PAP0261 - Aspectos éticos em torno da questão do risco
Quais são as implicações éticas do actual modelo de gestão das sociedades em torno do controle dos riscos? O risco é o cálculo sobre a possibilidade de um facto desagradável ou perigo acontecer no futuro. A partir desse cálculo, determinam-se acções que devem ser implementadas no presente, de modo a evitar que o facto desagradável ou perigo se torne real. A capacidade de gestão do risco é, em grande parte, atribuída à sua comunicabilidade: supõe-se que os riscos, ao serem comunicados e tornarem-se conhecidos, viabilizam o envolvimento dos indivíduos nos processos de auto-gestão. Na saúde, por exemplo, a auto-gestão constitui-se essencialmente através de práticas individuais de cuidados que visam a prevenção, com o risco sendo uma consequência das escolhas pessoais de estilo de vida. Logo, as autoridades em saúde estabelecem discursos, políticas e acções sanitárias exortando as pessoas a avaliarem o próprio risco de adoecerem e, em consequência, a mudarem seus comportamentos. A partir dessa dinâmica, a saúde pública, centrando-se na “promoção da saúde”, passa a destacar acções preventivas de auto-cuidado em detrimento de intervenções médicas. Na hierarquia das acções de promoção da saúde, a responsabilidade está no topo das prioridades e, pelos custos que comportam, os serviços de cuidado à saúde devem supostamente constituir o fim da linha. Os processos que tornaram possível o estabelecimento desta actual lógica de gestão/auto-gestão são complexos: não foram inventados pelos recentes regimes políticos e nem têm uma única origem ou causa. Contudo, a ideia de um cidadão activo, autónomo e responsável tornou-se uma espécie de a priori ético, no sentido de um dever-ser fundamental e indispensável ao funcionamento das actuais gestões de governo. Na medida em que esta noção de cidadão passa a ser um pressuposto para um conjunto de acções e regras para a vida nas sociedades contemporâneas, algumas das questões éticas mais veementes que podem surgir no âmbito da actual gestão do risco relacionam-se com os princípios autonomia, responsabilidade e justiça. Assim, esta proposta comunicação visa discutir a problemática do risco associando a sua definição e consequências às questões éticas subjacentes.
- CARVALHO, Monica

Investigadora do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa (Porto)
Doutorada em Ciências da Comunicação pela Universidade federal do Rio de Janeiro
Interesses de investigação: Comunicação da ciência; comunicação da saúde; risco; ciência e público
PAP0292 - Comunicação organizacional e identidade coletiva – a comunicação como uma meta-ideia
O artigo que nos propomos apresentar pretende dar conta das principais conclusões da investigação que produzimos no âmbito de um Doutoramento em ciências sociais que teve como objeto de estudo os processos de comunicação e a sua influência na redefinição da identidade de um agrupamento de escolas em contexto de mudança.
Nele pretendemos discutir o reforço e a diversificação do investimento na comunicação por parte das instituições educativas como uma das consequências da nova gestão pública (Santiago, Carvalho e Magalhães, 2005). O nosso argumento é o de que prosseguindo os ideais de ‘qualidade’ e ‘eficácia’, as escolas têm procurado reforçar o diálogo com os seus diferentes ‘públicos’, apostando na comunicação organizacional como parte integrante de uma estratégia empreendedora, que lhes tem vindo a conferir uma nova identidade colectiva, unificada em torno de valores neo-liberais.
Revelando a influência de pressões híbridas, os complexos sistemas de comunicação então criados, transformaram-se num contexto mediador da mudança que decorre das novas concepções de escola e dos novos mandatos para a educação, assumindo-se como o locus de produção de novas identidades. O que sustentamos é que tal acontece porque a comunicação constitui o ponto de convergência entre as diferentes políticas educativas e as práticas localmente adoptadas na sequência de um processo de interpretação criativa das diferentes pressões. É este o sentido com que afirmamos que a comunicação se constitui numa meta-ideia ao serviço da ‘qualidade’, ainda que, como argumenta Stensaker (2004) esta possa ser perspectivada a partir do ideal burocrático da organização (como sinónimo de eficiência administrativa), do ideal profissional (centrada no processo de ensino-aprendizagem) ou do ideal empreendedor (valorizando a capacidade de resposta às solicitações do mercado).
Os dados empíricos que sustentaram este estudo resultam da observação do quotidiano de um agrupamento de escolas do ensino básico e dos testemunhos recolhidos, ao longo de três anos, nesta comunidade educativa.
Quanto aos resultados, apontam para a centralidade dos processos de comunicação na transformação induzida pela nova gestão pública e para o desenvolvimento de uma matriz discursiva bilinguista (Clarke e Newman, 1997), que procura harmonizar os imperativos de ‘mercado’ com o discurso pedagógico e com modelos burocrático-profissionais de organização.
Clarke, J. and Newman J. (1997). The Managerial State. London: Sage Publications.
Santiago, R. A.; Magalhães. A. e Carvalho. T. (2005). O surgimento do managerialismo no sistema de ensino superior português. Coimbra: CIPES.
Stensaker. B. (2004). The transformation of organizational identities: Interpretations of policies concerning the quality of teaching and learning in Norwegian higher education. Twente: CHEPS/UT.
- FARIA, Susana

