PAP0017 - O humano na contemporaneidade: a utopia do homem perfeito e as deficiências
Os progressos científicos, sobretudo os que
dizem respeito à revolução genética, trazem à
tona a preocupação com um possível mau uso
desta e de sua indiscriminada exploração
comercial, circunstância em que a liberdade
individual, anunciada como uma liberdade de
escolha sem precedentes, poderia estar ferindo
a dignidade e os direitos humanos, compondo um
novo cenário tão sombrio quanto os anteriores,
visto que a seleção e o descarte dos
incapazes, deficientes e ineficientes não se
dariam mais pela via do extermínio, mas pela
salvação dos eleitos, estes manipulados,
programados e legitimados por argumentos
científicos. Para tal análise apoio-me, em
grande parte em grande parte, em proposições
do paradigma semiótico, como caracterizado por
Ginzburg (1989), uma metodologia que valoriza
o pensamento conjetural, além de acolher o
ensaio como gênero de composição do trabalho.
Tomo por base especialmente publicações
acadêmicas em diálogo com a produção
cinematográfica intitulada Gattaca: a
experiência genética (1997). Abordo neste
entrelaçamento de produtos culturais, impactos
e dilemas relacionados às inovações
tecnológicas, em particular, as da engenharia
genética e sua relação com as deficiências, ao
problematizar a busca de melhorias da vida do
homem pautada por um discurso científico que
cada vez mais tende a almejar a ordenação das
diferenças em nosso mundo, fixando-as no
âmbito da norma e das diagnoses, com a
promessa ou a efetiva oferta de intervenções
que viabilizariam a cura ou a reparação de
imperfeições humanas, sobretudo nas
deficiências, cuja existência poderia ser
previamente eliminada.
Simone Moreira de Moura
Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Mestre e
Doutora em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba. Atualmente
é docente na Universidade Estadual de Londrina, Departamento de Educação.
Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Especial. Os
temas a seguir aparecem com maior frequência nas ações, estudos e
publicações: Educação e Dversidade, Educação Inclusiva, Deficiências,
Eugenia e as Novas Tecnologias. Líder do Grupo de Pesquisa GEPEDETC (Grupo
de Estudos e Pesquisa em Educação, Deficiências e Tecnologias). Aprovada
para o Pós doutorado no Instituto de Psicologia da Universidade do Estado
de São Paulo (USP) com o tema: Eugenia e Deficiências.