretativas e estratégicas, sendo que o foco que inicialmente era
pedagógico, passou a incluir aspetos relacionais. Deu-se um
alargamento da tipologia dos episódios relatados, por exemplo o
desporto escolar e conselhos de turma, demonstrando uma maior
consciencialização acerca da diversidade de papéis/funções do
professor. O diário de bordo foi entendido como um veículo promotor
da reflexão e da atribuição de significado às vivências na escola e aos
episódios marcantes na construção da sua IP; iv) os EE referem que o
professor não atua somente no espaço da sala de aula e que as suas
responsabilidades transcendem o espaço da escola e o da su
- FERREIRA, Ana

- PEREIRA, Ana
- GRAÇA, Amândio
- BATISTA, Paula
Ana Margarida Alves Ferreira
Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico eDoutoranda em Ciências do Desporto na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.Tema de investigação: construção da Identidade Profissional em professores de Educação Física.
Últimas publicações: Ferreira, A.; Pereira, A.; Silveira, G.; Batista, P. (2012). Discursos de professores cooperantes iniciantes e experientes acerca da função de orientação: um estudo com professores cooperantes da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, 1, 188-200.
Alves, M.; Pereira, A.; Graça, A.; Batista, P. (2012). Practicum as a space and time of transformation: self-narrative of a Physical Education pre-service teacher. US-China Education Review. [In Press]
PAP0130 - A escola pública no olhar dos jovens herdeiros
Num momento em que a escola pública enfrenta
múltiplos e complexos desafios e se vê no
centro de inúmeros debates políticos e
investigações científicas, pretendemos
reflectir sobre ela a partir não do
(tradicional) olhar de quem nela vive e de
quem a constrói, mas do olhar distanciado de
quem se sente membro de um sistema de
ensino “à parte”: os alunos das escolas
privadas.
Os dados apresentados resultam de uma
investigação de doutoramento sobre o sucesso
educativo em duas escolas privadas
frequentadas pelas classes dominantes. Apesar
de esta pesquisa não ter como foco analítico
as representações sobre a escola pública,
foram muitos os momentos em que os discursos
dos alunos nos reenviaram para o universo do
ensino estatal. Dissociado da complexidade e
diversidade que o carateriza, ele surge
representado pelos alunos como uma realidade
homogénea e desqualificante que tem
por “contraponto qualificante” o ensino
privado, também falaciosamente associado a um
todo social e escolarmente homogéneo. Tomando
por base apenas umas das técnicas de recolha
de dados acionada nesta investigação – o grupo
de discussão focal -, analisamos, num diálogo
entre o “nós” (escola privada) e o “eles”
(escola pública), os principais eixos em que,
na opinião destes jovens, assenta a dicotomia
entre os dois sistemas de ensino: excelência
académica; valorização do mérito; vivências e
dinâmicas de (in)disciplina; noções
de “identidade de escola”, de “família
educativa”, de “educação em valores” e
de “educação na/para a diversidade sócio-
cultural”. Estes indicadores permitem-nos não
só uma reflexão em torno das lógicas de
distinção – escolar e social – presentes no
discurso dos herdeiros, mas também um
reequacionar crítico da polarização entre
ensino público e privado: o primeiro,
percecionado como espelho da “crise” da
escola; o segundo, como miragem para um ensino
de qualidade.
Escutando os herdeiros de hoje, estaremos (pre)
vendo as políticas educativas de amanhã…
- QUARESMA, Maria Luísa

Identificação: Maria Luísa da Rocha Vasconcelos Quaresma
Filiação:Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto / Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto
Habilitações Literárias: Doutoramento em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Bolsa FCT - SFRH / BD/ 39952/ 2007)
Investigação/docência: Investigadora Integrada do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto/Assistente convidada na Escola Superior de Educação do IPP.
Áreas de interesse: Sociologia da Educação, Sociologia da Juventude, Sociologia das Classes Sociais
Principais Publicações: QUARESMA, Maria Luísa (2010) – Da escola pública ao colégio privado: entre a homogeneidade perdida e a homogeneidade reivindicada. Revista Luso-Brasileira “Sociologia da Educação”, nr.2; QUARESMA, Maria Luísa; LOPES, João Miguel (2011) – Os TEIP pela perspetiva de pais e alunos. Revista de Sociologia, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, vol XX; QUARESMA, Maria Luísa (2010) – Interação, disciplina e indisciplina. In ABRANTES, Pedro, org. – Tendências e controvérsias em Sociologia da Educação. Lisboa: Editora Mundos Sociais; QUARESMA, Maria Luísa (2011) – Democratização escolar: percursos e percalços. In LIMA, Francisca [et al.] – Democratização e educação pública: sendas e veredas. São Luís: EDUFMA --
PAP0646 - A reconstrução identitária nos jovens institucionalizados em Centro Educativo
A delinquência juvenil e as questões sobre reinserção social têm assumido um papel de destaque nas agendas políticas de vários governos, ao longo dos tempos, tanto em Portugal como em vários outros países. Esta investigação, resultante de um trabalho de mestrado, aborda o fenómeno da delinquência juvenil e as questões da reconstrução identitária, incidindo sobre os jovens institucionalizados no Centro Educativo de Santo António. A investigação foi desenvolvida em duas fases: numa primeira fase exploratória, procedeu-se à consulta dos dossiers tutelares de forma a aceder ao perfil biográfico dos jovens institucionalizados; numa segunda fase analisaram-se os discursos dos próprios jovens delinquentes, através da realização de entrevistas semi-estruturadas. O objectivo principal foi perceber as continuidades e as descontinuidades entre as visões projetadas pela instituição e as representações sociais construídas pelos próprios indivíduos que são alvo dos processos de normalização e de educação para o direito. Uma vez que o objectivo da medida de internamento é atingir a normalização, apagando as dissemelhanças entre o mundo “normal” e o mundo da delinquência, importa perceber se de facto os jovens adquiriram normas, valores e comportamentos em moldes considerados aceitáveis pelo sistema de justiça. Pela análise dos discursos obtidos pelos jovens em situação de entrevista, fica aqui uma interrogação: se de facto eles construíram mesmo as mudanças previstas na lei e operacionalizadas pelos programas “terapunitivos” das instituições ou se apenas as referem numa atitude de conformidade “temporária”. Por agora o que se sabe é que os jovens manifestam o desejo de deixar o Centro Educativo. Assim, procuram comportar-se no dia-a-dia de modo a não atrasar o momento da saída. Após este período fica tudo em aberto admitindo-se a hipótese de regresso a uma carreira delinquente.
- SILVA, Adriana

- MACHADO, Helena

Adriana Silva é licenciada e mestre em Sociologia pela Universidade do Minho desde 2009. Entre 2010 e 2011 foi bolseira de investigação em dois projetos de investigação coordenados pela Doutora Helena Machado. Desde janeiro é doutoranda no Centro de Investigação em Ciências Sociais na Universidade do Minho com um projeto de doutoramento intitulado “Envelhecer na Prisão: Processos identitários, vivências prisionais e expectativas de reinserção por reclusos idosos”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Os seus interesses de investigação incidem principalmente sobre os estudos prisionais, envelhecimento e género.
Helena Machado
hmachado@ics.uminho.pt
Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.
PAP0359 - Agenda 21Local e a questão da sustentabilidade: interfaces das experiências brasileira e portuguesa
A Rio-92 foi um Fórum Mundial no qual o modelo hegemônico de desenvolvimento da sociedade industrial foi criticado e apontado como responsável pela degradação ambiental. Nele foi elaborado o documento denominado de Agenda 21(AG21), definida como um instrumento de planejamento sustentável participativo e de desenvolvimento territorial. No seu processo de elaboração e implantação estão contidos mecanismos que podem ou não contribuir para uma efetiva participação cidadã. A cidadania é orientada pelos anseios crescentes do cidadão pertencer a uma coletividade. Essa noção político pedagógica, incorporada, por exemplo, no processo organizativo de comunidades locais, pode favorecer um determinado sistema de alianças em prol da participação na elaboração das Agendas 21 Local (A21L) prevista no capítulo 28 da Agenda 21 Global (A21G). As práticas educativas no campo ambiental começaram a ser incorporadas não só em âmbitos institucionais formais, sob a égide da reconstituição de uma suposta “ordem”, como também acolhendo iniciativas pelas quais procuram atribuir legitimidade a uma diversidade de ambientes compatíveis com a pluralidade dos sujeitos. A sustentabilidade configura-se como uma possibilidade de resposta aos processos de degradação ambiental do planeta decorrentes do modelo de desenvolvimento dominante na sociedade moderna. As práticas educativas ambientais podem contribuir com a construção de novos valores culturais voltados para uma sociedade sustentável, democrática, participativa e socialmente justa. A revisão do modelo de desenvolvimento existente, baseado em hábitos consumistas de difícil reversão, necessita de um enfoque sócio educativo dessa natureza. Por esse raciocínio, ambiente e sustentabilidade configuram-se como saberes articuladores da diversidade de novos valores éticos e integração de processos ecológicos, tecnológicos e culturais. O Estudo tratou de processos e dinâmicas de elaboração de AG21L nos contextos português e brasileiro. Resulta como parte das atividades desenvolvidas no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, em Portugal. Por meio de uma pesquisa bibliográfica analisou a produção acadêmica, políticas governamentais, diretrizes de agências multilaterais e/ou regionais, como é o caso da Comunidade Européia, e relatos ou projetos de experiências locais de atores diversos, referentes a essa temática. Na análise foi identificada uma transversalidade expressiva de documentos que dão conta de políticas de ordenamento territorial, tais como, os planos diretores, os planos de desenvolvimento local, os planos de gestão ambiental, mas que nem sempre dialogam ou estabelecem interfaces com os processos de elaboração das Agendas 21, particularmente na escala local, em ambas as realidades estudadas, a brasileira e a portuguesa.
Palavras-Chave: Agenda 21, Desenvolvimento Local, Sustentabilidade, Território
- SILVA, Martia das Graças