Susana Faria, Professora Adjunta na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, integra o Centro de Investigação Identidades e Diversidades (CIID) do Instituto Politécnico de Leiria.
Doutorada em Ciências Sociais pela Universidade de Aveiro, atua na área de Sociologia, em que é licenciada, e das Ciências da Educação, onde obteve o grau de Mestre. Nos últimos anos, tem vindo a privilegiar como áreas de investigação: a comunicação organizacional, a cultura e identidade(s) coletiva(s) e os processos de transformação identitária.
PAP0835 - Contributos para o Desenvolvimento de Cultura de Risco na Infância – o caso de duas Escolas Básicas do distrito de Aveiro
O crescimento das preocupações sociais e institucionais com o risco e a sua gestão e mitigação, assim como o crescente reconhecimento da relevância da perceção e atuação do público leigo naqueles processos, conduziram a que se atribua atualmente grande importância ao desenvolvimento e consolidação da chamada cultura de risco.
A cultura de risco, que basicamente consiste na dotação de conhecimentos para a prevenção e autoproteção de/ em situações de risco e da sua materialização, deve ser desenvolvida desde a infância, sobretudo no contexto escolar. Ainda que se trate de uma matéria considerada relevante, são escassos os estudos empíricos e as reflexões teóricas neste domínio. A presente comunicação visa contribuir para o debate em torno desta problemática, apresentando um diagnóstico preliminar acerca da formação e desenvolvimento de cultura de risco e da relevância da implementação de ações de sensibilização sobre riscos entre os estudantes e os responsáveis em duas Escolas Básicas do distrito de Aveiro,
Os dados empíricos apresentados resultam da aplicação de inquéritos por questionário e de entrevistas semiestruturadas, respetivamente aos estudantes do ensino básico e aos responsáveis escolares em duas Escolas Básicas (EB) do distrito de Aveiro – uma situada em meio urbano (EB1 da Glória, concelho de Aveiro) e outra localizada num meio predominantemente rural (EB1 de Casalmarinho, concelho de Oliveira de Azeméis). O inquérito por questionário foi elaborado tendo em conta a faixa etária dos inquiridos – entre os 7 e os 10 anos. Assim, privilegiou-se uma linguagem simples e a utilização de imagens como formas de verificar o conhecimento que os estudantes possuíam quanto aos riscos e formas de prevenção, assim como quanto à sinalização de emergência e modos de atuação em caso de ocorrência de acidentes. Foram inquiridos 148 alunos, representando cerca de 43% do total e selecionados segundo o ano de escolaridade e o sexo. As seis entrevistas realizadas (aplicadas aos Diretores do Agrupamento de Escolas; aos Coordenadores do 1º Ciclo e aos responsável pela segurança), tinham como objetivo conhecer as medidas de segurança implementadas nas escolas, assim como as ações de sensibilização desenvolvidas.
Os dados permitem concluir, entre outros aspetos, pela existência de uma clara relação entre as ações de sensibilização desenvolvidas e a existência de planos de prevenção de risco nas escolas e a formação de cultura de risco na infância. Efetivamente, os alunos EB1 da Glória – escola que possui Plano de Prevenção e Emergência e na qual são realizadas diversas ações de prevenção e sensibilização da comunidade escolar – apresentam maiores conhecimentos sobre riscos e formas de atuação em caso de acidentes, i.e., maior cultura de risco, do que os alunos da EB1 de Casalmarinho – escola onde tais atividades e Plano não existem.
- SILVA, Alexandra
- FIGUEIREDO, Elisabete

Elisabete Figueiredo, Socióloga (ISCTE, 1989), doutorada em Ciências Aplicadas ao Ambiente (Universidade de Aveiro, 2003). Professora Auxiliar no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território e investigadora na Unidade de Investigação GOVCOPP – Governança, Competitividade e Políticas Públicas. Os principais interesses de investigação são a sociologia rural, o turismo rural, a sociologia do ambiente e as perceções sociais de riscos ambientais e tecnológicos. É autora e co-autora de mais de 100 comunicações e publicações nacionais e internacionais nas áreas mencionadas. Coordena atualmente o projeto Rural Matters – significados do rural em Portugal- entre as representações sociais, os consumos e as estratégias de desenvolvimento, financiado pela FCT e COMPETE.
PAP0763 - GESTÃO em GOVERNÂNCIA, uma proposta para a sustentabilidade da SERRA da ABOBOREIRA
Para a implementação da governância colocam-se
novos desafios às instituições governativas e
aos cidadãos, sendo crucial que haja um maior
envolvimento e participação destes em
processos de tomada de decisão sobre os
problemas complexos do território. Para tal é
fundamental que se desenvolvam novos formatos
participativos e se construam modelos de
gestão que permitam maior partilha de poder,
tornando o “Estado parceiro do Cidadão”.
A presente comunicação problematiza e
apresenta uma proposta de modelo de Gestão em
Governância, desenhado para a Serra da
Aboboreira (Baixo Tâmega), e designado por
Plano de Parceria.
Pensar estratégias para a revitalização e
gestão integrada de um território que
apresenta características geomorfológicas
específicas e que, enfrenta problemas de
desertificação e abandono graves, foi o grande
desafio proposto.
A aposta na participação activa dos actores
locais na co-gestão destas áreas traduzir-se-á
na continuidade desta paisagem, dos seus
recursos naturais e dos serviços
ecossistémicos a ela associados, no sentido de
alcançar a sustentabilidade económica para as
populações locais.
O modelo desenvolvido assenta em três pilares -
Governância Colaborativa, Cidadania Activa,
Gestão Sustentável conjugando políticas
económicas, sociais e culturais com a
preservação e conservação da natureza e da
biodiversidade da Serra da Aboboreira,
enquanto património colectivo.
Em termos metodológicos, a conceptualização do
Plano-modelo resultou da revisão de
literatura, em matéria de governância,
participação pública activa e gestão
sustentável, da análise de um estudo de caso
europeu e dos Estudos-base recentemente
efectuados para a Serra da Aboboreira.
Posteriormente, as visitas de campo permitiram
consubstanciar o conhecimento das componentes
sociológica, biofísica e paisagística obtendo-
se uma maior compreensão desta unidade
espacial.
Nesta apresentação damos a conhecer a
arquitectura do modelo e as fases pioneiras
para a Implementação deste instrumento de
gestão, do tipo bottom-up, e apresentamos o
seu enquadramento jurídico e instrumental no
presente quadro legislativo.
- GONÇALVES, Alcide

