PAP0604 - (In) visibilidades e paradoxos na violência contra as pessoas idosas
O problema da violência contra as pessoas idosas não constitui um problema novo, mas ganha hoje uma maior visibilidade social. Crise da família ou a perda de alguns valores e práticas sociais, no seio da família, são alguns dos argumentos invocados para a construção social da violência contra as pessoas idosas. Se a família pode ser hoje um local de afetos e reciprocidades, também pode constituir um lugar de omissões e de violência. As perceções sociais face ao problema por parte da população em geral e os números reais obtidos através de estudos europeus de prevalência revelam desfasamentos e paradoxos. Os resultados qualitativos que apresentaremos surgem no âmbito do projeto de investigação Envelhecimento e Violência, financiado pela FCT, que tem como objetivo estimar a prevalência da violência (física, psicológica, financeira, negligência e sexual) contra as pessoas com 60+ anos na população portuguesa, caracterizando as condições de ocorrência no contexto familiar, bem como os fatores de risco associados. Na fase exploratória do estudo, e a partir de uma amostra por conveniência, analisaram-se as representações sociais que as pessoas com 60+ anos têm do fenómeno. Quais os principais atos de violência identificados? Quais os fatores de risco? Quais os circuitos institucionais da denúncia? Estas e outras questões constituíram os eixos de análise que serviram de base para a utilização da técnica de focus group. Para o efeito foram constituídos 4 grupos heterogéneos, homens e mulheres, com 60+ anos, oriundos de freguesias rurais e urbanas, na região de Lisboa. Os resultados revelaram que a questão da violência constitui um novo risco social, que se traduz no conhecimento crescente de casos (diretamente ou pelos mass media), influenciando as perceções que se constroem sobre a sua natureza e extensão. A sobrevalorização do problema gera uma visão simplificada e reduzida a uma relação interpessoal. A complexidade das relações intergeracionais obriga ao reconhecimento da ambivalência como parte integrante destas e à diferenciação entre conflito e violência. Torna-se necessário distinguir o que é um ato violento, de um ato que tem subjacente um conflito familiar, que resulta, por vezes, do processo desigual de atribuição das responsabilidades familiares ou das condições adversas que o exercício das práticas de cuidar exige. De modo a contribuir para a clarificação das fronteiras conceptuais entre conflito e violência, a perspetiva sócio-ecológica possibilita-nos um modelo teórico multifactorial, compatível com a complexidade do problema em análise e articula fatores de risco: individuais, contextuais e estruturais. A realização de estudos de base populacional que possam estimar a prevalência da violência, que hoje as pessoas idosas são vítimas, passou a ser premente no planeamento das políticas públicas que visem assegurar um envelhecimento mais saudável e seguro.
- GIL, Ana Paula

- SANTOS, Ana João

Ana Paula Gil, doutorada em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), é investigadora no Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor. Ricardo Jorge, no âmbito do Programa Ciência 2008. É investigadora responsável do projeto “Envelhecimento e Violência” financiando pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (PDTC/CS-SOC/110311/2009) (2011-2014).Tem desenvolvido atividade de investigação nas áreas do envelhecimento e políticas sociais, família e relações intergeracionais, e saúde pública.
Ana João Santos é licenciada em Psicologia, pré-especialização em comportamento desviante pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Mestrado em temas de psicologia pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Investigadora no projeto europeu “Prevalência do abuso e negligência a mulheres idosas” (AVOW), no âmbito do DAPHNE III (programa de financiamento da União Europeia), desenvolvido na Escola de Psicologia da Universidade do Minho entre Março de 2009 e Março de 2010. Bolseira de investigação desde Abril de 2011 no projeto de investigação “Envelhecimento e Violência” desenvolvido pelo Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I. P.
PAP0940 - A variabilidade das práticas alimentares das famílias com crianças em Portugal
No período anterior à institucionalização da democracia em Portugal, a alimentação era uma dimensão da vida social fundamentalmente a cargo das famílias e, em alguns casos, do assistencialismo proveniente de organizações de carácter filantrópico. Com o surgimento do Estado Social, ela passou a estar fortemente mediada pelo Estado, especialmente nas famílias com menos recursos económicos. Mais tarde, com a modernização do Estado, o mercado passou a ter um impacto crescente na vida das populações e, particularmente, na alimentação dos indivíduos. Nos últimos anos, assistiu-se em Portugal, a um conjunto de tendências de modernização do tecido social que, embora assimétricas, conduziram, entre outros, à consolidação da sociedade de consumo. A alimentação está por isso sujeita a uma rede mais abrangente e complexa de interdependências. Importa compreender, neste contexto de múltiplas combinações de recursos e possibilidades de acção, o papel de intermediação destas esferas de sociabilidade na estruturação das práticas alimentares. Ainda assim, a família permanece uma instituição central no processo pedagógico-cultural e, particularmente, na produção das identidades alimentares das crianças e dos cônjuges. Este trabalho presta especial atenção à importância que as interacções domésticas têm na estruturação dos hábitos alimentares dos elementos das famílias com crianças. A partir de uma abordagem compreensiva das negociações envolvidas na produção de culturas alimentares familiares e, numa leitura co-dependente de um conjunto de interferências como o Estado (alimentação escolar), as sociabilidades infanto-juvenis, as culturas familiares, a territorialidade, a exposição ao mercado (media) e a as classes sociais, vou procurar desenvolver um modelo conceptual que permita identificar dinâmicas familiares determinantes na alimentação.
- TEIXEIRA, José

José Pedro Teixeira, licenciado em Sociologia no ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa) em 2010, está actualmente está a terminar o mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de informação na mesma instituição e é bolseiro de investigação no ICS –UL (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) desde 2011 no âmbito do projecto “FCT (2011-2014) (PTDC/CS-SOC/111214/2009): “Entre a Escola e a Família: conhecimentos e práticas alimentares das crianças em idade escolar”. Os seus interesses de investigação são a sociologia do consumo, sociologia da alimentação e das desigualdades sociais.
PAP0689 - Agroindústria familiar e sustentabilidade: um estudo de caso sobre o Programa Matas Legais em Santa Catarina, Brasil
O texto discute a formação da temática ambiental na sociedade contemporânea, seus desdobramentos e determinações, com ênfase no problema das relações de produção e organização produtiva. Analisa-se como esta temática se constrói por meio do estudo de caso do Programa Matas Legais (PML), desenvolvido em parceria pela empresa Klabin Celulose S.A. e pela ONG APREMAVI (Associação de Preservação ao Meio Ambiente e a Vida). Este Programa constitui um projeto de fomento florestal ambientalmente correto nas pequenas e médias propriedades de agricultores familiares nos Estados de Santa Catarina e Paraná (Brasil) para a produção de madeira para papel e celulose, com mecanismos de apoio do Estado e supõe uma perspectiva conservacionista. Nesse processo, as relações de produção não são determinadas fundamentalmente pela parceria entre a empresa e a ONG, mas envolvem os mercados transnacionais de papel, celulose e conservação, bem como o Estado, por meio das políticas de crédito agrícola. Essas relações afetam o setor produtivo agrícola, em especial a agricultura familiar, impelindo-o ao processo de agroindutrialização. A temática ambiental tem sido amplamente absorvida pelo mercado, mas ainda é um assunto secundário à concepção do desenvolvimento social, e que os argumentos em torno da temática ambiental permanecem atrelados e subordinados ao tema da eficiência econômica. Para compreender concretamente como ocorre essa apropriação da temática ambiental pelo processo produtivo e sua conversão em mercadoria (mercadoria verde), observamos o processo de produção e valorização (valor verde) da madeira para papel e celulose no plantio de eucalipto, e suas consequências socioeconômicas, trabalhistas e ambientais. O estudo de caso foi representativo para os objetivos da pesquisa devido à articulação, no mesmo processo produtivo, de uma empresa privada – indústria de papel e celulose, geralmente vista como agressora do meio ambiente pelos ambientalistas – junto com uma ONG ambientalista – que combate formas de produção destrutivas. Essa contradição se revelou bastante curiosa, principalmente porque o Programa inclui agricultores rurais categorizados como agricultores familiares. A articulação desses três atores envolve ainda instituições públicas em diferentes níveis – programas federais de incentivo agrário, prefeituras, secretarias e institutos de pesquisa agrária. O estudo demonstra como a temática ambiental se processa em mercadoria, as contradições, os efeitos sociais e a influência do discurso ecopolítico sobre esse processo. Constatamos que a lógica do consumo predatório do meio ambiente é resultado necessário das relações sociais de produção próprias ao capitalismo e que a defesa do meio ambiente só será eficaz na medida em que for incorporada estruturalmente à ação política fundada em outra ordem de necessidades que supere as determinadas pela lógica do capital.
- MULLER, Ricardo

