PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite
O objetivo dessa
proposta é o de
acompanhar e
analisar percursos
urbanos de jovens
grafiteiros de
periferia em suas
trajetórias de
ocupação no espaço
urbano e nos
ambientes virtuais.
Em uma pesquisa
efetuada sobre a
cartografia de
gangues, galeras e o
movimento hip hop
identificamos que as
trajetórias desses
segmentos na cidade
assumem uma lógica
peculiar. São corpos
em trânsito que
parecem carregar
signos do bairro, de
filiações grupais,
para onde possível
for e assim realizar
encontros,
representações
públicas e fincar
marcas territoriais.
Os corpos juvenis
constituíam e ainda
constituem um mapa
ambulante da
metrópole. No caso
de grafiteiros,
percebe-se formas de
produção de signos,
que transpõem
fronteiras
territoriais e criam
uma peculiar
linguagem no urbano
e do urbano. Os
fluxos de
grafiteiros
transpõem a
invisibilidade dos
bairros de periferia
e criam um mapa não
fixista da cidade.
Os traços e cores
esboçados em
desenhos e grafites
migram dos muros
para telas virtuais
e ampliam o escopo e
a noção de esfera
pública. Propomo-nos
identificar no
corpo dessa nova
abordagem qual a
noção de território
de agrupamentos
juvenis que se
constituem na esfera
das “relações
virtuais”.
Observa-se através
desse foco de
observação outra
escala da metrópole
e novos eixos de
produção de
identidades
culturais e
territoriais. Isso
significa
ultrapassar a visão
de espaços
delimitados, já que,
como bem explicita
Machado Pais, nos
tempos que correm,
os jovens vivem uma
condição social em
que as setas do
tempo linear se
cruzam com o
enroscamento do
tempo cíclico”.
Analisaremos assim
linhas, contornos e
escalas de
representação da
metrópole
contemporânea,
através de
inscrições,
trajetórias e
apropriações de
jovens
"grafiteiros". Vale
ressaltar que muitos
desses jovens, ao
estampar seus
grafites em espaços
de intenso
adensamento urbano,
promovem novas
reconfigurações de
bairros de
periferia apenas
reconhecidos por
situações de
conflito e
violência. Desse
modo, o grafite
constitui uma
prática de
re-apropriação
simbólica do espaço
urbano.
Glória Diógenes nasceu na cidade do Rio de Janeiro. É professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará, Coordenadora do Laboratório das Juventudes (LAJUS), fundadora e ex-coordenadora do “Projeto Enxame – fazendo arte com gangues e galeras e ex-Secretária de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Realizou uma série de pesquisas (publicadas) sobre a criança e o adolescente: “Meninos e meninas de rua: cenário de Ambigüidades” (1993); “História de Vida de Meninos e Meninas de rua” (1994); “Criança Infeliz” - Exploração Sexual-Comercial de crianças e adolescentes em Fortaleza (1998); “Personagens em foco: esses meninos e meninas moradores de rua” (1998). Organizado por outros autores, tem artigos publicados nos seguintes livros: “Abalando os anos 90: funk e hip hop” (Rocco,1997); “Linguagens da Violência” (Rocco, 2000) e “Violência em Tempo de Globalização” (Hucitec, 1999). “Política e Afetividade” (EDUFBA, 2009); “A Juventude vai ao Cinema” (Autêntica, 2009), Juventude em Pauta: Políticas Públicas no Brasil (Petrópolis/Ação Educativa, 2011), Juventudes Contemporâneas: um mosaico de possibilidades (2011). Em 1998, como resultado de sua tese de doutorado, lança, pela Annablume, o livro “Cartografias da Cultura e da Violência - gangues, galeras e o movimento hip hop”, em 2003, o livro “Itinerários de Corpos Juvenis” (Annablume), em 2004, o livro “Cenas de uma Tecnologia Social: Botando Boneco” (Annablume/SESI/FIEC), em 2008, o livro “Os Sete Sentimentos Capitais: Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes” (Annablume) e autora do livro e, em 2010 “ViraVida – uma virada na vida de meninos e meninas no Brasil” (SESI). Junto com o Armazém Cultural organiza os Encontros de Twtteiros Culturais (ETC) em Fortaleza. No momento, pesquisa “Ciber-afectos e conexões em redes: intervenções juvenis na cidade”.