- HONRADO, João
- AZEITEIRO, Ulisses Miranda

Alcide Gonçalves
alcide.goncalves@yahoo.com
Arquitecta Paisagista licenciada pela Universidade de Évora, mestre em Cidadania Ambiental e Participação pela Universidade Aberta e doutoranda em Desenvolvimento Social e Desenvolvimento na mesma universidade. Pertence ao Grupo de investigação em Ecologia e Sociedade do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, coordenado pelo seu co-supervisor, Ulisses M. Azeiteiro, Professor na Universidade Aberta. Os principais interesses de investigação centram-se em Governância, Processos participativos e Dinâmicas de Participação. A publicação mais recente, como autora intitula-se Collaborative Governance for the Preservation and Valorization of the Ecosystem Services and Biodiversity in Serra da Aboboreira Sustainable Planning Instruments and Biodiversity Conservation (com Honrado, J. e Azeiteiro, U.Miranda, 2011). Tem experiência como docente no Ensino Superior e colabora em estudos e planos no âmbito do ordenamento do território e planeamento, desde 1995.
Ulisses M. Azeiteiro estudou na Universidade de Aveiro, onde recebeu o grau de Mestre em 1994, na Universidade de Coimbra onde completou o doutoramento em Ecologia, em 1999, e na Universidade Aberta onde recebeu a Agregação em Biologia, em 2006. É professor assistente com agregação na Universidade Aberta, no Departamento de Ciências Exatas e Tecnologia, onde ensina Educação Ambiental, Biologia, Biodiversidade e Metodologias de Investigação. É Investigador Sénior no Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, onde exerce a função de Coordenador do Grupo de Ecologia e Sociedade e de Investigador do Grupo de Ecologia de Ecossistemas Marinhos e Costeiros. Os principais interesses de investigação são os processos ecológicos marinhos e estuarinos relacionados com os padrões climáticos.
PAP0823 - Gestão de Conhecimento em Organizações Turísticas
O debate sobre a Gestão do Conhecimento tem mobilizado uma variedade de áreas que procuram descortinar a complexidade do conceito e do próprio processo. Atendendo à importância crescente do conhecimento nos processos de inovação e de desenvolvimento das sociedades na era da globalização, a diferença entre as sociedades e as organizações depende, cada vez mais, da qualidade da gestão do capital humano e do conhecimento.
O cerne da questão não se encontra no recurso em si mas sim na criação de um contexto, onde a criação, a aquisição e a difusão de novo conhecimento possa ser promovida e alimentada, recorrendo aos instrumentos organizacionais explicitamente criados para o efeito.
Assim, o conhecimento da organização deve ser entendido como o fruto de interacções específicas entre indivíduos, sendo um activo socialmente construído.
No âmbito das organizações, a Gestão do Conhecimento emerge intrinsecamente ligada à capacidade destas utilizarem e combinarem as várias fontes e tipos de conhecimento organizacional, com os objectivos de promoverem o desenvolvimento de competências específicas e assumirem uma capacidade inovadora, traduzida em novos produtos, novos processos e, desejavelmente, a liderança do mercado onde se inserem.
A importância da Gestão do Conhecimento no sector turístico é ainda mais fulcral devido ao facto de este se basear em serviços que apresentam características associadas à intangibilidade, à perecibilidade ou à heterogeneidade.
Neste âmbito, a presente comunicação, consubstancia-se na apresentação do um modelo de análise e dos resultados preliminares de uma investigação, designada “Gestão do Conhecimento Organizacional em Organizações Turísticas”. A qual, tem como objectivo analisar a forma como organizações turísticas no Algarve gerem o seu conhecimento, ou seja, observar como criam, retêm, partilham e utilizam o conhecimento.
A investigação empírica, ainda a decorrer, tem como metodologia de base a análise aprofundada a três estudos de caso em grupos hoteleiros com recurso ao inquérito por questionário, à entrevista semi-estruturada e à análise documental.
O modelo de análise utilizado nesta investigação estrutura-se em torno de dois eixos analíticos: i) as etapas do processo e ii) as práticas facilitadoras da Gestão do Conhecimento; os quais, embora não existindo isoladamente afiguram-se como fundamentais para uma abordagem global dos processos de Gestão do Conhecimento Organizacional.
A abordagem da Gestão do Conhecimento centra-se nos processos relacionados com a criação, retenção, transferência e utilização do conhecimento organizacional, realçando a importância de diversas práticas de gestão facilitadoras dos mesmos: gestão estratégica; cultura organizacional; estrutura e processos de trabalho; políticas de recursos humanos; sistemas de informação e comunicação; medição de resultados e relação com o ambiente externo.
- SEQUEIRA, Bernardete Dias

