PAP0097 - Comerciantes e Consumidores: Velhos Métodos de Venda, Novos Hábitos de Consumo
As cidades não são imutáveis. Ao longo das
décadas e séculos sofreram alterações na sua
estrutura com consequências para os seus
habitantes. Mais recentemente temos assistido a
novas alterações com o aumento de novas
centralidades disseminadas pela cidade
consolidada mas também por novas áreas da
cidade, como consequência do desenvolvimento de
novas urbanizações.
O tecido comercial, como parte integrante da
malha urbana, tem acompanhado esta evolução,
sendo que em alguns casos pode mesmo ser
considerado como uma das suas âncoras,
sobretudo através da implantação de grandes
superfícies comerciais no exterior da cidade
antiga. Estas alterações têm provocado impactos
no tecido comercial do outrora dominante centro
da cidade, por vezes coincidente com o centro
histórico. Com menor capacidade de adaptação,
os antigos comerciantes destas áreas têm visto
a sua importância cada vez mais reduzida num
momento em que os hábitos de consumo claramente
não são os mesmos de há poucas décadas atrás.
Não existe um momento temporal específico que
defina a transição dos antigos para os novos
hábitos de consumo. Esta mudança não é brusca,
vai-se realizando no tempo, tornando-se
complicada a sua percepção. Sendo atribuída
alguma culpa aos antigos comerciantes pelo
actual momento de apatia pelo qual alguns
centros de cidades atravessam no presente, a
mesma deve, no entanto, ser relativizada pela
complexidade dos processos que envolve. Por um
lado, grande parte das alterações nos hábitos
de consumo não foi induzida por estes
comerciantes. Por outro, a maioria destes não
possuía os recursos (humanos e económicos) para
fazer face a estas mudanças e adaptar-se.
A metodologia utilizada na presente comunicação
envolve a análise de entrevistas realizadas a
comerciantes da região de Lisboa, no âmbito de
um projecto internacional, denominado REPLACIS,
cujo objectivo principal consistia em perceber
as razões pelas quais determinadas áreas
comerciais possuem maior capacidade de
resiliência do que outras.
Com esta comunicação pretendemos perceber de
que forma os antigos comerciantes assistiram a
esta mudança e se a sua adaptação à mesma se
poderia fazer de uma forma natural e integrada
na cidade actual e nos novos hábitos de
consumo.