PAP0135 - As experiências da rua: as (re)criações do espaço pelos sujeitos por meio das práticas de lazer
Este estudo
constituiu um dos
eixos temáticos do
projeto de pesquisa:
“Usos do tempo livre
na Vila Holândia: o
lugar das práticas
corporais”, do Grupo
de Estudos e
Pesquisa em
Políticas Públicas e
Lazer da UNICAMP/São
Paulo/Brasil. Por
meio de uma
abordagem
etnográfica olhamos
as ruas da Vila
Holândia, Campinas -
SP, observando seu
cotidiano nos
períodos de férias
escolares, nos
feriados e aos
finais de semana que
é permeado pelas
conversas entre
vizinhos, pelas
brincadeiras das
crianças e pelo
encontro,
principalmente de
homens, no entorno
do bar. Ouvindo
pessoas e/ou grupos
que fossem
significativos para
identificarmos como
ela é um lugar de
fruição do lazer e
como os moradores
(re)criam os espaços
pela apropriação e
sociabilidade. As
ruas servem como
limite definidor de
um determinado
território que
estrutura mapas e
orienta a
organização social
do espaço, para
nossa análise também
a compreendemos como
um lugar
significativo de
socialibilidade
(SIMMEL, 1986),
apropriação do
espaço (POL, 2005) e
de práticas de lazer
(SMOLKA, 2000). A
condição da vida
comunitária na Vila
Holândia compreende
a tensão entre as
tendências das
recentes formas de
urbanização e a
relação histórica e
cultural das formas
tradicionais. Assim,
encontramos
evidências que
permitem dizer que a
riqueza das
experiências da rua
ainda resiste ao
processo de
urbanização das
cidades.
Entretanto,
reconhecemos a
tendência da
dinâmica das formas
de urbanização como
perigosas para
sociabilidade nos
espaços públicos,
principalmente na
rua. Elas formalizam
as experiências da
rua pela regulação
dos mecanismos
institucionais do
legislador alheio às
representações
locais, como também
fragmenta as
interações do tecido
social. Nas
experiências da rua,
os sujeitos
compartilham o
espaço público,
materializam a
convivência social e
estabelecem vínculos
afetivos. No
cotidiano da rua
identificamos a
perpetuação das
formas de
apropriação e
sociabilidade
subvertendo a idéia
da rua como local de
violência,
insegurança e medo
para lugar de
resistência social e
cultural. É possível
afirmar que no
Brasil a dinâmica da
vida comunitária nas
ruas ainda
reconfigura a
ocupação e usos dos
espaços públicos.
- LOPES, Carolina Gontijo

- AMARAL, Sílvia Cristina Franco

Carolina Gontijo Lopes
Graduada em Educação Física e especialista em Pedagogia do Esporte Escolar pela Universidade Estadual de Campinas e mestre em Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou em políticas de esporte e lazer municipais, em instituições não governamentais e em escolas públicas. Possui interesse de investigação em políticas públicas de lazer; práticas culturais no tempo livre; espaço urbano e atuação profissional.
Sílvia Cristina Franco Amaral
Possui graduação em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria (1989), mestrado em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria (1995) e doutorado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (2003) e Livre-docente pela FEF-UNICAMP (2011). Atualmente é docente da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas e coordenadora do Grupo de Política Pública e Lazer. Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Lazer e Políticas Públicas, atuando principalmente nos seguintes temas: lazer, política pública, cultura corporal, educação física e esporte.
PAP0708 - Experiência sexual: contributos para um novo conceito nos estudos de sexualidade e género
Nesta comunicação apresento uma proposta de um novo conceito para os estudos de sexualidade e género, o conceito de experiência sexual, desenvolvido numa tese de doutoramento defendida em 2011 (Policarpo, 2011). Partindo das três lógicas de acção propostas por F. Dubet – integração, estratégia e subjectivação -, pretendo explorar os significados que cada uma destas lógicas assume no que respeita à vida sexual.
Cada uma pode ser descrita em três níveis diferentes. Em primeiro lugar, cada uma reporta a diversos aspectos da vida dos indivíduos (profissional, familiar, afectiva, sexual), com destaque para a sexualidade. Porém, é a forma como o indivíduo se «move» nas restantes dimensões da vida que explica os modos que a sexualidade assume, em cada lógica. Um exemplo muito evidente seria o de um indivíduo que, tendo uma forte integração profissional em determinada fase, vê a sua vida sexual reduzir-se em frequência, diversidade de parceiro/as e/ou práticas. Este nível descreve onde tudo se passa: é o das dimensões da vida pessoal.
O que nos leva a um segundo nível analítico, em cada lógica da acção: o grau de «compromisso individual» com cada uma das dimensões consideradas. Trata-se de uma medida de intensidade da adesão do actor social à lógica em questão, nos seus diversos desdobramentos (familiar, profissional, sexual). Ela pode ser «medida» em termos de grau como «forte», «média» ou «fraca».
Conforme a conjugação dos diferentes graus de intensidade do posicionamento do actor social em cada uma das lógicas (e respectivas dimensões), podemos chegar então a um terceiro nível, em que qualificamos o modo de posicionamento do actor. Em cada lógica, conforme a intensidade da adesão for «forte», «média» ou «fraca», teremos três modalidades de acção.
Deste modo, partindo da intensidade da adesão a papéis sociais, valores, grupos e comunidades (integração), nas várias dimensões da vida individual, chegamos a diversas modalidades de viver essa pertença: convencional, marginal ou alternativa. Na lógica estratégica foi possível identificar três modalidades de acção: limitadas, ocasionais ou ad hoc, e diversificadas. Finalmente, foi possível chegar a várias modalidades de subjectivação, modos qualitativos de construção do sujeito sexual e sua identidade: padrão, problematizada e singular.
Este novo conceito permitiu construir seis ideais-tipo de experiência sexual: convencional, alternativo-singular, marginal-diversificado, alternativo-diversificado, ambivalente.
- POLICARPO, Verónica