- DIAMICO, Manuela
Ricardo Gaspar Müller: professor associado do Departamento deSociologia e Ciência Política e Coordenador do Programa de Pós-graduação emSociologia Política (PPGSP) – gestão 2012/2014 – da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), Florianópolis, Brasil. Coordenador epesquisador do Núcleo de Estudos das Transformações do Mundodo Trabalho (TMT/CFH/UFSC). Linhas de pesquisa em que atua: Ideias,Instituições e Práticas Políticas; Mundos do Trabalho. Membrodo comitê editorial de Política e Sociedade: revista de SociologiaPolítica (PPGSP/UFSC).Professor do Departamento de ComunicaçãoSocial da Universidade Federal Fluminense (UFF), de 1980 a 1997.Visiting Scholar naUniversidade de Nottingham (1993/1994 e 2001). Pós-doutorado em Sociologia pela UniversidadeFederal do Rio de Janeiro (UFRJ).Doutor em História Social pela Universidade de SãoPaulo (USP). Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG).
PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções
No âmbito do projecto de pesquisa realizado
para provas de mestrado, entretanto concluído,
estudei as famílias de pessoas com adições
(Famílias Anónimas) e, através da utilização
de metodologias qualitativas em que se
destacou a observação directa e a observação
participante nas sociabilidades destas
famílias, construí uma tipologia de redes que
caracterizam as respectivas sociabilidades no
presente. A apresentação que me proponho fazer
ao congresso aborda as principais conclusões
do estudo realizado e a tipologia de redes
sociais destas famílias.
As principais conclusões e construção ideal-
típica em que se consubstancia esta proposta,
aferiram não somente como são as redes sociais
destas pessoas como também qual é o papel das
Famílias Anónimas nestas redes. Os capitais
sociais, económicos e culturais (escolarmente
comprovados ou não) foram factores de
ponderação.
Numa conjuntura de crise, com a consequente
falência acentuada do estado-providência,
salta à vista a importância dos apoios/ajudas
informais de certas comunidades de indivíduos.
As Famílias Anónimas, grupos de auto-ajuda
para familiares de toxicodependentes,
constituem um exemplo notório de um elo de
certas redes sociais que apoiam alguns
indivíduos e que têm um papel fulcral para a
sua coesão e integração em sociedade.
Resulta, portanto, evidente a importância de
motivar e divulgar os diversos modos de
sociabilidades primárias que têm origem na
sociedade informal e aos quais subjaz uma
profunda hibridez, bem como aos apoios/ajudas
existentes no seu seio que vêm substituir as
funcionalidades da sociedade-providência.
- RAMOS, Carla Sofia Magalhães Cabaço da Silveira

Carla da Silveira Ramos é licenciada em Sociologia na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), mestre em Família e Sociedade no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e doutoranda em Sociologia no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Pertence ao Projeto ‘Velhice e Modos de Vida’, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), coordenado pela Professora Doutora Maria das Dores Guerreiro.
Tendo-se ocupado, durante a Tese de Licenciatura, das interações entre as comunidades virtuais de heroinómanos e cocainómanos e a sociedade de acolhimento, deu-se conta da importância das interações no estudo das redes sociais. Esta última temática foi desenvolvida na Tese de Mestrado no que respeita às redes sociais em Famílias Anónimas (FA). Desenvolve a sua Tese de Doutoramento sobre a influência do espaço urbano nas redes de relações intergeracionais e nas configurações familiares.
PAP0938 - Concepções e experiências de conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal: a perspetiva das pessoas que trabalham numa autarquia.
Concepções e experiências de conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal: a perspetiva das pessoas que trabalham numa autarquia.
Liliana Domingos e Rosa Monteiro
Nesta apresentação pretendemos expor algumas das principais conclusões de um estudo qualitativo sobre as conceções e experiências de conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar das pessoas que trabalham numa autarquia do centro-norte do país. O estudo foi desenvolvimento, no âmbito de uma dissertação de mestrado na Universidade Católica Portuguesa, fazendo também parte do estudo-diagnóstico da mesma autarquia no âmbito do seu Plano para a Igualdade, financiado pelo POPH (7.2). Foram realizadas 20 entrevistas semiestruturadas a uma amostra de funcionários e funcionárias da autarquia, que depois foram integralmente transcritas e analisado o seu conteúdo através do software NVivo8. A amostra intencional selecionou diferentes grupos de indivíduos segundo as variáveis: categoria profissional, habilitações escolares, idade e sexo.
A persistência de problemas de conciliação da vida profissional, pessoal e familiar é um dos sinais mais evidentes da persistência da desigualdade de género, apesar dos progressos ao nível da igualdade formal, consubstanciada em políticas públicas e legislação. No estudo, a análise da problemática da conciliação é uma análise genderizada, que coloca as relações sociais entre homens e mulheres no centro da reflexão. Isto porque se acredita no seu potencial heurístico quer para a compreensão da problemática na perspetiva dos sujeitos (a forma como conceções de género influenciam práticas, conceções e experiências de mulheres e de homens relativamente ao trabalho e à família), quer para a fundamentação de uma intervenção organizacional promotora da igualdade (objetivo do Plano para a igualdade em desenvolvimento na autarquia). Assim, são mobilizadas em termos analíticos as seguintes dimensões: Conceções sobre identidades, valores e papéis de género, estratégias mobilizadas para a conciliação, perceção do conflito trabalho-família, família-trabalho (fatores de conflito, perceções de perda), visões sobre as políticas públicas e práticas organizacionais, literacia de direitos e “sentido dos direitos”.
- DOMINGOS, Liliana

- MONTEIRO, Rosa

Liliana Domingos
Licenciada em Sociologia (UBI) e Mestre em Serviço Social na Universidade Católica Portuguesa. Os seus interesse de pesquisa centram-se nas questões da conciliação da vida profissional, familiar e pessoal e das (re)configurações das relações de género.
Rosa Monteiro
Socióloga. Professora no Instituto Superior Miguel Torga e investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Doutorada em Sociologia, tem desenvolvido o seu trabalho em torno das questões da desigualdade de género ao nível do emprego, trabalho e organizações, bem como no estudo e avaliação das políticas públicas. Membro da equipa de avaliação dos Planos Nacionais para a Igualdade, e atualmente da “avaliação da integração da Igualdade de género nos fundos estruturais (QREN)” - IGFSE. Publicações mais recentes: “Metamorfoses das relações entre o Estado e os movimentos de mulheres em Portugal: entre a institucionalização e a autonomia”, Exaequo, 25 (2012); “A agenda da descriminalização do aborto em Portugal: Estado, movimentos de mulheres e partidos políticos”, Análise Social, no prelo; “A Política de Quotas em Portugal: O papel dos partidos políticos e do feminismo de Estado”, RCCS, 92 (2011).
PAP0287 - Direito da Família em Portugal: desafios ao princípio constitucional da igualdade
A consagração do princípio da igualdade na Constituição da República em 1976, após a revolução de 1974, teve impactos especialmente profundos no Direito da Família e na condição das mulheres em Portugal, com a consagração do princípio da igualdade entre homens e mulheres, entre marido e mulher e entre crianças nascidas dentro e fora do casamento. Contudo, e apesar de já terem passado quase quarenta anos desde a consagração do princípio da igualdade, a igualdade material contínua longe de ser uma realidade, o que é visível nas contribuições desiguais de homens e mulheres para a vida familiar, a assimetria nas horas de trabalho e nos salários ou na diferença de horas dispensadas por homens e mulheres com a família (Torres, 2008).
Nesta comunicação discutiremos, em primeiro lugar, os desafios e limitações do princípio da igualdade entre homens e mulheres, a partir da perspectiva crítica e feminista do direito. Em seguida, apresentaremos as rupturas e continuidades do Direito da Família em Portugal desde 1974 até aos dias de hoje, no que respeita ao princípio da igualdade. Por fim, discutiremos se e como estas transformações têm impacto na prática judiciária, através do estudo de caso de processos findos de regulação de responsabilidades parentais em dois tribunais portugueses, Lisboa e Braga.
Em suma, partimos nesta comunicação, como no projecto de investigação “O Género do Direito e da Justiça de Família em Portugal” no âmbito do qual é desenvolvida, da hipótese geral que, apesar da transformação do direito de família nos últimos 30 anos, a lei e a prática judiciária são ainda dominadas ou pelo menos reflexo, de forma manifesta ou latente, pela/da ideologia patriarcal ou masculina.
- PEDROSO, João
- CASALEIRO, Paula
- BRANCO, Patrícia
PAP1297 - Divisão sexual do trabalho, recursos e poder doméstico: alguns resultados de uma pesquisa em Portugal continental
No âmbito dos estudos sobre a família, designadamente em Portugal, não obstante os notáveis avanços no conhecimento sobre esta área temática, há um tema que tem sido pouco analisado no âmbito da divisão sexual do trabalho doméstico: o grau e a distribuição do poder doméstico entre homem e mulher, tratando-se de casais ou uniões de facto heterossexuais.
Este texto, começando por fazer uma breve revisitação de posicionamentos relativamente à (in)existência de relações patricêntricas/patriarcais ou matricêntricas/matriarcais nas casas em Portugal, tem por base dados empíricos recolhidos a partir de uma investigação centrada nas (des)igualdades de género, em que, entre outros instrumentos e técnicas quantitativas e qualitativas, foi aplicado um inquérito a 800 pessoas em Portugal Continental distribuídas por sexo, idade, profissão, tipo de residência (rural ou urbano), activo-não activo, projecto este aprovado e financiado pela FCT e finalizado em 2011 (PTDC/SDE/72257/2006).
Entre outros resultados, os dados recolhidos confirmam conclusões de outros trabalhos nacionais e internacionais: a desigualdade entre homem e mulher em desfavor desta na distribuição das tarefas domésticas e respectivas horas semanais despendidas e, em particular, a discrepância entre representações e práticas analisadas por sexo e grupo profissional. Porém, o foco de análise incide, no quadro da dinâmica (in)comunicativa entre os membros do casal, sobre quais os aspectos da vida que se alteraram com a entrada na conjugalidade e após o nascimento dos filhos, qual o tipo relações (mais fusional ou mais individualista) no que concerne conversas, iniciativas e actividades levadas a cabo por cada um dos membros do casal ou por ambos e em que medida, como se organiza a gestão e aplicação do dinheiro, quem decide e em que medida – o homem, a mulher ou ambos – sobre determinadas questões mais importantes (por exemplo, autorização de actividades dos filhos mais a cargo da mulher, compra de casa e/ou carro mais por parte do homem, local de férias por ambos).
Por fim, conclui-se que, para além da persistência de um determinado grau de desigualdade na repartição de tarefas domésticas e nos cuidados despendidos com os filhos com sobrecarga para a mulher, não há, em regra, relações que se caracterizem por serem de tipo patriarcal ou matriarcal e, portanto, verifica-se em certo equilíbrio por co-decisão ou por esferas de acção, embora seja de observar um certo predomínio por parte do homem em determinadas matérias nomeadamente quando este seja o único ou principal provedor económico da casa.
Palavras-chave: poder doméstico, família, género, desigualdade, Portugal
- SILVA, Manuel Carlos