- SERRANO, António Manuel
- MARQUES, João Filipe

Bernardete Dias Sequeira, Assistente da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, investigadora integrada do Centro de Investigação em Inovação, Espaço e Organizações (CIEO) da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, licenciada em Sociologia, Mestre em Organização e Sistemas de Informação, interesses de investigação em Sociologia das Organizações, Recursos Humanos, Sociologia da Comunicação e Metodologias de Investigação.
João Filipe Marques é Doutor em Sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, Professor Auxiliar na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e Director da Licenciatura e do Mestrado em Sociologia daquela Universidade. Para além de leccionar na área das Teorias Sociológicas, tem publicado e ensinado nas áreas da Sociologia do Racismo, das Relações Inter-étnicas e da Etnicidade. Para além de vários artigos e capítulos de livros sobre aqueles temas é autor do livro Du «non racisme» portugais aux deux racismes des Portugais, (Lisboa, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, 2007). Atualmente, é membro da Direção da Associação Portuguesa de Sociologia.
PAP0517 - Gestão democrática: consenso no discurso, insuficiente na presença
Durante décadas, tanto no Brasil quanto em outros países, especialmente nos europeus, procurou-se vincular as teorias adotadas pelas administrações escolares com as teorias clássicas de administração, particularmente com a concepção de Taylor em que a segmentação entre o planejamento e ação, a fragmentação entre o pensar e o agir e a dicotomia entre o planejar e o executar tiveram como consequência a divisão entre os grupos de trabalho. Apesar de o momento contemporâneo requerer competências para a adaptação às constantes rupturas e transformações e estimular a administração dinâmica, participativa e a tão propalada gestão democrática, não é tarefa complexa citar rotinas demonstrativas de que, ainda hoje, a maioria das escolas baseia grande parte de suas práticas nos modelos gerais das teorias administrativas, contemplando muito mais posturas burocráticas do que democráticas. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é de elencar situações do cotidiano que ilustram a desvinculação da escola com posturas democráticas, presentes no dia-a-dia. Parte-se de análise da própria legislação brasileira em que a gestão democrática é prescrita na Constituição do país e na Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A participação, um dos aspectos mais relevantes desse tipo de gestão, deveria ser conquista e aprendizado e não, estabelecimento legal. Prossegue-se analisando a excessiva quantidade de regras e normas comumente estabelecidas apenas para comprimento das instituições escolares. Avalia-se que papel da escola é fundamental na formação de uma sociedade participativa e o adequado funcionamento de órgãos auxiliares e conselhos escolares ainda representa desafios para os profissionais dessa instituição. Outros aspectos igualmente relevantes são abordados e explorados, procurando-se a partir dessas ilustrações, elaborar propostas que envolvam especialmente os educadores para que possam modificar estas práticas, vinculando-as à possível transformação social.
- ZERO, Maria Aparecida

Maria Aparecida Zero
Possui graduação em Pedagogia pela Universidade de Franca (1987), graduação em Ciências com Habilitação em Física pela Universidade de Franca (1978), mestrado em Ciências e Práticas Educativas pela Universidade de Franca (1999), com o tema: Repetência e avaliação: a legislação secundária fez diferença e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2006), com o tema: Diretor de Escola: compromisso social e educativo. Atualmente é professora da Universidade de Franca e Supervisora de Ensino do Governo do Estado de São Paulo. Tem experiência na área de educação presencial e a distância, com ênfase em Avaliação da Aprendizagem, Gestão e Supervisão Escolar e Legislação do Ensino Brasileiro . Recentemente foi aprovada no Processo de Certificação Ocupacional para Dirigente Regional de Ensino promovido pela Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo-Brasil.
PAP0943 - Gestão do voluntariado no terceiro sector português: pistas preliminares de reflexão
O conceito de voluntariado caracteriza-se por uma forte fluidez, divergindo consoante o país, as tradições nacionais e locais. Como fenómeno plurifacetado (Delicado et al, 2002), sustentado por uma diversidade teórica acresce à sua indefinição a preocupação com a sua gestão, nomeadamente os processo e ferramentas aplicados nas organizações do terceiro sector. A investigação académica acerca desta temática é ainda incipiente, sendo notória a predominância dos modelos gestionários assente na lógica de Gestão de Recursos Humanos das organizações do sector público e privado.
Tendo como base um conjunto de estratégias que contribuem para a integração e permanência dos voluntários nas organizações do terceiro sector, tais como: i) uma estrutura hierárquica reduzida; ii) uma boa gestão comunicacional; iii) estilos de liderança e iv) modalidades de governação democráticas e potenciadoras da participação dos seus diversos "stakeholders" (Santos, 2007; Teodósio, 2002), pretendemos discutir o processo de gestão do voluntariado promovido pelas organizações do terceiro sector em Portugal.
Esta comunicação surge enquadrada num projecto de investigação a decorrer sobre “Empreendedorismo Social em Portugal: as políticas, as organizações e as práticas de educação/formação”, que tem subjacente uma abordagem do Plano de Voluntariado (La Caixa, 2007) enquanto processo e ferramenta de gestão do voluntariado na dimensão organizacional, obrigatória de acordo com a legislação nacional e que pretende formalizar (não burocratizar) um compromisso entre a organização e o voluntário, assente num conjunto de direitos e deveres, traduzido na identificação de processos gestionários e responsabilidades recíprocas.
Os resultados que serão apresentados nesta comunicação baseiam-se nos dados obtidos a partir de um inquérito por questionário aplicado a 89 organizações do terceiro sector português entre Maio e Julho de 2011. A análise dos dados aponta, em traços gerais, para os seguintes resultados preliminares: i) ausência de definição e implementação de um Plano de voluntariado a montante, como processo gestionário do voluntariado, por cerca de metade das organizações alvo de objecto de estudo; ii) no caso das organizações que declararam definir um Plano de voluntariado, regista-se uma preocupação significativa com a primeira fase do ciclo do Plano de voluntariado, que foca a integração e respectiva formação dos voluntários na e pela organização, em detrimento da operacionalização da fase intermédia e final do mesmo ciclo, no qual é primordial o acompanhamento e formação contínua, a avaliação de desempenho e a gestão de desvinculação dos voluntários da organização.
Na comunicação pretendemos aprofundar o(s) significado(s) associado(s) a estes resultados e contribuir, deste modo, para o debate teórico em torno das práticas gestionárias das organizações do terceiro sector sobre o voluntariado.
- PARENTE, Cristina