Maria das Graças da Silva
Pos-Doutoramento em Sociologia Ambiental ( ICS/PT), doutorado em
Planejamento Urbano e Regional (UFRJ, 2002), possui graduação em
Ciências Sociais pela UFPA (1979). É professora Adjunta da
Universidade do Estado do Pará (UEPA), integra o Programa de
Pós-Graduação Stritu Sensu, Mestrado em Educação, com experiência em
orientação acadêmica de dissertação e Trabalho de Conclusão de Curso
de Graduação e especializãção na área de educação em ambientes não
escolares e questões ambientais. Tem publicado vários artigos em
periódicos nacionais, em Anais de Congresso, capítulos de livro, livro
em co-autoria e experiência na área de Sociologia e sociologia
ambiental, Planejamento Territorial, atuando principalmente com os
seguintes temas: práticas educativas, educação ambiental, meio
ambiente, saberes locais e pesquisa. Atualmente exerce o cargo de
Vice-Reitora da UEPA, mandato 2009-13.
PAP0383 - Aprendizagem do longo da vida e transições educativas e profissionais: os diplomados de ensino superior em tempos de incerteza
A centralidade das
dinâmicas de
aprendizagem ao
longo da vida tem
vindo a ser
progressivamente
afirmada e
reconhecida na
contemporaneidade,
quer no plano das
orientações de
política
educativa quer ao
nível das práticas e
representações dos
indivíduos.
Neste contexto, se
tradicionalmente a
um período de
educação e
formação nas idades
mais jovens se
seguia o exercício
de uma
atividade
profissional na qual
se progredia
progressivamente
durante a
idade adulta, nas
sociedades de
aprendizagem ao
longo da vida as
transições entre
educação, trabalho e
emprego parecem ser
cada vez
mais frequentes
traduzindo-se em
trajetórias incertas
e imprevisíveis.
Assim sendo, as
biografias
configuram-se
crescentemente como
sucessões de
transições de
diferentes tipos, ao
mesmo tempo que os
adultos são cada vez
mais envolvidos (e
incentivados a
envolverem-se)
em situações e
processos
educativos.
Na comunicação
proposta,
pretende-se
aprofundar a
reflexão em torno
destas dimensões que
consideramos
essenciais para
caracterizar as
transformações
sociais das últimas
décadas,
privilegiando a
análise das
transições dos
diplomados de ensino
superior em
Portugal. Para tal,
numa primeira etapa
mobilizam-se dados
empíricos de estudos
centrados na
inserção
profissional destes
diplomados que têm
vindo a
ser realizados em
diversas
instituições de
ensino superior
focando-se,
sobretudo, nos
licenciados, mas
também em alguns
casos em pós-
graduados. Numa
segunda etapa,
apresentam-se dados
resultantes de
um questionário
respondido em
Novembro de 2010 por
uma amostra
representativa de
licenciados da
Universidade de
Lisboa e da
Universidade Nova de
Lisboa que
terminaram os
respectivos cursos
em
2004/05. Esta
inquirição
enquadra-se num
projeto de
investigação em
equipa que vem sendo
desenvolvido com o
apoio da Fundação
para a
Ciência e Tecnologia
(referência
PTDC/CS-SOC/104744/2008).
Com base nos dados
empíricos analisados
na comunicação,
procura-se
aprofundar a
reflexão em torno de
algumas
interrogações das
quais
destacamos as
seguintes: Que
estratégias
constroem os
sujeitos no que
respeita às
articulações entre
os seus percursos
académicos e as suas
trajetórias de
trabalho/emprego?
Como se articulam
dinâmicas de
aprendizagem em
contexto académico e
em contexto
profissional? Que
relevância tem a
precariedade de
emprego na
satisfação com a
situação
profissional e na
procura de formação
pós-graduada?
- ALVES, Mariana Gaio

Mariana Gaio Alves é licenciada em Sociologia pelo ISCTE (1992) e concluiu Mestrado (1997) e Doutoramento (2004) em Ciências de Educação na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL). É atualmente Professora Auxiliar na FCT/UNL e investigadora na UIED (Unidade de Investigação Educação e Desenvolvimento) na mesma Faculdade. É membro das Comissões Coordenadoras do centro de investigação UIED e do Programa Doutoral em Ciências de Educação em Associação entre FCT/UNL, FCSH/UNL e ISPA. Lecciona unidades curriculares de Mestrados em Ensino e de Programa Doutoral, designadamente Sociologia da Educação, Organização dos Sistemas Educativos e Educação e Formação de Adultos.
PAP1167 - CRISE NA EDUCAÇÃO E EDUCAÇÃO NA CRISE: O estado social e o financiamento dos sistemas educativos na Europa e em Portugal
Num momento em que o financiamento dos estados europeus constitui uma das dificuldades mais relevantes, a forma como cada um confere atenção ao sector da educação e o enquadra numa seriação de prioridades ou num modelo estratégico para o desenvolvimento económico e social, remete para uma reflexão fundamental sobre a intervenção do estado em tempos de turbulência como os que vivemos.
Os estados europeus protagonizam programas de protecção social e níveis de alargamento da escolaridade pós-básica diferenciados. É também conhecida a expansão da população estudantil nas últimas décadas, com alargamentos indesmentíveis nos níveis mais avançados dos sistemas educativos, o que obrigou a mudanças nos modos tradicionais de financiamento da educação, nomeadamente do ensino superior. O investimento no topo do sistema, mais concretamente na educação terciária, faz com que países que tomam esse patamar de ensino como um desafio incontornável experimentem níveis elevados de desenvolvimento e possuam sociedades mais protegidas de modos de exclusão social.
No entanto, revela-se também muito evidente que nas principais análises das estratégias públicas para a protecção social e luta contra a exclusão social (onde se privilegia, entre outros, os cuidados de saúde, subsídios de desemprego, pensões e reformas), a educação tende a ter pouca visibilidade.
A análise que se propõe fará recurso a um dos esforços mais relevantes para a tipificação dos estados, que diz respeito ao modelo proposto por Esping-Andersen, embora também este tenda a contornar a integração da educação nos critérios de classificação dos perfis de programas sociais identificados. Pretende-se assim dar conta de relações substantivas entre perfis de segurança social e padrões de despesa em educação específicos nas várias configurações dos estados. Para analisar alguns dos seus conteúdos seleccionaram-se indicadores estatísticos (difundidos pelo Eurostat, OCDE, etc.) que exprimem, ainda que de forma ilustrativa, algumas das estratégias públicas mais relevantes a este respeito. Assim, propõe-se uma análise multivariada com um enfoque privilegiado na relação entre protecção social (aqui tratada com indicadores de despesa pública) e o sector educativo (utilizando-se indicadores que reflectem as despesas na educação e a importância do sector privado nos sistemas educativos). Esta perspectiva permite obter configurações de estados à luz desta relação, dando conta de estratégias e prioridades face à educação pública e aos gastos que lhe estão associados, bem como testar a operacionalidade do modelo referenciado, comparativamente e de forma aprofundada para o caso português.
- MARTINS, Susana da Cruz
PAP1551 - Comportamentos dos jovens universitários europeus na transição para a vida adulta
Nas últimas décadas a sociedade assistiu a processos de mudança profunda, que conduziram a novos comportamentos e a novas formas de ser e estar. Estas mudanças verificaram-se nos mais diversos campos sociais, entre eles a educação, o trabalho, a família e, no fundo, todos os percursos individuais ou colectivos Ao contrário do que se verificava em gerações passadas, a idade cronológica é cada vez menos uma referência e importa então questionar como é hoje feita pelos jovens a transição para a vida adulta. Nas gerações passadas, à infância seguia-se uma rápida transição para a vida adulta, em que a maioria dos indivíduos, quase sempre sequencialmente, entravam no mercado de trabalho, saiam de casa dos pais, casavam e tinham filhos. Actualmente, o espaçamento entre o momento de terminar a frequência do sistema de ensino (nomeadamente, o superior), arranjar um primeiro emprego e todos os restantes acontecimentos que tradicionalmente se seguiam, torna-se maior. Há também hoje uma maior variabilidade no modo como cada acontecimento vai surgindo na vida de cada indivíduo. A passagem para a vida adulta é hoje um período de vida mais longo e menos previsível, em que cada indivíduo toma as suas decisões e opções. Assistimos ainda ao maior investimento na formação e à tendência de continuidade dos estudos ao nível do ensino superior, que se tem revelado uma resposta às novas exigências do mercado de trabalho mas, também, uma possível forma de fuga à realidade do desemprego. Ao mesmo tempo, esta situação resulta no adiamento da entrada na vida adulta dos jovens de hoje. No presente estudo, procuramos compreender como é que o contexto social, económico e demográfico dos países europeus, e a frequência do ensino superior, contribuem para ‘novos’ comportamentos dos jovens na transição para a vida adulta, nomeadamente, no que diz respeito ao impacto da questão da empregabilidade. Para isso, numa análise multidisciplinar, que envolve a Sociologia e a Demografia, e através de uma metodologia essencialmente quantitativa, procuraremos identificar indicadores que poderão explicar a relação entre contexto social e económico, frequência do ensino superior e transição para a vida adulta na Europa.
- CACHAPA, Filipa C.

