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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Globalização»

PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE
Resumo de PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE
PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE

Portugal tem vivido ao longo dos últimos trinta e cinco anos etapas diversas da construção da democracia. Percorremos um caminho de crença a um quotidiano de incerteza. A actualidade torna frágil a soberania. O quadro representado no tempo presente, permite constatar a projecção global dos interesses nacionais mas em contrapartida, deixa o país permeável a toda a gama de interesses exógenos. Antes como agora na nossa história como Nação, os portugueses têm encontrado e ultrapassado momentos de transição. A tecnologia, os mercados financeiros e a democratização de muitas sociedades aceleraram a globalização numa escala sem precedentes. Porém, a globalização também intensificou os perigos que nós encaramos como o terrorismo internacional e disseminação/propagação de tecnologias letais, perturbações económicas e a mudança climática. As modificações operadas na sociedade portuguesa reflectiram-se num sector sensível dos interesses nacionais – os Serviços de Informações. As diversas alterações de objectivos e os vários enquadramentos institucionais a que os Serviços de Informações têm sido sujeitos, e que resultaram na constituição do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), são os fiéis intérpretes do percurso sinuoso a que este sector da vida nacional tem sido sujeito e espelham as respostas às realidades distintas construídas desde o tempo das certezas ao tempo global do risco, da incerteza e da fragilidade. Nesta panóplia de alterações, firma-se um registo que desperta a nossa curiosidade: os Serviços de Informações Militares. No mesmo período em que as alterações de funções e estrutura organizacional se verificaram nos Serviços de Informações e particularmente nas Informações Militares, Portugal, através das Forças Armadas e enquanto membro de diversas Organizações Internacionais vem prestando o respectivo contributo ao esforço colectivo de promoção da paz e segurança numa perspectiva global, apresentando uma projecção de Forças Nacionais Destacadas (FND) sem paralelo histórico nacional. No entanto, a disseminação de FND ao invés de fortalecer a posição do sector das Informações Militares no conjunto do sistema de informações, correspondeu à diminuição da importância daquele sector, ou seja, num contexto de incerteza global, a necessidade de saber não só se mantém como deve crescer, mas esta não foi a leitura feita pelas entidades responsáveis. A interacção do país com realidades novas, por via da participação em acções mergulhadas na turbulência do risco e da incerteza, fenómenos decorrentes do processo de globalização, remete-nos para o estudo do sector das informações militares: a sua evolução, enquadramento institucional e funções na democracia em Portugal, ou seja, desde um tempo tradicional em que o país se encontrava quase retirado do cenário internacional até a actualidade em que não se pode descurar as influências da globalização.
  • FONSECA, Dinis Manuel Victória CV de FONSECA, Dinis Manuel Victória
Dinis Manuel Victória da Fonseca; Militar, atualmente a prestar serviço no Estado-Maior-General das Forças Armadas; Licenciatura em Sociologia (ISCTE); Mestrado em Sociologia da Família (Universidade de Évora); Doutorando em Sociologia (Universidade de Évora/Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA). Áreas de interesse: Sociologia Militar; Informações e Defesa; Condição militar; Relações civil-militares. Algumas publicações de referência: ADLER, Alexander (2009), O Novo Relatório da CIA, Lisboa, Editorial Bizâncio; BALTAZAR, Maria da Saudade (2002), As Forças Armadas Portuguesas, Desafios Numa Sociedade Em Mudança, Évora, Universidade de Évora (Dissertação de Doutoramento, polic.); CARDOSO, Pedro (2004). As Informações em Portugal, Lisboa, Gradiva/IDN; GIDDENS, Anthony (1997). Sociologia, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian; GIDDENS, Anthony (2007). A Europa na Era Global, Lisboa, Editorial Presença; HUNTINGTON, Samuel (1972), The Soldier and the State: the theory and politics of civil-military relations, Cambridge, The Belknap Press of Harvard University Press; JANOWITZ, Morris, e LITTLE, Roger W. (1974), Sociology and Military Establishment, London, Sage Publications; KENT, Sherman (1966), Strategic Intelligence For American World Policy, Princeton, Princeton University Press; MOSKOS, Charles e WOOD, Frank (1988), The Military, more than a Job?, Great Britain, Pergamon-Brassey´s.