Nota biográfica:
Doutorada em Ciências Sociais (Sociologia), pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), com uma tese com o título Indivíduo e Sexualidade: a construção Social da Experiência Sexual. Mestre (pré-Bolonha) em Sociologia, pela Universidade de Coimbra; e licenciada (pré-Bolonha) em Comunicação Social e Cultural pela Universidade Católica Portuguesa. Desde 2000 leciona na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Católica Portuguesa, diversas disciplinas às licenciaturas e mestrados, com destaque para as Metodologias de Investigação das Ciências Sociais. É membro do Conselho de Coordenação do Centro de Estudos em Serviço Social e Sociologia (CESSS-UCP), vogal da Direção do Centro de Estudos de Povos de Cultura e Expressão Portuguesa (CEPCEP, UCP), investigadora do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica (CESOP, UCP) e do Centro de Estudos Comunicação e Cultura (CECC, UCP), onde co-organisou a primeira Spring School on Advanced Methodologies in Communication Studies (Abril 2012). Os seus interesses de investigação são multidisciplinares, e incluem temas como a construção do indivíduo contemporâneo; sexualidade, género, transformações da vida privada e íntima; redes e comunidades pessoais; valores e atitudes face às minorias, preconceito, discriminação, desigualdades sociais; métodos e técnicas de investigação qualitativa e quantitativa em ciências sociais. Entre as suas publicações mais recentes contam-se os livros Os Imigrantes e a Imigração aos Olhos dos Portugueses: Manifestações de preconceito e perspectivas sobre a inserção de imigrantes, (Coord. com João H.C. António, Fundação Calouste Gulbenkian, 2012) e Imigrantes Sem Abrigo em Portugal, (em co-autoria) Lisboa, ACIDI (no prelo); dois capítulos do IV Volume da História da Vida Privada, pelo Círculo de Leitores (coord. Ana Nunes de Almeida), «Sexualidades em construção: entre o público e o privado» e «Media e Entretenimento» (em co-autoria), 2011; Viver a telenovela: um estudo sobre a recepção (Livros Horizonte, 2006); Os Imigrantes e a População Portuguesa: imagens recíprocas (coord. Mário Lages, Observatório da Imigração, 2006). Coordena actualmente diversos projectos, entre os quais Jovens e Idosos: relações intergeracionais e envelhecimento activo (CEPCEP)e Personal Communities: transformations in private life, family relationships and intimacies (CESSS).
PAP0696 - Práticas laborais em Conselhos de Empresa Europeus em tempo de crise. Exemplos a partir dos setores metalúrgico, químico e financeiro
Este trabalho
resulta de um
projeto de
investigação sobre o
impacto sectorial de
Conselhos de Empresa
Europeus (CEEs) –
instituições de
informação e
consulta nas
empresas/grupos de
empresas de dimensão
comunitária (ao
abrigo das Diretivas
94/45/CE e
2009/38/CE) – em
Portugal. Tem sido
mais recorrente
identificar
obstáculos à
constituição e
funcionamento de
CEEs do que realçar
as suas conquistas,
traduzidas na
capacitação de boas
práticas. Em
contexto de crise
económica não
surpreende que esses
obstáculos
verificados no plano
das práticas
laborais quotidianas
possam ser mais
notórios.
Partindo de um
estudo realizado
junto de
representantes de
trabalhadores em
CEEs de três
sectores
(metalúrgico,
químico e
financeiro) e de
três multinacionais
(Autoeuropa, Air
Liquide e Banco
Espírito Santo) –
procura-se, no
entanto, salientar
alguns dos
contributos para uma
boa implementação de
formas de democracia
laboral nas
multinacionais, em
especial como forma
de superar
impedimentos de
facto e de jure ao
modus operandi dos
CEEs.
Após a identificação
de algumas das
principais
transformações
associadas à
Diretiva 2009/38/CE
(que entrou
formalmente em vigor
em Junho de 2011,
substituindo a
Diretiva 94/45/CE),
bem como à exposição
de algumas das
tipologias
associadas ao
funcionamento dos
CEEs (que vão de um
grau mínimo a um
grau máximo da
valorização da
participação laboral
no âmbito das
multinacionais),
procede-se a um
breve enquadramento
sectorial da
constituição de CEEs
em Portugal, nos
sectores
metalúrgico, químico
e financeiro. Por
fim, expõe-se a
visão dos
representantes de
trabalhadores em
CEEs desses
sectores,
conferindo-se
destaque especial a
três multinacionais
que se têm destacado
pela sua capacidade
não só de lidar com
a crise económica
internacional, como
pelo modo como têm
sabido valorizar os
mecanismos de
informação de
consulta de
trabalhadores.
- COSTA, Hermes Augusto