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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Estrangeiros»

PAP0532 - Grupos étnicos e estrangeiros em contexto prisional: representações de guardas prisionais e elementos da direcção
Resumo de PAP0532 - Grupos étnicos e estrangeiros em contexto prisional: representações de guardas prisionais e elementos da direcção PAP0532 - Grupos étnicos e estrangeiros em contexto prisional: representações de guardas prisionais e elementos da direcção
PAP0532 - Grupos étnicos e estrangeiros em contexto prisional: representações de guardas prisionais e elementos da direcção

Nas últimas décadas a imigração tornou-se um fenómeno relevante em vários países, incluindo Portugal. Esse fenómeno terá contribuído para firmar discursos provenientes de várias esferas da sociedade civil que alegam que certos grupos sociais, como estrangeiros e minorias étnicas, apresentam uma maior propensão para comportamentos criminais. Com efeito, estudos prisionais realizados em vários países apontam para a uma forte tendência de encarceramento de grupos socialmente vulneráveis. Em Portugal existe, grosso modo, uma sobrerepresentação em contexto prisional de estrangeiros e do grupo étnico cigano. A população reclusa estrangeira vem aumentando sistematicamente nas prisões portuguesas, sendo as nacionalidades com maior historial imigratório no contexto português as mais representadas no sistema prisional (ex. PALOP), verificando-se de igual modo a expansão gradual da presença de indivíduos do Leste Europeu. O objectivo desta comunicação não é questionar o que estará na base desta sobrerepresentação de estrangeiros dos PALOP e do Leste Europeu e de ciganos em contexto prisional. Através da análise de entrevistas com guardas prisionais e elementos da direcção de estabelecimentos prisionais portugueses, quer masculino quer feminino, pretendemos expor as representações sociais que estes profissionais detêm, no que diz respeito à relação destes reclusos com o crime e ao seu comportamento em meio prisional. Não obstante as representações destes actores do sistema prisional sobre os reclusos se apoiarem, em larga medida, na proximidade institucional que possuem com estes, argumentaremos que as representações partilhadas projectam também visões do mundo que se interconectam com mensagens culturais que circulam noutras esferas da vida em sociedade (ex. média), que, por sua vez, reforçam estereótipos e consolidam processos de estigmatização social de grupos sociais desfavorecidos.
  • GOMES, Sílvia CV de GOMES, Sílvia
  • MACHADO, Helena CV de MACHADO, Helena
  • SILVA, Manuel Carlos CV de SILVA, Manuel Carlos
Gomes, Sílvia
Investigadora no Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. Licenciada em Sociologia pela Universidade do Minho (2008), é estudante de doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da mesma universidade, sob as orientações dos Professores Doutores Manuel Carlos Silva e Helena Machado. O projecto de doutoramento tem como título provisório “Criminalidade, Exclusão Social e Racismo: um estudo comparado entre portugueses, ciganos e imigrantes dos PALOP e do Leste Europeu”. No âmbito do projecto de doutoramento, desenvolveu o projecto “Criminalidade, Etnicidade e Desigualdades” junto de Estabelecimentos Prisionais portugueses e foi investigadora visitante na Universidade da Califórnia, Berkeley, sobre a orientação do Professor Loïc Wacquant. O seu trabalho está relacionado com a criminalidade, exclusão social e etnicidade, designadamente as representações sociais dos grupos étnicos e imigrantes nos media, as representações sociais dos guardas prisionais sobre os fenómenos da imigração e do crime e também as trajectórias de vida e estatísticas da reclusão feminina e masculina em Portugal.
Helena Machado
hmachado@ics.uminho.pt

Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.
Silva, Manuel Carlos
Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).

PAP0957 - Lógica do concreto, lógica do significado: assimilações nuançadas de objetos e modos na obra de Gilberto Freyre
Resumo de PAP0957 - Lógica do concreto, lógica do significado: assimilações nuançadas de objetos e modos na obra de Gilberto Freyre PAP0957 - Lógica do concreto, lógica do significado: assimilações nuançadas de objetos e modos na obra de Gilberto Freyre
PAP0957 - Lógica do concreto, lógica do significado: assimilações nuançadas de objetos e modos na obra de Gilberto Freyre

A intensidade e extensão dos contatos entre culturas, tornados contemporaneamente mais freqüentes e velozes, ainda que não menos conflituosos e complexos, têm levado sociólogos a buscar modos de olhar mais generosos à capacidade dos povos em criar maneiras próprias de assimilação do Outro. A variedade das formas de tais contatos – imitação, apropriação, tradução, transculturação, hibridização, entre outros – depende de como a "lógica do concreto" se relaciona com a "lógica da significação" em cada encontro entre sistemas de categorização (Sahlins). Um olhar atento deve ser capaz de rearticular as polaridades criadas pelas próprias ciências humanas, para explicar a estabilidade, bem como a mudança social, a partir da (re)ligação entre mundo material e imaterial, visível e invisível. Parte da obra de Gilberto Freyre, talvez menos conhecida do que a clássica trilogia do autor – Casa Grande e Senzala (1933), Sobrados e mucambos (1936) e Ordem e progresso (1959) – oferece este olhar, sob o qual se desvelam nuançadas trocas entre sociedades que comportam distintas visões de mundo. Neste trabalho, que é apenas uma parte da tese de doutorado em desenvolvimento, constitui objeto de estudo a análise de Freyre das influências francesa e britânica sobre a cultura brasileira nos livros Um engenheiro francês no Brasil (1940) e Ingleses no Brasil (1948). Em tais obras, o foco de análise recai sobre a influência técnica e material transmitida cotidianamente por personagens "menores", figuras na aparência as mais humildes, da história íntima brasileira. Aqui, as trocas culturais, ainda que enredadas por relações de poder – tendo em vista o estado avançado das “carboníferas” culturas estrangeiras em relação à brasileira, impregnada de Orientalismos – jamais ocorrem como via de mão única. Este aspecto da obra de Freyre ressalta criativos processos de tropicalização que ocorrem num tipo de "revolução macia", e tem sido ressaltado em anos recentes não somente por constituir o “coração” e o foco de maior atenção internacional de sua obra (Pallares-Burke, 2011), mas também por sua proficuidade no debate atual. Esta "revolução branca" e de mão dupla se difere do diagnóstico vislumbrado ao final de Sobrados e mucambos, em que a reeuropeização do Brasil aparece como estetização totalizadora, oposta ao equilíbrio de antagonismos próprio à assimilação luso-tropical. É este tipo de revolução que pretendemos capturar em tais obras, revolução que fez Freyre vislumbrar, de maneira entusiástica, o futuro do Brasil como nação exemplar ao mundo, triunfando, na trilha dos britânicos, “nas artes de combinar e fazer interpenetrar contrários”.
  • FREITAS, Isabella Mendes CV de FREITAS, Isabella Mendes
Isabella Mendes Freitas
Doutoranda em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro desde 2010, sob orientação do professor Dr. Ricardo Benzaquen de Araújo. Desenvolve atualmente, em sua pesquisa de tese, investigação sobre os impactos materiais e imateriais da presença estrangeira no Brasil e as formas brasileiras de acomodação de tais influências, a partir da interpretação de Gilberto Freyre em obras específicas sobre o tema. Tem graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa e mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Nessas instituições, realizou pesquisas a respeito do tema da urbanização e da condição do estrangeiro a partir da interpretação de Georg Simmel e Walter Benjamin, a partir de representações do cinema latino-americano. Com estes dois autores, procurou desenvolver estudos a respeito de uma perspectiva sociológica estética.