Silva, Manuel Carlos
Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).
PAP0828 - Divórcio e assimetrias de género: processos, negociações e impactos
As estatísticas evidenciam uma elevada taxa de
divorcialidade nas últimas décadas com um
considerável impacto nas vidas familiares e na
sociedade.
O divórcio, seja nos seus antecedentes, seja
nos próprios processos e seja ainda nos seus
impactos e consequências nomeadamente nas
responsabilidades parentais em relação aos
filhos configura um campo em que desigualdades
de género afloram, se reproduzem ou mesmo se
agravam.
Neste âmbito, após um breve enquadramento
teórico sobre as diferenças e assimetrias de
género, far-se-á uma breve resenha histórica
da evolução numérica e social do divórcio e
correlativas alterações legais desde a I
República ao 25 de Abril de 1974 e
subsequentes alterações. Seguidamente serão
apresentados dados relativos ao divórcio tendo
por base as respostas de 56 inquiridos
divorciados (34 mulheres e 22 homens) no
âmbito de uma pesquisa levada a cabo em
Portugal, tendo por base a aplicação de um
inquérito a 800 pessoas sobre as (des)
igualdades de género em Portugal num projecto
aprovado e financiado pela FCT e finalizado em
2011 (PTDC/SDE/72257/2006).
Considerando na análise variáveis como o sexo,
a profissão, a idade, os 56 divorciados
inquiridos responderam, para além das questões
comuns a pessoas não divorciadas, a
determinadas questões relativas ao divórcio:
as suas opiniões passadas face ao divórcio, os
motivos para a decisão do divórcio, a
iniciativa da separação ou divórcio, qual o
tipo de processo (litigioso ou por mútuo
consentimento), a atitude inicial face ao
divórcio, a existência ou não de tentativa de
reconciliação, o grau de satisfação face ao
divórcio, a avaliação da decisão do divórcio,
a probabilidade de novo casamento e eventuais
razões.
Para além destas respostas ao referido
inquérito foram ainda realizadas entrevistas
semi-estruturadas a pessoas divorciadas que,
do ponto de vista qualitativo, permitiram um
olhar mais aprofundado sobre as diferenciadas
representações e expectativas sobre o
casamento, tensões e negociações no exercício
do poder doméstico, assim como motivações e
razões, balanços e impactos do divórcio, uns
positivos outros negativos.
Dos dados de ordem quantitativa e qualitativa
foi possível inferir que o divórcio se, por um
lado, gera, em grande parte dos casos,
processos de descompressão, alívio e
satisfação recíproca, por outro, comporta
práticas e representações diferenciadas por
sexo e, por vezes, impactos desiguais
nomeadamente em termos económicos e psico-
sociais, com mais frequência em desfavor da
mulher, embora nalguns casos com impactos
negativos no homem nomeadamente de dependência
na gestão do quotidiano, o que leva mais
homens que mulheres a recasarem-se.
Palavras chave: divórcio, desigualdade,
família, género,Portugal
- SILVA, Manuel Carlos

