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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0202 - Exogamia e Endogamia: escolhas conjugais dos imigrantes nos Açores
Volvidos mais de 25
anos após a entrada
de Portugal na União
Europeia e
concluídos os
trabalhos de
reconstrução das
ilhas do Faial e
Pico, a entrada de
imigrantes nos
Açores continua a
ocorrer, ainda que
com intensidades
distintas. Apesar do
decréscimo registado
no ano de 2010, em
relação a 2009, –
justificável, em
parte, pelo agudizar
da crise económica
nacional e
internacional e pela
conclusão de algumas
das grandes obras de
construção civil nas
ilhas – observamos
que, numa análise
diacrónica, a
tendência geral
manifestada foi a de
um crescimento
efectivo da
população
estrangeira
residente
contribuindo,
consequentemente,
para a
heterogeneidade e
diversidade da
população imigrante
actualmente
residente nos
Açores.
Num espaço social
multiétnico, onde o
processo de
integração não se
tem revelado um todo
integrado, sobretudo
no mercado de
trabalho onde
persistem situações
de desadequação
entre as actividades
exercidas e as
qualificações
possuídas pelos
imigrantes (cf.
Rocha, et al., 2009;
2004; Ferreira,
2008), as relações
exogâmicas
constituem, na
perspectiva da
Teoria da
Assimilação
Segmentada, um
importante passo
rumo à integração
plena. (Dribe &
Lundh, 2010; 2008).
Tendo por base este
pressuposto,
consideramos que as
relações exogâmicas
desenvolvidas na
sociedade de
acolhimento
potenciam a
aprendizagem dos
costumes culturais,
da língua e do
conhecimento do
mercado de trabalho
local, em virtude
dos contactos e das
relações
estabelecidas com a
comunidade de
acolhimento,
contribuindo,
consequentemente,
para que a
integração económica
dos imigrantes
ocorra com sucesso.
Estando perante um
fenómeno social
complexo e
multidimensional,
orientado por
factores individuais
e contextuais que
determinam os
processos
migratórios, a
composição e a
diversidade das
formas conjugais
regionais, a análise
das diferentes
percepções e
representações
construídas pelos
imigrantes em torno
dos açorianos, do
‘outro’ étnico e da
endogamia e da
exogamia. A nossa
investigação passou,
consequentemente,
pela identificação
de quais é que
poderão ser os
factores
facilitadores das
relações exogâmicas
e endogâmicas nos
Açores.
- MENDES, Derrick
PAP0779 - Imigrantes brasileiros em Portugal: Como casam e com quem casam
O número de estrangeiros residentes em Portugal tem vindo a aumentar sucessivamente. A comunidade brasileira, em particular, tem vindo a assumir um peso cada vez mais importante, passando de 22411 em 2000 para 116220 em 2009, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Em 2009 é a nacionalidade mais representada com um peso de 25% no total de residentes estrangeiros em Portugal.
Esta evolução tem, como seria de esperar, reflexos a outros níveis, nomeadamente no contexto do casamento. Em Portugal, contrariando a tendência observada para o total de casamentos ocorridos entre 2001 e 2009 - onde se regista uma diminuição de cerca de 31% -, os casamentos nos quais pelo menos um dos cônjuges nasceu no Brasil passaram de 947 para 3773.
De um ponto de vista sociológico, podemos entender os padrões de casamento existentes numa determinada sociedade como indicadores dos padrões de interação social existentes nessa mesma sociedade. A existência de um nível elevado de casamentos mistos indicia a existência de interações que atravessam fronteiras (nacionais, culturais, linguísticas, económicas…) e uma sociedade que se caracteriza pela abertura ao exterior. De forma contrária, um baixo nível de casamentos mistos remete para o seu fechamento (Alba e Golden, 1986; Kalmijn, 1998; Lieberson e Waters, 1986; Pagnini e Morgan, 1990). Mas, para além de uma medida da integração dos imigrantes na sociedade de acolhimento, os casamentos mistos são também um fator potenciador de interações, podendo influenciar essa mesma integração (Lieberson e Waters, 1986; Kantarevic 2004; Meng e Gregory, 2005).
Assim, pela importância que os casamentos mistos podem ter enquanto motor de mudanças sociais e culturais, e dada a importância da comunidade brasileira residente em Portugal, parece nos particularmente importante analisar os padrões de casamento desta comunidade.
Iremos apresentar a evolução dos casamentos, registados em Portugal entre 2001 e 2009, onde estiveram envolvidos elementos da comunidade brasileira residente em Portugal, através da análise estatística dos micro-dados dos casamentos disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística. Pretende-se com este estudo determinar as características dos imigrantes que se casaram em Portugal neste período, bem como as características desses casamentos, a partir de indicadores como a forma de celebração do casamento, o regime de comunhão de bens, o estado civil anterior, a existência de filhos anteriores ao casamento, a nacionalidade, o sexo, a idade, as habilitações, as características do cônjuge(naturalidade, nacionalidade, idade e habilitações), entre outros.
- RAMOS, Madalena

- FERREIRA, Ana Cristina

Madalena Ramos, Doutorada em Educação pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é professora auxiliar no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), no Departamento de Métodos de Pesquisa Social. Integra o grupo de investigadores do CIES-IUL e é membro da Direção da APS. Áreas de interesse: sociologia da família e das migrações e análise de dados. Publicações mais recentes: i) Ramos, M. e Carvalho, H. (2011). “Mapping Representations about Quantitative Methods in Higher Education”, Higher Education, 61(6): 629-647, Springer. ii) Parente, C., Ramos, M., Marcos, V., Cruz, S., Neto, H. (2011). “Efeitos da escolaridade nos padrões de inserção profissional juvenil em Portugal”, Sociologia Problemas e Práticas, 65:69-93. Ferreira, A.C. e Ramos, M. (2011). “Casamentos Mistos em Portugal: Evolução e Padrões”, Sociologia On Line, Nº 2, Associação Portuguesa de Sociologia.
Ana Cristina Ferreira, nascida em Lisboa em 1962, licenciada em Sociologia, pelo ISCTE, 1984 e Doutoramento em Sociologia, especialidade em Sociologia da Família e da Vida Quotidiana (Família e Habitat (ISCTE 2002)). Sou actualmente professora Auxiliar do ISCTE, na área dos Métodos Quantitativos para Ciências Sociais, Departamento de Métodos de Pesquisa Social e Investigadora do DINAMIA/CET (ISCTE).
Os meus principais interesses relacionam-se com os domínios da sociologia do Território (modos de vida e apropriação do alojamento e território) e com a Demografia (nomeadamente a integração dos imigrantes em Portugal).