PAP1259 - A crise económica e os problemas do discurso “globalista” e/ou “europeísta”: oportunidade para um regresso à democracia?
Resumo de PAP1259 - A crise económica e os problemas do discurso “globalista” e/ou “europeísta”: oportunidade para um regresso à democracia? PAP1259 - A crise económica e os problemas do discurso “globalista” e/ou “europeísta”: oportunidade para um regresso à democracia?
PAP1259 - A crise económica e os problemas do discurso “globalista” e/ou “europeísta”: oportunidade para um regresso à democracia?

Num contexto em que o discurso “globalista” se tornou largamente hegemónico, quer na versão “optimista” oficial e dominante, quer em versão subalterna e “alter-globalista”, é importante começar por destacar o carácter largamente mítico do mencionado discurso, o qual se reporta de facto muito mais às realidades culturais e políticas do que às económicas, e de resto assumindo em geral uma validade estritamente “performativa”: trata-se de um discurso “verdadeiro” na medida e apenas na medida em que os agentes se convençam da sua “verdade”, comportando-se em conformidade com essa convicção e “fazendo-o” nesse sentido verdadeiro. Uma das consequências políticas da hegemonia do discurso “globalista” é, entretanto, a inegável crise do Estado-nação e o nadir atravessado pelo próprio conceito regulador de soberania. Este nadir da soberania corresponde obviamente a um processo de marcada des-emancipação política, no qual as instituições políticas democráticas são tendencialmente esvaziadas de conteúdo, seja em nome da alegadamente inevitável race to the bottom da fiscalidade, dos salários e da intervenção económica estatal em ambiente de “economia aberta”, seja em nome duma putativa “sociedade civil global”, à qual manifestamente não corresponde qualquer expressão política própria directa, mas que seria de acordo com algumas narrativas o veículo de universalização da “liberdade negativa”, ou “liberdade dos modernos”, ou seja, a liberdade relativamente à interferência de qualquer instância estatal. Este discurso constitui obviamente uma enorme tartufferie, entre outras razões porque a perda de “liberdade positiva” em nada contribui para o reforço da “liberdade negativa”, mas também porque as tendências “globalistas” veiculam agendas marcadamente imperiais… e imperiais não num sentido “negri-hardtiano”, supostamente “abstracto”, mas imperiais com uma base marcadamente nacional: norte-americana, ou europeia ocidental. Entretanto, as populações europeias tornaram-se elas próprias, através do intento “public choice” de fabricação duma moeda única, vítimas duma colossal engenharia política destinada à constituição de um centro decisório unificado e “livre de ciclo eleitoral”, que é o que desde a origem subjaz ao “projecto Euro”. A crise posterior a 2008, entretanto, parece estar a contribuir para acordar os povos europeus do sono profundo (ou da hibernação política) em que o ópio “europeísta” as tinha mergulhado…
  • GRAÇA, João Carlos CV de GRAÇA, João Carlos
Nome completo: João Carlos de Andrade Marques Graça
Filiações institucionais: Professor auxiliar com agregação do ISEG-UTL, Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade Técnica de Lisboa; investigador do SOCIUS, Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, ISEG-UTL.
Áreas de Interesse: sociologia económica, sociologia política, sociologia histórica, teoria social.

PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante
Resumo de PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante
PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante

Este artigo reporta os resultados de uma investigação realizada no âmbito da licenciatura em Sociologia na Universidade do Minho. A partir das experiências de convívio numa residência universitária, onde residimos durante três anos, foi possível obter muitos contactos com estudantes estrangeiros de mobilidade universitária. Nesta convivência permanente percebemos que a inserção destes estudantes dentro da comunidade académica local, bem com o meio social envolvente da universidade, era uma questão pertinente. A partir desse ponto, observamos um certo distanciamento dentro da própria sala de aula entre os estudantes portugueses e os estrangeiros que frequentavam as nossas unidades curriculares. Um afastamento que, na nossa óptica, ia para além da sala de aula. Se por um lado os rituais de acolhimento têm os objectivos de inserir principalmente os estudantes portugueses que se matriculam para completar a licenciatura na Universidade do Minho, por outro, os estudantes estrangeiros têm o seu próprio espaço de acolhimento e constroem os seus próprios eventos e celebrações, como festas e passeios. Todos estes factores de complexidade, mas igualmente de distaciamento dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitário com a comunidade académica local e no meio social da Universidade do Minho, integram o nosso objecto de estudo. Para compreender tais aspectos, foi fundamental enquadrar teoricamente o estudante universitário da academia minhota a partir de estudos realizados por Almeida et all (2002). Com base nestas investigações, partimos para uma observação empírica sobre os percursos de inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica local, bem no meio social que rodeia a Universidade do Minho. Esta observação foi apoiada em entrevistas semi-estruturadas realizadas a estes estudantes, que partilharam suas experiências e representações durante o intercâmbio que fizeram em Portugal. Experiências estas marcadas por um certo distaciamento em relação aos colegas portugueses, por falta de reciprocidade por parte destes últimos. Este distanciamento não se verifica no que toca ao meio social da cidade de Braga, onde os estudantes demonstram um sentimento de pertença quando se fala da cidade.
  • FERREIRA, Filipe CV de FERREIRA, Filipe
Filipe André Von Nordeck Sousa Ferreira
Universidade do Minho
Mestrando de Sociologia - Desenvolvimento e Políticas Sociais

Cultura e Estilos de vida
Mobilidade e dinamicas sociais
Desenvolvimento e Políticas Sociais

PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements
Resumo de PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements
PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements

Social movements, and more concretely the alter-globalisation ones, are spaces that permit to maintain a certain public sphere, which is not reserved to a particular social class – that is to say, neither the bourgeoisie nor the popular strata, but rather it is about a sphere which aims for the universality by incorporating wide and diverse sectors of the society. Following Habermasian terms in particular and the language of the Frankfurt School’s critical theory in general, I assume that social movements construct “communicative reason” as when activists denounce “instrumental rationality” under its economicist and neo-liberal variant or when they call into question globalisation in its current and hegemonic form. They are places for “ideal speech situation”, that is, beyond their personal or private interests, beyond their idiosyncrasies, people through social movements discuss and debate publicly, rationally and critically about issues concerning the public realm. They use their reason for political matters. This concretely occurs notably via assemblies, print and virtual media. But, this is also the case through other repertoires of collective action as when they take to the streets during marches and demonstrations, as when they re-appropriate common kinds of public places as the square. This process also happens through the activation of various artistic expressions (dramaturgies, mises-en-scène, paintings, sculptures, songs, music, etc.), games, exchanges, sometimes around foods and drinks, all of them often taking place in the proper recuperated square. Hence, through the example of Portuguese alter-globalisation social movements, we shall also see how their members make public spheres and reinvent democracy. This happens via repertoires of collective action that are often considered as “non-conventional politics” and including as “irrational”, in particular by a certain Establishment and adversaries. However, we shall observe that these actions have, on the contrary, their own rationalities, which reappraise the concept of conventionality in politics and in democracy, and finally the ideas and practices of politics and democracy themselves. These are therefore the aspects I would like to develop in the following paper.
  • MASSE, Cédric CV de MASSE, Cédric
Trained in social sciences, notably in anthropology and sociology, Cédric Masse is working on topics related to social movements, non-governmental organisations (NGOs), civil society. More precisely, he is currently doing research on alter-globalisation and social movements in Portugal as part of a doctoral thesis in sociology at the Institute of Social Sciences of the University of Lisbon and with the financial support of FCT. This study also deals with sociology of action, knowledge and identity from an epistemological perspective. He published a book entitled Les organisations non-gouvernementales face aux gouvernants: Les rapports majeurs des ONG avec l’ONU, la Banque Mondiale et la Commission Européenne (2007, Paris, Editions Le Manuscrit).

