PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE
Portugal tem vivido ao longo dos últimos
trinta e cinco anos etapas diversas da
construção da democracia. Percorremos um
caminho de crença a um quotidiano de
incerteza. A actualidade torna frágil a
soberania.
O quadro representado no tempo presente,
permite constatar a projecção global dos
interesses nacionais mas em contrapartida,
deixa o país permeável a toda a gama de
interesses exógenos. Antes como agora na nossa
história como Nação, os portugueses têm
encontrado e ultrapassado momentos de
transição.
A tecnologia, os mercados financeiros e a
democratização de muitas sociedades aceleraram
a globalização numa escala sem precedentes.
Porém, a globalização também intensificou os
perigos que nós encaramos como o terrorismo
internacional e disseminação/propagação de
tecnologias letais, perturbações económicas e
a mudança climática.
As modificações operadas na sociedade
portuguesa reflectiram-se num sector sensível
dos interesses nacionais – os Serviços de
Informações.
As diversas alterações de objectivos e os
vários enquadramentos institucionais a que os
Serviços de Informações têm sido sujeitos, e
que resultaram na constituição do Sistema de
Informações da República Portuguesa (SIRP),
são os fiéis intérpretes do percurso sinuoso a
que este sector da vida nacional tem sido
sujeito e espelham as respostas às realidades
distintas construídas desde o tempo das
certezas ao tempo global do risco, da
incerteza e da fragilidade. Nesta panóplia de
alterações, firma-se um registo que desperta a
nossa curiosidade: os Serviços de Informações
Militares.
No mesmo período em que as alterações de
funções e estrutura organizacional se
verificaram nos Serviços de Informações e
particularmente nas Informações Militares,
Portugal, através das Forças Armadas e
enquanto membro de diversas Organizações
Internacionais vem prestando o respectivo
contributo ao esforço colectivo de promoção da
paz e segurança numa perspectiva global,
apresentando uma projecção de Forças Nacionais
Destacadas (FND) sem paralelo histórico
nacional. No entanto, a disseminação de FND ao
invés de fortalecer a posição do sector das
Informações Militares no conjunto do sistema
de informações, correspondeu à diminuição da
importância daquele sector, ou seja, num
contexto de incerteza global, a necessidade de
saber não só se mantém como deve crescer, mas
esta não foi a leitura feita pelas entidades
responsáveis.
A interacção do país com realidades novas, por
via da participação em acções mergulhadas na
turbulência do risco e da incerteza, fenómenos
decorrentes do processo de globalização,
remete-nos para o estudo do sector das
informações militares: a sua evolução,
enquadramento institucional e funções na
democracia em Portugal, ou seja, desde um
tempo tradicional em que o país se encontrava
quase retirado do cenário internacional até a
actualidade em que não se pode descurar as
influências da globalização.
- FONSECA, Dinis Manuel Victória

