PAP0347 - Envelhecimento, Educação e Autonomia - Investigação sobre um grupo de seniores na área urbana de Viana do Castelo
O fenómeno do envelhecimento constitui uma das dimensões da crise vivida pelas sociedades ocidentais atuais. Entendemos, na senda de muitos outros autores que também se debruçaram sobre o tema, que importa aprofundar o estudo e a reflexão sobre as características sociológicas do problema do envelhecimento populacional, enquanto um dos caminhos que permitirá contribuir para encontrar soluções para a crise atual.
A população mundial, a população europeia e também a população portuguesa têm vindo a envelhecer ao longo das últimas décadas. O facto é tido como um problema social, na medida em que a sociedade atual tem dificuldades em integrar plenamente uma população crescente com as características dos seniores. Entre estas características destaca-se o problema da autonomia/dependência deste grupo populacional.
Esta comunicação tem como principal objetivo apresentar, sucintamente, um projeto de investigação em curso sobre as diferentes características educativas e socioculturais, advindas ou não da emigração durante a vida laboral, de uma amostra da população idosa residente numa área urbana do Norte de Portugal e sobre como as referidas características condicionam ou influenciam as vivências diárias autónomas dos seniores estudados. Pretendemos também apresentar alguns dados recolhidos no âmbito do referido projeto e refletir sobre o significado sociológico dos mesmos. A investigação que aqui se apresenta insere-se num projeto de doutoramento e é constituída por duas partes fundamentais: uma primeira parte de contextualização teórica do envelhecimento enquanto fenómeno social com múltiplas dimensões e implicações e uma segunda parte constituída por uma investigação empírica de caráter qualitativo onde se procura compreender as situações e os fatores que condicionam o envelhecimento autónomo numa área geográfica concreta. Os dados são, sobretudo, o resultado da realização de um inquérito por entrevista a uma amostra de população com mais de sessenta anos.
Nota Biográfica
Manuela Cachadinha é Professora Adjunta na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo desde 1985, onde tem lecionado diversas Unidades Curriculares da área das Ciências Sociais e Humanas em diferentes Cursos de Mestrado e Licenciatura. É Mestre em Sociologia Aprofundada e Realidade Portuguesa pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Licenciada em Sociologia pela mesma Faculdade. Prepara atualmente um Doutoramento em Educação, na Especialidade de Educação e Interculturalidade, na Universidade Aberta. Tem realizado trabalho de investigação sobretudo nas áreas da Sociologia, da Etnografia, da Educação e do Envelhecimento. Tem publicado diversos trabalhos em revistas nacionais e internacionais.
PAP0508 - Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal - Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e Estratégias Identitárias de uma Família Cigana Portuguesa – 1827 – 1957
Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal.
Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e
Estratégias Identitárias de uma Família Cigana
Portuguesa são estudadas desde 1827 – ano do
nascimento de Manuel António Botas – até 1957,
ano do falecimento de António Maia, neto
deste, e filho de Maria da Conceição de Sousa
e Botas. As histórias de vida destes três
indivíduos pertencentes a uma família cigana
lisboeta são investi¬gadas a partir dos
relatos orais de membros desta família; do
jazigo de família; dos registos paroquiais de
batismo, casamento e óbito; dos jornais
relativos aos períodos que medeiam aquelas
datas; dos arquivos militares e da Liga dos
Combatentes da Grande Guerra. Estas fontes
foram instru¬mentalizadas de maneira a
possibilitar e a inter-rela¬cio¬nar categorias
de informa¬ção que permitiram, através da sua
triangulação, a consoli¬da¬ção, descoberta e a
criação de novos conhecimentos.
Nascido dois anos depois do primeiro quartel
do século XIX, Manuel António Botas foi
bandarilheiro, diretor de corridas,
guitarrista, amigo da Severa e do Conde de
Anadia, entre outros. A sua participação
pessoal e, sobretudo, profissional na
sociedade oitocentista portuguesa influenciou
a geração do seu tempo e as vindouras. A sua
filha, Maria da Conceição de Sousa e Botas,
casou pela igreja católica e de acordo com a
Lei cigana, com um cigano, José Paulos Botas,
com quem conceberia oitos filhos. Tia Chata,
nome pelo qual viria a ser conhecida na idade
adulta, transformou-se numa mulher de
respeito. Um dos seus filhos, António Maia,
casou com uma jovem cigana que não seria,
segundo os testemunhos, o amor da sua vida.
Foi combatente na Primeira Grande Guerra,
vindo a falecer, vítima de gases nela
inalados. A sua atividade
política/social/económica/profissional e,
sobretudo, a mediação cultural fize¬ram dele
um tradutor-intérprete intra/intercultural.
As dinâmicas sociais, culturais e étnicas
desenvolvidas por estes três indivíduos, e a
sua família, foram objeto de investigação de
forma a compreender a pluralidade das suas
pertenças étnicas através dos contrastes e
continuidades, nas suas dimensões sociais e
culturais, com a restante sociedade portuguesa.
Nome: Sousa, Carlos Jorge dos Santos
Afiliação institucional: CEMRI – Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – Universidade de Lisboa
Área de formação: Doutoramento em Sociologia (Especialidade em Relações Interculturais)
Interesses de investigação: Cultura, Etnicidade, Trajetórias, Narrativas e Identidades
Outros interesses:
· A50 - Sociologia
· A91 - Ciência Política
· B12 - Políticas Educativas
· C03 - Conceção e Organização de Projetos Educativos
· D02 - Educação e Multiculturalidade
· D05 - Relações Entre Educação e Sociedade
(Formador creditado pelo Conselho Cientifico e Pedagógico da Formação Continua (CCPFC/RFO-14653/02)