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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0675 - Diversidade cultural nas escolas: uma ponte para novos (des)encontros?
Sendo a igualdade de oportunidades um ideal em permanente (des)construção, e a massificação do ensino persistentemente associada a baixos níveis de qualidade, o direito à diferença tem vindo a ganhar protagonismo nas escolas públicas, em diferentes espaços de afirmação institucional, familiar e individual. As diferenças de mérito são fixadas através de rituais renovados – os prémios escolares – que permitem seleccionar e distinguir os alunos com as melhores performances escolares; embora sem consenso generalizado, as crianças com necessidades educativas especiais são introduzidas num sistema que procura para estas um encaixe, simultaneamente, especial e inclusivo.
Mas o que acontece quando alunos afrodescendentes assumem o uso do crioulo, ou quando famílias de etnia cigana hesitam no valor a atribuir à escola? Diferentes experiências etnográficas revelam o potencial de dissociação e confronto que estas interações encerram, permitindo problematizar o papel da escola enquanto instância de aculturação.
Mas o que pode acontecer quando, em contexto de formação contínua, desafiamos um grupo de professores-formandos a pensar nas regras escolares como opções culturais, associadas a significados historicamente produzidos com base em relações de poder? Poderá a noção de mediação funcionar como um instrumento útil numa aproximação ao outro enquanto produtor de significados? Como fazer esta viagem sem cair num vazio comprometedor ou numa incerteza paralisante? Este parece ser um terreno que exige uma continuada reflexão sobre os diferentes referenciais em jogo e sobre as modalidades de partilha, debate e recriação experimentados.
- LEANDRO, Alexandra

Alexandra Leandro, doutoranda do Departamento de Antropologia do ISCTE, em fase de conslusão da tese de doutoramento, as áreas de interesse são - educação, escolas e segurança e formação de professores.
PAP0137 - Sexualidade e género no quotidiano escolar: análise de uma formação contínua para professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância
Esta comunicação aborda as questões de género e sexualidade no quotidiano escolar tendo como foco a investigação-ação que realizamos por meio de oficinas de formação com professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância para identificar as representações, discutir e adquirir conhecimentos sobre questões de género e sexualidade na docência (com ênfase na análise da prática pedagógica), promovendo reflexão dos/as docentes sobre as suas práticas profissionais e desmistificação de alguns preconceitos que envolvem os papéis dos/as professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância, incluindo as suas considerações sobre a sexualidade e o seu papel de género na docência, com a finalidade de que as suas ações para com os seus alunos e as suas próprias considerações se transformem. Portanto, enfocamos a formação do/a professor/a ao incitar reflexões e debates sobre as questões de género e sexualidade sobre como os papéis sexuais e de género ditos normais são construídos socialmente, questões que parecem distantes dos contextos escolares, mas que afloram nos mínimos detalhes da docência, designadamente nos aspectos da profissão considerados femininos (paciência/sensibilidade...) e nos preconceitos divulgados sobre a docência (como da incapacidade do homem para lidar com crianças). Atualmente, o povo português tem várias conquistas legais que atendem a urgência de respostas para as preocupações da sociedade referentes às questões relativas à saúde sexual e reprodutiva, à igualdade de género, ao direito de acesso à contracepção, à generalização do planeamento familiar, à promoção da maternidade e da paternidade responsáveis e conscientes e à garantia da não discriminação em função da orientação sexual, estas estão devidamente enquadradas no ordenamento jurídico de Portugal. Porém, tais conquistas ainda não se revertem em estatísticas igualitárias em questões de género e sexualidade. Por exemplo, a educação sexual ainda é pouco abordada nas escolas. Nas formações que implementamos percebemos que, apesar de investigações recenetes mostrarem que os/as docentes portugueses sentem-se à vontade para abordar esse assunto com os seus alunos, na realidade não estão tão à vontade assim, principalmente por causa da falta de estruturas que apoiem a iniciativa desses profissionais nas escolas, bem como por causa da falta de formação dos/as docentes para estas temáticas. Analisaremos, então, as motivações, representações e dúvidas destes docentes e os debates que surgiram sobre estas temáticas durante a formação.
- RABELO, Amanda Oliveira

Amanda Oliveira Rabelo é Pós-doutora em Ciências da Educação na Universidade
de Coimbra, com projeto de investigação financiado pela FCT, Doutora em Ciências da Educação pela Universidade de Aveiro (2009), mestre em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) (2004) e licenciada em Pedagogia pela UniRio (2000). Atualmente é professora da UFF/INFES (RJ-Brasil). Tem publicações e atua com vários temas da educação principalmente com: formação de professores, género, escolha profissional, sexualidade, história da educação e educação especial.