- MARCOS, Vanessa

- AMADOR, Cláudia

Cristina Parente
Socióloga, professora auxiliar com agregação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e investigadora do Instituto de Sociologia da FLUP (IS-FLUP). Doutorada e licenciada em Sociologia, mestre em Políticas e Gestão de Recursos Humanos, vem exercendo desde 1990 funções de docência, orientação científica, responsabilidade executiva gestionária da secção de Formação e Educação Contínua e de Comunicação externa no DS-FLUP. Coordenou a linha de investigação Trabalho, Emprego, Profissões e Organizações (TEPO) - do IS-FLUP, onde desenvolve actividades quer como investigadora, quer como coordenadora e responsável científica de projectos sobre as temáticas da gestão de recursos humanos e da formação de adultos, da sociologia empresarial e da economia social. Desde 2010, que assume as funções de editora da nova série working papers (2º série) do IS-FLUP. Desenvolve actividades de formadora, de consultora metodológica e avaliadora de projectos de intervenção social e organizacional.
Vanessa Marcos
Doutoranda em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto sobre a problemática da sustentabilidade e profissionalização das ONGD portuguesas. Mestrado em Desenvolvimento e Relações Internacionais pela Universidade de Aalborg, Dinamarca, com estágio curricular em Moçambique e em Portugal, integrada numa ONGD nacional. Licenciatura em Relações Internacionais - ramo Cultural e Político pela Universidade do Minho. Efetuou um estágio profissional no Instituto de Estudos Estratégicos de Cracóvia, Polónia. Integrou projectos na área da Cooperação para o Desenvolvimento na Guiné-Bissau e em Direitos Humanos na Guatemala. Tem realizado formações gerais sobre voluntariado e voluntariado empresarial. Investigadora sobre empreendedorismo social pelo Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras/UP, em parceria com a Associação para o Empreendedorismo Social e a Sustentabilidade do Terceiro Sector (A3S) e o Dinamia-CET/ISCTE-IUL e financiado pela FCT.
Cláudia Amador
Licenciada em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto desde 2008. Mestre em Sociologia, desde 2010, pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. A Dissertação de Mestrado focou a lógica de articulação entre o Estado, o mercado e a comunidade na prestação de cuidados na velhice. Fez parte de uma equipa deinvestigação da A3S no âmbito do Projecto Dangerous Liaisons - The connection between prostitution and drug abuse promovida pela Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal. Voluntária em Organizações Não Governamentais de Cooperação para o Desenvolvimento (ONGD) no desenvolvimento de projectos de intervenção social e humanitária. Integra a equipa de investigação do projeto Empreendedorismo Social em Portugal do Instituto de Sociologia da FLUP.
PAP1154 - Idoso, velho e velhice.
A definição de idoso tem se transformado
rapidamente na sociedade brasileira – como em
outros países – com as transformações sociais,
econômicas, políticas e dos valores associados
às etapas da vida. Nesse sentido, a proposta
desse trabalho trata-se de discutir preceitos
sociais em que ideias do que é idoso, velho,
velhice e envelhecimento têm ganhado nos
últimos tempos, a partir da pesquisa concluída
de mestrado sobre uma política pública
habitacional alternativa, chamada de Repúblicas
de Idosos de Santos, e, ainda, dos Conselhos
(Municipais e Estaduais) de Idosos de Santos e
São Paulo e das Conferências de Direitos da
Pessoa Idosa realizados em 2010, campo de
pesquisa de doutorado, em andamento. Nos dois
casos, pontua-se fortemente elementos como
protagonismo, independência e a participação
política do idoso em busca de seus direitos.
É, dessa forma, que esse trabalho pretende
problematizar os preceitos sociais em que a
velhice contemporânea está imersa e se
atualiza. Tal modelo prima por fundar-se uma
noção de idoso diretamente oposta a de velho.
As Repúblicas é um projeto promovido pela
prefeitura municipal em que dez idosos dividem
uma casa, gerenciam suas contas, tarefas
domésticas e possuem a chave de casa. Essas são
as vantagens ressaltadas pelos agentes da
prefeitura. Mais do que uma moradia, refere-se
a um estilo de vida e de desenhar um modelo de
velhice em que atividade, autonomia e
independência são valorizadas. Se essa
concepção é fundada na direção de extrapolar a
ideia de velho, na direção de valorizar
perspectivas e possibilidades de vivências,
cria-se também um modelo muito bem definido de
perfil do candidato, em que a juventude
permanece referência de estilo de vida.
Os Conselhos de Direitos dos Idosos são
espaços em que se discutem propostas de
políticas públicas e fiscaliza as ações do
Estado. Tais propostas estão diretamente
relacionadas com ao modelo democrático de
gestão estatal e controle das ações promovidas
para essa população. Em 2010, acompanhei
assembleias gerais ordinárias mensais dos
Conselhos Municipais das cidades de Santos e de
São Paulo e do estado de São Paulo. Além disso,
as Conferências são realizadas com certa
periodicidade, com a finalidade de chamar a
sociedade civil para discutir e propor novas
sugestões de política pública. O campo abrangeu
aquelas relacionadas aos conselhos estudados,
além da nacional no mesmo ano.
Os casos estudados nas pesquisas de mestrado e
de doutorado apresentam políticas pensadas pelo
Estado que revelam valores, ideais e estilos de
vida associados ao modelo de velhice em voga.
- OLIVEIRA, Glaucia S. Destro de