- JORGE, Ana

- QUEIROZ, Aleksandra

Silva, Manuel Carlos
Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).
Ana Jorge é doutoranda em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com bolsa da FCT, e mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Integra o projecto europeu de investigação EU Kids Online, sobre crianças e internet.
Aleksandra Queiroz
Socióloga, Mestre em Políticas Comunitárias e Cooperação Territorial, pela Universidade do Minho em co-tutela com a Universidade de Vigo, área de especialização Desigualdades Sociais e Desenvolvimento Rural.
Assistente de Investigação no âmbito projeto intitulado "Desigualdade de género no trabalho e na vida privada: das leis as práticas sociais (PTDC8/SDE/72257/2006) no Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho (CICS-UM), Braga. Bolseira co-coordenadora no terreno, em Portugal, do Projeto europeu SHARE (Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe) referência VP/2009/009/0048. Comunicante em vários Congressos Nacionais e Internacionais, é co-autora de vários artigos sobre os temas dos projectos referidos. E-mail: aleksandraqueiroz@gmail.com
PAP0728 - Educação, desigualdades sociais e usos do computador Magalhães: uma pesquisa comparativa
A educação tem sido assumida como uma das áreas chave de intervenção no âmbito da promoção do que se tem designado de sociedade da informação, do conhecimento ou em rede (Castells, 2005; Lyon, 1992; Webster, 2006). Ao longo das últimas décadas têm-se implementado múltiplos programas governamentais e realizado investimentos consideráveis em tecnologias da informação e comunicação nas escolas, na generalidade dos países europeus, incluindo no nosso país. Uma das crenças que acompanha este esforço é a de que estão em causa políticas essenciais para a inclusão digital das novas gerações, particularmente dos grupos sociais mais desfavorecidos.
Na esteira destas políticas, a distribuição de computadores portáteis às crianças do 1º ciclo do ensino básico, em Portugal, realizada no quadro do programa e.escolinha, com início em 2008/09, tem, ainda, a particularidade de pretender promover precocemente o uso das tecnologias de informação e comunicação desde o início da escolaridade, bem como de incidir a sua intervenção, além da escola, no contexto familiar.
Alguns dados já apurados apontam para o efeito que este programa teve na democratização do acesso a estas tecnologias na população em causa (GEPE, 2001; Silva e Diogo, no prelo). Resta, contudo, aprofundar em que medida esta democratização de acesso se está a traduzir numa verdadeira democratização de usos. Interessa-nos enquadrar este problema no campo da Sociologia da Educação, nomeadamente, na questão das desigualdades sociais face à educação, mais especificamente, na análise da articulação entre escola e família nos velhos e novos processos de (re)produção social e cultural (Zanten, 2005).
A partir de dados de dois estudos de caso, um na Região Centro e outro na Região Autónoma dos Açores, baseados em métodos extensivos (inquérito a pais, alunos e professores) e intensivos (entrevistas a pais e professores e registos etnográficos de uma turma), com tratamento da informação por procedimentos estatísticos e por análise de conteúdo, propomo-nos analisar, numa perspetiva comparativa, como é que as crianças dos diferentes grupos sociais usam o computador Magalhães e como é mediado esse uso pela escola e pela família. Nesse sentido, serão analisados dados provenientes da pesquisa nas duas comunidades educativas.
- DIOGO, Ana
- SILVA, Pedro
- COELHO, Conceição
- FERNANDES, Conceição
- GOMES, Carlos
- VIANA, Joana
PAP0449 - Entre a escola e a família: usos do computador Magalhães
A distribuição de computadores portáteis às crianças do 1º ciclo do ensino básico, em Portugal, constituiu uma medida política que, no seguimento de outras, teve como desígnios democratizar o acesso às tecnologias de informação e comunicação (TIC) e, assim, promover a utilização destas nos processos de ensino-aprendizagem, preparando precocemente as novas gerações para a sociedade do conhecimento.
Contudo, a ideia de que as TIC, por si sós, podem ser geradoras de mudança e progresso, presente em muitos discursos sobre a sociedade da informação, parece padecer de algum determinismo tecnológico que tem vindo a ser denunciado pela evidência empírica (Lyon, 1992). No campo da educação, estudos têm revelado que a aplicação simples das TIC, sem nada modificar as práticas de ensino, não traz mudanças significativas aos sistemas educativos e pode agravar desigualdades de aprendizagem iniciais (Eurydice, 2001; Miranda, 2007). Ao distribuir computadores às famílias, o programa e.escolinha veio amplificar o potencial alcance deste tipo de iniciativas, colocando questões relativas ao processo de integração das novas tecnologias no espaço escolar, como também no espaço familiar, e, em particular, em relação à articulação entre estes dois contextos. A sociologia da educação tem dado conta de obstáculos estruturais e dificuldades de interacção na relação escola-família (Dubet, 1997; Montandon e Perrenoud, 2001; Silva, 2003) que poderão contribuir para compreender a forma como a medida política em causa está a ser apropriada pelos actores sociais.
Com o objectivo de investigar os usos e efeitos do computador Magalhães no 1º ciclo do ensino básico no quadro da relação escola-família, temos em curso um estudo de caso numa Escola Básica Integrada de Ponta Delgada (Açores), baseado em métodos extensivos (inquérito a pais, alunos e professores) e intensivos (entrevistas a pais e professores e registos etnográficos de uma turma).
Entre os resultados já apurados (Diogo, Gomes e Barreto, 2010), foi possível constatar que o computador Magalhães tem sido muito mais amplamente utilizado em casa do que na escola, quer pela frequência do uso, quer pela amplitude do tipo de utilizações que lhe é dado. Trata-se de resultados que não são surpreendentes, na medida em que estão em consonância com os encontrados noutros trabalhos em relação ao uso das TIC em geral (Almeida, Alves e Delicado, 2008; Fluckinger, 2007). Nesta comunicação iremos centrar-nos na exploração de pistas para a compreensão desta constatação, incidindo, especialmente, na hipótese relativa aos modos de articulação e colaboração estabelecidos entre escola e família. Para o efeito, serão mobilizados dados provenientes de inquéritos por questionário, entrevistas e registos etnográficos realizados na comunidade escolar onde o estudo decorre.
- DIOGO, Ana
- GOMES, Carlos
PAP0202 - Exogamia e Endogamia: escolhas conjugais dos imigrantes nos Açores
Volvidos mais de 25
anos após a entrada
de Portugal na União
Europeia e
concluídos os
trabalhos de
reconstrução das
ilhas do Faial e
Pico, a entrada de
imigrantes nos
Açores continua a
ocorrer, ainda que
com intensidades
distintas. Apesar do
decréscimo registado
no ano de 2010, em
relação a 2009, –
justificável, em
parte, pelo agudizar
da crise económica
nacional e
internacional e pela
conclusão de algumas
das grandes obras de
construção civil nas
ilhas – observamos
que, numa análise
diacrónica, a
tendência geral
manifestada foi a de
um crescimento
efectivo da
população
estrangeira
residente
contribuindo,
consequentemente,
para a
heterogeneidade e
diversidade da
população imigrante
actualmente
residente nos
Açores.
Num espaço social
multiétnico, onde o
processo de
integração não se
tem revelado um todo
integrado, sobretudo
no mercado de
trabalho onde
persistem situações
de desadequação
entre as actividades
exercidas e as
qualificações
possuídas pelos
imigrantes (cf.
Rocha, et al., 2009;
2004; Ferreira,
2008), as relações
exogâmicas
constituem, na
perspectiva da
Teoria da
Assimilação
Segmentada, um
importante passo
rumo à integração
plena. (Dribe &
Lundh, 2010; 2008).
Tendo por base este
pressuposto,
consideramos que as
relações exogâmicas
desenvolvidas na
sociedade de
acolhimento
potenciam a
aprendizagem dos
costumes culturais,
da língua e do
conhecimento do
mercado de trabalho
local, em virtude
dos contactos e das
relações
estabelecidas com a
comunidade de
acolhimento,
contribuindo,
consequentemente,
para que a
integração económica
dos imigrantes
ocorra com sucesso.
Estando perante um
fenómeno social
complexo e
multidimensional,
orientado por
factores individuais
e contextuais que
determinam os
processos
migratórios, a
composição e a
diversidade das
formas conjugais
regionais, a análise
das diferentes
percepções e
representações
construídas pelos
imigrantes em torno
dos açorianos, do
‘outro’ étnico e da
endogamia e da
exogamia. A nossa
investigação passou,
consequentemente,
pela identificação
de quais é que
poderão ser os
factores
facilitadores das
relações exogâmicas
e endogâmicas nos
Açores.
- MENDES, Derrick
PAP1067 - Expectativas associadas ao cuidar das gerações mais velhas: comparação entre filhos únicos e membros de fratrias
A sociedade contemporânea é marcada por mudanças que se repercutem nas opções dos indivíduos e das famílias no que concerne ao cuidado informal intergeracional.
A comunicação objetiva problematizar os resultados de um estudo sobre as expectativas de adultos face à eventual necessidade de cuidar dos seus pais - a geração precedente - analisando diferenças entre filhos únicos e filhos membros de fratrias.
O estudo, de coorte prospetivo, de natureza quantitativa, utilizou na recolha de dados um inquérito por questionário de administração indireta. A amostra, constituída por adultos portugueses em idade ativa (dos 25 aos 65 anos) - não cuidadores - com pelo menos um dos progenitores vivo, abrangeu 186 participantes com uma média de idade de 32 anos, maioritariamente do sexo feminino (88%) e com habilitações literárias ao nível do ensino superior (91%).
Os respondentes revelam o amor e a ternura como o principal motivo para cuidar dos seus progenitores. Os filhos únicos preveem dificuldades a nível económico, ponderando recorrer a recursos formais no cuidado, ao contrário dos respondentes membros de fratrias que perspetivam optar por uma estratégia de exclusividade da fratria no cuidado informal. As rotinas domésticas, as atividades de lazer e a produtividade no trabalho são as principais áreas que os inquiridos conjeturam poderem ser afetadas ao cuidarem dos seus progenitores.
Tendo em conta a centralidade que as problemáticas associadas ao envelhecimento patológico assumem na quotidianidade familiar, optar por cuidar informalmente não pode ser penalizador. No sentido de antecipar eventuais dificuldades no curso da vida as famílias deverão ser estimuladas a refletir sobre a prestação de cuidados informais face às disritmias que as longevidades acarretam. Urge, por isso, repensar as respostas que as políticas públicas apresentam neste domínio, redefinindo-se e ampliando-se programas que respondam efetivamente às necessidades das pessoas dependentes, dos cuidadores e das famílias, garantindo os seus direitos enquanto cidadãos e promovendo o seu bem-estar social.
- DEUS, Andreia

- GUADALUPE, Sónia

- DANIEL, Fernanda

Andreia Deus: Assistente Social, Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga.
Sónia Guadalupe: Assistente Social, investigadora do Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade e Professora Auxiliar no Instituto Superior no Instituto Superior Miguel Torga. Mestre em Família e Sistemas Sociais. Doutorada em Saúde Mental. Investiga sobre Redes de Suporte Social em populações vulneráveis.
Fernanda Daniel: Assistente Social, investigadora do Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade e Professora Auxiliar no Instituto Superior no Instituto Superior Miguel Torga. Doutorada em Desenvolvimento e Intervenção Psicológica a sua tese a par das publicações individuais enfocam, maioritariamente, o envelhecimento e as políticas públicas.
PAP0462 - Famílias reconstruídas - A figura da madrasta: dos contos infantis às representações das crianças
Segundo as estatísticas do INE os casamentos de homens divorciados e viúvos ascendia em 2009 aos 18,8%, número que tem vindo a aumentar exponencialmente desde o início do século. As famílias têm assumido novas formas nas sociedades actuais, sendo o foco de interesse nesta comunicação as famílias reconstituídas, também designadas como recompostas ou reconstruídas.
As crianças são um dos actores envolvidos, e por vezes, mais confundidos, nesta reconstrução que não é imediata, mas que se caracteriza por um processo adaptativo, contínuo, por vezes bastante prolongado e nem sempre de fácil aceitação por implicar simultaneamente perdas, ganhos e novas vivências. Enquanto sujeitos activos da sua vida, e das vidas dos que as rodeiam, as crianças olham o mundo e interpretam-no com uma perspectiva própria, enriquecida de sentido e que até há pouco tempo não era considerada válida ou sequer existente. Baseados neste olhar infantil, com maturidade suficiente para explicar e compreender o seu mundo, analisamos a figura da madrasta, isto é, quais as representações das crianças sobre esta “mãe de substituição” que tantas vezes povoa o imaginário dos contos de fadas que nos habituámos a ouvir desde pequenos.
Os contos infantis analisados, como “A Branca de Neve”, “A Cinderela”, entre outros, mostram-nos a negra imagem da madrasta, tão consentânea com expressões idiomáticas da língua portuguesa que se foram enraizando no nosso quotidiano: “Vida madrasta”, significando que a vida foi realmente dura ou recheada de tribulações. Mas afinal, será que é assim que as crianças vêm a figura da madrasta?
Os discursos escritos de dezanove alunos do 3º ano do 1º ciclo do ensino básico trazem-nos uma perspectiva desmistificada do que é ser madrasta no século XXI. Nesta amostra incluem-se 13 crianças em famílias nucleares, 5 em famílias monoparentais maternas e uma numa família adoptiva.
Da análise de conteúdo das composições escritas encontramos três categorias principais: a madrasta boa, avaliada desta forma por todas as raparigas, sete, e cinco rapazes; a madrasta má, referida maioritariamente por rapazes; e a madrasta enquanto figura materna aceite pelas crianças mas numa posição inferior à da mãe.
- CARREIRA, Marta Almeida

