PAP0319 - (Ir)responsabilidade Social Empresarial (de Género): uma perspetiva reportada ao fenómeno do femícídio em Juárez, no México
A Cidade de Juárez, no México, é a cidade mais industrializada de toda a América do Norte e onde se concentra o maior número de empresas estrangeiras. Considerada por muitos a cidade mais perigosa do mundo é, também, aquela onde ocorrem mais mortes de mulheres por razões misóginas (femicídio), muitas das quais eram trabalhadoras das indústrias maquiladoras ali existentes. As empresas estrangeiras, sobretudo as norte-americanas, dos EU, terão contribuído positivamente para o crescimento económico e demográfico do México e daquela zona, mas, por outro lado, parece haver uma relação entre o aumento da criminalidade por razões misóginas e o trabalho das mulheres nas maquiladoras, que pode resultar do confronto de culturas e hábitos locais, enraizados na população mexicana, com os que são transportados do exterior com as empresas. As empresas estrangeiras, ao instalarem-se em países menos desenvolvidos do que o da origem, raramente levam em conta os impactos sociais e culturais que daí podem resultar, nomeadamente, quando estão em causa questões de género, que afetam principalmente as mulheres. Neste paper, partindo do exemplo de Juárez, chamamos à atenção para a crescente cosmopolitização das empresas e tendência para a exploração à escala global do trabalho feminino dos países menos desenvolvidos e do Terceiro Mundo e da necessidade de responsabilizar essas empresas e exigir que adotem medidas de Responsabilidade Social Empresarial de Género (RSEG), que possam evitar uma nova vaga mundial de desigualdades e, nomeadamente, impedir o aumento (global) da violência de género contra as mulheres dos países menos desenvolvidos e do Terceiro Mundo.
- FERREIRA, José Eduardo Catalão Garrido

José Catalão Ferreira, doutorando do programa de doutoramento em "Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI" da Faculdade de Direito, Faculdade de economia e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, licenciado em Sociologia pela Faculdade de economia da Universidade de Coimbra, pós-graduado em Sociologia, em Economia Social e em Direito. Os temas de interesse são a economia social, a inclusão e exclusão social, as diferenças de género e tudo o que esteja relacionado com as organizações, o trabalho e emprego. Fez a dissertação de mestrado sobre o tema do empreendedorismo e as medidas de apoio à criação do próprio emprego e está em investigação para a tese de doutoramento com o título "Trabalho Procura Direito(s): da (des)coletivização à individualização do(s) direito(s) associados ao trabalho e emprego
PAP0536 - A oferta científica sobre Economia Política da Comunicação para a formação de jovens jornalistas
GT Comunicação Social
Esta comunicação identifica a oferta científica
especializada na Economia Política da
Comunicação, nomeadamente sobre a propriedade e
as estratégias de gestão das empresas
jornalísticas portuguesas. Ter-se-á como
objecto de estudo a estrutura curricular dos
cursos de licenciatura do ensino superior
português, mas também os de formação
profissional e a produção científica publicada
em publicações de Universidades e organizações
profissionais ligadas ao jornalismo. Dar-se-á
destaque aos conteúdos dirigidos à formação de
futuros ou actuais jovens jornalistas.
Num contexto de crise e reconfiguração das
estratégias dos media, parte-se da definição da
Economia Política da Comunicação feita por
Nicholas Garnham como o âmbito de estudo das
formas institucionais e do poder social das
empresas capitalistas, entre elas as
jornalísticas, a comunicação procura analisar
as condições de formação dos jovens jornalistas
na área.
De seguida, procurar-se-á interpretar o
potencial de mobilização de competências dos
jovens jornalistas sobre a gestão da produção e
da distribuição do jornalismo nas actuais
condições de mercado. O objectivo é concluir
acerca do possível horizonte de representação
do seu lugar enquanto jovens jornalistas e das
suas carreiras neste campo profissional e
empresarial.
- FERREIRA, Vanda