Estudante de doutoramento em Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), na linha Cultura e Política, desenvolve pesquisa sobre discursos de velhices em políticas sociais, sob orientação da profa. dra. Guita Debert. Defendeu o mestrado em março de 2009 em Antropologia Social na Universidade Estadual de São Paulo (USP), sob orientação do prof. dr. Júlio Simões, e é bacharel em Sociologia e Antropologia, além de licenciada em Ciências Sociais também pela UNICAMP.
PAP0997 - O debate sobre a politecnia na organização do trabalho: estudo de caso em uma cooperativa popular no Brasil
O conceito de politecnia remonta ao debate teórico sobre a fusão entre trabalho intelectual e trabalho manual, elementos separados no processo de trabalho capitalista. A proposta politécnica vislumbra a formação de trabalhadores omnilaterais, detentores dos conhecimentos técnicos e científicos para a execução das atividades e tendo o domínio das ferramentas de gestão da produção e do processo de trabalho, apresentando competências diversas e voltadas para uma atuação complexa na atividade produtiva. O debate teórico sobre politecnia esteve presente nas experiências socialistas do início do século XX, sendo recolocado em discussão sobre as perspectivas da organização democrática do trabalho a partir do final do século XX, enquanto importante elemento na construção da autogestão plena. Na perspectiva da autogestão, a formação dos trabalhadores tem como foco o trabalho associado em empreendimentos autogeridos, o que difere da constituição de um estoque de capital humano convertido em força de trabalho posta em atividade na produção pelas empresas capitalistas. Assim, a questão da empregabilidade, colocada em destaque na formação do capital humano, perde sentido em um ambiente autogestionário, em uma cooperativa popular, pois o foco na formação para o trabalho está em contribuir para o desenvolvimento pessoal e do empreendimento, e não apenas na perspectiva de auferir emprego ou colocação no mercado. A pesquisa realizada em uma cooperativa popular autogestionária no Estado do Rio Grande do Sul, região Sul do Brasil, formada por trabalhadores ligados aos movimentos sociais do campo, permite a observação de elementos em sua organização do trabalho voltados para a ampliação dos conhecimentos dos trabalhadores associados tanto no que tange à execução das atividades quanto no que diz respeito à gestão do empreendimento. Ao se observar a trajetória do trabalho associado, o rodízio de funções, a dinâmica nos cargos de gestão e execução, a forma de remuneração do trabalho e a formação técnica e geral de seus quadros, pode-se apontar a possível aplicação do conceito de politecnia em um ambiente autogestionário.
- CHIARIELLO, Caio Luis

- EID, Farid
Caio Luis Chiariello
Universidade Federal de Sao Carlos - Brasil
Doutorando em Engenharia de Producao
Organizacao do trabalho e cooperativismo
PAP0818 - O desafio do poder de gerir pessoas e intermediar conflitos organizacionais nas sociedades contemporâneas
Em muitas situações contingentes e de mudança, os colaboradores nas organizações dedicam-se à negociação informal. No entanto, é complexa a aferição da intensidade temporal despendida por sociólogos do trabalho, gestores e, sobretudo, pelos gestores de pessoas, ao debruçarem-se sobre questões negociais. Negociar é um acto contínuo à Gestão de Pessoas. Todavia, os estudos empíricos que relacionam o poder negocial com a eficácia organizacional não proliferam na literatura. A Gestão das Pessoas como função ‘partilhada’ e sistémica não se limita à participação das hierarquias em tarefas e actividades desempenhadas pelos responsáveis pela função, desde o Recrutamento à Avaliação de Desempenho. Trata-se de uma gestão dos colaboradores que deverá ser associada a uma gestão do processo de comunicação informal e matricial.
Os principais objectivos do estudo inscrevem-se numa lógica de complexidade ao analisar-se até que ponto o poder negocial inerente à Gestão das Pessoas extravasa uma perspectiva exclusivamente departamental. Pretendeu-se analisar a participação deste tipo de Gestão no processo de tomada de decisão, procurando-se identificar as percepções dos outros departamentos sobre o estatuto e a influência da Gestão das Pessoas na negociação. Paralelamente, estabeleceu-se uma ligação entre as várias formas/orientações de negociação (distributiva, integrativa e de motivação mista) e os recursos utilizados nas diferentes práticas negociais empreendidas, avaliando-se os efeitos da intervenção da Gestão de Pessoas, cada vez mais uma gestão emocional e de sensibilidades, que implica uma política de proximidade na influência dos (des)equilíbrios de poder na negociação.
A opção por uma amostra de conveniência fez-se sentir relativamente à escolha de quatro empresas consideradas, na sua quase totalidade, de grande dimensão.
Foram realizadas 20 entrevistas com o intuito de se analisarem as perspectivas inter-departamentais sobre o poder e a política, tendo como base as diferentes expectativas, preocupações e percepções dos entrevistados, os quais eram Directores de diferentes Departamentos/Unidades, posicionalmente situados no organigrama ao mesmo nível hierárquico de atribuições. O facto de pertencerem, na sua maioria, a organizações com mais de 5000 colaboradores facilita o desenho funcional e estratégico das Unidades de Negócio, dada a complexidade das mesmas.
- MOREIRA, Ricardo Bessa