Licenciada em Ciência Política (ISCSP – UTL), mestre em Desenvolvimento, Diversidade Locais e Desafios Mundiais – Análise e Gestão (ISCTE – IUL) e pós-graduada em Proteção de Crianças em perigo e intervenção local (ISCSP – UTL). Atualmente é doutoranda de Sociologia no ISCTE-IUL e bolseira de doutoramento da FCT no CIES-IUL. Tem como principais interesses de investigação a sociologia da infância, crianças e jovens em risco, sociologia da família, ONGs, desenvolvimento social e humano, pobreza e exclusão social.
PAP1131 - Forced changes: family response to Alzheimer in Portugal
As a general phenomenon in Europe, the phenomenon of ageing, as well as the associated increase in chronic disease, and Alzheimer's disease (AD) in particular, also concern Portugal.
This situation has considerable implications for families, often called upon to provide caring tasks. Focusing more specifically on adult children, the paper explores how, in a context of a high rate of female employment and low availability of services, adult children do experience and face the situation, both at the practical and symbolic levels.
Drawing on qualitative interviews with adult children providing care to one of their parent with AD, we identify the main care arrangements set up by families.
Confronted to the unexpected and demanding situation of caring for a parent suffering from AD, it is mostly one adult child who becomes the main carer. The care situation induces tremendous practical and emotional consequences and implies many adjustments for the carers. In Portugal family care is central, though often complementary to paid care. The analysis highlights how, in order to reconcile work and care, both demanding tasks, adult children set up a variety of care arrangements, combining most often informal and formal care, in and outside the house. Most carers have also a professional activity which induces many consequences for the carers, not only the daily family life, but also on social and professional life. However, results suggest that while working induces constraints, it is also a resource to face the caring situation.
- SAMITCA, Sanda

Sanda Samitca, socióloga Suíça, bolseira pós-doc no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). Os meus domínios de investigação têm sido desenvolvidos no quadro das questões do envelhecimento através do aprofundamento do conhecimento acerca dos padrões de cuidados existentes atualmente na sociedade portuguesa, em duas populações alvo: os idosos dependentes e os doentes de Alzheimer.
PAP1500 - IMPACTOS DA PROFISSÃO MILITAR NOS PADRÕES FAMILIARES: RECONFIGURAÇÕES A PARTIR DO CASO PARTICULAR DO COMANDO DE INSTRUÇÃO E DOUTRINA
As Forças Armadas (FA) são um dos pilares mais relevantes em qualquer Estado e a especificidade da profissão militar, reforça a pertinência deste estudo, inserindo-o numa temática ainda pouco desenvolvida em Portugal. Concomitantemente, na actualidade a reconfiguração das FA emerge como uma incontornável realidade numa sociedade que se caracteriza por um elevado grau de insegurança/instabilidade associado um novo perfil de risco e de ameaças difusas. As mudanças que se fazem sentir a nível de estrutura, organização e doutrina das FA têm evidentes repercussões, directa ou indirectamente, na sociedade no seu todo assim como nas suas principais instituições sociais. É o caso da instituição família, mas muito em particular da denominada Família Militar pela diferenciação desta profissão face aos demais contextos profissionais.Decorrente deste pressuposto, pretende-se contribuir para uma melhor compreensão sobre o impacto da profissão nas famílias dos militares do Comando de Instrução e Doutrina (CID). Dada a multidimensionalidade do conceito Família Militar, no presente estudo foram destacadas algumas das suas dimensões, que são condicionadas pela noção de solidariedade - resultante de todos os militares estarem sujeitos a determinadas contingências profissionais – e cujos efeitos no contexto familiar sempre têm demarcado as dissemelhanças entre o grupo militar e demais profissionais. O presente estudo baseia-se numa abordagem intensiva, a partir da recolha de informação através de inquéritos por entrevistas e questionários junto de militares, e intergeracional, o que possibilita a identificação de similitudes e diferenças entre a família militar no contexto das guerras coloniais e das actuais missões militares. As condutas destes profissionais são condicionadas por regras e normas inerentes à especificidade da sua profissão, afectando de forma significativa o dia-a-dia do meio familiar, numa permanente reconfiguração das FA no seio de uma sociedade em constante e rápida mudança.
- BALTAZAR, Maria da Saudade

- SALVADOR, Rafaela

MARIA DA SAUDADE BALTAZAR é professora auxiliar, com nomeação definitiva, do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e investigadora integrada no CESNOVA – FCSH da UNLisboa e colaboradora do CISA-AS da UÉvora. Licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora, em 1990, Mestre em Sociologia pelo ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa, em 1994 e Doutorada em Sociologia pela Universidade de Évora, em 2002. É Auditora de Defesa Nacional (IDN/Curso 2006). Tem diversas publicações sobre as áreas a que correspondem os seus principais interesses de investigação: Segurança, Defesa e Forças Armadas; Desenvolvimento; Planeamento (metodologia e instrumentos de intervenção). Tem coordenado e constituído várias equipas de investigação de projetos nacionais e internacionais sobre desenvolvimento regional e local, prospetiva, planeamento, intervenção comunitária e relações civil-militares. Tem uma vasta experiência no acompanhamento e apoio técnico a projetos de intervenção comunitária. Tem exercido diversos cargos de gestão na Universidade de Évora, entre os quais Diretora de vários cursos e do Departamento de Sociologia.
Rafaela Sofia Ferreira Salvador é Licenciada em Sociologia, pela Universidade de Évora, tendo concluído o curso em 2010. Participou ativamente nas atividades desenvolvidas pelo Núcleo de Estudantes de Sociologia da Universidade de Évora. Tem uma publicação na sua principal área de interesse de investigação: Forças Armadas. Colaborou com as equipas de investigação e técnica num projeto de desenvolvimento local, participação que fomentou o interesse pela área do desenvolvimento local e planeamento estratégico, assim como o contato com a população do concelho desencadeou o interesse pela área das políticas de integração e exclusão social.
PAP0608 - Interacção Escola-Família, parceria ou mera aproximação? – a influência sobre os alunos, escola e comunidade
O tema da presente investigação é a problemática da interacção escola-família em diferentes contextos nacionais e locais, procurando dar resposta: à premissa de que nas sociedades actuais todos os alunos têm de frequentar a escola e com sucesso escolar; à dificuldade em promover a participação das famílias nas escolas, sobretudo em países onde a participação cívica e a responsabilização social são baixas; e em fazer despertar nos professores a necessidade de trabalhar em parceria com as famílias dos alunos. O objectivo será analisar o que as políticas públicas, as estratégias das escolas e as práticas dos professores exigem das famílias relativamente à participação na escola, ao envolvimento parental nos trajectos escolares dos educandos e de verificar se existe uma interferência da escola nas dinâmicas familiares sem colocar em causa a distinção entre a esfera do público e a esfera do privado. Na primeira parte serão analisadas/comparadas as políticas educativas de incentivo à interacção escola-família de países com diferentes ideologias, níveis de participação cívica e responsabilização social e resultados escolares diferenciados, de forma a tentar posicionar Portugal numa escala de interacção escola-família, ou seja, quanto à capacidade que se espera que as escolas tenham em integrar os pais dos seus alunos em actividades pedagógicas, em casa e na escola, e de gestão escolar. Da análise macro avança-se para uma análise meso de como as escolas se apropriam das políticas educativas nacionais no nosso país e de como, com elas, constroem ou não a sua estratégia de aproximação às famílias. Essa visão estratégica para a promoção da interacção escola-família das escolas será recolhida, através de entrevistas semi-directivas, junto dos representantes da educação das Câmaras Municipais e Directores de algumas escolas de cinco concelhos do país (representativos das realidades socio-económicas e educacionais nacionais). Uma vez que a figura escolar da efectiva ligação entre a escola e a família é o director de turma e à grande autonomia profissional dos professores, a análise da apropriação das políticas educativas nacionais não ficará completa sem uma análise ao nível micro de como os professores de facto praticam ou não as directrizes das políticas nacionais e das estratégias escolares com as famílias dos seus alunos (através de entrevistas semi-directivas e da análise de práticas). O fio condutor será o de verificar se as políticas nacionais, estratégias escolares e práticas dos professores são influenciados pelos e/ou terão influência sobre os níveis de participação e de responsabilização social das populações, como é que profissionais da escola e famílias olham para a menor separação entre escola e casa numa aproximação exigida pelas políticas de expansão de autonomia das escolas e se a colaboração entre professores e famílias tem alguma influência sobre os resultados escolares dos alunos.
- GONÇALVES, Eva