FERREIRA, Vanda
Licenciada em Ciências da Comunicação, variante Jornalismo, pós-graduada em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação e em Análise de Dados em Ciências Sociais
ISCTE/CIES – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
ferrvanda@gmail.com
PAP0073 - A relação governo-universidade-empresa: o caso do “Green Island Project” no Programa MIT-Portugal
As universidades
portuguesas estão a
atravessar um
período de
transformação e de
redefinição do modo
como se relacionam
com a sociedade.
Inseridas num
contexto global, às
universidades é
exigido um papel
activo na promoção
do desenvolvimento
económico, uma nova
missão a acrescentar
ao ensino e à
investigação.
Perante este
desafio, em 2006 foi
lançado o Programa
MIT-Portugal, uma
parceria de 5 anos
que pretendia tornar
as universidades
portuguesas mais
dinâmicas e
empreendedoras. O
Programa propôs-se a
aproveitar a
experiência do
Massachussets
Institute of
Technology (MIT)
para promover
mudanças nas áreas
da investigação, da
formação e do
empreendedorismo e
inovação – esta
última sobretudo
através da promoção
das relações
governo-universidade-empresa,
tendo em conta o
modelo teórico da
“tripla hélice”.
Perante este
enquadramento, serão
apresentadas as
conclusões de um
estudo de caso sobre
o “Green Island
Project” (GIP),
realizado no âmbito
do projecto - “As
Parcerias
Internacionais em
Portugal: uma
análise do impacto
das redes
científicas na
sociedade do
conhecimento”.
O GIP foi um
projecto inserido no
Programa
MIT-Portugal, que
teve como objectivo
o desenvolvimento de
uma estratégia
energética
sustentável para os
Açores. Incluiu um
consórcio
multidisciplinar com
universidades,
empresas e
estruturas
governamentais. As
conclusões a
apresentar serão
baseadas em cerca de
20 entrevistas aos
principais actores
deste projecto,
incluindo
investigadores,
empresários e
decisores políticos,
procurando
caracterizar as
relações
estabelecidas entre
eles, os métodos de
trabalho e
colaboração ao longo
da implementação do
GIP,, quer do ponto
de vista do projecto
em si, quer do ponto
de vista da
sustentabilidade das
relações
governo-universidade-empresa
entretanto
estabelecidas.
- DURÃO, Rui

- PATRÍCIO, Teresa

Rui Durão, originalmente professor de ciências naturais formado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é actualmente doutorando em Sociologia no CIES/ISCTE-IUL. Trabalhou vários anos como gestor de projectos na Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, onde desenvolveu um particular interesse sobre os modelos de organização dos sistemas científicos, sobre a sua relação com a sociedade, e sobre o papel das políticas públicas no desenvolvimento científico, social e económico.
Maria Teresa Patrício, é Professora Associada na Escola de Sociologia e Políticas Públicas do ISCTE-IUL e é Investigadora no CIES-IUL. Obteve o seu doutoramento na Rutgers University como "Fulbright scholar". Foi Presidente do CIES entre 1992 e 1993, e esteve na criação do Observatório da Ciência e da Tecnologia. Entre 1997 e 2002 foi vice-presidente do Instituto de Cooperação Cientifica e Tecnológica Internacional. Está neste momento a desenvolver um projecto de investigação sobre "As Parcerias Internacionais em Portugal: uma análise do impacto das redes científicas na sociedade do conhecimento".
PAP0338 - Negociación colectiva en las empresas multinacionales en Argentina
En los últimos treinta años y en el marco de la llamada globalización, las empresas multinacionales (EMN) se han transformado en actores predominantes de la economía mundial en general y del mundo del trabajo en particular. Este predominio económico condujo a que se convirtiesen en agentes clave para el desarrollo de nuevas prácticas vinculadas con las relaciones laborales. De esta manera, las EMN incorporarían prácticas desarrolladas en el país de origen a sus filiales, dando como resultado en el país la instalación de relaciones laborales convergentes con los modelos desarrollados en otros países.
El objetivo de esta comunicación es doble. En primera instancia se busca establecer las formas de gestión de la fuerza de trabajo, su impacto sobre las relaciones laborales en la firma y las estrategias hacia los representantes de las organizaciones sindicales en el marco de esas formas de gestión en las filiales de EMN instaladas en Argentina, determinando en qué medida las estrategias de las empresas están definidas por variables estructurales tales como el país de origen, el sector y el momento de instalación. Por otra parte se busca dar cuenta de los cambios y continuidades operados en la negociación colectiva vinculada al conjunto de empresas analizadas para poder observar los efectos de las instituciones sobre las lógicas de gestión de la fuerza de trabajo.
El presente análisis parte de los siguientes interrogantes: ¿Cuáles son las estrategias de las EMN en torno a las relaciones laborales? ¿Existen prácticas convergentes en torno a la negociación colectiva? ¿Se observan diferencias en las estrategias empresarias en relación a las variables estructurales? ¿Qué efectos tiene las nuevas formas de gestión de la fuerza de trabajo sobre la acción sindical? ¿Cuáles son las continuidades y rupturas en torno a la década del 90?
Para el desarrollo de este trabajo, se analizará la negociación colectiva llevada adelante en empresas transnacionales en los últimos años, estableciendo los elementos vinculados a la gestión de la fuerza de trabajo y la inscripción en éstas de las lógicas vinculadas a las relaciones entre empresarios y representantes sindicales en la firma.
- DELFINI, Marcelo - Drolas Ana

