PAP0194 - Dos velhos aos “novos” protagonistas dos “espaços de opinião” nos media portugueses: quando o humor se torna um recurso argumentativo na análise política
O subcampo que substancia e dá visibilidade à
actividade de tornar pública a opinião - lugar
de intersecção entre o campo político e o
jornalístico – é um “espaço” protagonizado
pelos actores tradicionais. Da caracterização
destes e da “conceptualização” desta
actividade, das percepções dos colunistas
sobre a política nacional (publicadas em
jornais de “referência portugueses”)e da
receptividade que obtêm junto dos leitores,
nos ocupámos anteriormente (tese de
doutoramento apresentada em 2009, ISCTE-IUL).
Para a presente comunicação, propomo-nos
retomar brevemente algumas questões e
resultados que daqui emergiram, mas também
prestar, agora, atenção a outros protagonistas
de reconhecida notoriedade mediática, a
outros “conteúdos” com considerável impacto
nas “audiências” (entendidas aqui em sentido
lato).
Importará partir da ideia de que na
actualidade se observa não só uma sob
representação de áreas como a economia, alguns
indícios de “afunilamento ideológico”, como
assume cada vez mais destaque um pequeno grupo
de colunistas ligado à cultura (escritores,
poetas ou jornalistas relacionados com
actividades culturais). Os seus textos,
publicados nos jornais ou servindo de base a
intervenções em programas televisivos e
radiofónicas, têm características
particulares. Realçam-se duas: estão presentes
nos “ media de referência” – os que estão mais
direccionados para a informação e análise
política; nos seus comentários recorrem ao
humor e à ironia enquanto “ recurso
argumentativo “ - um misto de informação e
diversão, um certo modo de infotainment -
informando e analisando a actualidade
política, combinam o registo interpretativo
com o humor. Obedecendo a estas
características, em Portugal identificamos
quatro projectos jornalísticos em cujos
conteúdos encontramos a “assinatura” destes
espaços.
Assim, partindo das concepções e perspectivas
teóricas que já accionámos para interpretar
a “opinião publicada”, bem como dos resultados
da pesquisa empírica então efectuada, propomo-
nos agora também iniciar a exploração de uma
nova abordagem que, por um lado, contemple
protagonistas que ainda não tínhamos
suficientemente considerado; e, por outro,
aprofunde as questões das identidades
profissionais na actividade de tornar pública
a opinião. Em tempos de crise, estará também
este subcampo em reconfiguração?
Antónia do Carmo Barriga é Licenciada em Sociologia, Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação, e Doutora em Sociologia pelo ISCTE_IUL. Foi docente no Ensino Profissional, tendo aí desempenhado cargos directivos. Leccionou no Instituto Superior de Serviço Social. Atualmente é Professora Auxiliar convidada na Universidade da Beira Interior. É investigadora no CIES-IUL e colaboradora no CICS-UM. Interessa-se pelo estudo das interações entre o campo político e o campo dos media. Tem investigado a "opinião publicada" nos media tradicionais. Mais recentemente, tem-se interessado também pelos "novos media" e pelo seu papel na participação política".