Eva Patrícia Duarte Gonçalves, licenciada (UAL) e mestre em Sociologia do Conhecimento, Educação e Sociedade pela FCSH da UNL. Encontra-se a frequentar o programa de doutoramento em Sociologia no ISCTE-IUL, estando em fase de desenvolvimento da tese sobre a temática da Interação escola-família, também realizado no âmbito do projeto ESCXEL, rede de escolas de excelência, coordenado pelo Professor Doutor David Justino no CesNova onde foi bolseira desde 2009. É atualmente bolseira da FCT.
PAP1226 - Na Cozinha De Famílias Rurais: Práticas De Escolarização De Mães Com Filhos Em Idade Escolar
A comunicação proposta se insere em uma pesquisa mais abrangente denominada As práticas de escolarização de famílias rurais com filhos em idade escolar: o caso do povoado de Goiabeiras, São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil (PORTES e outros, 2010), que vem sendo desenvolvida nos últimos cinco anos. Ela procura responder uma pergunta básica: como é o cotidiano de mães que vivem no meio rural na lida com seus filhos naquilo que diz respeito às questões escolares?
Assim, tomamos os relatos construídos em vivências diárias junto a 15 famílias, acompanhadas de segunda a domingo, de 11 da manhã às 18 horas da noite. Anotamos os acontecimentos diários dessas famílias, mas especialmente aqueles voltados para as ações da criança e daquilo que diz respeito às práticas escolares. Este acompanhamento durou dois meses e meio. Trata-se de um estudo etnográfico e baseamo-nos nos diários construídos durante o acompanhamento.
Queríamos construir um painel complexo de uma realidade já definida, utilizando de diferentes técnicas e métodos de pesquisa, para que pudéssemos cruzar discursos e práticas de famílias e professores. Inspiramo-nos basicamente nos trabalhos de Bernard Lahire, notadamente nas questões configuracionais; nos trabalhos de Daniel Thin, principalmente aqueles relacionados às diferentes lógicas socializadoras da escola e da família; na etnografia efetuada por Pedro Silva sobre um conjunto de escolas portuguesas de diferentes posições sociais e nos trabalhos de Anettle Lareau.
Para além dos aportes teóricos já indicados, concentramos nossas leituras em textos etnográficos de Fonseca, Mauss, Geertz, Velho, Ezpeletta e Rockwell, Van Zanten, Martins, Elias e Scotson. Precisávamos estar providos de uma compreensão simbólica do sentido da nossa inserção nessas famílias e dos efeitos da nossa presença em uma cena complexa, privada, que se abria generosamente à nossa curiosidade investigativa.
Para interpretar esse conjunto de dados, apoiamo-nos em um conceito que vem sendo trabalhado por Portes (2001), denominado circunstâncias atuantes. As primeiras análises indicam um aprofundamento dos estudos no que se refere: ao conceito de famílias rurais, ao significado de tempo e de espaço no meio rural, ao lugar ocupado pela criança nas famílias e no povoado, ao lugar da mãe nas famílias, as manifestações simbólicas das famílias, a ordenação da casa, ao lugar da escola na casa e as práticas específicas de escolarização no meio rural. Os dados mostram que se essas famílias são semelhantes materialmente falando, as inserções simbólicas diferenciam sobremaneira as suas práticas de escolarização.
- PORTES, Écio

- SILVA, Pedro
- CAMPOS, Alexandra
- SANTOS, Valéria
Écio Antônio Portes, professor adjunto da Universidade Federal de São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais, pesquisa no campo da Sociologia da Educação, com ênfase nas trajetórias escolares de estudantes pobres e nas práticas de escolarização da famílias rurais. É ainda, professor do Programa de Pós-Graduação Processos Sócioeducativos e Práticas Escolares da UFSJ.
PAP1305 - O PAPEL DOS VALORES FAMILIARES NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR E NA CONSTRUÇÃO DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS GERADOS
Embora o predomínio das relações mercantis tenha afetado todas as esferas da vida social, as transformações em curso, em particular na agricultura familiar, não dissolvem outras relações sociais geradoras de lógicas diferenciadas. O estado de saber, aprender e fazer dos agricultores familiares passa, em muitos casos, a ser fundamental na concretização de novas atividades. É o caso da agroindustrialização, em que uma arte secular de transformação que existia na lógica de reprodução dos agricultores de subsistência passou a ser aprimorada e desenvolvida com um olhar além da família, objetivando espaços nos mercados. Dessa forma o intuito desta análise e verificar qual o papel dos valores familiares e dos meios de vida no processo de criação e consolidação da agroindústria familiar do Oeste do Estado do Paraná no Brasil. O que se observou com a pesquisa foi que o modo como as famílias se organizam e estabelecem relações entre seus membros e destes com a sociedade varia de acordo com as culturas e as épocas históricas. A família desempenha a função de agente integrador das relações sociais que se desenvolvem no interior das redes sociais e traz consigo toda a complexidade da realidade camponesa herdada pelos agricultores familiares, em que a lógica da atividade agrícola é um valor mais importante que a produção, indissociável, neste caso, da “propriedade-posse-agroindustrialização”. As relações familiares (seja na esfera do parentesco, seja na da produção – relações de reciprocidade, proximidade, generosidade) incluem um ideal, de pensamento ou de representação, que informa as atitudes e os comportamentos que permeiam as agroindústrias familiares. Assim, o modo de vida das famílias demonstram o sentido de suas ações e relações. Importante também para compreender que as relações de construção de mercados da agroindústria é que as famílias possuem uma capacidade de modificar-se face aos contextos, mas não perde completamente sua essência, valores e lógicas.
- LUA, Elizangela Mara Carvalheiro

Elizângela Mara Carvalheiro
Professora Adjunta da Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA (Rio Grande do Sul-Brasil). Economista, mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio e Doutora em Desenvolvimento Rural. Temas recentes estudados se relacionam com: a sociologia econômica na esfera que tange a construção social de mercados para agroindústrias familiares do Brasil, a economia criativa focando a relação entre o turismo e a cultura. Email: elizangelamara@hotmail.com
PAP0949 - O TEMPO LIVRE EM FAMÍLIA – UMA ABORDAGEM DE GÉNERO
O uso que os atores fazem do tempo é, em grande parte, condicionado por fatores sociais e culturais, em articulação com as características individuais, nas quais se inclui o género. Nesta comunicação abordamos as concepções do tempo e os modos de passar o tempo de homens e mulheres a viver em casal, dando relevo à maneira como percebem e usam o tempo livre. Tendo como base a análise da literatura sobre o tema, apresentamos e interpretamos os dados mais relevantes de uma pesquisa realizada nos distritos de Castelo Branco e Braga através de inquérito por questionário, grupos de foco e entrevistas semidiretivas. Tal como afirmam vários autores, o tempo livre designa o tempo não dedicado a responsabilidades e atividades consideradas «necessárias», tais como o trabalho remunerado, o trabalho doméstico, os cuidados de outros e os cuidados pessoais. Distingue-se do tempo de «lazer» que tende a agregar atividades, por regra com elevado índice de prazer, realizadas durante o tempo livre.
Nesta comunicação pretendemos mostrar que os usos do tempo livre em família evidenciam desigualdades de género de extrema importância, no contexto do debate sobre as políticas igualdade de género no trabalho e na vida privada. Tais desigualdades não são apenas definíveis a partir da dimensão quantitativa (em geral, as mulheres dispõem de menos tempo livre do que os homens com a mesma situação familiar), mas também a partir de outras dimensões, designadamente os índices de previsibilidade e de fragmentação (o tempo que as mulheres podem ter para si é menos previsível e mais fragmentado), a natureza das atividades e das preferências especialmente vinculadas a “identidades de género”. Pretendemos, assim, consolidar algumas hipóteses não só acerca da divisão sexual do tempo livre e do tempo de lazer, mas também sobre a forma como homens e mulheres tendem a valorizá-los, a preenchê-los e a narrá-los. Seguimos, neste contexto, diversas abordagens situadas na sociologia da família e do género, e, igualmente, alguns dos contributos fundamentais sobre a importância das classes sociais na experiência do tempo quotidiano, assim como das características dos modos de vida nas sociedades modernas.
- SCHOUTEN, Maria Johanna