- MENDES, Maria Filomena

- REGO, Maria Conceição

Filipa Cachapa licenciou-se em Sociologia na Universidade de Évora e está a frequentar aí o último ano do mestrado em Sociologia. É também bolseira em projectode investigação (CEFAGE/UÉ), financiado pela FCT. As suas áreas de interesse relacionam-se com a demografia e ciclos de vida, sociologia da educação, sociologia da cultura e metodologias de investigação.
Maria Filomena Mendes, licenciada em Economia e doutorada em Sociologia na especialidade de Demografia pela Universidade de Évora é Professora Associada no Departamento de Sociologia desta Universidade.
Publicou recentemente, entre outras, as seguintes publicações:
2010, “A diferença de esperança de vida entre homens e mulheres: Portugal de 1940 a 2007” (com I. T. de Oliveira) in Análise Social, Vol. XLV (1.º), 2010 (n.º 194), 115-138.
2010, “Perfil dos imigrantes em Portugal: dos países de origem às regiões de destino” (com C. Rego, J. R. dos Santos e M. G. Magalhães), in Revista Portuguesa de Estudos Regionais, RPER, nº 24-2º Quadrimestre, artigo 7, APDR, Coimbra, pp. 17-39.
Maria da Conceição P. Rego é professora auxiliar com nomeação definitiva no Departamento de Economia da Universidade de Évora. Licenciou-se em Economia, na Universidade de Évora, em 1991, concluiu o curso de Mestrado em Economia Aplicada na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa em 1996 e em 2003 obteve o grau de Doutor em Economia pela Universidade de Évora. Os seus interesses incidem sobre as temáticas da economia e desenvolvimento regional e urbano, população e economia da educação, com destaque para a análise dos efeitos regionais das instituições de ensino superior.
PAP0183 - Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico
Neste artigo, explora-se a importância do contexto socioeconómico para as práticas de consumo e poupança das crianças. O estudo das desigualdades e do consumo tem prestado pouca atenção à infância e à educação para o consumo. Esta investigação tem por objectivo comparar as representações e os comportamentos de crianças, pais e encarregados de educação de estratos sociais diferentes, identificando oportunidades educativas que promovam a literacia financeira e a inclusão social. Para tal, recorre-se a uma pesquisa quali-quantitativa centrada em 245 crianças das escolas básicas da Penha de França, em Lisboa, e dos Salesianos do Estoril. Os resultados apontam para diferenças relevantes por escola e contexto socioeconómico dos agregados, levando-nos a reflectir sobre os contributos de Goldthorpe e Lockwood, por exemplo, acerca da mentalidade das classes no que toca ao gasto, ao investimento, ao planeamento do futuro e ao adiamento da gratificação.
- RIBEIRO, Raquel Barbosa

Raquel Barbosa Ribeiro é Doutora em Ciências Sociais, na especialidade de Sociologia, pelo ISCSP-UTL, onde lecciona desde 1998. É professora auxiliar e investigadora no CAPP – Centro de Administração e Políticas Públicas, integra a equipa de coordenação da Secção Temática Classes e Desigualdades da Associação Portuguesa de Sociologia e é membro da ESA Consumption Research Network. Os seus principais interesses de pesquisa incidem sobre o consumo, as classes sociais e a poupança. A sua produção sobre o consumo inclui: “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos” (2011, Causa das Regras), “Sociologia do Consumo” (2010, ISCSP-UTL); “Children spend, children save” (10th ESA Conference, 8 de Setembro de 2011, Genève, Suíça), “The impact of economic downturn on “distinctive” consumption choices” (ESA Consumption Research Network Interim Meeting, 27 de Agosto de 2010, Tartu, Estónia); “Consumption and contemporary distinction”, (9th European Sociological Association Conference, 5 de Setembro de 2009, Lisboa); “O consumo: uma perspectiva sociológica” (VI Congresso Português de Sociologia, 26 de Junho de 2008, Lisboa).
PAP0597 - Crianças e computador Magalhães: usos e contextos
Propomo-nos apresentar resultados provenientes de uma pesquisa sociológica sobre os usos e efeitos, escolares e sociais, do computador Magalhães num agrupamento de escolas de Leiria. Centrar-nos-emos aqui nos seus usos por parte das crianças, em diversos contextos (casa, escola e outros espaços de sociabilidade), a partir do cruzamento do olhar de distintos atores sociais: as próprias crianças, pais e professores.
Um dos desafios que se coloca na sociedade da informação refere-se às desigualdades e relações de poder que lhe estão subjacentes, fenómeno que tem assumido designações diferentes, como infoexclusão, divisão digital ou fosso digital. Genericamente, o que parece estar em causa é a clivagem entre dois grupos opostos: os que têm e os que não têm acesso às tecnologias de informação. Múltiplas investigações realizadas nos últimos anos têm vindo a mostrar os contornos destas clivagens noutros países (Cruz, 2008) e em Portugal (Cardoso et al., 2005), apontando estudos relativamente recentes para uma realidade crescentemente complexa e multifacetada. Assim, por um lado, Almeida et al. (2008) sugerem uma rápida disseminação no uso de computadores e da internet, com algum esbatimento das desigualdades sociais entre as crianças e jovens em idade escolar; por outro, Rodrigues e Mata (2003) notam que a utilização das TIC apresenta uma correlação mais forte com o nível de escolaridade do que com a idade, parecendo esbater, pois, o efeito geracional; paralelamente, dados recentes mostram que em Portugal o número de crianças que usa computadores tende a aumentar, mas diminui a vantagem que este grupo tinha sobre os adultos quanto ao uso da internet, estando, agora, quase a par (EU Kids on-line, 2011).
A presente pesquisa visa encontrar respostas para um variado leque de questões, nomeadamente: quem usa o computador Magalhães? Quais os seus usos? Em que contextos? Quais os modos de regulação sobre os usos? Por parte de quem? Que efeitos, escolares e sociais, dos seus usos nos vários atores sociais e nas suas interações? Em particular, na sala de aula e na relação escola-família?
Perante o problema e este conjunto de questões, a pesquisa assumiu uma natureza longitudinal (2009-2011), pelo que se optou por um design metodológico misto, com uma natureza extensiva (questionários a crianças, professores e famílias) e intensiva (etnografia de uma turma). O tratamento da informação incluiu procedimentos estatísticos com recurso ao SPSS e análise de conteúdo.
Os dados apontam para a) uma adesão maciça ao computador Magalhães, mais notória nas famílias de meios desfavorecidos; e b) um uso regular deste portátil pelas crianças, em particular no espaço doméstico. Ele sobressai ainda como c) um computador pessoal para a criança; d) parcialmente, um computador familiar; e, e) um instrumento que permite respeitar os ritmos de aprendizagem, o que se revela particularmente significativo no contexto de sala de aula.
- SILVA, Pedro
- COELHO, Conceição
- FERNANDES, Conceição
- VIANA, Joana
PAP1019 - DISCUTINDO O CONSUMO E A CULTURA INFANTIL CONTEMPORÂNEA
A relação entre infância e mídia se reconfigura
em função de processos históricos, econômicos e
culturais que jamais podem ser dissociados do
fenômeno da cultura do consumo. O trabalho tem
como objetivo problematizar as representações
da estreita relação do consumo e a criança
contemporânea. A análise partiu das chamadas de
anúncios publicitários e comerciais, tendo como
questão norteadora a representação do universo
infantil na mídia. Tomando contribuições de
Zigmunt Bauman, Nestor Garcia Canclini e
Beatriz Sarlo, o texto procura trazer elementos
que possam potencializar a problematização das
relações entre cultura infantil contemporânea e
consumo. O texto resulta de pesquisa
qualitativa que, em termos metodológicos, foi
desenvolvida com base em duas abordagens
técnicas: 1) análise de dois conjuntos de
anúncios publicitários veiculados na mídia
brasileira onde a infância esteja representada:
o primeiro voltado para o público infantil e o
segundo para o público adulto; 2) oficinas de
Educação e Consumo desenvolvidas em uma escola
pública. Este trabalho procura trazer ao centro
do debate acadêmico as relações entre infância
e cultura do consumo. A obesidade, a anorexia,
a pedofilia e a erotização precoce fazem parte
da rotina das crianças e são pautas recorrentes
quando o assunto é infância e consumo na mídia
brasileira. Ao mesmo tempo, no atual contexto
em que vivemos, são inúmeros os argumentos e
evidências para afirmar que o consumo infantil
pode ser considerado a grande “descoberta
mercadológica”. É neste sentido que este texto
aposta na pertinência de problematizar a
pedagogia do consumo que nos educa de
diferentes formas para olhar, compreender e
naturalizar o universo infantil. Quando o tema
é a criança estamos lidando com narrativas
culturais que nos interpelam e nos fazem crer
em certezas naturalizadas como únicas e
universais. Vivemos um tempo em que a criança
aparece de forma multifacetada na mídia nossa
de cada dia, onde os pequenos aprendem nas
propagandas que o mundo é daqueles que tem o
poder e sabem chegar antes e que as meninas
precisam saber seduzir desde a mais tenra
idade. Talvez com tais discussões seja possível
estabelecer uma nova relação entre os campos da
Comunicação, da Educação e da Sociologia,
buscando os contornos de um debate sobre
consumo e cultura infantil.
- SCHMIDT, Saraí Patrícia

