PAP1147 - A inserção profissional pela via do empreendedorismo
GT “Inserção de diplomados do ensino superior:
relações objectivas e subjectivas com o trabalho”
As recentes orientações em termos de políticas públicas de ensino no âmbito europeu privilegiam recomendações concernentes à “educação empreendedora”, disseminando no sistema educativo, desde o primeiro ciclo do ensino básico até à universidade, iniciativas dedicadas ao desenvolvimento de atributos e competências empreendedoras. Tais competências, nessas perspectivas, são consideradas essenciais tanto para a aprendizagem ao longo da vida quanto para a empregabilidade como para fomentar a satisfação pessoal, a inclusão social e a cidadania ativa. Uma vez que essa orientação política tem sido apresentada como alternativa para o processo de transição para a vida ativa, este estudo pretende analisar os percursos de inserção profissional de um grupo específico de jovens diplomados nas diversas áreas científicas: aqueles se distinguem por protagonizarem trajetórias empreendedoras.
Este artigo mobiliza os dados quantitativos de uma pesquisa realizada pelo Observatório da Inserção Profissional dos Diplomados da Universidade Nova de Lisboa com alunos que concluíram licenciatura, mestrado e doutorado em 2004/05 e em 2008/09, visando predominantemente a caracterização da situação da inserção profissional um ano após a conclusão dos graus. Pretende-se descrever as principais dimensões (origens sociais, sexo, posições alcançadas, percurso de formação escolar e acadêmica, rede de relações familiares) que permitem a caracterização e a diferenciação daqueles que percorrem trajetórias empreendedoras.
Tendo em vista que boa parte das tendências recentes observadas no ensino superior são inspiradas em processos políticos concertados em escala supra-nacional, cumpre investigar, em um nível micro, o modo como as agendas dos organismos multilaterais e as políticas de ensino são retraduzidas no universo das instituições de ensino superior bem como as complexas relações existentes entre determinadas orientações e os diversos aspectos, objetivos e subjetivos, inerentes ao processo de inserção profissional.
- ALMEIDA, Rachel de Castro
PAP0609 - Empreendedorismo no Sector da Beleza: Brasileiras na Quinta do Conde
O ponto de partida para este trabalho surgiu no decorrer de um trabalho anterior (2009) para a Câmara Municipal de Sesimbra e para o ISCTE/CIES intitulado: “Estudo de Diagnóstico e Caracterização da População Imigrante, Identificação dos seus Problemas e dos seus Contributos para a Dinâmica de Desenvolvimento dos Municípios”, em que durante o trabalho no terreno, constatou-se a sobre-representação de um sector que doravante será designado por sector/ramo da beleza na Quinta do Conde, freguesia do concelho de Sesimbra que, para além da sua enorme visibilidade, encontra-se centrado no género feminino e num grupo étnico bem concreto. Nessa perspectiva, pretende-se efectuar uma etnografia da globalização no feminino, mapeando os percursos migratórios de mulheres brasileiras residentes na freguesia da Quinta do Conde e que se tornaram empreendedoras no sector da beleza, ou seja, que abriram os seus próprios cabeleireiros, tornando-se empresárias e contribuindo para a economia portuguesa. Nessa linha, procurar-se-á descodificar se a sua opção por este ramo, se deveu a uma questão de oportunidade e/ou necessidade (?) e se o mercado se encontra baseado nesse aspecto, numa lógica marcada pela etnicidade (?). Serão salientadas questões económicas que lhes são inerentes: averiguar os prós e contras na tomada de decisão que se pensa ser neste processo decisiva e fulcral e que passa pela sua partida do Brasil e chegada a Portugal e pela opção de abertura de um salão de cabeleireiro e tudo o que isso acarreta (burocracia; dinheiro; energia; tempo; disponibilidade; conhecimentos).
Outras questões abordadas prendem-se com o capital social, as cooperações/redes e relações de família e conterrâneos que se vão tecendo entre quem se estabelece em Portugal e aqueles que aguardam a sua vez de fazer o mesmo; condições relacionadas com o mercado de trabalho português, bem como a exposição ainda que em traços genéricos da vida dos imigrantes na Quinta do Conde, sem nunca esquecer duas premissas que desde sempre alavancaram o presente trabalho – o género feminino e a etnia brasileira.