- ARAÚJO, Emilia Rodrigues

Maria Johanna Schouten
Universidade da Beira Interior;
Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho.
Áreas de formação: Antropologia, História, Sociologia.
Interesses de investigação:
Sociologia da família, sociologia do género, sociologia da saúde, sociologia do envelhecimento, relações interculturais, estudos sobre o Sudeste Asiático
Emília Rodrigues Araújo
Universidade do Minho. departamento de sociologia e centro de estudos de comunicação e sociedade
Sociologia, com interesses atuais na área da sociologia do tempo, sociologia política e das mobilidades.
PAP1495 - Pequenos e Grandes Dias. Os Rituais na Construção da Família Contemporânea
Nesta comunicação sintetizamos os principais resultados de uma tese de doutoramento (2011) onde procurámos questionar e discutir o alcance das teorias da desinstitucionalização, individualização e risco enquanto chave explicativa para a compreensão do que é, hoje, a família.Quando aplicadas à família, as teses da desinstitucionalização, individualização e risco desenham um cenário de instabilidade, diluição, fragilidade ou até mesmo desaparecimento (Brannen e Nielsen, 2005). A partir do indivíduo colocam a ênfase no «casal flutuante», na «relação» ou nos «estilos de vida», por oposição a «velhas» categorias sociológicas, agora adjectivadas de «incrustadas» (Giddens, 2000 [1999]: 63), «zombie» (Beck e Beck-Gernsheim, 2002: 204) ou «líquida» (Bauman, 1999). Em alternativa, questionámo-nos sobre o que constrói uma família mais do que aquilo que a torna «efémera», «fluida» e «frágil». Na esteira de David Morgan, conceptualizámos as famílias não por aquilo «que são» ou «para que servem», mas «pelo que fazem». Das várias portas de entrada possíveis escolhemos as «práticas familiares» (Morgan 1996, 1999), especificamente o conjunto das que se enquadram numa categoria maior: os rituais familiares (Bossard e Boll, 1950; Wolin e Bennett, 1984). A opção por «fixar» a família a partir dos rituais, isto é, das práticas que empreendem, combinada com uma abordagem metodológica qualitativa, intensiva e em profundidade permitiu estabelecer e desenvolver o argumento principal desta tese, o de que as teorias da desinstitucionalização, individualização e risco são insuficientes para a compreensão do que é, hoje, a família, e que é necessária uma abordagem mais texturada (Smart, 2005; 2008) que permita captar o seu significado enquanto espaço simultaneamente físico, relacional e simbólico (Saraceno, 1997 [1988]). Por um lado, concluímos que a família, enquanto realidade sociológica, faz os rituais. A um mesmo tempo, estruturas e dinâmicas familiares, contextos sociais de pertença e dinâmicas de género contribuem para definir, moldar e estruturar a constelação de práticas adjectivadas como especiais. Por outro lado, os rituais são também um lugar de construção da família, já que pela conjugação das coordenadas tempo, espaço e emoção servem o propósito de afirmar a suspensão da realidade que as famílias enfrentam: um tempo escasso, um espaço avulso e fragmentado, e uma acção que obriga mais à injunção que à reflexão. Simultaneamente, ajudam a construir o seu oposto: um tempo e espaço especial, atravessado pela sentimentalização e emoção. A força da imagem da família enquanto espaço simbólico radica, assim, no irreal e na efemeridade do «ser família» que os rituais encerram. Em suma, o ritual suspende as divergências e produz um sentido de unidade, também na família, tese que vem confirmar a actualidade de Durkheim no ano em que se assinala o centenário de As Formas Elementares da Vida Religiosa (1912).
- COSTA, Rosalina Pisco

Rosalina Pisco Costa é professora auxiliar na Universidade de Évora e investigadora no CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade. É licenciada e mestre em Sociologia na área de especialização ‘Família e População’ pela Universidade de Évora. Em 2011, depois de ter sido bolseira FCT, Gulbenkian e Visiting Student no Morgan Centre for the Study of Relationships and Personal Life da Universidade de Manchester, concluiu o Doutoramento em Ciências Sociais (Sociologia) no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), com a tese Pequenos e Grandes Dias: Os Rituais na Construção da Família Contemporânea. As suas principais áreas de interesse, investigação e publicação são a família e vida pessoal; tempo social e idades da vida; e, mais recentemente, as questões da ritualização, consumo, memória e imaginário, aplicadas às representações, discursos e práticas n(d)a família contemporânea.
PAP1242 - Projetos TEIP e novos perfis profissionais: agentes de desenvolvimento local? Uma análise da relação escola-comunidade no âmbito do Programa TEIP2.
Esta comunicação tem como objectivo apresentar os resultados de uma investigação realizada no âmbito do Mestrado Sociologia e Planeamento (ISCTE-UL) centrada no Programa TEIP2, um programa de discriminação positiva criado pela primeira vez em 1996 e relançado posteriormente em 2006.
Um dos objectivos deste programa (reforçado no despacho normativo 55/2008) é criar condições que permitam garantir às escolas ou agrupamentos de escolas o reforço do seu papel enquanto elemento central da vida comunitária. Desta forma, os territórios educativos vêem ampliada a sua capacidade, assim como a sua responsabilidade, de intervenção nas comunidades em que se inserem. Além disso, a intervenção social no território a partir da escola está muitas vezes centralizada nos Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF), onde se encontram geralmente técnicos especializados - técnicos de serviço social, mediadores sociais, psicólogos - contratados através do Programa TEIP. São gabinetes constituídos por equipas multidisciplinares com o objectivo de proporcionar apoio ao aluno e à família reforçando assim uma maior aproximação das escolas às comunidades locais (DGIDC, 2010).
O que se pretende com esta investigação é discutir o papel da escola como agente de desenvolvimento local à luz do Programa TEIP2. Para tal, procurou-se analisar como o projecto de intervenção de cada agrupamento, orientado pelas directivas do Programa TEIP, concebe a relação da escola com a comunidade/território e como se propõe transformar essa relação. Por outro lado, visto que estas escolas têm a possibilidade de requisitar novos profissionais, pretendeu-se compreender a intervenção e o seu lugar na relação escola-comunidade e como é concebido esse lugar nos agrupamentos de escolas TEIP.
Partindo de uma metodologia qualitativa na forma de estudo de caso, foram seleccionados quatro agrupamentos de escolas TEIP, assim como um técnico contratado ao abrigo do Programa TEIP de cada escola.
Através da análise documental e da realização de entrevistas em profundidade foi possível concluir que, embora estes agrupamentos tenham conseguido através do Programa TEIP dar importantes passos na abertura da escola ao meio social envolvente, quer pela criação de gabinetes de apoio aos alunos e à família que contam com equipas interdisciplinares, quer pelo alargamento e melhoria dos serviços educativos que se destinam a toda a comunidade, o reforço da relação escola-comunidade está ainda longe de ser uma prioridade das escolas TEIP.
- TEIXEIRA, Ana

Autor: Ana Teixeira
Área Temática: Sociologia da Educação
Título da Comunicação: Projetos TEIP e novos perfis profissionais: agentes de desenvolvimento local? Uma análise da relação escola-comunidade no âmbito do Programa TEIP2.
Afiliação institucional: Bolseira de Investigação no Projecto“O outro lado da relação de cuidar: o olhar do idoso” através do CIEO – Centro de Investigação Sobre o Espaço e as Organizações – Universidade do Algarve.
Áreas de formação: Licenciatura em Sociologia, Faculdade de Economia da Universidade do Algarve (2007), e Mestrado em Sociologia e Planeamento, ISCTE –IUL (2012).
Interesses de Investigação: Sociologia da Educação, envelhecimento populacional, cuidados sociais e políticas sociais para idosos, envelhecimento activo.
PAP1496 - Práticas Familiares, Rituais e Imaginação Sociológica. Dilemas e desafios na adaptação da ‘entrevista de episódio’ a múltiplos episódios.
No ano em que se assinalam 100 anos sobre a publicação de 'As Formas Elementares da Vida Religiosa' (1912), procuramos nesta comunicação demonstrar a actualidade, operacionalidade e proficuidade das teses durkheimianas em torno do estudo do ritual, a partir da análise empiricamente ilustrada das virtualidades e limitações da opção metodológica por uma forma particular de entrevista – ‘a entrevista de episódio’ – utilizada para uma aproximação à família contemporânea enquanto «categoria realizada» (Bourdieu, 1993).Como ir além do discurso dedutivo e generalista das teses da desinstitucionalização, individualização e risco que desenham um diagnóstico de instabilidade, diluição, fragilidade ou até mesmo desaparecimento da família contemporânea (Brannen e Nielsen, 2005)? Como captar empiricamente esta realidade de um modo que dê, simultaneamente, conta das suas transformações recentes e do significado que assume para os actores, e que permita uma compreensão ampla, plural e actual das inúmeras evidências pelas quais a família se nos apresenta na contemporaneidade? Orientados por esta questão de partida, optámos por estudar as «práticas familiares» (Morgan 1996, 1999), especificamente, os rituais familiares (Bossard e Boll, 1950; Wolin e Bennett, 1984).Argumentamos nesta comunicação que a opção por uma abordagem metodológica qualitativa, intensiva e em profundidade, assente principalmente no recurso a uma entrevista de episódio (Flick, 1997; 2005 [2002]), permitiu captar experiências e significados associados a práticas e representações pluridimensionais dos rituais familiares enquanto processos interactivos e significantes, simultaneamente localizados na cultura, história e biografia pessoal, decisivos para estabelecer e desenvolver o argumento principal da tese a que chegámos, o que iremos ilustrar com exemplos retirados da prática empreendida. Ao partir do pressuposto que as experiências dos indivíduos são armazenadas e recordadas na forma de conhecimento semântico (conceitos e inter-relações entre conceitos) e de narração de episódios (experiências, situações e circunstâncias concretas), a entrevista de episódio permite a recolha de dados (da parte do investigador) sob a forma de uma narrativa contextualizada (pelo entrevistado), o que traz maior densidade ao discurso, uma vez que os significados estão mais próximos das experiências e do contexto que os gera. Julgamos que um maior conhecimento por parte da comunidade científica portuguesa das vantagens da entrevista de episódio em alternativa à entrevista em profundidade ou semi-estruturada poderá contribuir para, do ponto de vista da prática da investigação, aumentar a eficácia, eficiência e rigor dos métodos e técnicas de pesquisa por referência a um enquadramento teórico específico e, ao mesmo tempo, promover o debate interdisciplinar sobre a “prática da razão sociológica”.
- COSTA, Rosalina Pisco