PAP1203 - Cidade Maravilha, purgatório da beleza e do caos - Globalização e Política Urbana no Rio de Janeiro no limiar do século XXI
Resumo de PAP1203 - Cidade Maravilha, purgatório da beleza e do caos -  Globalização e Política Urbana no Rio de Janeiro no limiar do século XXI PAP1203 - Cidade Maravilha, purgatório da beleza e do caos -  Globalização e Política Urbana no Rio de Janeiro no limiar do século XXI
PAP1203 - Cidade Maravilha, purgatório da beleza e do caos - Globalização e Política Urbana no Rio de Janeiro no limiar do século XXI

Qualquer análise sobre as transformações observadas nas cidades contemporâneas não pode prescindir de uma referência à globalização. Esta aparece, em geral, como uma “entidade” implacável que não deixa “pedra sobre pedra” por onde atua, definindo novos rumos à economia, à cultura, às relações sociais, à política e à dinâmica citadina, em diferentes partes do planeta. Pensar a globalização como algo dado, inevitável é desconsiderar o fato de que ela se configura enquanto um projeto incompleto que traz em si duas verdades (contraditórias em sua essência): “uma geografia sem fronteiras e de mobilidade e uma geografia de disciplina de fronteira” (MASSEY, 2008). Em suma, extraterritorialidade para uns (homens de negócios, da cultura, acadêmicos, turistas) X prisão à localidade para a grande maioria desfavorecida (BAUMAN, 1999). A realidade que marca muitas cidades, sobretudo aquelas de países emergentes ou do Terceiro Mundo, demonstra o quão o ambiente urbano tem sido desfavorável quanto às possibilidades de acesso e de escolha por parte de grande maioria dos citadinos, agudizando/cronificando situações de pobreza, exclusão, segregação, mobilidade, preconceito/discriminação, desemprego, falta de participação política. A Cidade do Rio de Janeiro é exemplar para a discussão sobre a forma como o tripé globalização, desigualdade e mobilidade tem se conformado nos discursos dos diferentes atores e se expressado objetivamente na configuração das relações que marcam a espacialidade urbana. O que se constata é que as diferentes iniciativas de gestores e planejadores – materializadas nas políticas urbanas que, desde os anos 90, principalmente, buscam inserir a Cidade no que se convencionou chamar de “mercado mundial de Cidades” – não têm sido capazes de dirimir as desigualdades intraurbanas, tampouco de proporcionar a todos os moradores o acesso às tão difundidas “vantagens” da globalização. A marca que se pretende impingir ao Rio de Janeiro – associada à cultura, ao lazer, aos esportes, aos grandes eventos internacionais – e as ações implementadas a partir de parcerias público-privadas reeditam políticas urbanas excludentes, segregacionistas, claramente comprometidas com as demandas do capital. Mesmo as iniciativas ancoradas no discurso de integração da “cidade informal” (“favelas”) à “cidade formal”, bem como as ações de “pacificação” das comunidades antes dominadas pelo tráfico possuem vinculação ao modelo de cidade perseguido (cidade global) e nenhum compromisso com as demandas legítimas dos citadinos. Tudo isto fica muito claro quando constatamos que as áreas priorizadas por estes projetos são aquelas com maior visibilidade e as que agregam equipamentos voltados para o turismo, para a cultura e o lazer – logo, capazes de atrair investidores nacionais e internacionais, bem como um público “qualificado”, principalmente os turistas.
  •  MAIA, Rosemere Santos CV - Não disponível 
  •  ICASURIAGA, Gabriela Lema CV - Não disponível 

PAP0775 - Entre a defesa e o ataque, os imigrantes do futebol português
Resumo de PAP0775 - Entre a defesa e o ataque, os imigrantes do futebol português PAP0775 - Entre a defesa e o ataque, os imigrantes do futebol português
PAP0775 - Entre a defesa e o ataque, os imigrantes do futebol português