Uma nota final para a re(entrada) no terreno este ano (2011). No seguimento do trabalho de campo, registaram-se alguns comentários que convergem com um discurso de teor xenófobo. Ainda que por enquanto ténue ou porventura ocultado por parte da população nativa, face à maior ou pelo menos a mais visível etnia empreendedora no ramo da beleza na Quinta do Conde: “elas não têm formação”, expressão algumas vezes repetida no trabalho de campo, revela uma tendência de alguma radicalização do discurso por parte da população autóctone feminina em relação à mulher brasileira empreendedora. Decidiu-se face a estes factos novos, incorporar na Grelha de Entrevista várias questões que procuram explorar, confrontar e “colocar em diálogo” a mulher empreendedora portuguesa com a mulher empreendedora brasileira no sector da beleza.
- CHAVES, Tiago

Notas Biográficas
Nome: Tiago Miguel Marques Chaves
Formação Académica: Pós-graduação em Antropologia, especialidade em Globalização, Migrações e Multiculturalismo (ISCTE-IUL)
Percurso Profissional(mais recente): Bolseiro de Investigação no CIES/ISCTE no âmbito do Projecto PTDC/CS-SOC/101693/2008 - Culturas de Convivência e Super-diversidade, coordenado pela Profª Drª. Beatriz Padilla e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
Áreas de Investigação e de Interesse:Antropologia; Sociologia; Migrações; Género; Etnicidade; Multiculturalismo; Relações inter-étnicas
Comunicações/Publicações (mais recentes):
“Empreendedorismo no Sector da Beleza: Brasileiros na Quinta do Conde”. II Seminário de Estudos sobre a Imigração Brasileira na Europa. Lisboa. ISCTE-IUL (04/06/2012-06/06/2012).
“Bairro e Diversidade: Mouraria e Cacém”. Conferência Internacional no âmbito no Projecto de Investigação PTDC/CS-SOC/101693/2008 – Conviviality&Superdiversity. Lisboa. ISCTE-IUL (11/06/2012-12/06/2012).
“Empreendedorismo no Sector da Beleza: Brasileiros na Quinta do Conde”. VII Congresso Português de Sociologia subordinado ao tema Sociedade. Crise e Configurações. Porto. Universidade do Porto na Faculdade de Letras e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (19/06/2012-22/06/2012).
PAP1184 - Empreendedorismo social e mediação: articulações e complementaridades na criação de mudança social
A comunicação agora proposta trata-se da apresentação dos resultados preliminares de uma tese de mestrado em Intervenção Social, Inovação e Empreendedorismo. Procurar-se-á promover uma discussão entre empreendedorismo social e mediação, analisando-se o modo como estes dois paradigmas se articulam e complementam entre si.
A sociedade contemporânea é marcada por uma complexidade crescente, onde os conflitos surgem revestidos de múltiplas formas, com níveis variados, envolvendo actores diversos. Em paralelo, deparamo-nos com alguma ineficácia ao nível das respostas tradicionais, que se demonstram falíveis. A emergência de realidades sociais complexas exige respostas criativas e inovadoras, nomeadamente a criação de mecanismos de mediação, capazes de promover o (re)estabelecimento e, ou a (re)configuração de laços sociais. A mediação assume-se, neste contexto, como um meio estruturado para promover a coesão social, capaz de promover o diálogo e a participação dos intervenientes.
Por outro lado, como forma de dar resposta a um conjunto de problemas diagnosticados têm surgido algumas iniciativas de intervenção social, que se assumem como uma forma de regulação partilhada entre o Estado, a sociedade civil e o próprio mercado. Grande parte destas iniciativas de intervenção híbrida são exemplos vivos daquilo que podemos designar por empreendedorismo social, na medida em que, com uma abordagem de proximidade inovadora, conseguem dar respostas sustentáveis para determinados problemas sociais, promovendo ainda o empowerment individual e colectivo dos cidadãos por eles abrangidos.
