PAP1084 - Os Modos de Transição para a Vida Adulta no Contexto de Classe
A juventude é um tema que abrange questões complexas e inquietantes na sociedade contemporânea. A juventude é uma construção social relativa no tempo e no espaço. Dessa forma, os modos de transição para a vida adulta se constituem sob modelos distintos e determinados por vários fatores sociais, econômicos, individuais, políticos e históricos.
Charlot (2007), Margulis (1998), Feixa (1997) e Bourdieu (1983) são determinantes quando afirmam que a juventude não está inteiramente relacionada com a questão etária, mas constitui-se essencialmente de uma construção social determinada ainda pela posição de classes e pelas condições históricas. Margulis (1996) apresenta claramente que cada época e cada setor social postula formas distintas de ser jovem.
Destarte, agora segundo Charlot (2007), é possível falar em juventude no singular e juventudes, no plural. Isto é, existe uma categoria ou como melhor denominada por autores, condição da juventude que é singular entre as culturas: os modos de transição para a vida adulta. Entretanto, esses modos se dão de formas distintas relacionando-se com outros fatores como gênero, classe, tempo e território; por isso denomina-se juventudes no plural, na tentativa de contemplar essa condição múltipla e polissêmica que afeta todos os seres humanos em diferentes medidas.
Margulis ainda explicita que essas diferentes maneiras de ser jovem alteram substancialmente os modelos que regulam e legitimam a condição da juventude. Ou seja, ser jovem pobre é diferente de ser jovem classe média ou alta, os modelos, as expectativas, as trajetórias, são profundamente modificadas.
A partir dessa ótica, a presente proposta objetiva investigar os modos de transição para a vida adulta tendo como enfoque o contexto de classe no Brasil. Partindo do ponto que o jovem oriundo das classes populares não se constitui adulto nas mesmas formas de transição que os de classes mais abastadas, o conceito de moratória social e vital (FEIXA,1997 e MARGULIS, 1998) apresenta-se como foco da discussão.
A noção de moratória permite não apenas diferenciarmos, dentro dos grupos e classes, a distribuição desigual do uso da condição juvenil como um capital simbólico, como também fundamenta a compreensão que a juventude não é só uma condição etária, biológica, mas que ela se realiza socialmente como um símbolo cuja distribuição é diferente de acordo com a posição social que se ocupa. Assim, como categoria social a juventude incorpora dois aspectos diferentes e não-excludentes: por um lado é um corte geracional, referindo-se a experiência geracional comum, e por outro engloba diversas e heterogêneas culturas juvenis.