- CUNHA, Pedro

Mestre em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade do Minho
Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Fernando Pessoa
Professor Auxiliar na Universidade Lusófona do Porto
Professor Convidado Equiparado a Auxiliar na UMinho
Interesses e áreas de Investigação: Gestão de Recursos Humanos, poder e negociação
Pedro Cunha
Pós-Doutorado em Psicologia na USC, sob orientação dos Profs. Doutores Gonzalo Serrano (Espanha) e Jorge Correia Jesuíno (Portugal). Doutor em Psicologia pela USC (bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia), Licenciado em Psicologia e Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde pela FEP da Universidade Católica e Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Letras do Porto, possui Certificado de Mediador de Conflitos e Mediador Familiar.
Director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa (2001-2004), na qual é Professor Associado com Agregação. Docente convidado da FEP – Faculdade de Economia e na EGP/Business School da Universidade do Porto. Os seus interesses de investigação direccionam-se prioritariamente para as áreas de gestão de conflitos, negociação e mediação.
PAP1089 - O desafio do poder de gerir pessoas e intermediar conflitos organizacionais nas sociedades contemporâneas
Em muitas situações contingentes e de mudança, os colaboradores nas organizações dedicam-se à negociação informal. No entanto, é complexa a aferição da intensidade temporal despendida por sociólogos do trabalho, gestores e, sobretudo, pelos gestores de pessoas, ao debruçarem-se sobre questões negociais. Negociar é um acto contínuo à Gestão de Pessoas. Todavia, os estudos empíricos que relacionam o poder negocial com a eficácia organizacional não proliferam na literatura. A Gestão das Pessoas como função ‘partilhada’ e sistémica não se limita à participação das hierarquias em tarefas e actividades desempenhadas pelos responsáveis pela função, desde o Recrutamento à Avaliação de Desempenho. Trata-se de uma gestão dos colaboradores que deverá ser associada a uma gestão do processo de comunicação informal e matricial.
Os principais objectivos do estudo inscrevem-se numa lógica de complexidade ao analisar-se até que ponto o poder negocial inerente à Gestão das Pessoas extravasa uma perspectiva exclusivamente departamental. Pretendeu-se analisar a participação deste tipo de Gestão no processo de tomada de decisão, procurando-se identificar as percepções dos outros departamentos sobre o estatuto e a influência da Gestão das Pessoas na negociação. Paralelamente, estabeleceu-se uma ligação entre as várias formas/orientações de negociação (distributiva, integrativa e de motivação mista) e os recursos utilizados nas diferentes práticas negociais empreendidas, avaliando-se os efeitos da intervenção da Gestão de Pessoas, cada vez mais uma gestão emocional e de sensibilidades, que implica uma política de proximidade na influência dos (des)equilíbrios de poder na negociação.
A opção por uma amostra de conveniência fez-se sentir relativamente à escolha de quatro empresas consideradas, na sua quase totalidade, de grande dimensão. Foram realizadas 20 entrevistas com o intuito de se analisarem as perspectivas inter-departamentais sobre o poder e a política, tendo como base as diferentes expectativas, preocupações e percepções dos entrevistados, os quais eram Directores de diferentes Departamentos/Unidades, posicionalmente situados no organigrama ao mesmo nível hierárquico de atribuições. O facto de pertencerem, na sua maioria, a organizações com mais de 5000 colaboradores facilita o desenho funcional e estratégico das Unidades de Negócio, dada a complexidade das mesmas.
A principal vantagem desta investigação relaciona-se com o possível contributo na tentativa de ligação entre Gestão de Pessoas e Negociação, sob o ponto de vista da distribuição de poder(es), e na aferição de uma perspectiva inter-departamental do(s) mesmo(s) quanto à participação que o Departamento de Gestão de Pessoas pode ter na eficácia organizacional. Este tipo de abordagem afigura-se, de certa forma, inovador no panorama nacional.
- MOREIRA, Ricardo Bessa

Mestre em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade do Minho
Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Fernando Pessoa
Professor Auxiliar na Universidade Lusófona do Porto
Professor Convidado Equiparado a Auxiliar na UMinho
Interesses e áreas de Investigação: Gestão de Recursos Humanos, poder e negociação
PAP0154 - PLANEJAMENTO SOCIOAMBIENTAL NAS ORGANIZAÇÕES: CONVERGÊNCIA E INTEGRAÇÃO DE PROPÓSITOS PARA ADAPTAÇÕES INSTITUCIONAIS CONTINUADAS.
Este artigo, fruto de pesquisa bilbiográfica e
documental, objetiva desconstruir os conflitos
existentes entre desenvolvimento e meio
ambiente, e reforçar que ambos podem conviver
harmoniosamente. O homem não é elemento supra,
infra ou extranatureza, ele está nela.
Desenhado a partir das idéias-chave de Fritjof
Capra, Edgar Morin, Boaventura de Sousa Santos,
Ignacy Sachs, Carl Sagan e Hector Leis, o
ensaio endereça-se a compatibilizar modernidade
e modernização, assim como mitigar o hiato de
compreensão reinante entre diversos atores
sociais que promovem o crescimento e o
desenvolvimento (de organizações e Estados) e
aqueles outros responsáveis pela proteção e/ou
preservação da natureza. Deixa florescer que a
mudança de valores individuais se faz
necessária para arquitetura e implementação da
gestão ecológica nas instituições, bem como
esclarece que o desenvolvimento organizacional
– esforço planejado que abrange toda a
organização, administrado do alto por meio de
intervenções planejadas, nos procedimentos pela
ciência do comportamento – é instrumento
adequado para alavancar as hodiernas demandas,
uma vez que seu conceito está intimamente
ligado aos anseios de mudança e de capacidade
adaptativa da organização à mudança. Esse
desenvolvimento organizacional visa a tornar a
organização mais eficiente, adaptável às
mudanças, principalmente aquelas de natureza
social e tecnológica, e busca a harmonização
entre o atendimento das necessidades humanas e
a consecução das metas da organização. No caso
brasileiro, demonstra que as empresas passaram
a obter certificações na área ambiental,
denotando interesses e conscientização no jogo
governo x instituições empresariais, e alega
que a certificação é apenas um caminho, mas de
relevante importância no contexto
socioambiental. Por fim, conclui que se faz
necessário pesquisar o quanto se ganhou e ainda
se pode ganhar adotando o pensamento reformador
e a gestão sustentável dos negócios. O ensaio é
finalizado com uma questão: quando é que
pensarão em deixar homens melhores para a
Terra?
- SOUSA JR, Afonso Farias