As iniciativas de empreendedorismo social e mediação social surgem em contextos de conflito. Ambos os modelos de intervenção, através de uma abordagem inovadora e participativa, procuram alcançar respostas sustentáveis para os problemas ou necessidades diagnosticadas. No seu modo de actuação, quer o empreendedorismo, quer a mediação, têm em comum o objectivo de alcançarem mudança social.
Defendemos que, para se alcançarem mudanças sociais efectivas, na prossecução de iniciativas de empreendedorismo social, os intervenientes no seu modo de agir assumem os princípios da mediação. Defendemos igualmente que as iniciativas de mediação social, ao transformarem os conflitos em momentos de aprendizagem social e ao converterem os problemas sociais em oportunidades, se assumem como exemplos de empreendedorismo social. Com base na investigação empírica em curso, procurar-se-á fundamentar cada uma destas hipóteses de trabalho.
- CARDOSO, Pedro

- ALMEIDA, Helena Neves

Pedro Cardoso é licenciado em Sociologia e pós graduado em Gerir Projetos em Parceria pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Atualmente frequenta o mestrado em Intervenção Social, Inovação e Empreendedorismo pela Faculdade de Economia e pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. A sua tese de mestrado procura discutir a relação entre mediação e empreendedorismo social. É membro da ISFEUC - Incubadora Social da Universidade de Coimbra. Em termos profissionais, tem colaborado com algumas organizações do terceiro setor, nas áreas do planeamento, gestão e avaliação de projetos. É co-autor de um programa de cultura de mediação em contexto escolar. Presentemente exerce as funções de coordenador de um projeto de intervenção social.
Helena Neves Almeida é professora convidada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC). Licenciada em Serviço Social, mestre em Psicologia é doutorada em Trabalho Social, com tese em “Mediação Social”, pela Faculdade de Letras da Universidade de Fribourg (Suiça). Professora do ensino superior desde 1976, leciona atualmente na licenciatura em Serviço Social e no mestrado em Intervenção Social, Inovação e Empreendedorismo. Tem várias publicações na área da Intervenção Social, Mediação e Serviço Social, em revistas nacionais e estrangeiras, bem como livros e colaborações em obras coletivas. É investigadora do Instituto de Psicologia Cognitiva, do Desenvolvimento e Vocação Social (IPCDVS) da Universidade de Coimbra e consultora sénior em Serviço Social e Mediação do Observatório da Cidadania e Intervenção Social (OCIS) da FPCEUC, no âmbito do Projeto Europeu “Advisory Bureau of Social andCommunityMediation”.
PAP1065 - O empreendedorismo social em Portugal na estratégia de combate à pobreza e exclusão social (1995-2011)
A presente comunicação resulta da reflexão de um dos eixos analíticos do projecto de investigação designado “Empreendedorismo Social em Portugal: as políticas, as organizações e as práticas de educação/formação” (PTDC/CS-SOC/100186/2008). Este eixo pretende analisar o enquadramento político-legal direccionado para a promoção directa ou indirecta do empreendedorismo social e da economia social no terceiro sector português, sector que tem vindo a assumir um papel preponderante na resposta aos diferentes problemas associados ao desemprego e à exclusão social. Propomo-nos perspectivar o sector à luz da problemática do empreendedorismo social, emergente a partir da década de 1990 do século XX, uma vez que tem suscitado e enformado um conjunto de debates sobre novas abordagens de combate à pobreza e à exclusão social, fundamentando-se na capacitação e no desenvolvimento comunitário, na ênfase à sustentabilidade das iniciativas e na orientação primordial da missão social em detrimento da acumulação do capital. Acrescem a este fenómeno, conceitos como economia social e sector não lucrativo que, ao longo do tempo, têm desempenhado um papel complementar e/ou alternativo às incapacidades de resposta quer do Estado quer do mercado às velhas e novas necessidades sociais. Neste sentido, a comunicação visa analisar a forma como o terceiro sector tem sido dinamizado a partir dos eixos teóricos privilegiados, com base na sistematização das políticas sociais nacionais criadas nas últimas duas décadas, no sentido de captar os públicos privilegiados, o papel atribuído aos actores do terceiro sector e o enfoque às dimensões por nós isoladas do empreendedorismo social. Proceder-se-á ainda à identificação dos principais obstáculos inventariados por um conjunto de actores-chave do terceiro sector entrevistados no âmbito do projecto citado e que remetem para o grau de dependência estatal, o isomorfismo institucional e as dificuldades em dar respostas continuadas e profícuas aos públicos com quem trabalham. Ora, esperamos contribuir para uma reflexão alargada sobre como o empreendedorismo social e a economia social podem constituir-se, demarcando-se das tradicionais soluções de forte pendor assistencialista, enquanto estratégias possíveis, legítimas e viáveis de resposta à exclusão, através do fomento de iniciativas sustentáveis, da criação de capital social, da capacitação das comunidades, do desenvolvimento local, da consolidação democrática por via do incremento à participação e à cidadania activa.