Saraí Patrícia Schmidt possui Doutorado (2006) e Mestrado (1999) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Graduada em Comunicação Social (1991) é Professora Titular da Universidade Feevale, docente do Mestrado Acadêmico em Processos e Manifestações Culturais e coordenadora do projeto de extensão Nosso Bairro em Pauta na mesma instituição. Tem experiência como pesquisadora nas áreas de Comunicação e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: juventude, infância e consumo.
PAP0460 - EDUCAÇÃO E SUSTENTABILIDADE NO SERTÃO: O CASO DO CAMPUS CARIRI
EDUCAÇÃO E SUSTENTABILIDADE NO SERTÃO: O CASO DO CAMPUS CARIRI
RESUMO
O presente trabalho tem como tema a criação do Mestrado Acadêmico em Desenvolvimento Regional Sustentável, tendo como pano de fundo a implantação da Universidade Federal do Cariri. Partindo dos conceitos discutidos por Edgar Morin (2001), busca-se avaliar a influência potencial desse curso na consolidação da nova Universidade, sob a ótica da sustentabilidade. Do ponto de vista metodológico a pesquisa trata o problema sob o viés qualitativo. O levantamento das informações se dá inicialmente no banco de dados da secretaria do referido curso, a fim de obter dados referentes às datas de criação e funcionamento, além do Projeto Pedagógico. Posteriormente, foi realizada entrevistas com o corpo discente e docente, considerando os seguintes aspectos: a contribuição do curso na consolidação da nova IES, as ações concretas que podem advir dos trabalhos desenvolvidos no âmbito do Mestrado e a relação entre o curso e a comunidade local. Os resultados obtidos sugerem, dentre outras coisas, a relevância dos temas tratados no Programa para a possibilidade de reforma do pensamento proposta por Morin (2001), além da convicção dos envolvidos sobre suas responsabilidades na proposição de ações com vistas à sustentabilidade.
- BARRETO, Polliana de Luna Nunes
- CHACON, Suely Salgueiro

- BEZERRA, Fabiana Correia
- ROCHA, Gledson Alves

Suely Salgueiro Chacon
Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará (1990), Mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal do Ceará (1994) e Doutorado em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (2005). Atualmente é professora e pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC)/Campus do Cariri, onde atua como Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional Sustentável (PRODER) e Vice-Diretora do Campus. É também Diretora Executiva da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, Avaliadora Institucional do MEC/INEP, Líder do Grupo de Pesquisas Laboratório de Estudos Avançados em Desenvolvimento Regional do Semiárido - LEADERS, Bolsista de Produtividade do CNPq e Pesquisadora da Rede Clima (MCT-INPE-UnB-UFC).Tem experiência nas áreas de Economia, Socioeconomia, Meio Ambiente e Políticas Públicas, atuando principalmente nos seguintes temas: Semiárido, desenvolvimento regional, desenvolvimento sustentável, políticas públicas, organização social de pequenas comunidades, recursos hídricos, energia alternativa, gestão ambiental e economia.
Gledson Alves Rocha
Universidade Federal do Ceará
Licenciado em História
Realiza pesquisas acerca de temas relacionados à memória, Cultura, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional Sustentável.
PAP0300 - ENTRE A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E O MERCADO DE TRABALHO: UMA INVESTIGAÇÃO A PARTIR DO COTIDIANO PEDAGÓGICO DE ALUNOS E ALUNAS DOS CURSOS TÉCNICOS DO INSTITUTO FEDERAL
O presente trabalho trata das expectativas que jovens estudantes brasileiros têm de ingressar pela primeira vez no mercado de trabalho ou de obter melhor colocação profissional. O mercado de trabalho, atualmente, sinaliza abertura de vagas ao mesmo tempo em que há a promessa de que os melhores qualificados não ficarão à mercê do desemprego. Para tanto, muitos jovens procuram as instituições de educação profissional crentes de que após o curso estarão empregados dignamente. Entre as instituições de ensino mais procuradas, estão as que pertencem à Rede Federal de Educação Profissional. A pesquisa situa-se no Instituto Federal de Sergipe, uma escola centenária, localizada no Nordeste brasileiro. Nela, por meio de grupos focais e de entrevistas colhemos depoimentos de alunos e alunas dos cursos técnicos Eletrônica e Eletrotécnica. Deles, procuramos perceber, além de suas expectativas, como se dá a formação acadêmico-profissional, como se relacionam com os professores e com os colegas, como interagem com as novas tecnologias, como se veem homens e mulheres trabalhadores da indústria etc. Evidentemente, aparecem na pesquisa dois grandes binarismos, a saber: escola – empresa e homem – mulher. O primeiro trata da aproximação existente entre a instituição e o mercado de trabalho, afinal a própria formação pedagógica conta com estágio e visitas técnicas. Apesar de parecerem integrados, não raro ocorrem distorções entre o que é ensinado e o que é cobrado na empresa. O segundo binarismo aparece fortemente marcado pelas relações de gênero presentes na escola, nas indústrias e na sociedade de modo geral. Apesar de serem todos jovens buscando melhor qualificação para o mercado, o fato de estarem nos cursos de Eletrônica e de Eletrotécnica levou-nos a perceber, inevitavelmente, que se trata de cursos em que há a predominância de rapazes. Mais que isto, levou-nos também a perceber que as fábricas continuam empregando muito mais os homens do que as mulheres. O trabalho, presente nessa comunicação, está voltado para a educação profissional, para o mercado de trabalho e para as relações de gênero. Assim, sua base teórica está composta de Charlot (2005; 2007), Demo (1998), Hirata (2003), Butler (2003) entre outros. Suas entrevistas e grupos focais foram estudadas a partir da análise de discurso numa perspectiva foucaultiana (FOUCAULT, 1998). Os resultados apontam para uma necessária reflexão acerca das relações entre mercado de trabalho e educação profissional. O cenário brasileiro, bem como dos países ibero-americanos, exige novos posicionamentos diante das demandas trabalhistas que muitas vezes camuflam com novas roupagens velhos e repetidos problemas que oprimem os trabalhadores. Apesar de Portugal e Brasil terem distintas culturas, possivelmente, a realidade educação e trabalho em que se inserem os jovens brasileiros tem pontos de contato com a realidade dos jovens portugueses.
- SANTOS, Elza Ferreira

Elza Ferreira Santos
Professora do Instituto Federal de Sergipe - IFS
Licenciada em Letras Vernáculas pela U. Federal de Sergipe - UFS;
Mestra em Ciências da Educação pela U. Lusófona de Humanidades e Tecnologias - ULHT
Doutoranda em Educação pela U. Federal de Sergipe e Bolsista da CAPES/CNPQ de estágio de doutoramento na ULHT de janeiro a julho de 2012.
Líder do Grupo de Pesquisa Educação profissional, Gênero e Tecnologia IFS/CNPQ
SANTOS, E. F. (2009) Mulheres entre o Lar e a Escola: os porquês do Magistério. São Paulo Annablume.
PAP0620 - Educação mas não só: determinantes da mobilidade social em diferentes regiões da Europa
Um entendimento do que se tem passado, nas últimas décadas, quanto à mobilidade social na Europa é crucial para o debate sobre as crises e as reconfigurações que hoje vivemos. Embora exista um registo amplo das transformações estruturais que ocorreram nos mercados de trabalho e nos sistemas educativos, os efeitos destas sobre os padrões de mobilidade social permanecem difusos e controversos. Em particular, importa questionar se a noção de igualdade produzida em estudos anteriores está a ser posta em causa por desenvolvimentos recentes.
A comunicação começa por reunir contributos clássicos e recentes da sociologia das classes e da mobilidade social. Três questões são nomeadas: (1) que padrões de mobilidade social podemos observar ao longo das últimas décadas na Europa?; (2) qual o impacto dos diferentes sistemas educativos nesses padrões; (3) poderá a variação identificada ao longo do tempo e entre países estar relacionada com eixos de diferenciação interna das populações como o género e a etnia, amplamente documentados noutros campos da sociologia? A resposta é procurada com a análise de dados do European Social Survey de 2008. Numa breve secção sobre opções metodológicas, descrevem-se os indicadores utilizados e os cálculos de ‘mobilidade absoluta’ e ‘mobilidade relativa’. A comparação internacional assenta em cinco clusters regionais definidos a partir de afinidades significativas no que toca a estrutura de classe, regime de previdência social e sistema educativo.
Os resultados confirmam índices crescentes de mobilidade, na 2ª metade do século XX, associados a transformações estruturais de grande monta. A erosão do elo educação-ocupação constitui hoje uma ameaça a esta tendência. Os sistemas educativos do Reino Unido e Irlanda surgem como mais igualitários, mas a sua capacidade sobre a estrutura ocupacional é menor. Os sistemas escandinavos apresentam probabilidades mais elevadas de mobilidade social através da educação. Há diferenças significativas ao comparar homens e mulheres, assim como nativos e imigrantes. Mais do que corroborar a vulnerabilidade de mulheres e imigrantes, os números sugerem que o género e a imigração são aspectos fundamentais para entender as diferenças de padrões de mobilidade entre regiões da Europa.
O cluster dos países mediterrânicos merece especial atenção. Desde logo, estamos perante índices de fluidez menores quer na relação origem-educação (como na Europa de Leste), quer na relação educação-destino (como no Reino Unido e Irlanda). Em segundo lugar, a correlação entre desempenho escolar e classe de destino é mais acentuada entre as mulheres do que entre os homens, isto em ambas as extremidades da escala socioeconómica. Também a diferença entre população nativa e população imigrante é especialmente forte, fenómeno que congrega efeitos da reduzida escolaridade entre imigrantes e a sua elevada probabilidade de empregos abaixo das qualificações.
- ABRANTES, Pedro
- ABRANTES, Manuel