Marcelo Delfini: Lic. En sociología y Dr. en Ciencias Sociales Universidad de Buenos Aires (UBA). Investigador CONICET. Docente de las carreras de Relaciones del Trabajo, UBA. Publicó en revistas nacionales e internacionales artículos referidos a las temáticas de Sociología del trabajo, procesos de producción, gestión de la fuerza de trabajo y relaciones laborales. mdelfini@conicet.gov.ar
PAP0301 - Reconfigurações organizacionais, organizações em rede e o papel da confiança
A procura crescente de flexibilidade tem
favorecido as formas de cooperação entre
empresas e, consequentemente, a sua
organização em rede.
As configurações organizacionais em rede
indiciam novos modelos de relacionamento entre
empresas, os quais integram várias estruturas
organizacionais com diferentes lógicas de
funcionamento.
No contexto das redes empresariais, as
relações de cooperação e de subcontratação
assumem contornos mais ou menos vantajosos
para as empresas, em função do papel que estas
ocupam na rede, ou seja, da divisão do
trabalho entre empresas. As empresas
subcontratantes – que detêm o trabalho
qualificado e tecnológico – têm oportunidade
de desenvolver a especialização, aumentar a
flexibilidade, concentrar recursos nas
actividades cruciais e aceder ao mercado
externo, por exemplo. As empresas
subcontratadas – que detêm o trabalho
desqualificado e manual – ganham
possibilidades de aprendizagem em vários
domínios (e.g. gestão, tecnológico), mas
também sofrem algumas desvantagens:
participação nas redes como uma condição de
sobrevivência, imposições de exclusividade,
perda de contacto directo com o mercado, fraco
poder de negociação e dependência da empresa
subcontratante, entre outros.
Nesta comunicação propomo-nos analisar o
modelo de relacionamento numa rede de
empresas, com especial atenção para o grau de
dependência das empresas subcontratadas
relativamente à empresa subcontratante e para
o papel que a confiança desempenha na dinâmica
relacional entre os elementos da rede.
Para a caracterização do modelo de
relacionamento da rede consideraram-se os
seguintes indicadores: duração da relação,
formas de contratualização, grau de
dependência, valores dominantes e vantagens da
cooperação. No que concerne à confiança, a
análise do discurso dos empresários permitiu
identificar aquilo que consideram ser os
principais suportes da confiança: preço,
qualidade, cumprimento de prazos, proximidade
geográfica, cliente final e relações informais.
Analisam-se os aspectos formais (definidos nos
contratos comerciais) e informais (baseados na
confiança) do funcionamento da rede.
Os resultados apresentados derivam de um
estudo de caso sobre uma rede formada por seis
empresas localizada no sul de Portugal. A
recolha de dados fez-se essencialmente com
base em entrevistas (aos dirigentes das
empresas) e questionários (aos trabalhadores).
- SERRANO, Maria Manuel

- NETO, Paulo

Maria Manuel Serrano é Doutorada em Sociologia Económica e das Organizações e Mestre em Sistemas Socio-Organizacionais da Atividade Económica, pelo ISEG/UTL e Licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora.
É investigadora do SOCIUS – Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações do ISEG/UTL .
É Professora Auxiliar no Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e Diretora do 1.º Ciclo de Estudos em Sociologia desta Universidade, desde 2009.
É autora de diversas publicações científicas na área da Sociologia Económica e das Organizações.
Paulo Neto é Professor na Universidade de Évora, Departamento de Economia, tem Doutoramento e Agregação em Economia, e é autor de vários artigos e livros científicos publicados em Portugal e no estrangeiro. Foi Pró-Reitor para o Planeamento Estratégico e Director do Departamento de Economia desta Universidade, onde também coordenou vários cursos de licenciatura, pós-graduação e mestrado. É investigador colaborador do Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão e Economia da Universidade de Évora (CEFAGE-UE) e do Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações da Universidade do Algarve (CIEO-UALG).