- SANTOS, Mónica

- GUERRA, Paula
Mónica Santos, licenciada e mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia de Coimbra. Investigadora integrada do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Bolseira de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia com projecto intitulado “As trajetórias profissionais dos licenciados em Direito: análise dos tipos de percursos e identidades sociais e profissionais e sociais” (SFRH/BD/75312/2010). Tem participado em diversos projectos de investigação nas áreas da inserção profissional de licenciados, das escolhas profissionais e escolares e do empreendedorismo social. Co-autora do livro “Licenciados, precariedade e família” (2009), Porto: Estratégias Criativas. Os seus interesses de investigação centram-se na Sociologia do trabalho e das profissões e na sociologia da educação.
PAP0205 - Perfis de empreendedorismo social: pistas de reflexão a partir de organizações do terceiro sector nacionais
A temática do empreendedorismo social emergiu
nos debates teóricos internacionais na década
de 90 do século XX, sendo alvo de uma
diversidade conceptual, alimentada quer pelos
contributos das abordagens anglo-saxónicas
quer das escolas que marcam o contexto europeu
e latino-americano.
Partindo dos contributos teóricos das
diferentes abordagens ao empreendedorismo
social, construímos um modelo analítico que
apresenta como variável independente os perfis
de empreendedorismo social em organizações do
terceiro sector em Portugal, retendo como
variáveis dependentes explicativas: os modelos
de gestão (financeiros, de pessoas e do
capital social) e os modelos de organização do
trabalho (controlo, delegação e níveis de
participação, coordenação do trabalho e
trabalho em equipa). Com o intuito de
identificar os perfis de empreendedorismo
social das organizações em análise assumimos
um conjunto de pressupostos teóricos
indicadores de uma tendência positiva para o
empreendedorismo social, a saber: i) aceder a
fontes de financiamento diversificadas e
alternativas aos fundos estatais; ii) promover
uma gestão integrada quer dos trabalhadores
remunerados quer dos seus voluntários; iii)
pautar-se por uma orientação estratégica e
actuar com ferramentas de planeamento que
comportem modelos participativos; iv) adoptar
modelos de controlo e de coordenação do
trabalho baseados no trabalho em equipa e na
delegação de responsabilidades.
A partir de uma metodologia de análise
extensiva observamos 89 organizações do
terceiro sector português, onde aplicamos um
inquérito por questionário aos respectivos
dirigentes entre Maio e Julho de 2011. As
informações recolhidas foram alvo de análise
multivariada combinatória, com recurso à
análise de clusters hierárquica (como técnica
exploratória) e a partir da análise preliminar
dos dados podemos enunciar duas conclusões
chave . A primeira é que as organizações do
terceiro sector tendem a manifestar uma
natureza híbrida dos perfis de
empreendedorismo social, não se encontrando
organizações que pontuem positivamente em
todos os indicadores seleccionados, ao
contrário do que acontece com 15 organizações
que não apresentam qualquer indicador de
empreendedorismo social. Em segundo lugar,
destacamos a predominância de perfis de
expressão moderada de empreendedorismo
económico (52), seguidas dos perfis com forte
expressão de empreendedorismo económico e
gestionários ou organizacional (22).