Manuel Abrantes é membro do SOCIUS: Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, Universidade Técnica de Lisboa, e Professor Convidado de Sociologia do Trabalho e do Lazer na Universidade Aberta. Os seus principais interesses académicos incluem o trabalho, o género, a migração e a participação política. É autor do livro Borders: Opportunities and Risks for Immigrant Workers in Cities of the Netherlands e tem contribuído para diversos volumes conjuntos e revistas científicas. Desde 2010, está a conduzir estudos de doutoramento na Universidade Técnica de Lisboa sobre as condições e as relações de trabalho no setor dos serviços domésticos.
PAP0728 - Educação, desigualdades sociais e usos do computador Magalhães: uma pesquisa comparativa
A educação tem sido assumida como uma das áreas chave de intervenção no âmbito da promoção do que se tem designado de sociedade da informação, do conhecimento ou em rede (Castells, 2005; Lyon, 1992; Webster, 2006). Ao longo das últimas décadas têm-se implementado múltiplos programas governamentais e realizado investimentos consideráveis em tecnologias da informação e comunicação nas escolas, na generalidade dos países europeus, incluindo no nosso país. Uma das crenças que acompanha este esforço é a de que estão em causa políticas essenciais para a inclusão digital das novas gerações, particularmente dos grupos sociais mais desfavorecidos.
Na esteira destas políticas, a distribuição de computadores portáteis às crianças do 1º ciclo do ensino básico, em Portugal, realizada no quadro do programa e.escolinha, com início em 2008/09, tem, ainda, a particularidade de pretender promover precocemente o uso das tecnologias de informação e comunicação desde o início da escolaridade, bem como de incidir a sua intervenção, além da escola, no contexto familiar.
Alguns dados já apurados apontam para o efeito que este programa teve na democratização do acesso a estas tecnologias na população em causa (GEPE, 2001; Silva e Diogo, no prelo). Resta, contudo, aprofundar em que medida esta democratização de acesso se está a traduzir numa verdadeira democratização de usos. Interessa-nos enquadrar este problema no campo da Sociologia da Educação, nomeadamente, na questão das desigualdades sociais face à educação, mais especificamente, na análise da articulação entre escola e família nos velhos e novos processos de (re)produção social e cultural (Zanten, 2005).
A partir de dados de dois estudos de caso, um na Região Centro e outro na Região Autónoma dos Açores, baseados em métodos extensivos (inquérito a pais, alunos e professores) e intensivos (entrevistas a pais e professores e registos etnográficos de uma turma), com tratamento da informação por procedimentos estatísticos e por análise de conteúdo, propomo-nos analisar, numa perspetiva comparativa, como é que as crianças dos diferentes grupos sociais usam o computador Magalhães e como é mediado esse uso pela escola e pela família. Nesse sentido, serão analisados dados provenientes da pesquisa nas duas comunidades educativas.
- DIOGO, Ana
- SILVA, Pedro
- COELHO, Conceição
- FERNANDES, Conceição
- GOMES, Carlos
- VIANA, Joana
PAP0347 - Envelhecimento, Educação e Autonomia - Investigação sobre um grupo de seniores na área urbana de Viana do Castelo
O fenómeno do envelhecimento constitui uma das dimensões da crise vivida pelas sociedades ocidentais atuais. Entendemos, na senda de muitos outros autores que também se debruçaram sobre o tema, que importa aprofundar o estudo e a reflexão sobre as características sociológicas do problema do envelhecimento populacional, enquanto um dos caminhos que permitirá contribuir para encontrar soluções para a crise atual.
A população mundial, a população europeia e também a população portuguesa têm vindo a envelhecer ao longo das últimas décadas. O facto é tido como um problema social, na medida em que a sociedade atual tem dificuldades em integrar plenamente uma população crescente com as características dos seniores. Entre estas características destaca-se o problema da autonomia/dependência deste grupo populacional.
Esta comunicação tem como principal objetivo apresentar, sucintamente, um projeto de investigação em curso sobre as diferentes características educativas e socioculturais, advindas ou não da emigração durante a vida laboral, de uma amostra da população idosa residente numa área urbana do Norte de Portugal e sobre como as referidas características condicionam ou influenciam as vivências diárias autónomas dos seniores estudados. Pretendemos também apresentar alguns dados recolhidos no âmbito do referido projeto e refletir sobre o significado sociológico dos mesmos. A investigação que aqui se apresenta insere-se num projeto de doutoramento e é constituída por duas partes fundamentais: uma primeira parte de contextualização teórica do envelhecimento enquanto fenómeno social com múltiplas dimensões e implicações e uma segunda parte constituída por uma investigação empírica de caráter qualitativo onde se procura compreender as situações e os fatores que condicionam o envelhecimento autónomo numa área geográfica concreta. Os dados são, sobretudo, o resultado da realização de um inquérito por entrevista a uma amostra de população com mais de sessenta anos.
- CACHADINHA, Manuela

- CARMO, Hermano
- FERREIRA, Manuela
Nota Biográfica
Manuela Cachadinha é Professora Adjunta na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo desde 1985, onde tem lecionado diversas Unidades Curriculares da área das Ciências Sociais e Humanas em diferentes Cursos de Mestrado e Licenciatura. É Mestre em Sociologia Aprofundada e Realidade Portuguesa pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Licenciada em Sociologia pela mesma Faculdade. Prepara atualmente um Doutoramento em Educação, na Especialidade de Educação e Interculturalidade, na Universidade Aberta. Tem realizado trabalho de investigação sobretudo nas áreas da Sociologia, da Etnografia, da Educação e do Envelhecimento. Tem publicado diversos trabalhos em revistas nacionais e internacionais.
PAP0400 - GEOGRAFIA E SUSTENTABILIDADE: Diálogos transversos.
A pesquisa que originou este trabalho, buscou apresentar, observar, acompanhar, intervir e avaliar, para finalmente validar, o programa de Educação para a Sustentabilidade, desenvolvido com alunos do quinto ano do Ensino Fundamental no Centro de Atenção Integral a Criança e ao Adolescente - CAIC - São Francisco de Assis, que teve origem nas atividades do Projeto Geografar, Viver e Plantar Ecologicamente no CAIC - São Francisco de Assis – Catalão (GO), apoiado pelo Programa de Bolsas de Licenciatura - PROLICEN – Universidade Federal de Goiás - UFG. Nossa atuação se deu na forma de uma metalinguagem, ou seja, tivemos como objetivo avaliar, mensurar e identificar realidades e potencialidades das estratégias e objetivos deste Projeto. Assim, nos integramos à rotina do Projeto, mas com o objetivo (metaobjetivo) de fazer a crítica do processo de ensino com suas metodologias. Neste sentido, fazíamos a crítica e retroalimentávamos o processo com as observações e considerações obtidas a partir do momento que a realização dos objetivos originais eram inicializados. Sendo assim, foram preparadas algumas intervenções que se deram por meio de ações teóricas e práticas educativas com a finalidade de estimular a consciência crítica e coletiva dos alunos e dos educadores. De modo a permitir uma mediação socioambiental que qualifique as relações sociedade-natureza, desenvolvendo atitudes e hábitos sustentáveis. Para tanto, foram abordados temas como a sustentabilidade, água, reciclagem, destinação e segregação de resíduos e culminamos com a implantação da composteira e da horta escolar, que além de apresentar uma alternativa para o encaminhamento dos resíduos orgânicos provenientes da cozinha instalada nas dependências do CAIC - São Francisco de Assis, também proporcionou maior e melhor variedade na merenda escolar. Após a conclusão do primeiro ciclo de intervenções, realizamos uma reunião com a coordenação e professores envolvidos, para conversarmos sobre a viabilidade da continuação do Projeto, e nesta ocasião foi sugerido por parte da escola que auxiliássemos na elaboração de uma atividade com questões referentes aos assuntos estudados, a qual pudesse ser aplicada aos alunos para que obtivéssemos as respostas pretendidas. Os resultados obtidos apontaram para a necessidade de intervenções mais efetivas, pois observamos que os objetivos iniciais do Projeto não foram completamente alcançados, levando-nos a considerar dentre outros aspectos a importância de se trabalhar esses temas a partir dos primeiros anos do Ensino Fundamental, o que acreditamos a principio que garantiria melhores resultados na internalização dos conhecimentos e assim nas relações com o meio.
- NOGUEIRA, Ariane Martins
- BERTAZZO, Cláudio José.