Num processo que não é novo, o futebol português participa na dinâmica global de forte competição pela procura de jogadores com características físicas, técnicas e táticas capazes de materializar em vitórias a ambição dos clubes, adeptos e patrocinadores. Em distintas escalas, essa procura tem desencadeado um intenso processo migratório internacional caracterizado, sobretudo, pela sua complexidade assente, em grande parte, na diversidade de origens e destinos migratórios. A observação dos plantéis dos principais clubes europeus, muitos deles constituídos, quase exclusivamente, por jogadores estrangeiros, é reveladora da importância que assume a migração internacional de futebolistas, sendo reflexo de uma cultura desportiva na qual o trabalho atlético atravessa fronteiras políticas, culturais, étnicas, e económicas Também em Portugal os futebolistas estrangeiros são parte integrante e relevante do cenário futebolístico. Nomes anónimos ou mediáticos, os futebolistas estrangeiros representam mais de metade da totalidade dos jogadores da Primeira Liga, sendo que há clubes nos quais os jogadores nacionais ocupam lugar meramente residual. Se para alguns protagonistas do futebol português esta é uma consequência inevitável do funcionamento das leis de oferta e procura do mercado futebolístico, outros apelam a uma atitude defensiva invocando que os futebolistas estrangeiros retiram espaço laboral aos jogadores nacionais. A presente comunicação visa caracterizar o fluxo imigratório do futebol português, determinando o volume, a origem, as reacções e consequências desse processo, considerando ainda que este fenómeno é determinado por dinâmicas de globalização bem como por especificidade da sociedade portuguesa. Esta análise terá em consideração as épocas futebolísticas mais recentes.
  • NOLASCO, Carlos CV de NOLASCO, Carlos
Carlos Nolasco, doutorando em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra/Centro de Estudos Sociais, com uma dissertação na área das migrações de trabalho desportivo. Licenciado em Sociologia e Mestre pela FEUC. Profissionalmente foi assistente de investigação no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra entre 1993 e 2002. Docente do Instituto Piaget desde 1997. Entre 2002 e 2005 exerceu o cargo de Presidente da Direcção da Escola Superior de Educação Jean Piaget de Viseu. Tem como áreas de interesse a sociologia do desporto, migrações e direito e globalização.

PAP0914 - O futebol como produto de consumo na mídia pós-moderna brasileira: o caso Mess- PlayStation
Resumo de PAP0914 - O futebol como produto de consumo na mídia pós-moderna brasileira: o caso Mess- PlayStation PAP0914 - O futebol como produto de consumo na mídia pós-moderna brasileira: o caso Mess- PlayStation
PAP0914 - O futebol como produto de consumo na mídia pós-moderna brasileira: o caso Mess- PlayStation

No dia 6 de abril de 2010, em entrevista coletiva concedida à imprensa, após partida em que sua equipe, o Arsenal, da Inglaterra, fora derrotada pelo Barcelona, da Espanha, por 4 a 1 , com quatro gols do jogador argentino Lionel Messi; o técnico francês da agremiação inglesa, Arsene Wenger, não se conteve e disse a seguinte frase aos jornalistas presentes à entrevista: “(Messi) é um jogador de PlayStation ”. Wenger, ao analisar o atleta argentino, o equipara ao videogame da Sony. Para o treinador francês, a precisão do jogador do Barcelona, sua habilidade no manejo da bola, só é possível no universo simulado do jogo eletrônico da multinacional japonesa. Os grandes jogadores de futebol do passado, como Pelé e Maradona, por exemplo, tinham suas façanhas futebolísticas associadas a fatores não humanos. Pelé é o Rei do futebol para os brasileiros. Maradona é simplesmente Deus para os argentinos. A comparação com a realeza, ou com a divindade, típica da modernidade; deu lugar à associação típica da pós-modernidade, onde o consumo norteia a relação estabelecida por Arsene Wenger. A cultura do esporte mundial tem experimentado, nas três últimas décadas, um crescimento financeiro vertiginoso. Desde os Jogos Olímpicos de 1960, quando a competição foi exibida pela primeira vez ao vivo pela TV, até hoje, as transmissões esportivas têm avançado de forma vertiginosa; inclusive, e principalmente, pelo seu crescente apelo financeiro. Os esportes, de uma forma geral, e a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos, de maneira especifica, são os principais elementos para a experimentação de novidades tecnológicas e de transmissão. Hoje, as grandes marcas de artigos esportivos, que vestem as principais seleções e clubes do futebol mundial, em especial os europeus, concentram suas estratégias mercadológicas na “busca do torcedor internacional e na promoção de suas marcas”. Dentro deste contexto, merece destaque a crescente participação de empresas de comunicação e mídia no universo cultural do futebol, como elemento de consumo do esporte enquanto entretenimento e cultura. A proposta deste trabalho é mostrar o quanto o futebol, enquanto fenômeno cultural, está inserido na chamada cultura pop ou cultura popular. É nossa intenção demonstrar que a inserção do esporte mais popular do planeta nesse universo pop, com o apoio dos meios de comunicação de massa, tem como objetivo principal o consumo, estimulando e fortalecendo a crescente indústria do entretenimento esportivo.
  •  JUNIOR, Ary José Rocco CV - Não disponível 