- PINHO, Joaquim Carlos Costa
- BILICH, Feruccio
AFONSO FARIAS DE SOUSA JÚNIOR
PARTE ACADÊMICA - FORMAÇÃO
FORMAÇÃO INICIAL EM CIÊNCIAS DA LOGÍSTICA E POSTERIORMENTE EM ADMINISTRAÇÃO. TAMBÉM GRADUADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS. ESPECIALIZADO EM a) ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA; b) EM ANÁLISE INTERNACIONAL/NEGÓCIOS; c) EM ESTUDOS DE POLÍTICA E ESTRATÉGIA; d) MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA; e) DOUTORADO EM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.
PARTE PROFISSIONAL - EXECUTIVA
EXERCEU CARGOS NA GESTÃO PÚBLICA POR MAIS DE 20 ANOS NAS ÁREAS DE FINANÇAS, GESTÃO DE MATERIAL, PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO PÚBLICO E CONTABILIDADE ESTRATÉGICA GERENCIAL. ATUOU TAMBÉM EM PROGRAMAS DO GOVERNO FEDERAL DE APOIO A SOCIEDADE CIVIL.
PARTE PROFISSIONAL - DOCENTE
HÁ MAIS DE 15 ANOS LECIONA NO ENSINO SUPERIOR NAS ÁREAS DE PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO PÚBLICO E GESTÃO SOCIOAMBIENTAL.
PESQUISADOR NAS ÁREAS DE SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL, TEMA QUE ESTÁ ATUALMENTE ENVOLVIDO EM 3 PROJETOS DE PESQUISA EM INSTITUIÇÕES FEDERAIS.
TEM PUBLICAÇÕES VOLTADAS PRINCIPALMENTE À SUSTENTABILIDADE, A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL E À DEFESA NACIONAL.
PAP0369 - Participação de actores sociais na gestão de bacias hidrográficas: Estudo de caso da bacia do rio Ardila.
Resumo: O Alentejo confronta-se com a
alteração da paisagem e pressão sobre os
recursos naturais resultante da alteração do
uso de solo, devido à maior disponibilidade de
água para rega proveniente da construção do
Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva
(EFMA) em 2002. A Directiva 2000/60/CE, 23
Outubro (Directiva Quadro da Água – DQA),
transposta pela Lei 58/2005, 29 de Dezembro
(Lei da Água – LA), tem como finalidade
proteger as massas de água, estabelecendo
objectivos ambientais a serem atingidos em
2015. Nos termos da DQA e LA, os planos de
gestão para as regiões hidrográficas deverão
integrar um programa de medidas que permitam
alcançar os objectivos ambientais definidos. A
participação pública no processo de
desenvolvimento dos planos de gestão de bacia
das regiões hidrográficas é um dos requisitos
da DQA e da LA, pretendendo-se integrar vários
sectores e actores sociais, na definição das
acções a desenvolver no domínio da água e da
sua gestão integrada e sustentável.
Actualmente, é reconhecido a nível global a
importância de promover e incentivar o
envolvimento dos actores sociais no processo
de planeamento e gestão dos recursos hídricos.
É através do confronto entre as diferentes
necessidades de utilização da água, muitas
vezes com interesses antagónicos, que se
consegue promover a gestão integrada e
protecção dos recursos hídricos. Neste
trabalho é estudada a bacia do rio Ardila com
o objectivo de conhecer os usos de solo,
atitudes, comportamentos e expectativas dos
actores relevantes nesta bacia, como
contributo para acções e actividades planeadas
no âmbito do Plano de Bacia do Guadiana, em
curso, e onde se inclui a bacia do Ardila.
Para o efeito, efectuou-se: (1) pesquisa
documental e empírica para identificar as
principais actividades desenvolvidas na bacia
hidrográfica com potenciais impactes no rio
Ardila e seus afluentes; (2) questionário base
para compreender a visão dos diferentes
intervenientes e identificar os principais
problemas da qualidade da água no rio Ardila;
(3) questionários específicos por actividade
desenvolvida na bacia hidrográfica (e.g.
agricultura, agro-pecuária e olivicultura)
para perceber as alterações do uso do solo
decorrentes da construção do EFMA. Com os
resultados obtidos pretende-se identificar os
aspectos relevantes para a definição de
estratégias sustentáveis nesta bacia
susceptíveis de envolver os vários sectores de
actividade e os principais actores sociais com
vista a: (1) tomada de decisões sustentáveis;
(2) maior conhecimento sobre as questões
ambientais; (3) diminuição de conflitos por
falta de informação. Consequentemente,
pretende-se contribuir para o sucesso de
implementação da DQA, através do cumprimento
dos objectivos ambientais estabelecidos nos
planos de gestão para a região hidrográfica do
Alentejo. Palavras-chaves: participação
pública/gestão da bacia hidrográfica
- DURÃO, Anabela

- VIEGAS PITEIRA, António
- FERNANDES, Rosa M.
- MORAIS, M. Manuela
Formação: (1992) Licenciada em Engenharia Civil - Universidade Eduardo Mondlane/Moçambique, (1999) Mestre em Engenharia Sanitária - Universidade Nova de Lisboa (2009 - ) doutoranda em Ciências da Engenharia do Território e Ambiente, na Universidade de Évora. Percurso Profissional: 1983-1991 Técnica média de Engenharia Civil na Direcção Nacional de Águas - Moçambique; 1992- 1995 Engenheira Civil, responsável pelas obras de abastecimento de água e de saneamento na cidade da Beira - Moçambique; 1997-1998 Engenheira Civil no Gabinete Técnico local para a Salvaguarda do Centro Histórico de Arraiolos; 2000-2002 Assessora do Ambiente na Câmara Municipal de Nisa, 2002 até a presente data, docente no Curso de Engenharia do Ambiente - Instituto Politécnico de Beja. Temas de investigação: Gestão integrada da água; Gestão de bacias hidrográficas; Participação pública nos processos de gestão de Bacias Hidrográficas.