Claudio José Bertazzo
Bacharel, Licenciado, Mestre e Doutor em Geografia pela UNESP de Presidente Prudente.
Professor no Departamento de Geografia da UFG – Campus Catalão e Professor do Programa de Pós-Graduação em Agroecologia da UFSCAR – Campus Araras.
Líder do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Agroecologia e Coordenador do Programa Institucional de Iniciação à Docência - PIBID/CAPES. Realiza pesquisas sobre ensino de Geografia, Sustentabilidade Ambiental e Agroecologia.
PAP1349 - Iniciativa Novas Oportunidades: genealogia de uma política de educação de adultos.
Nesta comunicação apresentam-se resultados preliminares do Projecto Eduqual (financiado pela Fundação de Ciência e Tecnologia), com base numa revisão de literatura e análise documental, a qual inclui depoimentos orais de alguns dos decisores e executores do programa "Novas Oportunidades". A primeira década deste século é, sem qualquer dúvida,marcada, em Portugal, pela concepção e implantação no terreno do programa "Novas Oportunidades", o qual materializou um conjunto de ofertas formativas dirigidas a jovens e adultos trabalhadores. Trata-se de um programa que, na sequência do trabalho realizado na viragem do século pela ANEFA (e pelo Grupo de Missão que lhe deu origem) representou o "relançamento" da educação de adultos que passa a ocupar um lugar central na agenda educativa portuguesa. A importância e dimensão deste programa podem ser avaliadas pelas suas metas extremamente ambiciosas, por ter assumido o carácter de uma campanha massiva com vista a elevar o nível de qualificações da população adulta, pelo modo como articula a acção pública com a intervenção de entidades de direito privado, pelo conjunto de recursos financeiros que mobiliza, pelas inovações organizacionais e pedagógicas que introduz. Para compreender a genealogia desta política recorre-se não apenas a antecedentes imediatos, mas também à evolução do campo da educaçõ de adultos, em Portugal, no último quartel do século XX. A especificidade do caso português é acompanhada por uma análise das políticas de educação e formação ao nível internacional as quais constituem um quadro de grande constrangimento externo. O nosso objectivo consiste em argumentar sobre as mudanças mais significativas das políticas de educação de adultos, recolocando-as num novo quadro interpretativo.
- CANÁRIO, Rui
- ALVES, Natália
- CAVACO, Carmen
- MARQUES, Marcelo
PAP0764 - Integração de elementos socioculturais em programas de Equipamentos para a Educação Ambiental – estudo na zona costeira da Euroregião do Eixo Atlântico
A presente comunicação centra-se em equipamentos para a educação ambiental (EqEA) considerando estes espaços de educação não formal como potenciadores de experiências socioambientais significativas e de incremento do sentido de pertença de lugar.
Tais princípios foram analisados em zonas costeiras - áreas estratégicas mas também extremamente vulneráveis - nas quais cabe reconhecer o papel da educação ambiental e dos EqEA para uma gestão costeira integrada e participativa.
Numa óptica de mobilização a nível local, a natureza física e conceptual dos EqEA (com a proximidade à população) configura possibilidades reais de desenvolvimento comunitário e reforço de coesão social.
No contexto actual, torna-se, assim, pertinente considerar o critério nível de impacto social (maior ou menor “peso” na população local) na análise estratégica destes recursos.
Nesse sentido, estudou-se o nível de integração de elementos socioculturais locais, nos programas educativos sobre temáticas costeiras, em EqEA do Eixo Atlântico (Norte de Portugal e da Galiza). Através de uma aproximação metodológica quantitativa e com uma finalidade exploratória, foi enviado um questionário a um universo de EqEA em temas costeiros previamente identificado (27 equipamentos), da qual resultou uma amostra de 22 iniciativas analisadas (12 na região portuguesa e 10 na região galega do Eixo Atlântico).
Através da análise a elementos como, as metodologias educativas que os EqEA usam, as formas de participação da população local, e a colaboração com outras entidades, foram comparados os equipamentos das duas zonas transfronteiriças. Os resultados são apresentados considerando o factor integração das dimensões sociocultural e biofísica nestas zonas costeiras.
Trata-se de indagar se efetivamente os EqEA actuam como dinamizadores sociais dos contextos nos quais operam ou se obedecem a outras lógicas.
Este trabalho é financiado pela FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia (Ref. da bolsa de doutoramento SFRH / BD / 69059 / 2010).
- CARVALHO, Sara Costa

- AZEITEIRO, Ulisses Miranda

- MEIRA-CARTEA, Pablo Ángel

Sara Costa Carvalho é estudante de doutoramento em Educação Ambiental na Universidade de Santiago de Compostela, Galiza, sendo bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Em 2055 concluiu o Mestrado em Estudos da Criança – Saúde e Promoção do Meio Ambiente, pela Universidade do Minho. Pertence ao Grupo de investigação em Ecologia e Sociedade do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra. As principais áreas de investigação estão relacionadas com os equipamentos para a educação ambiental (EqEA), integração sociocultural na EA, a participação e sentido de pertença de lugar, e a EA em zonas costeiras.
Ulisses M. Azeiteiro estudou na Universidade de Aveiro, onde recebeu o grau de Mestre em 1994, na Universidade de Coimbra onde completou o doutoramento em Ecologia, em 1999, e na Universidade Aberta onde recebeu a Agregação em Biologia, em 2006. É professor assistente com agregação na Universidade Aberta, no Departamento de Ciências Exatas e Tecnologia, onde ensina Educação Ambiental, Biologia, Biodiversidade e Metodologias de Investigação. É Investigador Sénior no Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, onde exerce a função de Coordenador do Grupo de Ecologia e Sociedade e de Investigador do Grupo de Ecologia de Ecossistemas Marinhos e Costeiros. Os principais interesses de investigação são os processos ecológicos marinhos e estuarinos relacionados com os padrões climáticos.
Pablo A. Meira-Cartea é Doutor em Ciências da Educação e Professor de Educação Ambiental na Universidade de Santiago de Compostela (Galiza). É membro do Grupo de Investigação em Pedagogia Social e Educação Ambiental (SEPA). As suas linhas de investigação centram-se nas bases teóricas, ideológicas e éticas da educação ambiental (EA), na educação e comunicação relacionadas com as alterações climáticas e no desenvolvimento estratégico da EA. Participou na produção e avaliação das estratégias territoriais da EA em Espanha e foi galardoado com o Prémio Maria Barbeito de investigação pedagógica, em 2009.
PAP0345 - O combate à pobreza e à exclusão social na infância: geração Escolhas
O combate à pobreza e à exclusão social na infância: Geração Escolhas
A pobreza é um fenómeno complexo e multidimensional. As abordagens são variadas e têm justificado a pertinência de vários estudos (Townsend, 1979, Silva, 1982, Silva e Costa, 1989, Almeida, 1992; Ferreira, 1997;Pereirinha, 1999; Capucha, 2005; Spicker, 2007; Costa, 2008). Apesar de mais de um século de análise dos fenómenos da pobreza e da exclusão social, é apenas na viragem para o século XXI, que se reconfigura o trabalho investigativo tendo como objecto empírico as crianças, surgindo, em Portugal, pela mão da economia (Bastos, 2008; Bastos, 2011). Não descurando a relevância de uma tal abordagem, torna-se fundamental que a sociologia promova uma análise compreensiva sobre os fenómenos da pobreza e da exclusão consagrando um olhar sobre o lugar da criança em tais processos. A visibilidade social da criança é relativamente recente. Para esta visibilidade contribuiu a publicação da Convenção dos Direitos da Criança (1989). A criança começa a ser vista como sujeito de direitos, dando-se início a uma verdadeira operação de busca do conhecimento sobre a criança em si própria (Corsaro, 1997; Sarmento, 2002; Bastos, 2008; Sarmento e Veiga, 2011). Esta comunicação pretende fazer o ponto de situação das políticas sociais de combate à pobreza e à exclusão social em Portugal, tomando por referência a infância. O período de análise documental situa-se entre 1990 – 2010. Tendo-se procedido a uma análise de conteúdo relativamente à legislação social e às políticas sociais de combate à pobreza e à exclusão na infância, seleccionou-se como objecto de análise empírica o Programa Escolhas. Este Programa, de natureza governamental, tem 10 anos. Uma década constitui um período temporal que permite uma análise minimamente densa dos processos sociais aqui em causa. O Escolhas, pela sua especificidade de base territorial e pelo trabalho social e educativo, de proximidade, procura contrariar a reprodução social da pobreza e da exclusão. O programa tem vindo a incentivar a mobilidade, dando a conhecer modos alternativos de vida, como factor de desenvolvimento pessoal e social, junto das crianças. A análise das entrevistas semi-directivas realizadas ao director nacional do programa e aos coordenadores de projectos implementados no concelho do Porto, assim como os dados recolhidos da aplicação de um inquérito por questionário às crianças, permitem documentar tais processos. Tomando por referência o estudo das condições de vida de crianças com idades entre os 10 e os 18 anos e as suas representações sociais da pobreza e exclusão, procura-se situar a posição da criança face a um triângulo socializador, constituído por família, escola e escolhas, no que concerne à aprendizagem de competências facilitadoras de combate à reprodução social da pobreza e da exclusão.
Palavras-chave: pobreza, exclusão social, políticas sociais, crianças, reprodução
- GANDRA, Florbela Samagaio