Rosalina Pisco Costa é professora auxiliar na Universidade de Évora e investigadora no CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade. É licenciada e mestre em Sociologia na área de especialização ‘Família e População’ pela Universidade de Évora. Em 2011, depois de ter sido bolseira FCT, Gulbenkian e Visiting Student no Morgan Centre for the Study of Relationships and Personal Life da Universidade de Manchester, concluiu o Doutoramento em Ciências Sociais (Sociologia) no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), com a tese Pequenos e Grandes Dias: Os Rituais na Construção da Família Contemporânea. As suas principais áreas de interesse, investigação e publicação são a família e vida pessoal; tempo social e idades da vida; e, mais recentemente, as questões da ritualização, consumo, memória e imaginário, aplicadas às representações, discursos e práticas n(d)a família contemporânea.
PAP1290 - Relação Família e escola na municipalidade de Mariana: as vozes da reprodução social.
Neste artigo temos como intento discutir as
relações entre duas importantes instituições:
a família e a escola. Tendo como mote a
associação cada vez maior do discurso
científico no educar das novas gerações
observando as variações de seus impactos nas
camadas populares com o passar dos anos.
Realizaremos, destarte, uma análise com o
propósito de refletirmos acerca do
funcionamento dos mecanismos seletivos das
instituições de ensino e seus reflexos nas
desigualdades sociais. Com o objetivo de
compreendermos a construção do discurso da
escola dirigido às gerações das famílias de
camadas populares na cidade de Mariana - MG,
estamos realizando entrevistas com pais e
filhos adultos (com idades entre os dezoito e
vinte e cinco anos) baseadas na técnica da
História Oral Temática, além de pesquisa
documental. Os depoentes supramencionados são
referenciados a um Centro de Referência de
Assistência Social do município (órgão público
vinculado à Secretaria de Desenvolvimento
Social e Cidadania da Prefeitura),
encontrando-se, portanto, em um quadro de
“vulnerabilidade social”. A partir de um
assunto definido previamente, a história oral
temática se compromete com o esclarecimento ou
opinião do entrevistado sobre algum evento
definido, no caso, o processo de
escolarização. As análises dos dados estão
sendo feitas a partir do olhar principal de
dois teóricos: Pierre Bourdieu e Jean-Claude
Passeron e nos apontam, juntamente com os
dados coletados até o momento, para a
desvalorização dos discursos e práticas
familiares em prol de um conhecimento
cientifico e educador da escola. Assim, a
escolha do destino esbarra nas experiências de
fracasso observadas entre as gerações e o
meio. Além disso, a falta de conhecimento e
familiaridade com o cursus escolar por parte
desta camada social acaba por favorecer
menores investimentos e ampliar as barreiras
em relação a um possível êxito. Percebemos,
assim, uma escola que acaba por ser arrolada
às apreciações das camadas dominantes, sem
muitas preocupações com a cultura popular
local (majoritariamente afro descendente) e
suas expressões e manifestações.
- PRADO, Giovani Barbosa
- COUTRIM, Rosa Maria da Exaltação

Rosa Coutrim é professora do Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e membro do Núcleo de Estudos Sociedade, Família e Escola (NESFE) e do Centro de Investigação Identidade(s) e Diversidade(s) (CIID). Atualmente está fazendo seu pós doutoramento no Instituto Politécnico de Leiria e suas áreas de interesse são relação família-escola e relações intergeracionais.
PAP0438 - Trabalho e Parentalidade: A acomodação e custos da maternidade e da paternidade para os indivíduos e as organizações
O aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, é acompanhado de uma maior exigência na definição dos termos da igualdade de oportunidades e de tratamento de mulheres e homens no mercado de trabalho, assim como de necessidades crescentes em termos de modalidades de trabalho flexíveis e de regimes de dispensas e licenças. Considerando que cada vez menos mulheres interrompem a sua actividade profissional quando se tornam mães e cada vez mais homens usufruem dos seus direitos de ausência ao trabalho para se ocuparem da família, o modo como o mundo do trabalho acolhe, especialmente a maternidade e a paternidade, surge como uma questão central.
Com esta comunicação, na qual serão discutidos alguns dos resultados de um estudo conduzido pela autora no âmbito da sua dissertação de Mestrado, procura-se analisar, não só as condições de acomodação dos regimes de protecção da maternidade e da paternidade nos locais de trabalho, e os custos (materiais e imateriais) da parentalidade para os indivíduos, mas também o peso que os custos da parentalidade representam para as organizações que empregam as mães e os pais. Do ponto de vista metodológico, a prossecução destes objectivos implicou o recurso a uma diversidade de contributos teóricos, e compreendeu a condução de entrevistas individuais com 192 mães e pais trabalhadores/as, a realização de um estudo de caso em empresa de média dimensão, e a análise estatística dos dados relativos a Portugal contidos no Painel Europeu de Agregados Domésticos Privados (PEADP).
- LOPES, Mónica Catarina do Adro

Mónica Lopes é Mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da
Universidade de Coimbra e frequenta, actualmente, o programa de
doutoramento em Sociologia pela mesma Faculdade. Enquanto
investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES), tem participado em
diversos projectos de investigação/avaliação relacionados com
políticas e práticas de igualdade entre mulheres e homens,
responsabilidade social das organizações e organizações da sociedade
civil. Os seus interesses de investigação incluem avaliação de
políticas públicas, terceiro sector, políticas sociais e relações
sociais de sexo, políticas de conciliação trabalho/família, mercado de
trabalho e maternidade/paternidade.
PAP0766 - Trajetórias profissionais de mulheres na atual economia flexível e sua relação com dinâmicas familiares
O diálogo entre a mulher, o trabalho e a família, sob o ponto de vista das trajetórias profissionais, é um objecto de estudo que destaca como relevante a sua possibilidade de concretização nestas esferas sociais. Conhecer as trajectórias profissionais e sua relação com as estratégias de uma economia flexível e com as dinâmicas familiares, é o objectivo a que nos propomos. A aplicação de questionários a uma amostra de 450 mulheres (idade média=41, 67 anos ± 10,76 anos) foi fundamental. Numa perspetiva etnográfica delineou-se uma estratégia negociada no próprio terreno com mulheres em diversos contextos da área metropolitana do Porto: trabalhadoras da Administração Pública e Segurança Social; trabalhadoras do privado, nomeadamente hipermercados; desempregadas nos Gabinetes de Inserção Profissional de várias Juntas de Freguesia e Centros de Emprego. Os registos em diário de campo, a fotografia social e as entrevistas semi-estruturadas complementaram os dados recolhidos. Os resultados sugerem que: (i) a ênfase na intermitência das trajectórias profissionais desmonta a invisibilidade associada ao trabalho doméstico e de prestação de cuidados a familiares mostrando que o diálogo estabelecido com a família coloca estas mulheres em desvantagem social e em risco de pobreza; (ii) nas trajectórias profissionais mais instáveis e precárias encontramos mulheres com baixas qualificações, com empregos intermitentes e por tempo determinado, desempenhando profissões em setores pouco valorizados, com vínculos contratuais precários e ocupando postos sem autoridade; (iii) o trabalho por turnos e o trabalho em regime de tempo parcial, enquanto estratégias de flexibilização dos horários de trabalho, não fazem parte da vontade de conciliação do emprego com as responsabilidade familiares, confirmando a submissão destas mulheres à precariedade laboral; (iv) a inserção desigual da mulher na vida activa agrava-se quando é casada e tem filhos, pois ao seu desempenho profissional associar-se-á a “obrigatoriedade” de despender tempo para cuidar da família, acentuando as suas trajectórias de precariedade laboral. Em conclusão, entendemos que este estudo é um alerta actual que poderá contribuir para diluir a sub representação do trabalho feminino, identificando os estereótipos de género que persistem na vida familiar e profissional e mostrando como a imprevisibilidade da família afecta as trajetórias profissionais das mulheres.
- NOVAIS, Carina

Carina Novais, mestre em sociologia pela Faculdade de Letras desenvolve o seu percurso profissional em investigação científica tendo desenvolvido trabalhos diversos resultantes da pesquisa sobre o género e o desporto na área da infância e adolescência e também no âmbito do envelhecimento ativo participando nos projetos "Iniquidades sociais, ambientais e de género na prática de actividade física e desportiva de adolescentes" e atualmente no projecto "Actividade física objectivamente avaliada e obesidade em adolescentes: Estudo dos determinantes pessoais, sociais e ambientais" no Centro de Investigação em Atividade Física e Lazer da Faculdade do Desporto da Universidade do Porto. Tem também contributos enquanto investigadora na organização "Movimento Democrático de Mulheres" participando num projeto "Uma vida de Trabalhos? Trajetórias Profissionais de Mulheres e Participação cívica" onde desenvolveu o seu projeto de mestrado em torno da temática,"género, família e trabalho" e com a publicação "Percursos de Mulheres: Trabalho e Participação Política de Mulheres na área Metropolitana do Porto".