- PARENTE, Cristina

- LOPES, Alexandra
- MARCOS, Vanessa

Cristina Parente
Socióloga, professora auxiliar com agregação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e investigadora do Instituto de Sociologia da FLUP (IS-FLUP). Doutorada e licenciada em Sociologia, mestre em Políticas e Gestão de Recursos Humanos, vem exercendo desde 1990 funções de docência, orientação científica, responsabilidade executiva gestionária da secção de Formação e Educação Contínua e de Comunicação externa no DS-FLUP. Coordenou a linha de investigação Trabalho, Emprego, Profissões e Organizações (TEPO) - do IS-FLUP, onde desenvolve actividades quer como investigadora, quer como coordenadora e responsável científica de projectos sobre as temáticas da gestão de recursos humanos e da formação de adultos, da sociologia empresarial e da economia social. Desde 2010, que assume as funções de editora da nova série working papers (2º série) do IS-FLUP. Desenvolve actividades de formadora, de consultora metodológica e avaliadora de projectos de intervenção social e organizacional.
Vanessa Marcos
Doutoranda em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto sobre a problemática da sustentabilidade e profissionalização das ONGD portuguesas. Mestrado em Desenvolvimento e Relações Internacionais pela Universidade de Aalborg, Dinamarca, com estágio curricular em Moçambique e em Portugal, integrada numa ONGD nacional. Licenciatura em Relações Internacionais - ramo Cultural e Político pela Universidade do Minho. Efetuou um estágio profissional no Instituto de Estudos Estratégicos de Cracóvia, Polónia. Integrou projectos na área da Cooperação para o Desenvolvimento na Guiné-Bissau e em Direitos Humanos na Guatemala. Tem realizado formações gerais sobre voluntariado e voluntariado empresarial. Investigadora sobre empreendedorismo social pelo Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras/UP, em parceria com a Associação para o Empreendedorismo Social e a Sustentabilidade do Terceiro Sector (A3S) e o Dinamia-CET/ISCTE-IUL e financiado pela FCT.
PAP0227 - Processos de capacitação social: o caso do microcrédito
O microcrédito consubstancia-se num instrumento inovador das políticas públicas e sociais no combate aos processos de pobreza e de exclusão social, bem como num instrumento inovador de intervenção e de promoção de processos de capacitação social.
A investigação “Processos de capacitação social: o caso do microcrédito” promove a discussão sobre políticas públicas e sociais que visam combater as múltiplas formas de desigualdades sociais, fruto dos disfuncionamentos do sistema económico.
O objeto de estudo da análise incide sobre os papéis sociais do microcrédito, que consiste num processo de concessão de empréstimos de pequenos montantes económicos, sem exigência de garantias reais, para financiar a iniciativa económica da população excluída do sistema financeiro tradicional. Este instrumento visa impulsionar a geração de rendimento, promovendo melhorias na qualidade de vida da população afetada diretamente pelos problemas sociais da pobreza e exclusão social.
O estudo segue uma estratégia de análise qualitativa, na qual a aproximação ao terreno empírico se procede através de entrevistas de caráter exploratório a informantes privilegiados e de grupos de discussão com beneficiários do microcrédito.
Da análise surgem um conjunto de considerações sobre as virtualidades e fragilidades do modelo de microcrédito português, que importa discutir e aprofundar, bem como sugestões de novas estratégias de atuação, de forma a incrementar a eficácia e eficiência dos programas de microcrédito portugueses, tendo em consideração a análise e interpretação dos sentidos e dos significados atribuídos pelos próprios beneficiários do microcrédito ao recurso a este instrumento, inovador no combate aos processos de pobreza e exclusão social.
Numa lógica de investigação para a ação, o conhecimento científico procedente da pesquisa é aplicado a favor da promoção de processos de capacitação e inclusão social.
- SILVA, Cristiana

Cristiana Isabel Marques Silva (1988) licenciou-se em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), em 2009, com a classificação final de quinze valores.
Em 2011, concluiu na FLUP, com a classificação final de dezassete valores, o ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Sociologia, com a tese “Processos de capacitação social - o caso do microcrédito”.
Apresenta experiência profissional nas áreas de investigação científica, ação/intervenção social e logística.
Atualmente é Bolseira de Gestão de Ciência e Tecnologia, no Instituto de Telecomunicações – Porto, desempenhando funções ligadas à gestão de projetos científicos de I&D.