Florbela Samagaio Gandra
Florbela Maria S. Samagaio Gandra é socióloga. Iniciou a sua atividade profissional no âmbito de projetos de desenvolvimento local, tendo realizado a Formação Europeia JADE II, Jovem Agente de Desenvolvimento.
Iniciou-se como Investigadora do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no Projeto Pobreza e Exclusão Social: as áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, projeto este, financiado pela
Integrou o quadro docente da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, em 1997, sendo prof. Adjunta desde então. É membro do Conselho Técnico Científico da mesma instituição.
Tem desenvolvido os seus trabalhos de investigação sociológica, com respetivas publicações, nos seguintes domínios: pobreza e exclusão social; desenvolvimento local; sociologia da infância, e voluntariado missionário
Encontra-se atualmente em processo de doutoramento, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a tese subordinada ao seguinte tema: O fator educativo no combate à pobreza e à exclusão social na infância.
PAP1084 - Os Modos de Transição para a Vida Adulta no Contexto de Classe
A juventude é um tema que abrange questões complexas e inquietantes na sociedade contemporânea. A juventude é uma construção social relativa no tempo e no espaço. Dessa forma, os modos de transição para a vida adulta se constituem sob modelos distintos e determinados por vários fatores sociais, econômicos, individuais, políticos e históricos.
Charlot (2007), Margulis (1998), Feixa (1997) e Bourdieu (1983) são determinantes quando afirmam que a juventude não está inteiramente relacionada com a questão etária, mas constitui-se essencialmente de uma construção social determinada ainda pela posição de classes e pelas condições históricas. Margulis (1996) apresenta claramente que cada época e cada setor social postula formas distintas de ser jovem.
Destarte, agora segundo Charlot (2007), é possível falar em juventude no singular e juventudes, no plural. Isto é, existe uma categoria ou como melhor denominada por autores, condição da juventude que é singular entre as culturas: os modos de transição para a vida adulta. Entretanto, esses modos se dão de formas distintas relacionando-se com outros fatores como gênero, classe, tempo e território; por isso denomina-se juventudes no plural, na tentativa de contemplar essa condição múltipla e polissêmica que afeta todos os seres humanos em diferentes medidas.
Margulis ainda explicita que essas diferentes maneiras de ser jovem alteram substancialmente os modelos que regulam e legitimam a condição da juventude. Ou seja, ser jovem pobre é diferente de ser jovem classe média ou alta, os modelos, as expectativas, as trajetórias, são profundamente modificadas.
A partir dessa ótica, a presente proposta objetiva investigar os modos de transição para a vida adulta tendo como enfoque o contexto de classe no Brasil. Partindo do ponto que o jovem oriundo das classes populares não se constitui adulto nas mesmas formas de transição que os de classes mais abastadas, o conceito de moratória social e vital (FEIXA,1997 e MARGULIS, 1998) apresenta-se como foco da discussão.
A noção de moratória permite não apenas diferenciarmos, dentro dos grupos e classes, a distribuição desigual do uso da condição juvenil como um capital simbólico, como também fundamenta a compreensão que a juventude não é só uma condição etária, biológica, mas que ela se realiza socialmente como um símbolo cuja distribuição é diferente de acordo com a posição social que se ocupa. Assim, como categoria social a juventude incorpora dois aspectos diferentes e não-excludentes: por um lado é um corte geracional, referindo-se a experiência geracional comum, e por outro engloba diversas e heterogêneas culturas juvenis.
- PRATA, Juliana de Moraes
PAP1275 - PARCERIAS NA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR E NO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO
O tema “Parcerias na Educação Pré-Escolar e no 1º Ciclo do Ensino Básico” surge no contexto do trabalho final de um Mestrado em Ensino em Educação Pré-Escolar e em Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. O tema foi abordado do ponto de vista de quem realizou estágios em dois níveis de ensino (Educação Pré-Escolar e no 1º Ciclo do Ensino Básico) e pôde, não apenas observar, mas também participar de formas diversificadas, em várias situações e atividades que envolviam diversos parceiros que colaboravam com a escola no esforço educativo. Isto permitiu constatar, em situação, que a Escola desenvolve a sua missão, não de forma isolada, mas sim em distintas formas de cooperação com outras entidades, algumas com propósitos e meios diferentes dos seus, porém, convergindo todas na mesma finalidade: a resolução de questões que dizem respeito a todos e o sucesso da educação. Assim, o objetivo principal da abordagem a esta temática foi tentar compreender as relações existentes entre os diversos atores envolvidos na missão educativa, para além da escola, e de forma particular, as famílias e as autarquias.
Para além das observações e reflexões em situação, foi elaborada uma revisão de literatura relativa a esta temática, com a finalidade de procurar aprofundar com quem e como se relacionam as entidades que estão mais envolvidas na educação. Neste trabalho procura-se, então, descrever e analisar questões como: quem são os parceiros educativos da escola? Quais são as responsabilidades, contribuições e limitações educativas específicas desses parceiros?
O trabalho está dividido em quatro pontos. No primeiro, são clarificados alguns dos conceitos mais frequentemente utilizados na discussão da temática: parceiro, parceria, rede, rede social, cooperação, partenariado socioeducativo, envolvimento, participação, colaboração; nos restantes três pontos, são abordados os tópicos comunidade, autarquias e famílias, considerados os parceiros externos à Escola mais relevantes do ponto de vista das práticas pedagógicas.
- FERREIRA, Sarah
- COSTA, Isabel

(Maria Isabel Barros Morais Costa)
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Doutoramento em Ciências da educação
Áreas de interesse: Metodologias de investigação em educação; educação formal versus educação não formal; educação e turismo; pedagogia na universidade; e-learning; formação de profissionais de ciências sociais e humanas.
PAP1351 - Partnership between the worlds of education and work – A threatening scenario or a beacon of hope?
Although the world of education and the world of work are unquestionably complementary the relationship between these important realities has always been uneasy. Despite strong endorsement from international bodies such as the OECD and the EU, vehemently opposed ideologies have prevented closer partnerships.
Humanistic educationalists defend that schools should be shielded from the manipulative, self-serving intents of the work market. Learning programs dominated by employer interests are charged with streaming lower-class students into dead-end career options, subjecting them to exploitative practices that reinforce social inequalities. Education must allow individuals to achieve emancipation and become critically aware, autonomous citizens, capable of understanding and participating in the world they live in.
Reform-minded neo-liberal enthusiasts claim, with equal strength, that educational institutions would benefit if work organizations and civil society were to play a more active role in education. They argue that the education system has contributed to economic decline and to the deterioration of school learning calling for a radical change of direction and policy. Contextualized learning, or ‘learning by doing’, is not only more effective, but also improves achievement and increases motivation.
The need to improve education and training effectiveness has led to an expansion of work-based learning (WBL), Initial Vocational Education and Training (IVET) programs. In Portugal, IVET, at the post-compulsory level, is a complex scenario. Although multiple forms of IVET co-exist at the post-compulsory level, the Dual Apprenticeship system (DAS) – in which employers and trade unions a key role in all dimensions - represents the only genuine WBL IVET opportunity available.
Despite the strong level of employability and real-world learning, it is perplexingly difficult to persuade the stakeholders in education about the value of the IVET DAS. Many within the regular school system have a poor understanding of what it is or how it works. It remains an obscure alternative out-of-school pathway. The number of those taking part in the Portuguese DAS has been decreasing and finding employers willing to participate remains difficult, leading some to question the sustainability of this alternative IVET WBL system
This presentation – which draws upon an ongoing doctoral research effort - offers a historical overview and critical assessment of key underlying features of the Portuguese IVET DAS. The aim is to provide a deeper understanding of this obscure alternative IVET pathway that has, over the course of almost three decades, engaged thousands of participants and employers nationwide in the only genuinely WBL, out-of-school initiative that has ever existed in Portugal.
- ARAÚJO, Marcelo Machado

- TORRES, Leonor Lima

Nome:
Marcelo Machado de Araújo
Afiliação institucional:
FLUP - Licenciatura Sociologia
Escola de Economia e Gestão - UM (Mestrado em GRH)
Instituto de Educação - UM (programa de doutoramento em Sociologia da Educação)
Area de formação:
Sociologia da Educação
Interesses de investigação:
Sociologia da Educação, GRH, Orientação Vocacional e Sociologia do Trabalho e das Organizações
LEONOR LIMA TORRES, PhD
Professora Associada / Associate Professor
Departº. de Ciências Sociais da Educação
Department of Social Sciences of Education
Instituto de Educação / Institute of Education
Universidade do Minho / University of Minho
CAMPUS DE GUALTAR, 4710-057 BRAGA - Portugal
Email: leonort@ie.uminho.pt
Telef.: 253 604660/604279
Fax.: 253 604250
PAP0611 - Percursos de excelência escolar na escola pública: novos sentidos para a meritocracia?
Comunicação integrada no Grupo de Trabalho "Entre mais e melhor escola em democracia: inclusão e excelência no sistema escolar português"
Partindo da necessidade de compreender o processo de construção da excelência académica na escola pública, a nossa comunicação elege como principais objetivos o estudo dos percursos escolares e não-escolares dos alunos que integraram um quadro de excelência de uma escola secundária do norte do país e a sua eventual relação com as dinâmicas de distinção académica inscritas no projeto político-pedagógico dessa instituição. Inscrevemos a nossa abordagem no plano de discussão das atuais políticas da democratização da escola pública, procurando problematizar os sentidos que a noção de mérito atualmente recobre, seja por referência às políticas macroestruturais, seja em relação ao entendimento que a instituição dela faz no seu quotidiano educativo, seja a sua interiorização pelos alunos que a corporizaram nos seus percursos escolares. Mobilizaremos, para o efeito, dados recolhidos no âmbito de um projeto de investigação em curso, de natureza intensiva (estudo de caso), provenientes da administração de um inquérito por questionário (n=250), da análise dos processos biográficos dos alunos e de outros documentos estratégicos da escola investigada e da realização de entrevistas a alunos e a professores. Dos resultados já obtidos no âmbito deste projeto e que pretendemos agora aprofundar no decurso desta comunicação, destacamos: i) o número crescente de alunos distinguidos no quadro de excelência observado nos últimos anos; ii) a existência de cerca de 40% de alunos oriundos de famílias cuja escolaridade máxima se situa até ao 9º ano e cujas profissões dos progenitores se encontram no nível intermédio e na base da estrutura social; iii) uma fraca participação destes estudantes na vida organizacional e cultural da escola; iv) um envolvimento diversificado em práticas educativas não-escolares fora da escola; v) um reconhecimento por parte destes alunos do papel da escola e dos professores na obtenção de elevados níveis de desempenho académico; vi) uma cultura de liderança escolar promotora da qualidade e do mérito; vii) a constatação da não concretização de algumas expectativas de ingresso no curso superior desejado. Por fim, recentraremos o nosso debate na tensão enquadradora deste grupo de trabalho (mais escola, melhor escola), procurando dilucidar as dimensões sociológicas e epistemológicas que subjazem ao retorno da noção de mérito no atual panorama educativo.
- TORRES, Leonor Lima