Dinis Manuel Victória da Fonseca; Militar, atualmente a prestar serviço no Estado-Maior-General das Forças Armadas; Licenciatura em Sociologia (ISCTE); Mestrado em Sociologia da Família (Universidade de Évora); Doutorando em Sociologia (Universidade de Évora/Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA). Áreas de interesse: Sociologia Militar; Informações e Defesa; Condição militar; Relações civil-militares. Algumas publicações de referência: ADLER, Alexander (2009), O Novo Relatório da CIA, Lisboa, Editorial Bizâncio; BALTAZAR, Maria da Saudade (2002), As Forças Armadas Portuguesas, Desafios Numa Sociedade Em Mudança, Évora, Universidade de Évora (Dissertação de Doutoramento, polic.); CARDOSO, Pedro (2004). As Informações em Portugal, Lisboa, Gradiva/IDN; GIDDENS, Anthony (1997). Sociologia, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian; GIDDENS, Anthony (2007). A Europa na Era Global, Lisboa, Editorial Presença; HUNTINGTON, Samuel (1972), The Soldier and the State: the theory and politics of civil-military relations, Cambridge, The Belknap Press of Harvard University Press; JANOWITZ, Morris, e LITTLE, Roger W. (1974), Sociology and Military Establishment, London, Sage Publications; KENT, Sherman (1966), Strategic Intelligence For American World Policy, Princeton, Princeton University Press; MOSKOS, Charles e WOOD, Frank (1988), The Military, more than a Job?, Great Britain, Pergamon-Brassey´s.
PAP1515 - Estudo das razões de saída do RV/RC nas Forças Armadas
O actual sistema de recrutamento das Forças Armadas, assente num modelo baseado exclusivamente em militares profissionais, evidencia que o seu sucesso depende da capacidade da Instituição Militar em identificar, atrair, incorporar, reter nas suas fileiras e reinserir no mercado de trabalho um conjunto significativo de jovens cidadãos de forma sistemática.Para participar na elaboração de estratégias consolidadas, que permitam uma intervenção eficaz nesta área, importa recolher dados que possibilitem identificar os seus principais problemas, considerando-se assim como objecto de análise as percepções dos jovens no momento da sua saída da Instituição. É neste âmbito que se insere este estudo cujo objectivo é identificar e caracterizar as razões de saída dos militares em regime de voluntariado e contrato, bem como, identificar as motivações de ingresso e os factores impulsionadores da permanência dos militares na Instituição Militar. Ambiciona-se que este estudo produza uma análise do fenómeno das desistências no sentido de definir acções e medidas que visem potenciar o tempo de permanência dos militares na Instituição, permitindo assim o retorno do investimento efectuado pela mesma. A fase de recolha de informação decorreu entre Janeiro de 2011 a Dezembro de 2011 com a aplicação de questionários a todos os militares em regime de voluntariado e contrato que terminam o serviço militar, em qualquer fase da sua carreira.
- PALHOCO, Vitor
- ALVES, Maria Clara
PAP0705 - Jovens e Forças Armadas
Nas sociedades actuais qualquer instituição, entre elas a militar, não é mais julgada pelo que se propõe fazer, mas pelo que efectivamente faz. Tratadas pela sociedade e pelo mercado como qualquer outra instituição, as Forças Armadas estão, assim mais sujeitas ao escrutínio e controlo social.
Cultivar a legitimidade tornou-se cada vez mais uma necessidade, tendo em vista a prevenção de possíveis situações de banalização institucional. Para além desta atitude de cariz pró-activo, os pressupostos da profissionalização, enquanto novo modelo de organização, também lhes exigem uma permanente capacidade para conseguir obter os recursos humanos necessários ao desenvolvimento das suas missões.
Para contribuir para a construção de estratégias solidificadas de intervenção neste domínio, torna-se necessário recolher elementos que permitam traçar um diagnóstico da situação, o que implica, forçosamente, considerar como objecto de análise, as inter-relações estabelecidas entre as Forças Armadas e a sociedade envolvente. É neste quadro que se insere este estudo que, a coberto da realização do Dia da Defesa Nacional, procura apreender e caracterizar o que pensa das Forças Armadas e das suas ofertas de emprego um dos segmentos populacionais mais importantes no contexto da profissionalização, ou seja, a população jovem (de ambos os sexos) com 18 anos de idade.
Tendo em consideração o facto de o Dia da Defesa Nacional permitir a recolha de dados desta natureza desde 2005, será possível agora apresentar as tendências evolutivas dos mesmos.
- BAPTISTA, Luis
- RESENDE, José Manuel
- CARDOSO, Antonio

- VIEIRA, Inês

- MENDONÇA, Claudia
António Maria Ferreira Cardoso
Professor Adjunto do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, doutorado em Sociologia pela Universidade Complutense de Madrid, Mestre em Extensão e Desenvolvimento Rural e Licenciado em Ciências Agrárias e do Ambiente, pela Universidade de Wageningen (Holanda). É investigador do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) da Universidade do Minho e membro de várias associações profissionais e culturais; tem participado com comunicações em congressos nacionais e internacionais e outras reuniões científicas, sobre temáticas de desenvolvimento rural/regional, políticas de sustentabilidade e organizações; desenvolveu tese de doutoramento sob o título Desenvolvimento local: virtualidades e limites. Um estudo de caso do concelho de Barcelos- noroeste de Portugal.
Inês Vieira
CesNova, a frequentar o doutoramento em Ecologia Humana na FCSH-UNL
Licenciatura em Educação de Infância (ESE-IPP), mestrado em Ecologia
Humana e Problemas Sociais Contemporâneos (FCSH-UNL)
Interesses de investigação:
1. Actualmente foco em migrações e ambiente (PhD);
2. Participação prévia: educação de jovens e cidadania (protocolo
CesNova-MDN sobre o Dia da Defesa Nacional), atitudes ambientais de
estudantes universitários ("Making Science Work in Society", Acção
Integrada Luso-Britânica, FCSH-UNL e Universidade de Glasgow, frequência
enquanto opção livre do Curso de Doutoramento em Ecologia Humana),
dinâmicas territoriais e mobilidade humana (no âmbito do grupo de
trabalho do CesNova).