PAP0282 - O intelectual engagé dos movimentos sociais
Resumo de PAP0282 - O intelectual engagé dos movimentos sociais PAP0282 - O intelectual engagé dos movimentos sociais
PAP0282 - O intelectual engagé dos movimentos sociais

Considerando tanto as continuidades e descontinuidades sócio- históricas, políticas e culturais, como também as constantes metamorfoses na esfera pública, este trabalho pretende uma análise comparativa entre o impacto multidimensional da crítica dos intelectuais dos anos 60 e 70 com a primeira década dos anos 2000. Irá, deste modo, averiguar se subsistem algumas nuances do engagement dos intelectuais dos movimentos sociais dos anos 60/70 no papel do intelectual hodierno face às crises emergentes de índole cultural, social, político-económica que - embora motivadas por públicos, interesses e contextos diferentes - tendem a ter algumas características e contornos em comum. Tendo como referência modelos distintos de lutas e movimentos sociais, este artigo procura estudar a relação e/ou transformação da relação entre activistas e a comunidade intelectual. No entanto, antes de deslindar esta ligação torna-se fulcral compreender a figura e representação do próprio intelectual da modernidade tardia. Ora, e seguindo a tese de Z. Bauman de 1987, os intelectuais legisladores, e politicamente comprometidos à la Jean-Paul Sartre, Martin Luther King, Vaclav Havel, que - através da imaginação democrática, de um vasto repertório de ideias, avaliações, capacidades e lógicas – divulgavam e defendiam os valores dos direitos humanos, da paz e da democracia, esfumam-se aquando o próprio desaparecimento das grandes metanarrativas (Lyotard, 1979). Agora, defende Bauman, os intelectuais pós-modernos têm de se cingir ao papel de intérprete, ou seja, “o de traduzir as diferentes tradições [...]” (Bauman, 1987), de traduzir os múltiplos imaginários, repertórios, códigos que florescem diariamente na esfera pública e lutam em paralelo pelo reconhecimento identitário/cultural no campo político. Não obstante, e considerando o actual contexto de agitação social, a intervenção social, cívica e política dos agentes do campo cultural, parece ir para além do papel de mediador, pois retoma o “efeito desestabilizador”, que tende a provocar “abalos sísmicos e sacode as pessoas” (Said, [1993] 2000: 157). Em suma, este trabalho ambiciona perceber 1) se os intelectuais recuperaram a sua voz, até agora adormecida, na esfera pública; 2) se têm vindo a contribuir com alternativas sócio-culturais e políticas e até mesmo 3) se têm vindo a fomentar um fórum de comunicação com o intuito de instigar alternativas à alternativa imposta pelo sistema.
  • MEDEIROS, Pilar Damião de CV de MEDEIROS, Pilar Damião de
Pilar Damião de Medeiros é desde 2007 doutorada pela Universidade de Freiburg,
Alemanha. Licenciada pela Brock University, Canada e tirou o mestrado na Queen’s
University, Canada e na Universidade de Karlsruhe, Alemanha. É Prof. Auxiliar
Convidada desde 2009 na Universidade dos Açores. Já publicou um livro intitulado
Rollenästhetik und Rollensoziologie (Wuerzburg, Koenigshausen & Neumann, 2007) –
que obteve 3 recensões críticas internacionaise – publicou igualmente 9 artigos e
capítulos de livro na área da Teoria crítica da cultura moderna, globalização cultural,
sociologia dos intelectuais e cultura política. Tem artigos publicados em revistas
como International Journal of Interdisciplinary Social Sciences, International
Journal of Multidisciplinary Thought, Rhetorical Analysis eJournal, Perspectivas,
Economia e Sociologia, entre outros. É membro efectivo do Núcleo de Investigação
em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade do Minho [Coimbra e
Évora] financiado pela FCT (Referência: FEDER/POCI 2010).