- PALHARES, José Augusto
LEONOR LIMA TORRES, PhD
Professora Associada / Associate Professor
Departº. de Ciências Sociais da Educação
Department of Social Sciences of Education
Instituto de Educação / Institute of Education
Universidade do Minho / University of Minho
CAMPUS DE GUALTAR, 4710-057 BRAGA - Portugal
Email: leonort@ie.uminho.pt
Telef.: 253 604660/604279
Fax.: 253 604250
PAP0548 - Reconhecimento das Diferenças Étnico-Raciais, Ações Afirmativas e a política para a Educação Superior Pública no Governo Lula (2003-2010)
Neste artigo pretendo contribuir para a reflexão sobre as duas gestões do Governo Federal brasileiro sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT (Partido dos Trabalhadores), a partir de análise da política de reconhecimento das diferenças. Detenho-me, no referido período, mais especificamente nas diferenças étnico-raciais, discutindo o quadro em que avançam as ações afirmativas nas universidades públicas, relacionando-as com as políticas do Governo Federal brasileiro para a Educação Superior Pública.
Explicito primeiramente o que entendo como política de reconhecimento das diferenças étnico-raciais no Brasil e descrevo a sua formação dominante – a democracia racial –, bem como a atual erosão desta formação. Tento evidenciar a centralidade do reconhecimento para nossa ordem social, em sua “direção intelectual e moral” como poderia dizer Gramsci, ou seja, seu papel na construção de hegemonia, nesta sociedade nacional a partir da década de 1930.
As transformações na política de reconhecimento emergem com maior visibilidade na cena pública brasileira nos anos 2000, com a demanda pelo movimento social negro e a implementação, por iniciativa de governos estaduais e/ou por decisão de instituições públicas de Ensino Superior, de ações afirmativas que prevêem formas de acesso diferenciado – o que no debate público no Brasil usualmente é definido como “cotas” –, para ingresso de estudantes negros/as nas universidades.
As ações afirmativas nas universidades públicas, indicativo da mudança no padrão de reconhecimento das diferenças étnico-raciais no Brasil, não são centralizadas por políticas do Governo Federal, porém ganham crescentes incentivos do mesmo. Assim sendo, apresentarei alguns dados gerais sobre estas iniciativas no país, para uma reflexão panorâmica sobre a mudança na política de reconhecimento que as ações afirmativas podem engendrar. Aqui se destacam os elementos de sinergia na relação entre as ações afirmativas desenvolvidas dentro da autonomia constitucional das universidades e o Governo Federal, no período entre 2003 e 2010.
- MORAIS, Danilo de Souza

Danilo de Souza Morais
Curriculum resumido
Bacharel e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atualmente é doutorando em Sociologia no PPGS-UFSCar, consultor do Programa de Ações Afirmativas e membro do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB), ambos também na UFSCar. Tem atuado principalmente nos seguintes temas: democracia, cidadania, espaços públicos, relações étnico-raciais, juventude, políticas públicas e ações afirmativas. No mestrado estudou o Orçamento Participativo nas cidades de Araraquara e São Carlos, como espaços públicos de co-gestão entre Estado e sociedade civil no âmbito do poder local. Em seu doutorado, que conta com apoio de bolsa do CNPq, pesquisa o Conselho Nacional de Saúde (CNS) e o Conselho Nacional de Educação (CNE), enfocando as possíveis transformações no sentido atribuído à cidadania a partir do reconhecimento das diferenças étnico-raciais nestes espaços públicos.
PAP1283 - Sociologia e Educação de Adultos:
Na linha de outros escritos pretende-se, com esta comunicação, chamar a atenção para o campo não escolar da sociologia da educação. De forma mais concreta é nosso objectivo refelctir sobre um conjunto de "novos" actores de educação de adultos que têm surgido entre nós na última década. Tal é feito, essencialmente, a partir de dados provenientes de entrevistas realizdas no âmbito de um projecto de investigação, financiado pela FCT, desenvolvido no campo do terceiro sector. Apresentam-se, de forma mais profunda, seis casos e tratam-se três grandes tipos de questões: qual é o percurso académico e de formação profissional destes novos actores? Qual o seu percurso profissional até entrarem no campo da educação de adultos? E, qual a relação entre a formação académica e profissional destes agentes educativos e o seu trabalho actual?
Estas questões e outras próximas delas, são colocadas pela Sociologia da Educação acerca dos professores. Nomeadamente, quando é abordada a problemática da identidade profissional. Julgamos ser relevante colocá-las também tendo por objecto de análise estes novos actores da educação não escolar de adultos: formadores, profissionais de Reconhecimento e Validação de Competências, Coordenadores de Centros Novas Oportunidades, entre outros.
- LOUREIRO, Armando

- CARIA, Telmo
- COSTA, Isabel

Armando Loureiro
É Professor Auxiliar de Sociologia da Educação e de Educação de Adultos na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – Departamento de Educação e Psicologia. É vice-presidente da Escola de Ciências Humanas e Sociais da mesma Universidade. É professor visitante na UNIMONTES/Brasil. É licenciado em Sociologia, mestre em Desenvolvimento Local e doutor em Educação. Tem investigado nas áreas da sociologia da educação de adultos e do conhecimento profissional. É autor ou co-autor de mais de dez capítulos de livros, três livros e mais de quinze artigos publicados em revistas científicas nestas áreas.
(Maria Isabel Barros Morais Costa)
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Doutoramento em Ciências da educação
Áreas de interesse: Metodologias de investigação em educação; educação formal versus educação não formal; educação e turismo; pedagogia na universidade; e-learning; formação de profissionais de ciências sociais e humanas.
PAP0472 - Sociologia no Ensino Médio: a Teoria de Gênero abordada no material didático e nas práticas educativas das escolas públicas de Uberlândia/MG/Brasil
O presente projeto busca analisar conteúdo
programático de Sociologia, presente no
material didático, referente à questão de
gênero, bem como as práticas pedagógicas
estabelecidas entre professores e estudantes
do Ensino Médio, nas escolas públicas da
cidade de Uberlândia/MG/Brasil, no intuito de
compreender e contribuir para diversas e
distintas posturas em relação a temática em
questão. Em conformidade com o II Plano
Nacional de Políticas para as Mulheres, cujo
princípio fundamental é “assegurar direitos e
melhorar a qualidade de vida das mulheres
brasileiras em toda a sua diversidade, por
meio da igualdade e respeito à diversidade,
equidade na garantia dos direitos universais
às mulheres, respeito à autonomia das mulheres
com justiça social, aliadas à presença do
Estado com Políticas Públicas direcionadas à
elas, por meio de universalidadedas políticas
e transparência dos atos públicos”, nosso
estudo faz-se importante na busca do
cumprimento desses princípios. Nos últimos
anos, a sociedade brasileira entrou no grupo
das sociedades mais violentas do mundo. Hoje,
o país tem altíssimos índices de violência
urbana (violências praticadas nas ruas, como
assaltos, seqüestros, extermínios, etc.);
violência doméstica (praticadas no próprio
lar); violência familiar e violência contra a
mulher, que, em geral, é praticada pelo
marido, namorado, ex-companheiro, etc., enfim
relações de violência, preconceito,
discriminação em relação às mulheres de todas
as classes sociais, raças, etnias, profissões,
etc. Dessa forma, as relações entre homens e
mulheres encontram-se longe da
complementaridade, da igualdade, da
convivência pacífica. Compõem-se como relações
de oposição, contraditórias, desiguais, muitas
vezes violentas e por conseguinte justificamos
a necessidade de refletir sobre o assunto de
forma prática e teórica, a fim de realizarmos
o enfrentamento dessas questões nos diferentes
níveis. Embora esse projeto não trabalhe com a
violência explícita, ao trabalharmos com
processo educativo e material didático,
estaremos trabalhando com a idéia de violência
simbólica (Bourdieu) presente nas relações
educativas e entre gêneros. Compreendemos ser
de fundamental importância tratar sobre
questões de gênero e violência nos conteúdos
programáticos da disciplina de Sociologia no
Ensino Médio. Sendo assim, o nosso projeto
propõe-se a analisar o material didático, bem
como as estratégias de trabalho pedagógico
utilizados na disciplina de Sociologia, em
escolas públicas de Ensino Médio de
Uberlândia, a fim de compreender e propor
alternativas de análise e trabalho pedagógico
que contemplem as discussões clássicas e
críticas de gênero e sua adequação a vida
cotidiana.
- PAULA, Sandra Leila de
- MACEDO, Miriam Rosa
- MORAES, Karine Ferreira de